Comentário sobre O Desejado de Todas as Nações, cap. 49-50

A maioria de nós espera tornar o nosso mundo um lugar melhor, no entanto perseguimos coisas como dinheiro, poder, prazer e honra, pensando que elas produzirão maior realização pessoal e satisfarão nossa necessidade de sentido na vida. Infelizmente, a busca dessas coisas geralmente leva à cobiça, ganância, orgulho e, acima de tudo, ao vazio.

Isso não é novidade. Quando a Festa dos Tabernáculos estava terminando, as pessoas estavam cansadas. Eles tinham sido deslumbradas com as luzes, a música e a festividade, mas não havia nada nessas cerimônias para satisfazer sua grande sede de significado e esperança.

“Se alguém tem sede, venha a Mim e beba”. Jesus cortou o formalismo, oferecendo esperança de salvação e liberdade da escravidão do pecado. As pessoas foram atraídas para Jesus e ficaram desejosas de obter a compaixão, o perdão e a justiça que somente Deus pode suprir. No entanto, Satanás não ficaria de braços cruzados.

O dom de Deus foi tão incrível que a única esperança de Satanás era cegar os olhos das pessoas a fim de impedi-las de enxergar. Ele entrou com suas tentações, encorajando as pessoas a se apegarem à tradição e aos maus desejos e a não buscarem por algo melhor. Se as pessoas tivessem estudado as Escrituras por si mesmas em espírito de oração, elas facilmente teriam sido atraídas para Jesus e o que ele estava ensinando.

A mesma tentação acontece hoje. As Bíblias acumulam poeira enquanto as pessoas trabalham e se divertem, buscando incansavelmente a paz que só Deus pode dar.

Escolhamos, em vez disso, abrir essas Bíblias e dar um passo em direção à alegria eterna!

Lisa Ward
Funcionária da Igreja Adventista do Sétimo Dia Country Life
Cleburne, Texas, Estados Unidos

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/?id=12984      
Tradução: Jobson Santos, Jeferson Quimelli e Gisele Quimelli

 

O DESEJADO DE TODAS AS NAÇÕES, cap. 49-50

Capítulo 49 — Na festa dos tabernáculos
Este capítulo é baseado em João 7:1-15; 37-39.

Três vezes por ano era exigido dos judeus reunirem-se em Jerusalém para fins religiosos. Envolto na coluna de nuvem, o invisível Guia de Israel dera instruções quanto a esses cultos. Durante o cativeiro dos judeus, eles não puderam ser observados; mas ao ser o povo restabelecido em seu próprio país, recomeçara a observância dessas comemorações. Era o desígnio de Deus que esses aniversários O trouxessem à mente do povo. Com poucas exceções, porém, os sacerdotes e guias da nação haviam perdido de vista esse objetivo. Aquele que ordenara essas assembléias nacionais e lhes compreendia o significado, testemunhava a deturpação das mesmas. {DTN 313.1}
A festa dos tabernáculos era a reunião final do ano. Era desígnio de Deus que, por essa ocasião, o povo refletisse em Sua bondade e misericórdia. Toda a Terra estivera sob Sua direção, recebendo Suas bênçãos. Dia e noite permanecera sobre ela o Seu cuidado. O Sol e a chuva tinham feito com que o solo produzisse frutos. Dos vales e planícies da Palestina, tinha sido recolhido o cereal. Apanhadas as azeitonas, armazenara-se o precioso azeite. A palmeira tinha oferecido sua contribuição. Os viçosos cachos da videira haviam sido comprimidos no lagar. {DTN 313.2}
A festa continuava por sete dias, e para celebração da mesma, os habitantes da Palestina, bem como muitos de outras terras, deixavam sua casa e iam ter a Jerusalém. Iam de toda parte, levando consigo um testemunho do regozijo que os animava. Velhos e moços, ricos e pobres, todos levavam alguma dádiva como tributo de gratidão Àquele que lhes coroara o ano com Sua bondade, e lhes dera a abundância. Tudo quanto podia alegrar a vista e dar expressão ao contentamento geral, era levado das matas; a cidade apresentava o aspecto de uma linda floresta. {DTN 313.3}
Essa festa não era somente a ação de graças pela colheita, mas uma celebração do protetor cuidado de Deus sobre Israel no deserto. Para comemorar sua vida em tendas, os israelitas durante a festa habitavam em cabanas ou tabernáculos de ramos verdes. Essas cabanas eram erguidas nas ruas, nos pátios do templo, ou nos telhados das casas. As colinas e vales em torno de Jerusalém achavam-se também bordados com essas habitações de folhas, e repletas de gente. {DTN 313.4}
Com hinos sagrados e ações de graças, celebravam os adoradores essa ocasião. Pouco antes da festa vinha o dia da expiação; quando, depois de confessados os pecados, se declarava o povo em paz com o Céu. Assim se preparava o caminho para o regozijo da festa. “Louvai ao Senhor, porque Ele é bom, porque a Sua benignidade é para sempre” (Salmos 106:1), eram as palavras que se erguiam triunfalmente, ao passo que toda espécie de música, de mistura com aclamações de hosanas, acompanhavam o unido canto. O templo era o centro da alegria geral. Ali se achava a pompa das cerimônias sacrificais. Ali, enfileirados de ambos os lados da escada de branco mármore do sagrado edifício, dirigia o coro dos levitas o serviço de cântico. A multidão dos adoradores, agitando ramos de palma e murta, unia sua voz aos acordes e repetia o coro; e, novamente, a melodia era cantada por vozes próximas e distantes, até que as circundantes colinas ressoavam todas o louvor. {DTN 313.5}
À noite, o templo e o pátio brilhavam pelas luzes artificiais. A música, o agitar dos ramos de palmeira, os alegres hosanas, o grande ajuntamento de povo sobre o qual se espargia a luz irradiada das lanternas suspensas, os paramentos dos sacerdotes e a majestade das cerimônias, combinavam-se para tornar a cena profundamente impressiva aos espectadores. No entanto, a mais impressionante cerimônia da festa, que mais júbilo produzia, era a que comemorava o acontecimento da peregrinação no deserto. {DTN 314.1}
Aos primeiros raios da aurora, os sacerdotes faziam soar longa e penetrantemente as trombetas de prata, e as trombetas em resposta e as alegres aclamações do povo de suas cabanas, ecoando por montes e vales, saudavam o dia da festa. Então o sacerdote tirava das correntes do Cedrom um vaso de água e, erguendo-o, enquanto as trombetas soavam, subia ao compasso da música, os amplos degraus do templo, com andar lento e cadenciado, cantando entretanto: “Os nossos pés estão dentro das tuas portas, ó Jerusalém”. Salmos 122:2. {DTN 314.2}
Levava o cântaro ao altar, que ocupava posição central no pátio dos sacerdotes. Ali se achavam duas bacias de prata, tendo um sacerdote junto de cada uma. A ânfora de água era despejada numa, e uma de vinho, noutra; e o conteúdo de ambas corria por um tubo que ia dar no Cedrom e ter ao Mar Morto. Essa apresentação de água consagrada representava a fonte que, ao mando de Deus, brotara da rocha para saciar a sede dos filhos de Israel. Então, irrompiam os jubilosos acentos: “Eis que o Senhor Jeová é a minha força e o meu cântico”; “com alegria tirareis águas das fontes da salvação”. Isaías 12:2, 3. {DTN 314.3}
Quando os filhos de José faziam seus preparativos para assistir à festa dos tabernáculos, viram que Cristo não dava nenhum passo que Lhe indicasse a intenção de a ela assistir. Observavam-nO com ansiedade. Desde a cura de Betesda, Ele não concorrera mais às reuniões nacionais. Para evitar inúteis conflitos com os chefes em Jerusalém, restringira Seus labores à Galiléia. Seu aparente desprezo das grandes assembléias religiosas e a inimizade para com Ele manifestada pelos sacerdotes e rabis, eram causa de perplexidade para os que O rodeavam, mesmo os próprios discípulos e parentes. Acentuara em Seus ensinos as bênçãos da obediência à lei de Deus e, não obstante, parecia Ele próprio ser indiferente ao serviço divinamente estabelecido. O misturar-Se com publicanos e outros de má reputação, Seu menosprezo pelas observâncias dos rabis e a liberdade com que punha de lado as exigências tradicionais quanto ao sábado, tudo parecendo colocá-Lo em antagonismo com as autoridades religiosas, despertava muita indagação. Seus irmãos pensavam ser um erro de Sua parte alienar de Si os grandes e doutos da nação. Achavam que esses homens deviam ter razão, e que era erro de Jesus colocar-Se em oposição aos mesmos. Tinham, porém, testemunhado Sua vida irrepreensível e, conquanto não se classificassem entre Seus discípulos, haviam sido profundamente impressionados por Suas obras. A popularidade dEle na Galiléia aprazia-lhes às ambições; ainda esperavam que desse um testemunho de poder que levasse os fariseus a ver que era o que pretendia ser. Que seria se Ele fosse o Messias, o Príncipe de Israel! Nutriam esse pensamento com grande satisfação. {DTN 314.4}
Tão ansiosos estavam a esse respeito, que insistiram com Cristo em que fosse a Jerusalém. “Sai daqui”, disseram, “e vai para a Judéia, para que também os Teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça alguma coisa em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-Te ao mundo”. João 7:3, 4. O “se” manifestava dúvida e incredulidade. Atribuíam a Cristo fraqueza e covardia. Se Ele sabia ser o Messias, por que essa estranha reserva e inação? Se possuía na verdade esse poder, por que não ir ousadamente a Jerusalém e afirmar Seus direitos? Por que não realizar em Jerusalém as maravilhosas obras que dEle se contavam na Galiléia? Não Te ocultes em retiradas províncias, diziam, fazendo Tuas poderosas obras em benefício de ignorantes camponeses e pescadores. Apresenta-Te na capital, conquista o apoio dos sacerdotes e principais, e une a nação no estabelecimento do novo reino. {DTN 315.1}
Os irmãos de Jesus raciocinavam, partindo do motivo egoísta tantas vezes encontrado no coração dos ambiciosos de ostentação. Este espírito era que predominava no mundo. Escandalizavam-se porque, em vez de buscar um trono temporal, Cristo declarava ser o pão da vida. Ficaram decepcionados quando tantos de Seus discípulos O abandonaram. Eles próprios desviaram-se dEle para escapar à cruz de terem de reconhecer o que Suas obras revelam — que era o Enviado de Deus. {DTN 315.2}
“Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o Meu tempo, mas o vosso tempo sempre está pronto. O mundo não vos pode aborrecer, mas ele Me aborrece a Mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más. Subi vós a esta festa; porque ainda o Meu tempo não está cumprido. E, havendo-lhes dito isto, ficou na Galiléia”. João 7:6-9. Seus irmãos Lhe haviam falado em tom de autoridade, ditando o caminho que devia seguir. Ele lhes devolveu a censura, classificando-os, não com Seus abnegados discípulos, mas com o mundo. “O mundo não vos pode aborrecer”, disse Ele, “mas ele Me aborrece a Mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más”. João 7:7. O mundo não aborrece os que se lhe assemelham no espírito; louva-os como seus. {DTN 315.3}
O mundo, para Cristo, não era um lugar de comodidade nem engrandecimento do próprio eu. Ele não estava à espreita da oportunidade de tomar seu poder e glória. O mundo não Lhe oferecia esse prêmio. Era simplesmente o lugar a que Seu Pai O enviara. Ele fora dado pela vida do mundo, para executar o grande plano da redenção. Estava realizando Sua obra em favor da raça caída. Mas não devia ser presunçoso, nem Se precipitar no perigo, nem apressar a crise. Cada acontecimento em Sua obra tinha sua hora determinada. Cumpria-Lhe esperar pacientemente. Sabia que havia de ser objeto do ódio do mundo; sabia que Sua obra Lhe traria em resultado a morte; mas expor-Se antecipadamente não seria a vontade de Seu Pai. {DTN 316.1}
De Jerusalém, espalhara-se a notícia dos milagres de Cristo por onde quer que os judeus se tivessem dispersado; e se bem que, por muitos meses, houvesse estado ausente das festas, não diminuíra o interesse nEle. De todas as partes do mundo, tinham ido à festa dos tabernáculos na esperança de O ver. No começo da festa, fizeram-se muitas indagações a respeito dEle. Os fariseus e principais esperavam que Ele fosse, na esperança de um ensejo para O condenar. E investigavam, ansiosos: “Onde está Ele?” (João 7:11) mas ninguém o sabia. Era Ele o pensamento predominante em todas as mentes. Por temor dos sacerdotes e principais, ninguém ousava reconhecê-Lo como Messias; no entanto, havia por toda parte, em torno dEle, pacíficas mas fervorosas discussões. Muitos O defendiam como um Enviado de Deus, ao passo que outros O acusavam como enganador do povo. {DTN 316.2}
Entretanto, Jesus chegara tranqüilamente a Jerusalém. Escolhera para viajar um caminho não freqüentado, a fim de evitar os viajantes que de todas as partes se dirigiam à cidade. Houvesse Ele Se reunido a qualquer das caravanas que iam à festa, e teria atraído sobre Si a atenção ao entrar na cidade, e uma demonstração popular em Seu favor teria levantado contra Ele as autoridades. Foi por isso que preferiu fazer sozinho a viagem. {DTN 316.3}
No meio da festa, quando chegara ao auge o interesse a Seu respeito, penetrou no templo em presença da multidão. Devido a Sua ausência na solenidade insistira-se em que Ele não ousava colocar-Se em poder dos sacerdotes e principais. À Sua presença, todos se surpreenderam. Houve um silêncio geral. Todos se admiravam da dignidade e coragem de Sua atitude, em meio de poderosos inimigos sedentos de Sua vida. {DTN 316.4}
Tornando assim o centro de atração daquela vasta assembléia, Jesus Se lhes dirigiu como nenhum homem o fizera jamais. Suas palavras revelavam um conhecimento das leis e instituições de Israel, do serviço sacrifical e dos ensinos dos profetas, incomparavelmente superior ao dos sacerdotes e rabis. Abriu passagem através das barreiras do formalismo e das tradições. As cenas da vida futura pareciam desenroladas diante dEle. Como alguém que contemplava o invisível, falou, com positiva autoridade, acerca do terreno e do celestial, do humano e do divino. Suas palavras eram claríssimas e convincentes; e outra vez como em Cafarnaum, o povo ficou atônito de Sua doutrina; “porque a Sua palavra era com autoridade”. Lucas 4:32. Sob uma série de parábolas, advertiu Seus ouvintes da calamidade que seguiria a todo aquele que rejeitasse as bênçãos que viera trazer-lhes. Havia-lhes dado todas as provas possíveis de que viera de Deus, e fizera todos os esforços possíveis para os levar ao arrependimento. Não queria ser rejeitado e assassinado por Sua própria nação, caso a pudesse salvar da culpa de tal ato. {DTN 316.5}
Todos se maravilhavam de Seu conhecimento da lei e das profecias; e transmitia-se de uns para os outros a pergunta: “Como sabe Este letras, não as tendo aprendido?” João 7:15. Ninguém era considerado apto para ser mestre religioso, a menos que houvesse estudado nas escolas dos rabinos, e tanto Jesus como João Batista foram representados como ignorantes, porque não receberam esse preparo. Os que os ouviam se espantavam do conhecimento que tinham das Escrituras, “não as tendo aprendido”. Dos homens, é verdade que não o tinham; mas o Deus do Céu era seu mestre, e dEle receberam a mais elevada espécie de sabedoria. {DTN 317.1}
Quando Jesus falava no pátio do templo, o povo achava-se como fascinado. Os próprios que mais violentos eram contra Ele, sentiram-se impotentes para Lhe fazer qualquer mal. No momento, todos os outros interesses eram esquecidos. {DTN 317.2}
Dia após dia ensinou Ele ao povo, até o último, “o grande dia da festa”. A manhã desse dia encontrou a multidão fatigada do longo período de festividades. De repente, Jesus ergueu a voz, em acentos que retumbaram através dos pátios do templo: “Se alguém tem sede, venha a Mim, e beba. Quem crê em Mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão de seu ventre”. João 7:37. O estado do povo tornou esse apelo deveras eficaz. Estiveram eles empenhados em contínua cena de pompa e festividade, os olhos ofuscados com luzes e cores, e os ouvidos deleitados com a mais preciosa música; nada, porém, houvera em toda essa série de cerimônias para satisfazer as necessidades do espírito, nada para saciar a sede da alma por aquilo que é imperecível. Jesus os convidava a ir beber da nascente da vida, daquela que se tornaria neles uma fonte que salta para a vida eterna. {DTN 317.3}
O sacerdote havia, naquela manhã, realizado a cerimônia que comemorava o ferir da rocha no deserto. Essa rocha era um símbolo dAquele que, por Sua morte, havia de fazer com que brotassem vivas correntes de salvação para todos os sedentos. As palavras de Cristo eram a água da vida. Ali, em presença da reunida multidão, Ele Se pôs à tarde para ser ferido, a fim de que água da vida pudesse brotar para o mundo. Ferindo a Cristo, Satanás pensava destruir o Príncipe da vida; mas da ferida rocha correu água viva. Ao falar Jesus assim ao povo, o coração deste pulsou com estranho respeito, e muitos estavam dispostos a exclamar, como a mulher de Samaria: “Dá-me dessa água, para que não mais tenha sede.” {DTN 317.4}
Jesus conhecia as necessidades da alma. Pompas, riquezas e honras não podem satisfazer o coração. “Se alguém tem sede, venha a Mim”. João 7:37. O rico, o pobre, o elevado, o humilde, são igualmente bem-vindos. Ele promete aliviar os espíritos preocupados, confortar os tristes e dar esperança aos acabrunhados. Muitos dos que ouviram a Jesus estavam a prantear desvanecidas esperanças, muitos nutriam algum desgosto oculto, muitos ainda procuravam satisfazer seus inquietos anseios com as coisas do mundo e o louvor dos homens; mas, obtido tudo, verificavam haver labutado para alcançar nada mais que uma cisterna rota, na qual se não podiam saciar. Por entre o brilho das festivas cenas, estavam descontentes e tristes. Aquele súbito brado: “Se alguém tem sede”, despertou-os de sua dolorosa meditação, e ao escutarem as palavras que se seguiram, seu espírito reviveu com nova esperança. O Espírito Santo apresentou-lhes o símbolo até que viram nele o oferecimento do inapreciável dom da salvação. {DTN 318.1}
O brado de Cristo à alma sedenta ecoa ainda, e apela para nós com poder ainda maior do que aos que o ouviram no templo, naquele último dia da festa. A fonte está aberta para todos. Aos cansados e exaustos, oferecem-se os refrigerantes goles da vida eterna. Jesus clama ainda: “Se alguém tem sede, venha a Mim, e beba.” “Quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida”. Apocalipse 22:17. “Aquele que beber da água que Eu lhe der, nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte d’água que salte para a vida eterna”. João 4:14. {DTN 318.2}
Capítulo 50 — Por entre laços
Este capítulo é baseado em João 7:16-36; 8:1-11.
Todo o tempo que Jesus passou em Jerusalém, foi vigiado de perto por espias. Dia a dia eram tentados novos ardis para reduzi-Lo ao silêncio. Os sacerdotes e principais estavam à espreita para O enlaçar. Faziam planos para detê-Lo por violência. Mas isto não era tudo. Queriam humilhar diante do povo esse Rabi galileu. {DTN 319.1}
No primeiro dia de Seu aparecimento na festa, haviam-se dirigido a Ele, perguntando com que autoridade ensinava. Queriam desviar a atenção que convergia para Ele, para a questão do direito que tinha de ensinar e, assim, para a importância e autoridade deles próprios. {DTN 319.2}
“A Minha doutrina não é Minha”, disse Jesus, “mas dAquele que Me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dEle, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se Eu falo de Mim mesmo”. João 7:16, 17. Jesus enfrentava a esses fingidos, não respondendo ao seu ardil, mas revelando a verdade vital à salvação da alma. A percepção e apreço da verdade, disse Ele, depende menos da mente, que do coração. A verdade deve ser recebida na alma; exige a homenagem da vontade. Se a verdade pudesse ser submetida unicamente à razão, o orgulho não serviria de obstáculo à recepção da mesma. Mas deve ser recebida mediante o operar da graça no coração; e sua recepção depende da renúncia de todo pecado que o Espírito de Deus revela. As vantagens do homem para obter o conhecimento da verdade, por grandes que sejam, não lhe aproveitarão coisa alguma, a menos que o coração esteja aberto para receber a mesma verdade, e haja conscienciosa renúncia de todo hábito e prática opostos a seus princípios. Aos que assim se entregam a Deus, tendo sincero desejo de conhecer e fazer-Lhe a vontade, a verdade se revela como o poder divino para a salvação. Esses serão capazes de distinguir entre o que fala por Deus, e o que fala de si mesmo. Os fariseus não puseram sua vontade ao lado da vontade divina. Não buscavam conhecer a verdade, mas procuravam uma desculpa para a ela se esquivar; Cristo mostrou que era por isso que não Lhe entendiam os ensinos. {DTN 319.3}
Deu então uma prova pela qual o verdadeiro mestre devia ser distinguido do enganador: “Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória, mas o que busca a glória dAquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça”. João 7:18. O que busca a sua própria glória está falando apenas de si mesmo. O espírito de interesse egoísta trai sua origem. Mas Cristo buscava a glória de Deus. Falava as palavras de Deus. Tal era o testemunho de Sua autoridade como mestre da verdade eterna. {DTN 319.4}
Cristo deu aos rabis uma prova de Sua divindade, mostrando que lia o coração deles. Sempre, desde a cura de Betesda, vinham tramando Sua morte. Estavam assim quebrantando a lei que professavam defender. “Não vos deu Moisés a lei?” disse Ele, “e nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-Me?” João 7:19. {DTN 320.1}
Como relâmpago, essas palavras revelaram aos rabis o abismo de ruína em que estavam a ponto de imergir. Sentiram-se, por um instante, cheios de terror. Viram achar-se em luta com o poder infinito. Mas não queriam ser advertidos. A fim de manter sua influência sobre o povo, era preciso ocultar os desígnios homicidas que tinham. Fugindo à pergunta de Jesus, exclamaram: “Tens demônio; quem procura matar-Te?” João 7:20. Insinuavam que as maravilhosas obras de Jesus eram incitadas por um mau espírito. {DTN 320.2}
A essa insinuação, Cristo não deu ouvidos. Continuou a demonstrar que Sua obra de cura, em Betesda, estava em harmonia com a lei do sábado, e justificava-Se pela interpretação dada pelos próprios judeus à lei. Disse Ele: “Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão […] no sábado circuncidais um homem”. João 7:22. Segundo a lei, toda criança devia ser circuncidada ao oitavo dia. Se o tempo designado caísse no sábado, o rito devia contudo ser cumprido. Quanto mais deve estar em harmonia com o espírito da lei curar “de todo um homem” (João 7:23) no sábado? E advertiu-os a não julgar “segundo as aparências”, mas “segundo a reta verdade”. João 7:24. Os principais emudeceram; e muitos dentre o povo exclamaram: “Não é Este o que procuram matar? e ei-Lo aí está falando abertamente e nada Lhe dizem. Porventura sabem verdadeiramente os príncipes que Este é o Cristo?” João 7:25, 26. {DTN 320.3}
Muitos, dentre os ouvintes de Cristo, moradores em Jerusalém, não ignoravam as tramas dos principais contra Ele, e por uma força irresistível sentiram-se atraídos para Jesus. Assaltava-os a convicção de que Ele era o Filho de Deus. Mas Satanás achava-se pronto a sugerir dúvidas; e para isso estava o caminho preparado pelas próprias idéias errôneas que tinham quanto ao Messias e Sua vinda. Acreditava-se em geral que Cristo havia de nascer em Belém, mas depois de algum tempo desapareceria e, à Sua segunda aparição, ninguém saberia de onde Ele vinha. Não poucos sustentavam que o Messias não teria nenhum parentesco natural com a humanidade. E devido ao conceito popular de a glória do Messias não se cumprir em Jesus de Nazaré, muitos deram ouvidos à sugestão: “Todavia bem sabemos de onde Este é; mas, quando vier o Cristo, ninguém saberá de onde Ele é”. João 7:27. {DTN 320.4}
Ao assim vacilarem entre a dúvida e a fé, Jesus lhes descobriu os pensamentos e lhes respondeu: “Vós conheceis-Me, e sabeis de onde sou; e Eu não vim de Mim mesmo, mas Aquele que Me enviou é verdadeiro, o qual vós não conheceis”. João 7:28. Pretendiam saber qual deveria ser a origem de Cristo, mas achavam-se em completa ignorância da mesma. Houvessem vivido em harmonia com a vontade de Deus, e teriam conhecido Seu Filho quando Este Se lhes manifestou. {DTN 320.5}
Os ouvintes não podiam deixar de entender as palavras de Cristo. Eram, claramente, uma repetição do que pretendera em presença do Sinédrio, muitos meses atrás, quando Se declarara o Filho de Deus. Como os principais haviam então procurado tramar-Lhe a morte, assim tentavam agora apoderar-se dEle; foram impedidos, porém, por invisível poder, que lhes pôs limite à fúria, dizendo-lhes: Até aí irás, e não mais adiante. {DTN 321.1}
Entre o povo muitos creram nEle e diziam: “Quando o Cristo vier, fará ainda mais sinais do que os que Este tem feito?” João 7:31. Os chefes dos fariseus, que observavam ansiosamente a marcha dos acontecimentos, notaram as expressões de simpatia entre a multidão. Correndo para o chefe dos sacerdotes, formularam seus planos para O prenderem. Combinaram, entretanto, apoderar-se dEle quando estivesse só; pois não ousavam prendê-Lo em presença do povo. Outra vez tornou Jesus manifesto que lhes lia o desígnio. “Ainda um pouco de tempo estou convosco”, disse Jesus, “e depois vou para Aquele que Me enviou. Vós Me buscareis, e não Me achareis; e onde Eu estou, vós não podeis vir”. João 7:33, 34. Em breve encontraria um refrigério para além do escárnio e do ódio deles. Subiria ao Pai, para ser novamente o Adorado dos anjos; e ali jamais poderiam chegar Seus assassinos. {DTN 321.2}
Os rabinos, zombeteiramente, disseram: “Para onde irá Este, que O não acharemos? Irá porventura para os dispersos entre os gregos, e ensinará os gregos?” João 7:35. Mal pensavam esses fingidos que, em suas escarnecedoras palavras, descreviam a missão de Cristo! Todo o dia estendera Ele as mãos a um povo rebelde e contradizente; no entanto, seria achado pelos que O não buscavam; a um povo que não perguntava por Ele, seria manifestado. Romanos 10:20, 21. {DTN 321.3}
Muitos que estavam convencidos de que Jesus era o Filho de Deus, foram transviados pelo falso raciocínio dos sacerdotes e rabis. Esses mestres haviam repetido, com grande efeito, as profecias referentes ao Messias, de que Ele há de “reinar no Monte de Sião e em Jerusalém; e então perante os Seus anciãos haverá glória” (Isaías 24:23); que “há de dominar de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da Terra”. Salmos 72:8. Faziam então comparações desdenhosas entre a glória aí descrita e a humilde aparência de Jesus. As próprias palavras da profecia eram pervertidas de modo a sancionar o erro. Houvesse o povo, com sinceridade, estudado a palavra por si mesmo, e não se teria transviado. O capítulo sessenta e um de Isaías testifica que Cristo havia de fazer a própria obra que realizou. O capítulo cinqüenta e três apresenta Sua rejeição e sofrimentos no mundo, e o cinqüenta e nove descreve o caráter dos sacerdotes e rabinos. {DTN 321.4}
Deus não força os homens a abandonarem sua incredulidade. Acham-se perante eles a luz e as trevas, a verdade e o erro. Cumpre-lhes decidir qual aceitarão. O espírito humano é dotado da faculdade de discriminar entre a verdade e o erro. É o desígnio de Deus que não se decidam por impulso, mas pelo peso da evidência, comparando cuidadosamente escritura com escritura. Houvessem os judeus posto à margem seus preconceitos, e comparado as profecias escritas com os fatos que caracterizavam a vida de Jesus, e teriam percebido uma bela harmonia entre as profecias e seu cumprimento na vida e ministério do humilde Galileu. {DTN 322.1}
Muitos, hoje em dia, se acham enganados da mesma forma que o estavam os judeus. Os mestres religiosos lêem as Escrituras à luz de seu próprio entendimento e das tradições; e o povo não examina a Bíblia por si mesmo, nem julga por si o que é a verdade; mas renuncia a seu próprio juízo e confia sua salvação aos guias. A pregação e ensino de Sua Palavra é um dos meios ordenados por Deus para difusão da luz; mas devemos submeter o ensino de todo homem à prova da Escritura. Quem quer que estude a Bíblia com oração, desejando conhecer a verdade a fim de obedecer-lhe, receberá divina iluminação. Esse compreenderá as Escrituras. “Se alguém quiser fazer a vontade dEle, pela mesma doutrina conhecerá.” {DTN 322.2}
No último dia da festa, os oficiais enviados pelos sacerdotes e principais para prenderem a Jesus, voltaram sem Ele. Foram raivosamente interrogados: “Por que O não trouxestes?” Com solene expressão, responderam: “Nunca homem algum falou assim como este Homem”. João 7:45, 46. {DTN 322.3}
Endurecidos como se achavam seus corações, abrandaram-se às palavras dEle. Enquanto Jesus estava falando no pátio do templo, haviam vagueado ali por perto, a fim de descobrir qualquer coisa que pudesse ser voltada contra Ele. Escutando-O, porém, esqueceram o objetivo para o qual ali os tinham enviado. Ficaram como arrebatados. Cristo revelou-Se-lhes à alma. Viram aquilo que sacerdotes e principais não queriam ver — a humanidade inundada com a glória da divindade. Voltaram, tão cheios desse pensamento, tão impressionados por Suas palavras, que ante a pergunta: “Por que O não trouxestes?” só puderam replicar: “Nunca homem algum falou assim como este Homem.” {DTN 322.4}
Os sacerdotes e principais, ao acharem-se a princípio na presença de Cristo, experimentaram a mesma convicção. Comovera-se-lhes profundamente o coração, possuindo-os o pensamento: “Nunca homem algum falou assim como este Homem.” Mas sufocaram a convicção do Espírito Santo. Agora, enfurecidos por serem os próprios instrumentos da lei influenciados pelo odiado Galileu, exclamaram: “Também vós fostes enganados? Creu nEle porventura algum dos principais ou dos fariseus? Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita”. João 7:47-49. {DTN 322.5}
Aqueles aos quais é pregada a mensagem da verdade, raras vezes perguntam se ela é verdadeira, mas sim: “Por quem é ela defendida?” Multidões a avaliam pelo número dos que a aceitam; e faz-se ainda a pergunta: “Creu qualquer dos homens eruditos ou dos guias religiosos?” Os homens não são hoje em dia mais favoráveis à verdadeira piedade, do que nos dias de Cristo. Acham-se com o mesmo intento em busca dos bens terrestres, com negligência das riquezas eternas; e não é um argumento contra a verdade que grande número de pessoas não estejam dispostas a aceitá-la, ou que ela não seja recebida pelos grandes do mundo, ou mesmo pelos guias religiosos. {DTN 322.6}
Novamente os sacerdotes e principais procuraram combinar planos para o aprisionamento de Jesus. Insistiam em que, fosse Ele por mais tempo deixado em liberdade, desviaria o povo dos chefes estabelecidos, e o único meio seguro era fazê-Lo emudecer quanto antes. No maior calor de sua discussão, foram repentinamente detidos. Nicodemos perguntou: “Porventura condena a nossa lei um homem sem primeiro o ouvir e ter conhecimento do que faz?” Fez-se silêncio na assembléia. As palavras de Nicodemos penetraram-lhes na consciência. Não podiam condenar um homem que não fora ouvido. Não foi, entanto, só por esse motivo que os altivos príncipes permaneceram em silêncio, fixando aquele que ousara falar em favor da justiça. Ficaram surpreendidos e enfadados de que um dentre eles houvesse sido tão impressionado pelo caráter de Jesus, que emitisse uma palavra em Sua defesa. Recobrando-se de seu espanto, dirigiram-se a Nicodemos com picante sarcasmo: “És tu também da Galiléia? Examina, e verás que da Galiléia nenhum profeta surgiu”. João 7:52. {DTN 323.1}
Todavia, o protesto deu em resultado a cessação dos movimentos do conselho. Os principais não podiam executar seu desígnio e condenar a Jesus sem um exame. Momentaneamente derrotados, “cada um foi para sua casa. Porém Jesus foi para o Monte das Oliveiras”. João 7:53-8:1. {DTN 323.2}
Da agitação e burburinho da cidade, das turbas ansiosas e dos rabinos traidores, desviou-Se Jesus para o sossego do olival, onde podia encontrar-Se a sós com Deus. De manhã cedo, porém, regressou ao templo e, reunindo-se-Lhe o povo em volta, sentou-Se e pôs-Se a ensiná-los. {DTN 323.3}
Foi em breve interrompido. Aproximou-se dEle um grupo de fariseus e escribas, arrastando consigo uma aterrorizada mulher, a qual, com duras e veementes vozes, acusavam de ter violado o sétimo mandamento. Havendo-a empurrado para a presença de Jesus, disseram-Lhe com hipócrita manifestação de respeito: “Na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu pois que dizes?” João 8:5. {DTN 323.4}
Sua fingida reverência ocultava um laço fundamente armado para Sua ruína. Lançaram mão dessa oportunidade para garantir-Lhe a condenação, julgando que, fosse qual fosse a decisão que Ele desse, haviam de achar ocasião de acusá-Lo. Se absolvesse a mulher, seria acusado de desprezar a lei de Moisés. Se Ele a declarasse digna de morte seria denunciado aos romanos como assumindo autoridade que só a eles pertencia. {DTN 323.5}
Jesus contemplou um momento a cena — a trêmula vítima em sua vergonha, os mal-encarados dignitários, destituídos da própria simpatia humana. Seu espírito de imaculada pureza recuou do espetáculo. Bem sabia para que fim fora levado esse caso. Lia o coração, e conhecia o caráter e a história da vida de cada um dos que se achavam em Sua presença. Esses pretensos guardas da justiça haviam, eles próprios, induzido a vítima ao pecado, a fim de prepararem uma armadilha para Jesus. Sem dar nenhum indício de lhes haver escutado a pergunta, inclinou-Se e, fixando no chão o olhar, começou a escrever na terra. {DTN 324.1}
Impacientes ante Sua demora e aparente indiferença, os acusadores aproximaram-se, insistindo em Lhe atrair a atenção sobre o assunto. Ao seguirem, porém, com a vista, o olhar de Jesus, fixaram-na na areia aos Seus pés, e transmudou-se-lhes o semblante. Ali, traçados perante eles, achavam-se os criminosos segredos de sua própria vida. O povo, olhando, reparou na súbita mudança de expressão e adiantou-se, para descobrir o que estavam eles olhando com tal espanto e vergonha. {DTN 324.2}
Com toda a sua professada reverência pela lei, esses rabis, ao trazerem a acusação contra a mulher, estavam desatendendo às exigências da mesma. Era dever do marido mover ação contra ela, e as partes culpadas deviam ser igualmente punidas. A ação dos acusadores era de todo carecida de autorização. Entretanto, Jesus os rebateu com as próprias armas deles. A lei especificava que, nas mortes por apedrejamento, as testemunhas do caso fossem as primeiras a lançar a pedra. Erguendo-Se, então, e fixando os olhos nos anciãos autores da trama, disse Jesus: “Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela”. João 8:7. E, inclinando-Se, continuou a escrever no chão. {DTN 324.3}
Não pusera de lado a lei dada por Moisés, nem fora de encontro à autoridade de Roma. Os acusadores haviam sido derrotados. Então, rotas as vestes da pretendida santidade, ficaram, culpados e condenados, em presença da infinita pureza. Tremeram de que as ocultas iniqüidades de sua vida fossem expostas à multidão; e um a um, cabisbaixos e confusos, foram-se afastando silenciosos, deixando a vítima com o compassivo Salvador. {DTN 324.4}
Jesus Se ergueu e, olhando para a mulher, disse: “Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? e ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem Eu também te condeno: Vai-te, e não peques mais”. João 8:10, 11. {DTN 324.5}
A mulher estivera toda curvada, possuída de temor diante de Jesus. Suas palavras: “Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela”, haviam-lhe soado qual sentença de morte. Não ousava levantar os olhos para o rosto do Salvador, mas aguardava em silêncio a condenação. Atônita, viu os acusadores partirem mudos e confundidos; então, chegaram-lhe aos ouvidos as palavras de esperança: “Nem Eu também te condeno; vai-te, e não peques mais”. João 8:11. Comoveu-se-lhe o coração, e ela se atirou aos pés de Jesus, soluçando em seu reconhecido amor e confessando com amargo pranto os seus pecados. {DTN 324.6}
Isso foi para ela o início de uma nova vida, vida de pureza e paz, devotada ao serviço de Deus. No reerguimento dessa alma caída, operou Jesus um milagre maior do que na cura da mais grave enfermidade física; curou a moléstia espiritual que traz a morte eterna. Essa arrependida mulher tornou-se um de Seus mais firmes seguidores. Com abnegado amor e devoção, retribuiu-Lhe a perdoadora misericórdia. {DTN 325.1}
Em Seu ato de perdoar a essa mulher e animá-la a viver vida melhor, resplandece na beleza da perfeita Justiça o caráter de Jesus. Conquanto não use de paliativos com o pecado, nem diminua o sentimento da culpa, procura não condenar, mas salvar. O mundo não tinha senão desprezo e zombaria para essa transviada mulher; mas Jesus profere palavras de conforto e esperança. O Inocente Se compadece da fraqueza da pecadora, e estende-lhe a mão pronta a ajudar. Ao passo que os fariseus hipócritas denunciam, Jesus lhe recomenda: “Vai-te, e não peques mais”. João 8:11. {DTN 325.2}
Não é seguidor de Cristo aquele que, desviando os olhos, se afasta do transviado, deixando-o sem advertência prosseguir em sua degradante carreira. Os que são mais prontos a acusar a outros, e zelosos em os levar à justiça, são freqüentemente em sua própria vida mais culpados que eles. Os homens aborrecem o pecador, ao passo que amam o pecado. Cristo aborrece o pecado, mas ama o pecador. Será esse o espírito de todos quantos O seguem. O amor cristão é tardio em censurar, pronto a perceber o arrependimento, pronto a perdoar, a animar, a pôr o transviado na vereda da santidade e a nela firmar-lhe os pés. {DTN 325.3}

Para ler os capítulos acesse:

https://www.revivalandreformation.org/?id=13166

 

Se preferir, baixe o texto ou o áudio em português no seguinte link:

http://ellenwhiteaudio.org/pt/desejado-de-todas-as-nacoes/

Comentário sobre O Desejado de Todas as Nações, cap. 47-48

Depois de uma noite passada na montanha com Jesus, os discípulos estavam espiritualmente recarregados e prontos para ministrar, mas em pouco tempo sua determinação se transformava em disputa por preeminência. Oh que lição para mim! Recentemente, participei de um acampamento de jovens, onde também fui recarregado espiritualmente e encorajado a buscar oportunidades de compartilhar Cristo com outras pessoas. No entanto, tão logo saí do acampamento, as exigências da vida começaram a esvaziar o meu propósito. Fiquei atolado com coisas “urgentes” e ocupado atendendo a pessoas que não tinham nada a ver com a minha missão.

Talvez você também esteja distraído do chamado de Deus. Talvez seja o seu desejo por reconhecimento que atrapalhe o seu trabalho para Deus, assim como a ambição egoísta dos doze escolhidos. Talvez a sua distração seja a falta de fé, como os discípulos que ficaram para trás, e tentaram sem sucesso expulsar o demônio do menino. Talvez seja um pecado que drena a sua energia e faz você se sentir indigno de servir. Qualquer que seja a distração, sabemos que a cura está em devorar a palavra de Deus.

Nas Escrituras encontramos instruções sobre como priorizar a obra de Deus (Lucas 12: 29-31), grandes exemplos de humildade (Filipenses 2: 3-8; Mateus 18: 3), uma oportunidade para renovar a fé (Romanos 10:17) e poder para resistir à tentação (Salmo 119: 11-16). O tempo gasto em oração e na palavra de Deus pode ser a nossa experiência diária de montanha, da qual podemos extrair o poder prometido em Seu nome para curar os quebrantados e libertar os cativos.

Cindy Blades
Barbados, atualmente morando na Nova Zelândia

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/?id=12983     
Tradução: Jobson Santos, Jeferson Quimelli e Gisele Quimelli

 

Comentário sobre O Desejado de Todas as Nações, cap. 45-46

Imagine se você pudesse ver toda a sua vida retratada perante os seus olhos com vívidos detalhes. Tudo o que iria acontecer com você, aonde você iria e o que você faria. Você ficaria sobrecarregado? Muito provável.

Deus muitas vezes misericordiosamente nos protege de conhecermos o futuro. Nós podemos nos alegrar por não termos esse conhecimento! Contudo, não foi assim com nosso Salvador. É surpreendente que Ele sabia tudo o que lhe aconteceria antes de descer do trono e vestir Sua divindade com a humanidade. Nós lemos: “Toda angústia que Lhe dilacerou o coração, todo insulto atirado a Sua fronte, toda privação que foi chamado a suportar — tudo Lhe foi exposto antes de deixar de lado a coroa e as vestes reais…” DTN p. 288.

Que determinação, coragem, nobreza e grande amor estavam no coração de Jesus! Apesar de saber tudo, ele voluntariamente escolheu abraçar a cruz. Ele não foi sentenciado pelo Pai a morrer. Não! Ele voluntariamente escolheu entregar a Sua vida.

Ao abraçar este caminho de sacrifício, Cristo colocou perante Si a alegria de ver a família humana redimida! Cada passo de Sua vida nesta terra foi motivado por essa alegria. Então Ele abraçou a cruz, desprezou a vergonha e assentou-se ao lado do Pai como conquistador.

O mesmo pode se dar conosco. Abracemos o caminho apontado por Deus para nós, até a auto negação e sacrifício. Por quê? Por causa da alegria diante de nós. Alegria de compartilhar o evangelho com outros. Alegria de estar em comunhão com nosso Salvador por toda a eternidade.

Emmanuel Higgins

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/?id=12982    
Tradução: Jobson Santos, Jeferson Quimelli e Gisele Quimelli

 

Comentário sobre O Desejado de Todas as Nações, cap. 42-44

Como compartilhei em meus blogs anteriores, sou uma filha pródiga, me afastei de Cristo e depois voltei. Esses capítulos falaram muito ao meu coração acerca da minha vida passada e presente e acerca de como preciso viver em união com Cristo.

Muitos de nós podemos até falar da boca para fora que queremos estar unidos com Cristo… mas vivemos o que estamos falando? Estamos realmente crucificados com Cristo, não apenas na aparência exterior, mas interiormente? Os fariseus e até mesmo os discípulos, às vezes, estavam tão preocupados consigo mesmos e com o que os outros iriam pensar a respeito deles que deixaram de perceber a missão diante deles.

Podemos olhar para aquela outra pessoa perto de nós, como a mulher gentia, e nos considerarmos mais espirituais do que aquela pessoa, perdendo assim a oportunidade de compartilhar o amor de Cristo com ela.

Podemos acabar pregando para as pessoas em vez de amá-las. Podemos nos tornar tão críticos dos outros e de como eles devem parecer ou agir que, finalmente, nos tornamos piores do que eles.

Jesus deixa claro que o cargo e a posição não tem valor ​​para Ele. Somos todos iguais e devemos viver em união, sem nos julgarmos uns aos outros, mas apenas amando uns aos outros. Foi o amor e a aceitação da minha igreja que me ajudaram a voltar espiritualmente para casa. Esse amor me deu condições de demonstrar amor a outros que tiveram um passado semelhante ao meu.

Jill Simpson Palffy
Igreja Adventista de Westminster
Carolina do Sul, EUA

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/?id=12981   
Tradução: Jobson Santos, Jeferson Quimelli e Gisele Quimelli