BLOG DA SEMANA 19/11/2017 – sobre Profetas e Reis, cap. 53-54

Liderança requer adaptação. Neemias demonstrou essa característica ao encarar o desafio de reconstruir os muros de Jerusalém. Sua adaptação foi construída sobre uma base sólida de oração, clareza de visão e um conhecimento profundo da tarefa à frente. Com isto em mente, ele foi capaz de propor mudanças para fazer frente à desafios. Quando foram necessários ajustes em uma seção particular da parede, a partir de sua pesquisa ele soube o que fazer ali. Quando os trabalhadores foram atacados, ele estabeleceu que metade dos homens estivesse armada enquanto a outra metade trabalhava. Quando homens influentes pressionaram Neemias para que fizesse como eles desejavam, Neemias manteve sua integridade.

Da nossa perspectiva, é fácil considerar essas medidas como fáceis de serem tomadas. Neemias nos passa a impressão de que tudo foi realizado sem muito esforço. No entanto, essas foram difíceis decisões e tiveram ecos e implicações duradouros. Neemias permaneceu firme, graças à sua conexão com Deus, singularidade de propósito e boa vontade em fazer o que era necessário.

Em seu ministério você também precisa ser um líder eficaz. Sua liderança pode não ser a reconstrução de paredes, mas tem implicações eternas. Ao escolher ensinar crianças, elas podem se tornar líderes que amam a Jesus. A escolha de compartilhar o seu testemunho com um colega de trabalho pode trazer a ele paz e esperança. Seja qual for o seu ministério, o mesmo fundamento que Neemias usou também pode ser o fundamento para que você exerça uma liderança frutífera e forte.

Heather Crews
Pastor, Conferência Potomac, EUA

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/53-54 e https://www.revivalandreformation.org/?id=1564
Tradução: Jeferson Quimelli e Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 53 – 54: Os reconstrutores do muro / Condenada a extorsão

Capítulo 53 — Os reconstrutores do muro
Este capítulo é baseado em Neemias 2-4.

A viagem de Neemias para Jerusalém foi feita em segurança. As cartas régias para os governadores das províncias ao longo de sua rota, garantiram-lhe honrosa recepção e pronta assistência. Nenhum inimigo ousou molestar o oficial que estava sob a guarda do poder do rei da Pérsia, e tratado com marcada consideração pelos governadores das províncias. Sua chegada a Jerusalém, no entanto, com uma escolta militar, mostrando que ele viera em alguma importante missão, despertou os zelos das tribos pagãs que viviam próximo à cidade, tribos essas que não raro haviam manifestado sua inimizade contra os judeus lançando sobre eles descrédito e insulto. Preeminentes nessa má obra estavam certos chefes dessas tribos, Sambalá o horonita, Tobias o amonita, e Gesém o arábio. Desde o princípio esses líderes observaram com olhos críticos os movimentos de Neemias, e procuraram por todos os meios ao seu alcance subverter seus planos e embaraçar-lhe a obra.
Neemias continuou a exercer a mesma cautela e prudência que até aí haviam marcado sua conduta. Sabendo que inimigos cruéis e decididos estavam prontos para se lhe oporem, ele ocultou a natureza de sua missão até que um estudo da situação o capacitasse a formular seus planos. Assim esperava assegurar a cooperação do povo e levá-lo a trabalhar antes que a oposição dos inimigos despertasse.
Escolhendo uns poucos homens que ele sabia serem dignos de confiança, Neemias falou-lhes das circunstâncias que o levaram a Jerusalém, o que ele tinha em vista realizar, e os planos que propusera seguir. O interesse deles na tarefa foi assegurado de pronto, bem assim sua assistência.
Na terceira noite depois de sua chegada, Neemias se levantou de noite, e com alguns companheiros fiéis saiu para ver com os seus próprios olhos a desolação de Jerusalém. Montando em seu animal, ele passou de uma à outra parte da cidade, contemplando os muros arruinados e as portas da cidade de seus pais. Dolorosas reflexões encheram o espírito do patriota judeu ao ver com o coração ferido de tristeza arruinadas as defesas de sua amada Jerusalém. Lembranças da passada grandeza de Israel vinham-lhe à mente em vívido contraste com as evidências de sua humilhação.
Em sigilo e silêncio Neemias completou o seu circuito em torno dos muros. “E não souberam os magistrados aonde eu fui”, ele declara, “nem o que eu fazia; porque ainda até então nem aos judeus, nem aos nobres, nem aos magistrados, nem aos mais que faziam a obra, tinha declarado coisa alguma”. Neemias 2:16. O resto da noite ele passou em oração; pois sabia que a manhã o chamaria a exercer fervente esforço no sentido de despertar e unir seus desanimados e divididos compatriotas.
Neemias levava uma comissão real que requeria cooperassem com ele os habitantes na reconstrução dos muros da cidade, mas ele não se fez dependente do exercício da autoridade. Procurou antes ganhar a confiança e simpatia do povo, sabendo que uma união de corações bem como de mãos era essencial na grande obra que tinha diante de si. Quando amanheceu ele convocou o povo, e apresentou argumentos calculadamente de molde a despertar suas energias adormecidas e unir seus elementos humanos dispersos.
Os ouvintes de Neemias não sabiam, nem ele lhes revelou, seu circuito noturno da noite anterior. Mas o fato de que ele tinha feito esta investigação contribuiu grandemente para o seu sucesso; pois sentiu-se apto a falar da condição da cidade com tanta exatidão que seus ouvintes ficaram pasmados. A impressão feita sobre ele, ao ver a fraqueza e degradação de Jerusalém, deu-lhe às palavras fervor e poder.
Neemias mostrou ante o povo o seu estado de opróbrio entre os pagãos — sua religião desonrada, seu Deus blasfemado. Contou-lhes que numa terra distante ele ouvira de sua aflição, que havia buscado o favor do Céu no benefício deles, e que, enquanto orava, havia-se determinado pedir permissão ao rei para poder vir em seu auxílio. Ele havia pedido a Deus que fizesse que o rei não somente desse permissão, mas também o investisse de autoridade e lhe desse o auxílio necessário para a obra; e sua oração havia sido respondida de tal maneira que lhe mostrara que o plano era do Senhor.
Tudo isso ele relatou, e então, havendo mostrado que estava apoiado pela autoridade combinada do Deus de Israel e do rei persa, Neemias interrogou diretamente o povo, perguntando-lhe se aproveitariam a vantagem desta oportunidade para se levantarem e reconstruir o muro.
O apelo foi-lhes direto ao coração. O pensamento de como o favor do Céu se havia manifestado para com eles, envergonhou-os de seus temores, e com renovada coragem disseram a uma voz: “Levantemo-nos, e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem.”
Neemias empenhou-se de coração na empresa que havia assumido. Sua esperança, sua energia, seu entusiasmo, sua determinação, eram contagiosos, inspirando outros com a mesma coragem elevada e altaneiro propósito. Cada homem tornou-se por sua vez, um Neemias e ajudou a tornar mais forte o coração e as mãos do companheiro.
Quando os inimigos de Israel ouviram o que os judeus estavam com esperança de conseguir, riram com escárnio, dizendo: “Que é isto que fazeis? Quereis rebelar-vos contra o rei?” Mas Neemias respondeu: “O Deus dos Céus é o que nos fará prosperar; e nós, Seus servos, nos levantaremos e edificaremos; mas vós não tendes parte, nem justiça, nem memória em Jerusalém”. Neemias 2:18-20.
Entre os primeiros a absorverem o espírito de zelo e fervor de Neemias estavam os sacerdotes. Graças a sua influente posição, esses homens muito podiam fazer para o progresso ou embaraço da obra; e sua pronta cooperação desde o início, contribuiu não pouco para o sucesso. A maioria dos príncipes e autoridades de Israel assumiram com nobreza o seu dever, e esses homens fiéis tiveram honrosa menção no livro de Deus. Houve uns poucos, os nobres de Tecoa, que “não meteram o seu pescoço ao serviço do seu Senhor”. Neemias 3:5. O registro desses servos indolentes traz a marca da vergonha, e passou de geração a geração como advertência a todos no futuro.
Em cada movimento religioso há alguns que, conquanto não possam negar que a causa é de Deus, mantêm-se arredios, recusando fazer qualquer esforço para ajudar. Faria bem a tais pessoas lembrar o registro que é mantido no alto — o livro no qual não há omissões, nem erro, e pelo qual serão julgados. Ali cada oportunidade negligenciada para o serviço de Deus é registrada; e ali, igualmente, cada ato de fé e amor é mantido em eterna lembrança.
Contra a inspiradora influência da presença de Neemias, o exemplo dos nobres de Tecoa teve pouco peso. O povo na generalidade fora inspirado por patriotismo e zelo. Homens de habilidade e influência organizaram as diferentes classes de cidadãos em grupos, ficando cada líder responsável pela edificação de certa parte do muro. E de alguns está escrito que construíram “defronte de sua casa”. Neemias 3:10, 23.
E a energia de Neemias não se abateu, agora que a obra estava de fato começada. Com incansável vigilância ele superintendeu a reconstrução, dirigindo os obreiros, anotando os obstáculos e tomando providências para cada emergência. Ao longo de toda a extensão dos cinco quilômetros de muro, sua influência era constantemente sentida. Com palavras oportunas encorajava os tímidos, ativava os lentos, e aprovava os diligentes. E vigiava sempre os movimentos de seus inimigos, que de tempos em tempos se reuniam à distância, e se empenhavam em conversação, como se tramando alguma maldade, e então, aproximando-se mais dos obreiros, procuravam desviar-lhes a atenção.
Em suas inúmeras atividades, Neemias não esquecia a Fonte de sua força. Seu coração estava constantemente erguido para Deus, o grande Supervisor de tudo. “O Deus dos Céus”, ele exclamava, “é o que nos fará prosperar” (Neemias 2:20); e as palavras ecoavam e tornavam a ecoar, comovendo o coração de todos os reconstrutores do muro.
Mas a restauração das defesas de Jerusalém não prosseguia sem embaraços. Satanás estava trabalhando para suscitar oposição e levar o desencorajamento. Sambalá, Tobias e Gesém, seus principais instrumentos neste movimento, empenharam-se agora em embaraçar a obra de reconstrução. Eles procuravam provocar divisão entre os obreiros. Ridicularizavam os esforços dos construtores, declarando ser o empreendimento uma impossibilidade, e predizendo o seu fracasso.
“Que fazem estes fracos judeus?” exclamou Sambalá com zombaria; “permitir-se-lhes-á isto? […] vivificarão dos montes do pó as pedras que foram queimadas?” Tobias, ainda mais desdenhoso, acrescentou: “Ainda que edifiquem, vindo uma raposa derrubará facilmente o seu muro de pedra”. Neemias 4:2, 3.
Os construtores ficaram logo cercados pela mais ativa oposição. Foram forçados a se manterem continuamente em guarda contra as ciladas dos seus adversários, que, professando amizade, procuravam de várias maneiras levar a confusão e perplexidade, e suscitar desconfianças. Procuravam destruir a coragem dos judeus; formavam conspiratas para atrair Neemias em suas malhas; e judeus insinceros mostraram-se prontos para auxiliar na traiçoeira empreitada. Espalhou-se o boato de que Neemias estava conspirando contra o monarca persa, intentando elevar-se como rei de Israel, e que todos que o ajudassem eram considerados traidores.
Mas Neemias continuou a buscar de Deus guia e sustento, e “o coração do povo se inclinava a trabalhar”. Neemias 4:6. A tarefa prosseguiu até que as roturas começaram a desaparecer, e o muro em toda a sua extensão alcançou a metade da sua altura planejada.
Vendo os inimigos de Israel quão vãos foram os seus esforços, encheram-se de ira. Até então não haviam ousado empregar medidas de violência; pois sabiam que Neemias e seus companheiros estavam agindo sob comissão do rei, e temiam que uma oposição ativa contra ele pudesse levar contra eles o seu descontentamento. Mas agora em sua ira, eles próprios se tornavam culpados do crime de que tinham acusado Neemias. Reunindo-se para conselho, eles “ligaram-se entre si todos, para virem atacar Jerusalém”. Neemias 4:8.
Nessa mesma ocasião em que os samaritanos estavam conspirando contra Neemias e sua obra, alguns dos líderes entre os judeus, tornando-se descontentes procuravam desencorajá-lo exagerando as dificuldades pertinentes ao empreendimento. “Já desfaleceram as forças dos acarretadores”, eles diziam, “e o pó é muito, e nós não poderemos edificar o muro.”
Desencorajamento veio de outra fonte ainda. “Os judeus que habitavam entre” os que não estavam tomando parte na obra, reuniram as afirmações e relatórios dos inimigos, e usaram-nos para enfraquecer a coragem e criar desafeição.
Mas descrédito e ridículo, oposição e ameaças, pareciam apenas inspirar Neemias com mais firme determinação, e despertá-lo para maior vigilância. Ele reconheceu os perigos que tinha de enfrentar nesta luta com seus inimigos, mas sua coragem foi indomável. “Nós oramos ao nosso Deus”, declara ele, “e pusemos uma guarda contra eles de dia e de noite”. Neemias 4:10-12, 9. “Pus guardas nos lugares baixos por detrás do muro e nos altos; e pus ao povo pelas suas famílias com as suas espadas, com as suas lanças, e com os seus arcos. E olhei, e levantei-me, e disse aos nobres, e aos magistrados, e ao resto do povo: Não os temais; lembrai-vos do Senhor, grande e terrível, e pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas mulheres e vossas casas.
“E sucedeu que, ouvindo os nossos inimigos que já o sabíamos, e que Deus tinha dissipado o conselho deles, todos voltamos ao muro, cada um à sua obra. E sucedeu que desde aquele dia metade dos meus moços trabalhava na obra, e a outra metade deles tinha as lanças, os escudos, os arcos, e as couraças. […] Os que edificavam o muro, e os que traziam as cargas, e os que carregavam, cada um com uma mão fazia a obra e na outra tinha as armas. E os edificadores cada um trazia a sua espada cingida aos lombos, e edificavam”. Neemias 4:13-18.
Ao lado de Neemias ficava um trombeteiro, e nos diferentes pontos do muro foram estacionados sacerdotes portando trombetas sagradas. O povo foi espalhado em suas atividades; mas no caso de aproximação de perigo em qualquer ponto, era dado um sinal para que acorressem a reparar ali sem mais demora. “Assim trabalhamos na obra”, diz Neemias; “e metade deles tinha as lanças desde a subida da alva até ao sair das estrelas”. Neemias 4:21.
Os que estavam morando em cidades e vilas fora de Jerusalém foram agora convocados para que se estabelecessem do lado de dentro dos muros, tanto para guardar a obra como para estarem prontos para a obrigação da manhã. Isto preveniria retardamento desnecessário, e eliminaria a oportunidade que o inimigo, de outro modo, aproveitaria para atacar os obreiros ao irem e virem entre a casa e o trabalho. Neemias e seus companheiros não se esquivaram a dificuldades ou serviço árduo. Nem de dia e nem de noite, nem mesmo nos curtos períodos concedidos para o sono, eles tiraram suas vestes ou abandonaram suas armas.
A oposição e desencorajamento que os reconstrutores nos dias de Neemias tiveram de enfrentar da parte de inimigos declarados e falsos amigos, é típica da experiência dos que trabalham hoje para Deus. Cristãos são provados, não somente pela ira, desprezo e crueldade de inimigos, mas pela indolência, inconstância, frouxidão e perfídia de pretensos amigos e auxiliares. Zombaria e escárnio são-lhe endereçados. E o mesmo inimigo que promove o desdém, em oportunidade favorável usa medidas mais cruéis e violentas.
Satanás tira vantagem para a realização dos seus propósitos de todo elemento não consagrado. Entre os que professam ser sustentadores da causa de Deus, há os que se unem com os Seus inimigos, e assim Sua causa fica exposta abertamente aos ataques dos Seus mais ferrenhos inimigos. Mesmo alguns que desejam que a obra de Deus prospere enfraquecerão as mãos dos Seus servos ouvindo, repetindo e crendo em parte na difamação e ameaças dos Seus adversários. Satanás opera com maravilhoso sucesso por meio de seus instrumentos; e todos os que se rendem a sua influência estão sujeitos a um fascinante poder que destrói a sabedoria do sábio e o entendimento do prudente. Mas, como Neemias, o povo de Deus não deve temer nem tão pouco desprezar seus inimigos. Colocando sua confiança em Deus, devem prosseguir firmemente, fazendo Sua obra com altruísmo, e encomendando a Sua providência a causa que sustentam.
Em meio a grande desencorajamento, Neemias fez de Deus sua segura defesa, nEle pondo sua confiança. E Aquele que foi então o sustentador do Seu servo tem sido a confiança do Seu povo em todos os séculos. Em cada crise o Seu povo pode confiadamente declarar: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Romanos 8:31.
Astuciosas como forem as ciladas de Satanás e seus agentes, Deus pode detê-las, anulando todos os seus conselhos. A resposta da fé hoje deve ser a que deu Neemias: “Nosso Deus pelejará por nós”; pois está no trabalho, e nenhum homem poderá impedir o seu sucesso final.

Capítulo 54 — Condenada a extorsão
Este capítulo é baseado em Neemias 5.

Os muros de Jerusalém não haviam sido ainda completados quando a atenção de Neemias foi chamada para a infeliz situação das classes mais pobres do povo. Na condição desordenada em que se achava o país, a lavoura tinha sido um tanto negligenciada. Posteriormente, em virtude da conduta egoísta de alguns que tinham voltado para a Judéia, as bênçãos do Senhor não repousaram sobre sua terra, e houve escassez de cereais.
A fim de obter alimento para suas famílias, os pobres foram obrigados a comprar a crédito, e a preços exorbitantes. Foram também compelidos a tomar dinheiro emprestado a juros, para pagar as pesadas taxas a eles impostas pelos reis da Pérsia. Para acréscimo à angústia dos pobres, os mais ricos entre os judeus tinham tomado vantagem de suas necessidades, enriquecendo-se dessa maneira.
O Senhor havia ordenado a Israel por intermédio de Moisés, que em cada terceiro ano fosse levantado um dízimo em favor dos pobres; e além disso tomou-se providência para a suspensão dos trabalhos agrícolas cada sétimo ano, ficando a terra em repouso, e os frutos que espontaneamente produzisse eram deixados para os necessitados. A fidelidade em devotar essas ofertas para o alívio dos pobres e para outros atos de bondade, tenderia a conservar viva diante do povo a verdade de que Deus é o dono de tudo, e a oportunidade de eles serem canais de bênçãos. Era propósito de Jeová que os israelitas tivessem uma educação que lhes erradicasse o egoísmo, desenvolvendo-lhes a liberalidade e nobreza de caráter.
Deus havia também instruído a Moisés: “Se emprestares dinheiro ao Meu povo, ao pobre que está contigo, não te haverás com ele como um usurário; não lhe imporeis usura”. Êxodo 22:25. “A teu irmão não emprestarás à usura: nem à usura de dinheiro, à usura de comida, nem à usura de qualquer coisa que se empreste à usura”. Deuteronômio 23:19. Em outra ocasião Ele havia dito: “Quando entre ti houver algum pobre de teus irmãos, em algumas das tuas portas, na tua terra que o Senhor teu Deus te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás a tua mão a teu irmão que for pobre; antes lhe abrirás de todo a tua mão, e livremente lhe emprestarás o que lhe falta, quanto baste para a sua necessidade.” “Pois nunca cessará o pobre do meio da terra; pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre na tua terra”. Deuteronômio 15:7, 8, 11.
Nos tempos após o retorno dos exilados de Babilônia, os judeus ricos tinham ido diretamente contra esses mandamentos. Quando os pobres foram obrigados a tomar emprestado a fim de pagar tributo ao rei, os ricos lhes haviam emprestado o dinheiro, mas mediante altos juros. Lançando hipotecas sobre as terras dos pobres, haviam gradualmente reduzido os infortunados devedores à mais profunda pobreza. Muitos tinham sido forçados a vender seus filhos e filhas como escravos; e parecia não haver esperança de que sua condição melhorasse, nem possibilidade de redimirem a seus filhos ou suas terras, nem qualquer outra perspectiva diante deles que não sofrimento sempre crescente, com perpétua carência e cativeiro. No entanto eles eram da mesma nação, filhos do mesmo concerto, como seus irmãos mais favorecidos.
Afinal o povo apresentou sua condição a Neemias: “Eis que sujeitamos nossos filhos e nossas filhas para serem servos, e até algumas de nossas filhas são tão sujeitas que já não estão no poder de nossa mão; e outros têm as nossas terras e as nossas vinhas.”
Ouvindo Neemias desta cruel opressão, sua alma se encheu de indignação. “Ouvindo eu, pois, o seu clamor, e estas palavras”, ele diz, “muito me enfadei”. Neemias 5:5, 6. Ele viu que se quisesse ter êxito em derribar o opressivo costume de cobrança, precisava tomar posição decidida ao lado da justiça. Com característica energia e determinação, entregou-se à tarefa de levar alívio a seus irmãos.
O fato de que os opressores eram homens ricos, cujo apoio era grandemente necessário na obra de restauração da cidade, nem por um momento influiu em Neemias. Rijamente ele repreendeu aos nobres e juízes; e havendo reunido uma grande assembléia do povo, apresentou diante deles o que Deus pedia no tocante ao caso.
Chamou-lhes a atenção para fatos que ocorreram no reinado do rei Acaz. Repetiu a mensagem com que Deus nesse tempo enviou para repreender a Israel por sua crueldade e opressão. Os filhos de Judá, em virtude de sua idolatria, tinham sido entregues às mãos de seus irmãos ainda mais idólatras, o povo de Israel. Estes tinham suscitado a inimizade daqueles por haverem morto em batalha muitos milhares de homens de Judá, e tinham-se apoderado de todas as mulheres e crianças, com o propósito de conservá-las em cativeiro, ou vendê-las como escravas aos pagãos.
Por causa dos pecados de Judá, o Senhor não Se havia interposto para impedir a batalha; mas pelo profeta Obede Ele repreendeu o cruel desígnio do exército vitorioso: “Cuidais em sujeitar a vós os filhos de Judá e Jerusalém, como cativos e cativas; porventura não sois vós mesmos aqueles entre os quais há culpas contra o Senhor vosso Deus?” 2 Crônicas 28:10. Obede advertiu o povo de Israel de que a ira do Senhor estava inflamada contra eles, e que sua conduta de injustiça e opressão acarretaria Seus juízos. Ouvindo essas palavras, os homens armados deixaram os cativos e o espólio perante os príncipes e toda a congregação. Então alguns líderes da tribo de Efraim “tomaram os presos, e vestiram do despojo a todos os que dentre eles estavam nus, e os vestiram, e os calçaram, e lhes deram de comer e de beber, e os ungiram; e a todos os que estavam fracos levaram sobre jumentos, e os trouxeram a Jericó, à cidade das palmeiras, a seus irmãos”. 2 Crônicas 28:15.
Neemias e outros haviam redimido alguns dos judeus que tinham sido vendidos aos pagãos, e ele agora colocava sua conduta em contraste com a dos que por amor de lucros mundanos estavam escravizando a seus irmãos. “Não é bom o que fazeis”, disse ele; “porventura não devíeis andar no temor do nosso Deus, por causa do opróbrio dos gentios, os nossos inimigos?” Neemias 5:9.
Neemias mostrou-lhes que ele próprio, estando investido da autoridade do rei da Pérsia, podia ter requerido grandes contribuições para o seu benefício pessoal. Mas em vez disto, não havia tomado nem mesmo o que de justiça lhe pertencia, mas havia dado liberalmente para socorrer os pobres em suas necessidades. Ele instou com aqueles entre os juízes judaicos que haviam sido culpados de extorsão, para que pusessem fim a esta obra iníqua, restituíssem as terras dos pobres, bem como o dinheiro que lhes haviam arrancado na excessiva taxa de juros; e que lhes emprestassem sem hipoteca ou usura.
Essas palavras foram ditas na presença de toda a congregação. Tivessem os juízes escolhido justificar-se, e teriam tido oportunidade de fazê-lo. Mas não ofereceram escusas. “Restituir-lho-emos”, eles declararam, “e nada procuraremos deles; faremos assim como dizes.” Nesta oportunidade Neemias chamou os sacerdotes, e os fez “jurar de que fariam conforme a esta palavra.” “E toda a congregação disse: Amém E louvaram ao Senhor; e o povo fez conforme a esta palavra”. Neemias 5:11, 12.
Esse relato nos ensina uma importante lição: “O amor do dinheiro é a raiz de todo o mal”. 1 Timóteo 6:10. Nesta geração, o desejo de ganho é paixão dominante. A riqueza é muitas vezes obtida pela fraude. Há multidões lutando com a pobreza, sendo compelidos a trabalhar arduamente por pequeno salário, incapazes de assegurarem ganho para as menores necessidades da vida. Fadiga e privação, sem qualquer esperança de coisas melhores, tornam pesado o seu fardo. Atormentados e oprimidos, não sabem para onde se virar em busca de alívio. E tudo isto para que os ricos possam satisfazer a suas extravagâncias ou condescender com o seu desejo de enriquecimento
O amor do dinheiro e o amor da ostentação têm transformado este mundo num covil de ladrões e criminosos. As Escrituras pintam a ganância e opressão que prevalecerão precisamente antes da segunda vinda de Cristo. “Eia pois agora vós, ricos”, escreve Tiago, “entesourastes para os últimos dias. Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Deliciosamente vivestes sobre a Terra, e vos deleitastes; cevastes o vosso coração como num dia de matança. Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu.” Tiago 5:1, 3-6.
Mesmo entre os que professam estar andando no temor do Senhor, há alguns que estão agindo outra vez segundo o curso perseguido pelos nobres de Israel. Estando em seu poder proceder assim, eles pedem mais do que é justo, tornando-se opressores. E porque a avareza e perfídia se vêem na vida dos que levam o nome de Cristo, porque a igreja conserva em seus livros os nomes dos que ganharam suas posses pela injustiça, a religião de Cristo é tida em desonra. Extravagância, excessos e extorsões estão corrompendo a fé de muitos, e destruindo sua espiritualidade. A igreja é em grande medida responsável pelos pecados dos seus membros. Ela encoraja o mal se deixa de levantar a voz contra isso.
Os costumes do mundo não são norma para o cristão. Ele não deve imitar suas práticas sutis, suas astúcias, suas extorsões. Todo ato injusto para com o próximo é uma violação da regra áurea. Cada erro praticado em relação aos filhos de Deus, é feito ao próprio Cristo na pessoa de Seus santos. Toda tentativa de tirar vantagem da ignorância, fraqueza ou infortúnio de outrem, é registrada como fraude no livro-razão do Céu. Aquele que sinceramente teme a Deus, preferiria antes labutar dia e noite e comer o pão da pobreza, a condescender com a paixão do ganho que oprima a viúva e o órfão, ou prive o estrangeiro do seu direito.
O mais leve afastamento da retidão quebra as barreiras, e prepara o coração para injustiça maior. É precisamente quando um homem chega ao ponto de tirar vantagem para si da desvantagem de outrem, que sua alma se tornará insensível à influência do Espírito de Deus. O ganho obtido a tal preço é uma terrível perda.
Nós éramos todos devedores à justiça divina; mas nada possuíamos para pagar o débito. Então o Filho de Deus, que de nós teve piedade, pagou o preço de nossa redenção. Ele Se fez pobre para que por Sua pobreza fôssemos enriquecidos. Mediante obras de liberalidade para com os Seus pobres, podemos provar a sinceridade de nossa gratidão pela misericórdia a nós estendida. “Façamos bem a todos”, o apóstolo recomenda, “mas principalmente aos domésticos da fé”. Gálatas 6:10. E suas palavras estão em harmonia com as do Salvador: “Sempre tendes os pobres convosco”. Marcos 14:7. “Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas”. Mateus 7:12.

 

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/?id=7275

BLOG DA SEMANA 12/11/2017

Que capítulos maravilhosos para nos ajudar a entender os princípios de reavivamento e reforma!

Esdras traz coragem e esperança para aqueles que carregam pesados encargos no ministério e no serviço. Viajando da Babilônia a Jerusalém, desprotegido de forças humanas, o grupo com Esdras encontrou força e aumentou sua fé nos momentos de oração e louvor ao longo da perigosa jornada. Assim fortificados, eles foram preparados para exercer uma positiva influência entre os que se tornaram espiritualmente indiferentes, em Jerusalém.
Esdras ficou consternado por descobrir quantos judeus se afastaram da fidelidade a Deus e à sua lei, especialmente ao se casarem com incrédulos. Com tato e compaixão, ele chamou as pessoas ao estudo da Escritura e a um completo retorno ao seu Deus fiel.

Foi na intensa vida de oração de Neemias que Deus lhe revelou Seu propósito. Mas Neemias não realizou a sua viagem missionária, de volta a Jerusalém, apenas com oração. Ele planejou sistematicamente o que seria necessário para reconstruir os muros de Jerusalém, bem como trabalhou para construir a fé de seus habitantes.

Deus ainda chama Seu povo para o reavivamento e a reforma, visando a preparação para o último grande conflito que explodirá em breve, neste planeta que é tão indiferente. Essa reforma exigirá novamente fé, oração e planejamento sistemático para a edificação do reino da graça de Deus, nos corações de Seu povo.

Cindy Tutsch
Diretora associada aposentada
Patrimônio Ellen G. White
Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/51-52 e https://www.revivalandreformation.org/?id=1562
Tradução: Jeferson Quimelli e Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 51 e 52 – “Um reavivamento espiritual” / Neemias

Capítulo 51 — Um reavivamento espiritual

A chegada de Esdras a Jerusalém foi oportuna. Havia grande necessidade de influência de sua presença. Sua vinda infundiu coragem e esperança ao coração de muitos que de longa data vinham trabalhando sob dificuldades. Desde o retorno do primeiro grupo de exilados sob a liderança de Zorobabel e Josué, havia mais de setenta anos antes, muito tinha sido realizado. O templo havia sido concluído, e as paredes da cidade parcialmente reparadas. Não obstante muito estava ainda por fazer.
Entre os que tinham voltado para Jerusalém nos primeiros anos, havia muitos que tinham permanecido leais a Deus enquanto viveram; mas um número considerável dos filhos e filhos dos filhos perderam de vista a santidade da lei de Deus. Até mesmo alguns dos homens revestidos de responsabilidade estavam vivendo em franco pecado. Sua conduta estava neutralizando grandemente os esforços feitos por outros para fazer progredir a causa de Deus; pois enquanto as flagrantes violações da lei haviam sido permitidas prosseguir sem condenação, as bênçãos do Céu não podiam repousar sobre o povo.
Foi da providência de Deus que os que retornaram com Esdras tivessem tido tempo especial de buscar ao Senhor. As experiências pelas quais tinham passado, em sua viagem de Babilônia, desprotegidos como tinham estado de qualquer poder humano, haviam-lhes ensinado ricas lições espirituais. Muitos tinham-se tornado fortes na fé; e ao se misturarem com os desencorajados e indiferentes em Jerusalém, sua influência foi um poderoso fator para a reforma pouco mais tarde instituída.
No quarto dia após a chegada, os tesouros de ouro e prata, com os vasos para o cerimonial do santuário, foram depositados pelos tesoureiros nas mãos dos oficiais do templo, na presença de testemunhas, e com a máxima exatidão. Cada artigo foi examinado “conforme ao número e conforme ao peso”. Esdras 8:34.
Os filhos do cativeiro que tinham voltado com Esdras, “ofereceram holocaustos ao Deus de Israel”, como sacrifício pelo pecado, e como sinal de seu reconhecimento e ação de graças pela proteção de santos anjos durante a viagem. “Então deram as ordens do rei aos sátrapas do rei, e aos governadores de aquém do rio; e ajudaram o povo e a casa de Deus”. Esdras 8:35, 36.
Bem pouco tempo depois, uns poucos dos chefes de Israel se aproximaram de Esdras com uma séria denúncia. Alguns “de Israel, e os sacerdotes, e os levitas”, tinham ido longe no desrespeito aos santos mandamentos de Jeová a ponto de cruzarem-se em casamento com os povos vizinhos. “Tomaram das suas filhas para si e para seus filhos”, foi dito a Esdras, “e assim se misturou a semente santa com os povos” das terras pagãs; “até a mão dos príncipes e magistrados foi a primeira nesta transgressão”. Esdras 9:1, 2.
Em seu estudo das causas que levaram ao cativeiro babilônico, Esdras havia verificado que a apostasia de Israel se devia em grande parte a sua mistura com nações pagãs. Ele notara que se eles tivessem obedecido à ordem de Jeová de se conservarem separados das nações que os cercavam, teriam sido poupados de muitas experiências tristes e humilhantes. Agora ao compreender que não obstante as lições do passado, homens preeminentes ousavam transgredir as leis dadas como salvaguarda contra a apostasia, seu coração se confrangeu. Ele se lembrou da bondade de Deus em outra vez dar a Seu povo permanência em sua terra nativa, e sentiu-se presa de justa indignação e aborrecido com a ingratidão deles. “Ouvindo eu tal coisa”, ele diz, “rasguei o meu vestido e o meu manto, e arranquei os cabelos da minha cabeça e da minha barba, e me assentei atônito.
“Então se ajuntaram a mim todos os que tremiam das palavras do Deus de Israel por causa da transgressão dos do cativeiro; porém eu me fiquei assentado atônito até ao sacrifício da tarde”. Esdras 9:3, 4.
Ao tempo do sacrifício da tarde, Esdras se levantou, e uma vez mais rasgou os seus vestidos e o seu manto, e se pôs de joelhos, esvaziando sua alma em súplica ao Céu. Estendendo as mãos para o Senhor, ele exclamou: “Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a Ti a minha face, meu Deus; porque as nossas iniquidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa tem crescido até aos céus.
“Desde os dias de nossos pais”, o suplicante prosseguiu, “até ao dia de hoje, estamos em grande culpa, e por causa das nossas iniquidades fomos entregues, nós, os nossos reis, e os nossos sacerdotes, na mão dos reis das terras, à espada, ao cativeiro, e ao roubo, e à confusão do rosto, como hoje se vê. E agora, como por um pequeno momento, se nos fez graça da parte do Senhor, nosso Deus, para nos deixar alguns que escapem, e para dar-nos uma estaca no Seu santo lugar, para nos alumiar os olhos, ó Deus nosso, e para nos dar uma pouca de vida na nossa servidão; porque servos somos; porém na nossa servidão não nos desamparou o nosso Deus, antes estendeu sobre nós beneficência perante os reis da Pérsia, para revivermos, para levantarmos a casa do Senhor nosso Deus, e para restaurarmos as suas assolações, e para que nos desse uma parede em Judá e em Jerusalém.
“Agora, pois, ó nosso Deus, que diremos depois disto? Pois deixamos os Teus mandamentos, os quais mandaste pelo ministério de Teus servos, os profetas. […] E depois de tudo o que nos tem sucedido por causa das nossas más obras, e da nossa grande culpa, ainda assim Tu, ó nosso Deus, estorvaste que fôssemos destruídos, por causa da nossa iniqüidade, e ainda nos deste livramento como este; tornaremos, pois, agora a violar os Teus mandamentos, e a aparentar-nos com os povos destas abominações? Não Te indignarias Tu assim contra nós até de todo nos consumires, até que não ficasse resto nem quem escapasse? Ah Senhor Deus de Israel, justo és, pois ficamos escapos, como hoje se vê. Eis que estamos diante de Ti no nosso delito; porque ninguém há que possa estar na Tua presença por causa disto”. Esdras 9:6-15.
A tristeza de Esdras e seus associados com respeito aos males que traiçoeiramente haviam penetrado no próprio coração da obra do Senhor, produziu arrependimento. Muitos dos que haviam pecado, foram profundamente tocados. “O povo chorava com grande choro”. Esdras 10:1. Em grau limitado começaram a sentir a odiosidade do pecado, e o horror com que Deus o considera. Eles viram a santidade da lei anunciada no Sinai, e muitos tremeram com medo de a transgredir.
Um dos presentes, de nome Secanias, reconheceu como justas todas as palavras de Esdras: “Nós temos transgredido contra o nosso Deus”, ele confessou, “e casamos com mulheres estranhas do povo da terra; mas no tocante a isso, ainda há esperança para Israel.” Secanias propôs que todos os que tinham transgredido fizessem um concerto com Deus de renunciar ao pecado, e que isto fosse adjudicado “conforme a lei.” “Levanta-te”, ele impôs a Esdras, “porque te pertence este negócio, e nós seremos contigo; esforça-te, e faze assim.” “Então Esdras se levantou, e ajuramentou os maiorais dos sacerdotes e dos levitas, e a todo o Israel, de que fariam conforme a esta palavra”. Esdras 10:2-5.
Esse foi o início de uma reforma maravilhosa. Com infinita paciência e tato, e com cuidadosa consideração pelos direitos e bem-estar de cada pessoa envolvida, Esdras e seus associados lutaram por levar os penitentes de Israel ao caminho reto. Esdras era sobretudo um ensinador da lei; e ao dar atenção pessoal ao exame de cada caso, ele procurou impressionar o povo com a santidade desta lei, e a bênção a ser alcançada pela obediência.
Onde quer que Esdras atuasse, aí se suscitava um reavivamento no estudo das Santas Escrituras. Mestres eram apontados para instruir o povo; a lei do Senhor era exaltada e honrada. Os livros dos profetas eram examinados, e as passagens que prediziam a vinda do Messias levavam esperança e conforto a muito coração triste e cansado.
Mais de dois mil anos se passaram desde que Esdras preparou “o seu coração para buscar a lei do Senhor e para a cumprir” (Esdras 7:10), mas o lapso de tempo não diminuiu a influência do seu piedoso exemplo. Através dos séculos, o registro de sua vida de consagração tem inspirado a muitos com a determinação de “buscar a lei do Senhor, e para a cumprir.”
Os propósitos de Esdras eram altos e santos; em tudo que fizera fora movido por um profundo amor pelas almas. A compaixão e bondade que revelava para com os que haviam pecado, fosse em plena função da vontade, fosse por ignorância, deveria ser uma lição objetiva a todos os que procurassem promover reformas. Os servos de Deus devem ser tão firmes como a rocha onde retos princípios estiverem envolvidos; mas do mesmo modo devem manifestar simpatia e longanimidade. Como Esdras, devem ensinar aos transgressores o caminho da vida, inculcando-lhes princípios que são o fundamento de todo o reto proceder.
Nessa fase do mundo, quando Satanás está procurando, mediante múltiplas formas, cegar os olhos de homens e mulheres para com os impostergáveis reclamos da lei de Deus, há necessidade de homens que possam levar muitos a tremerem “ao mandado do nosso Deus”. Esdras 10:3. Há necessidade de verdadeiros reformadores, que indiquem aos transgressores o grande Doador da lei, e lhes ensinem que “a lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma”. Salmos 19:7. Há necessidade de homens poderosos nas Escrituras; homens dos quais cada palavra e cada ato exaltem os estatutos de Jeová; homens que procurem fortalecer a fé. São necessários mestres, e tanto que inspirem os corações com reverência e amor pelas Escrituras.
A abundante iniquidade prevalecente hoje pode ser atribuída em grande medida à deficiência no estudo e obediência às Escrituras; pois quando a Palavra de Deus é posta de lado, é rejeitado o seu poder para restringir as más paixões do coração natural. Os homens semeiam na carne, e da carne ceifam corrupção.
Com o abandono da Bíblia tem vindo o abandono da lei de Deus. A doutrina segundo a qual os homens estão livres da obediência aos divinos preceitos, tem enfraquecido a força da obrigação moral, e aberto as comportas da iniquidade sobre o mundo. A ilegalidade, dissipação e corrupção estão arrasando à semelhança de um irresistível dilúvio. Em todos os lugares se veem inveja, suspeita, hipocrisia, indisposição, rivalidade, atritos, traição de sagrados encargos, condescendência para com a paixão sensual. Todo o sistema de princípios religiosos e doutrinas, que devia formar o fundamento e a estrutura da vida social, assemelha-se a uma massa vacilante, pronta para cair em ruínas.
Nos últimos dias da história da Terra, a voz que falou do Sinai está ainda declarando: “Não terás outros deuses diante de Mim”. Êxodo 20:3. O homem tem posto sua vontade contra a vontade de Deus, mas não pode silenciar a palavra de ordem. A mente humana não pode fugir a suas obrigações para com um poder mais alto. Pode haver domínios das teorias e especulações; os homens podem opor a ciência à revelação, e assim afastar a lei de Deus; mas a ordem vem cada vez mais forte: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás”. Mateus 4:10.
Não existe o que se possa chamar enfraquecimento ou fortalecimento da lei de Jeová. Ela é como tem sido. Tem sido, e será sempre santa, justa e boa, completa em si mesma. Não pode ser revogada ou mudada. “Honrá-la”, ou “desonrá-la”, é apenas a maneira de dizer dos homens.
Entre as leis de homens e os preceitos de Jeová, travar-se-á a maior batalha da controvérsia entre a verdade e o erro. Nesta batalha estamos agora entrando — não uma batalha entre igrejas rivais lutando pela supremacia, mas entre a religião da Bíblia e as religiões de fábulas e tradição. As forças que se têm unido contra a verdade estão agora ativamente em operação. A santa Palavra de Deus, que tem chegado até nós ao preço tão alto de sofrimento e derramamento de sangue, é tida em pouco valor. Poucos há que realmente a aceitam como regra da vida. A infidelidade prevalece em medida alarmante, não apenas no mundo, mas na igreja. Muitos têm chegado a negar doutrinas que são colunas da fé cristã. Os grandes fatos da criação como apresentados pelos escritores inspirados; a queda do homem, a expiação, a perpetuidade da lei — eis aí doutrinas praticamente rejeitadas por grande parte do professo mundo cristão. Milhares que se orgulham de seu conhecimento, consideram uma evidência de fraqueza a implícita confiança na Bíblia, e uma prova de erudição sofismar das Escrituras, e alegorizar e atenuar suas mais importantes verdades.
Os cristãos devem estar-se preparando para aquilo que logo irá cair sobre o mundo como terrível surpresa, e esta preparação deve ser feita mediante diligente estudo da Palavra de Deus e pelo levar a vida na conformidade com os seus preceitos. As tremendas questões de eternidade demandam de nossa parte algo mais que uma religião de pensamento, uma religião de palavras e formas, onde a verdade é mantida no recinto exterior. Deus pede um reavivamento e uma reforma.
As palavras da Bíblia, e a Bíblia somente, deviam ser ouvidas do púlpito. Mas a Bíblia tem sido roubada em seu poder, e o resultado é visto no rebaixamento do tono da vida espiritual. Em muitos sermões de hoje não existe aquela divina manifestação que desperta a consciência e comunica vida. Os ouvintes não podem dizer: “Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?” Lucas 24:32. Há muitos que estão clamando pelo Deus vivo, ansiando pela divina presença. Permiti que a Palavra de Deus lhes fale ao coração. Deixai que os que têm ouvido apenas tradição e teorias e máximas humanas ouçam a voz dAquele que pode preparar a pessoa para a vida eterna.
Grande luz jorrou dos patriarcas e profetas. Gloriosas coisas foram ditas de Sião, a cidade de Deus. Assim o Senhor deseja que a luz brilhe através dos Seus seguidores hoje. Se os santos do Antigo Testamento deram tão exaltado testemunho de lealdade, não deviam aqueles sobre quem está brilhando a luz acumulada de séculos, dar mais assinalado testemunho do poder da verdade? A glória das profecias derrama sua luz sobre nosso caminho. O tipo encontrou o antítipo na morte do Filho de Deus. Cristo ressuscitou dos mortos, proclamando sobre o sepulcro rompido: “Eu sou a ressurreição e a vida”. João 11:25. Ele enviou o Seu Espírito ao mundo, para trazer todas as coisas à nossa lembrança. Por um milagre de poder Ele tem preservado Sua Palavra escrita através dos séculos.
Os reformadores cujo protesto nos deu o nome de protestantes, sentiram que Deus os havia chamado para levar a luz do evangelho ao mundo; e no esforço para fazer isto, estiveram prontos para sacrificar suas posses, sua liberdade e a própria vida. Em face de perseguição e morte, o evangelho foi proclamado longe e perto. A Palavra de Deus foi levada ao povo; e todas as classes, altos e baixos, ricos e pobres, cultos e ignorantes, avidamente estudaram-na por si mesmos. Estamos nós, nesta batalha final do grande conflito, tão fiéis ao nosso encargo como os primeiros reformadores o foram ao seu?
“Tocai a buzina em Sião, santificai um jejum, proclamai um dia de proibição; congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai os filhinhos. […] Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a Teu povo, ó Senhor, e não entregues a Tua herança ao opróbrio.” “Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração, e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não os vossos vestidos, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque Ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-Se, e grande em beneficência, e Se arrepende do mal. Quem sabe se Se voltará e Se arrependerá, e deixará após Si uma bênção?” Joel 2:15-17, 12-14.

Capítulo 52 — Um homem oportuno
Este capítulo é baseado em Neemias 1-2.

Neemias, um dos exilados hebreus, ocupava uma posição de influência e honra na corte persa. Como copeiro do rei, era ele admitido livremente à presença real. Em virtude de sua posição, e graças a suas habilidades e fidelidade, ele se tornara amigo e conselheiro do rei. Embora objeto do favor real, conquanto rodeado pela pompa e esplendor, ele não esqueceu o seu Deus e o seu povo. Com o mais profundo interesse o seu coração se voltava para Jerusalém; suas esperanças e alegrias estavam vinculadas com a prosperidade dela. Por intermédio deste homem, preparado por sua residência na corte persa para a obra a que fora chamado, Deus propôs levar bênçãos a Seu povo na terra de seus pais.
Por mensageiros vindos da Judéia, soubera o patriota hebreu que dias de prova tinham vindo a Jerusalém, a cidade escolhida. Os exilados que haviam retornado estavam sofrendo aflições e vexame. O templo e partes da cidade tinham sido reconstruídos; mas a obra de restauração fora embaraçada, os ritos do templo haviam sido perturbados, e o povo vivia em constante alarma, pelo fato de estarem as paredes da cidade ainda arruinadas em grande parte.
Oprimido pela tristeza, Neemias não pôde comer nem beber; “chorei, e lamentei por alguns dias”, diz ele. Em sua dor ele tornou para o divino Ajudador. “Estive jejuando”, ele disse, “e orando perante o Deus dos Céus”. Neemias 1:4. Fielmente ele fez confissão dos seus pecados e dos pecados do seu povo. Ele suplicou que Deus sustentasse a causa de Israel, restaurasse sua coragem e força, e os ajudasse a reconstruir os lugares devastados de Judá.
Orando Neemias, sua fé e coragem se fortaleceram. Sua boca se encheu de santos argumentos. Ele falou da desonra que seria lançada sobre Deus, se Seu povo, agora que tinha retornado para Ele, fosse deixado em fraqueza e opressão; e se empenhou com o Senhor para que tornasse realidade a Sua promessa: “Vós vos convertereis a Mim, e guardareis os Meus mandamentos, e os fareis; então ainda que os vossos rejeitados estejam no cabo do céu, de lá os ajuntarei e os trarei ao lugar que tenho escolhido para ali fazer habitar o Meu nome”. Deuteronômio 4:29-31. Esta promessa tinha sido dada a Israel através de Moisés antes que tivessem entrado em Canaã; e durante os séculos tinha permanecido imutável. O povo de Deus tinha agora retornado para Ele em penitência e fé, e Sua promessa não faltaria.
Neemias tinha frequentemente derramado a sua alma em favor do seu povo. Mas ao orar agora, um santo propósito formou-se em sua mente. Ele decidiu que se lograsse obter o consentimento do rei, e o necessário auxílio na aquisição de implementos e material, ele próprio tomaria a si a tarefa de reconstruir os muros de Jerusalém, e restaurar a força nacional de Israel. E ele suplicou ao Senhor que lhe permitisse alcançar favor aos olhos do rei, a fim de que este plano pudesse ser levado avante. “Faze prosperar hoje o Teu servo”, ele suplicou, “e dá-lhe graça perante este homem”. Neemias 1:11.
Neemias esperara quatro meses por uma oportunidade favorável de apresentar seu pedido ao rei. Durante este tempo, embora o seu coração estivesse carregado de dor, ele procurou mostrar-se alegre na presença real. Nas salas de luxo e esplendor, todos deviam parecer alegres e felizes. A tristeza não devia lançar sua sombra sobre a face de qualquer assistente da realeza. Mas no período de retraimento de Neemias, ocultas da vista dos homens, muitas foram as orações, as confissões, as lágrimas, ouvidas e testemunhadas por Deus e os anjos.
Finalmente a tristeza que oprimia o coração patriota não pôde mais ser oculta. Noites indormidas e dias cheios de cuidados deixaram sua marca em seu rosto. O rei, cioso de sua própria segurança, estava acostumado a ler fisionomias e a penetrar dissimulações, e viu que alguma perturbação secreta estava possuindo seu copeiro. “Por que está triste o teu rosto”, ele inquiriu, “pois não estás doente? Isto não é senão tristeza de coração”. Neemias 2:2.
A interrogação encheu Neemias de apreensão. Não ficaria o rei irado ao saber que enquanto aparentemente em seu serviço, os pensamentos do cortesão estavam longe com o seu aflito povo? O ofensor não perderia a vida? Seu acariciado plano de restaurar e fortificar Jerusalém — estaria esse plano prestes a ser subvertido? “Então”, ele escreve, “temi muito em grande maneira.” Com lábios trêmulos e lágrimas nos olhos, ele revelou a causa de sua tristeza. “Viva o rei para sempre”, ele respondeu. “Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo?”
A exposição das condições de Jerusalém despertou a simpatia do monarca sem suscitar os seus preconceitos. Outra pergunta deu a Neemias a oportunidade por que tanto ansiava: “Que me pedes agora?” Mas o homem de Deus não se aventurou a responder enquanto não tivesse buscado a direção de Alguém mais alto que Artaxerxes. Ele tinha uma sagrada tarefa a cumprir, e esta requeria auxílio do rei; e sentiu que muito dependia de apresentar o assunto de tal maneira que lhe ganhasse a aprovação e garantisse o auxílio. “Então”, diz ele, “orei ao Deus do Céu”. Neemias 2:2-4. Nessa breve oração, Neemias se introduziu na presença do Rei dos reis, e teve do seu lado um poder capaz de mudar os corações como são desviados os cursos de água.
Orar como Neemias orou nessa hora de necessidade é um recurso à disposição do cristão, em circunstâncias em que outras formas de oração podem ser impossíveis. Os que labutam nas absorventes atividades da vida, assoberbados e quase subjugados pelas perplexidades, podem enviar uma petição a Deus, suplicando guia divina. Os que viajam por mar e por terra, quando ameaçados com algum grande perigo, podem-se encomendar à proteção do Céu. Em tempos de súbita dificuldade ou perigo, o coração pode enviar seu grito de socorro a Alguém que Se comprometeu a vir em auxílio de Seus fiéis e crentes, quando quer que chamem por Ele. Sob todas as circunstâncias, em cada condição, a alma carregada de dor e cuidado, ou ferozmente assaltada pela tentação, pode encontrar segurança, sustento e socorro no infalível amor e poder de um Deus que guarda o concerto.
Neemias, nesse breve momento de oração ao Rei dos reis, reuniu coragem para falar a Artaxerxes do seu desejo de ser dispensado por algum tempo dos seus deveres na corte; e pediu autoridade para reconstruir os lugares devastados de Jerusalém, e torná-la uma vez mais uma cidade forte e defensável. Momentosos resultados para a nação judaica estavam na dependência desta solicitação. “E o rei mas deu”, declara Neemias, “segundo a boa mão de Deus sobre mim”. Neemias 2:8. Havendo conseguido o auxílio que desejava, Neemias com prudência e reflexão procedeu aos arranjos necessários para se garantir o sucesso da empresa. Ele não negligenciou nenhuma precaução que poderia ser útil ao resultado. Nem mesmo aos seus próprios concidadãos ele revelou o seu propósito. Conquanto soubesse que muitos se alegrariam com o seu sucesso, temeu que alguns, por atos de indiscrição, pudessem despertar os ciúmes dos seus inimigos, e talvez pôr em risco a empreitada.
Seu pedido ao rei havia sido tão favoravelmente recebido que Neemias foi encorajado a solicitar ainda assistência adicional. Para dar dignidade e autoridade a sua missão, bem como para prover proteção na viagem, ele pediu e foi-lhe garantida uma escolta militar. Obteve cartas régias para os governadores das províncias além do Eufrates, território através do qual ele devia passar em sua viagem para a Judeia; e obteve também uma carta para o guarda da floresta real nas montanhas do Líbano, ordenando-lhe que fornecesse tanta madeira quanta fosse necessária. Para que não pudesse haver ocasião de queixa de que ele excedera sua missão, Neemias teve o cuidado de que os privilégios e autoridade que lhe eram conferidos estivessem claramente definidos.
Esse exemplo de sábia previdência e ação resoluta deve ser uma lição a todos os cristãos. Os filhos de Deus não devem apenas orar com fé, mas trabalhar com diligência e providente cuidado. Eles enfrentam muitas dificuldades, e não raro embaraçam a operação da Providência em seu favor, porque consideram que prudência e penoso esforço pouco têm que ver com religião. Neemias não considerou cumprido o seu dever depois de haver orado e chorado perante o Senhor. Ele uniu sua petição com os mais fervorosos, santos e piedosos esforços para o sucesso do empreendimento em que estava empenhado. Cuidadosa consideração e bem meditados planos são tão essenciais para o êxito de empreendimentos sagrados hoje como o foram no tempo da reconstrução dos muros de Jerusalém.
Neemias não se deixou ficar na dependência da incerteza. Os meios que lhe faltavam ele os solicitou dos que lho podiam fornecer. E o Senhor está ainda desejando mover o coração dos que têm a posse dos Seus bens, em favor da causa da verdade. Os que trabalham para Ele, devem servir-se do auxílio que Ele move os homens a dar. Esses dons podem abrir caminhos pelos quais a luz da verdade irá a muitas terras entenebrecidas. Os doadores podem não ter fé em Cristo, nem familiaridade com Sua Palavra; mas os seus dons não estão neste mesmo caso para serem recusados.

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/?id=7274

BLOG DA SEMANA 05/11/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 50

A história de Esdras mostra-nos um homem, impulsionado por sua confiança e fé em Deus, que redefine o destino de seu povo e, assim, contribui para uma reorientação de Israel. O livro de Esdras está dividido em dois tópicos principais: a reconstrução do templo em Jerusalém e a recuperação da vida religiosa em Israel. Este segundo aspecto é particularmente interessante para nós, hoje.

Essa recuperação se torna possível através de uma dependência consciente de Deus. Ouvir e seguir Seu chamado é o que renova nossa vida. A Bíblia não é um livro de leis ou simplesmente uma coleção de conselhos bem-intencionados, mas é a Palavra de Deus que revela Sua capacidade de transformação. Essa capacidade foi experimentada pelos israelitas quando Esdras os levou de volta a Jerusalém.

Podemos também experimentar a glória e a sabedoria de Deus se estudarmos e aplicarmos a palavra de Deus como Esdras. Então veremos que a Bíblia não é apenas um chato livro de leitura, mas uma mensagem viva que mostra a vontade de Deus e nos aproxima dEle. Através de Cristo, temos a possibilidade de estar em contato com Deus em qualquer momento, quer seja para louvá-Lo, pedir perdão ou simplesmente conversar com um amigo.

Henri Haase
Estudante, Universidade Adventista de Friedensau
Alemanha

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/50 e https://www.revivalandreformation.org/?id=1562
Tradução: Jeferson Quimelli e Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 50 – ESDRAS

Capítulo 50 — Esdras, o sacerdote e escriba

Cerca de setenta anos após o retorno do primeiro grupo de exilados sob a liderança de Zorobabel e Josué, Artaxerxes Longímano subiu ao trono da Medo-Pérsia. O nome deste rei está em relação com a História Sagrada por uma série de importantes providências. Foi durante o seu reinado que Esdras e Neemias viveram e trabalharam. Ele foi quem em 457 a.C. baixou o terceiro e final decreto para a restauração de Jerusalém. Seu reinado viu o retorno de um grupo de judeus sob Esdras, a conclusão dos muros de Jerusalém por Neemias e seus companheiros, a reorganização das cerimônias do templo e as grandes reformas religiosas instituídas por Esdras e Neemias. Durante seu longo reinado ele não raro mostrou favor ao povo de Deus; e em seus estimados amigos judeus merecedores de sua confiança, Esdras e Neemias, ele reconhecia homens indicados por Deus, despertados para uma obra especial.

A experiência de Esdras enquanto vivia entre os judeus que permaneceram em Babilônia, foi tão excepcional que atraiu a favorável atenção do rei Artaxerxes, com quem ele falou livremente com respeito ao poder do Deus do Céu, e o propósito divino de fazer voltar os judeus para Jerusalém.

Descendente dos filhos de Arão, Esdras havia recebido a educação sacerdotal; e em acréscimo a isto adquiriu familiaridade com os escritos dos magos, astrólogos e sábios do reino medo-persa. Mas não se sentiu satisfeito com sua condição espiritual. Suspirava por estar em plena harmonia com Deus; ansiava sabedoria para fazer a vontade divina. E assim preparou “o seu coração para buscar a lei do Senhor e para a cumprir”. Esdras 7:10. Isso o levou a aplicar-se diligentemente ao estudo da história do povo de Deus, como se encontra relatado nos escritos dos profetas e reis. Ele estudou os livros históricos e poéticos da Bíblia, a fim de compreender por que tinha o Senhor permitido que Jerusalém fosse destruída e seu povo levado cativo a terras pagãs.

Esdras deu especial atenção às experiências de Israel desde o tempo em que a promessa foi feita a Abraão. Ele estudou a instrução dada no Monte Sinai, e através do longo período da peregrinação no deserto. Ao aprender mais e mais sobre o trato de Deus com Seus filhos, e compreender a santidade da lei dada no Sinai, o coração de Esdras foi tocado. Ele experimentou uma nova e completa conversão, e se determinou dominar os registros da História Sagrada, para que pudesse usar esse conhecimento de molde a levar bênção e luz ao seu povo.

Esdras procurou alcançar preparo de coração para a obra que cria ter diante de si. Ele procurou a Deus ferventemente, para que pudesse ser sábio mestre em Israel. À medida que aprendia a render a mente e a vontade ao divino controle, eram levados ao início de sua vida os princípios da verdadeira santificação que, nos últimos anos, tiveram modeladora influência, não somente sobre os jovens que buscavam sua instrução, mas sobre todos os que se associavam com ele.

Deus escolheu Esdras para ser um instrumento do bem para Israel, a fim de que pudesse levar honra ao sacerdócio, cuja glória tinha sido grandemente eclipsada durante o cativeiro. Esdras se desenvolveu num homem de extraordinária erudição, e tornou-se “escriba hábil na lei de Moisés”. Esdras 7:6. Essas qualificações tornaram-no um homem eminente no reino da Medo-Pérsia.

Esdras tornou-se um porta-voz de Deus, educando nos princípios do governo do Céu aqueles que lhe estavam ao redor. Durante os anos restantes de sua vida, estivesse próximo à corte do rei da Medo-Pérsia ou em Jerusalém, sua principal tarefa era a de professor. Enquanto comunicava a outros a verdade que aprendia, sua capacidade para o trabalho aumentava. Ele se tornou um homem de piedade e zelo. Foi testemunha do Senhor ao mundo quanto ao poder da verdade para enobrecer a vida diária.

Os esforços de Esdras para reavivar o interesse no estudo das Escrituras receberam forma permanente, graças ao seu laborioso e constante esforço no sentido de preservar e multiplicar os Sagrados Escritos. Ele reuniu todos os exemplares da lei que pôde encontrar, mandando-os transcrever e distribuir. A Palavra pura, assim multiplicada e posta nas mãos de muitos, proveu o conhecimento que era de inestimável valor.

A fé que Esdras possuía de que Deus haveria de fazer uma poderosa obra por Seu povo, levou-o a falar a Artaxerxes do seu desejo de retornar a Jerusalém, a fim de reavivar o interesse no estudo da Palavra de Deus, e assistir seus irmãos na restauração da cidade santa. Como Esdras declarasse sua perfeita confiança no Deus de Israel como abundantemente capaz de proteger e cuidar de Seu povo, o rei ficou profundamente impressionado. Ele bem compreendeu que os israelitas estavam retornando a Jerusalém para que pudessem servir a Jeová; contudo, era tão grande a confiança do rei na integridade de Esdras, que lhe mostrou marcado favor, aceitando o seu pedido, e outorgando-lhe ricos dons para o serviço do templo. Ele o tornou um especial representante do reino medo-persa, e conferiu-lhe extensivos poderes para que pusesse em prática os propósitos que tinha em seu coração.

O decreto de Artaxerxes Longímano para a restauração e reedificação de Jerusalém, o terceiro desde a terminação dos setenta anos do cativeiro, é notável por suas expressões referentes ao Deus do Céu, por seu reconhecimento das realizações de Esdras e a liberalidade das concessões feitas ao remanescente povo de Deus. Artaxerxes se refere a Esdras como “o sacerdote Esdras, o escriba das palavras dos mandamentos do Senhor, e dos Seus estatutos sobre Israel”; “escriba da lei do Deus dos Céus”. O rei uniu-se com seus conselheiros em oferecer livremente “ao Deus de Israel, cuja habitação está em Jerusalém”; e em acréscimo, tomou providência no sentido de se enfrentar as muitas despesas pesadas ordenando que fossem pagas “da casa dos tesouros do rei”. Esdras 7:11, 12, 15, 20.

“Da parte do rei e dos seus sete conselheiros és mandado”, declarou Artaxerxes a Esdras, “para fazeres inquirição em Judá e em Jerusalém, conforme a lei do teu Deus, que está na tua mão.” E mais tarde decretou: “Tudo quanto se ordenar, segundo o mandado do Deus do Céu, prontamente se faça para a casa do Deus do Céu; porque, para que haveria grande ira sobre o reino do rei e de seus filhos?” Esdras 7:14, 23.

Ao dar permissão para os israelitas voltarem, Artaxerxes providenciou a restauração dos membros do sacerdócio a seus antigos ritos e privilégios. “Também vos fazemos saber acerca de todos os sacerdotes e levitas, cantores, porteiros, netinins, e ministros desta casa de Deus”, ele declarou, “que se lhes não possa impor, nem direito, nem antigo tributo, nem renda.” E tomou providências também para que fossem indicados funcionários civis para governar o povo legitimamente, de acordo com o código judaico de leis. “Tu, Esdras, conforme a sabedoria do teu Deus, que está na tua mão”, ele ordenou, “põe regedores e juízes, que julguem a todo o povo que está dalém do rio, a todos os que sabem as leis do teu Deus, e ao que as não sabe as fareis saber. E todo aquele que não observar a lei do teu Deus e a lei do rei, logo se faça justiça dele: quer seja morte, quer degredo, quer multa sobre os seus bens, quer prisão”. Esdras 7:24-26.

Assim, “segundo a boa mão do seu Deus sobre ele”, Esdras persuadiu o rei a fazer abundante provisão para o retorno de todo o povo de Israel, e dos sacerdotes e levitas, no domínio medo-persa que, espontaneamente “quiser ir contigo a Jerusalém, vá”. Esdras 7:9, 13. Assim outra vez foi dada oportunidade aos filhos da dispersão para voltarem à terra cuja posse estava vinculada às promessas à casa de Israel. Este decreto levou grande alegria aos que estiveram unidos com Esdras no estudo dos propósitos de Deus concernentes a Seu povo. “Bendito seja o Senhor Deus de nossos pais”, Esdras exclamou, “que tal inspirou ao coração do rei, para ornarmos a casa do Senhor, que está em Jerusalém; e que estendeu para mim a Sua beneficência perante o rei e os seus conselheiros e todos os príncipes poderosos do rei”. Esdras 7:27, 28.

Na promulgação deste decreto por Artaxerxes, foi manifestas a providência de Deus. Alguns discerniram isto, e alegremente tiraram vantagem do privilégio de voltar sob circunstâncias tão favoráveis. Foi designado um lugar geral para reunião; e no tempo apontado, os que estavam desejosos de ir à Jerusalém se reuniram para a longa viagem. “E ajuntei-os perto do rio que vai a Aava”, diz Esdras, “e ficamos ali acampados três dias”. Esdras 8:15.

Esdras havia esperado que um grande número retornasse a Jerusalém, mas o número dos que responderam ao chamado era desapontadoramente pequeno. Muitos que haviam adquirido casas e terras não tinham desejo de sacrificar essas posses. Eles amavam a tranquilidade e o conforto, e sentiam-se satisfeitos por permanecer. Seu exemplo provou-se um embaraço a outros que de outra forma teriam escolhido lançar a sorte com os que estavam avançando pela fé.

Esdras, ao olhar o grupo reunido, ficou surpreso por não ver entre eles nenhum dos filhos de Levi. Onde estavam os membros da tribo que tinha sido posta de lado para o sagrado serviço do templo? Ao chamado: Quem está do lado do Senhor, os levitas deviam ter sido os primeiros a responder. Durante o cativeiro, como também depois, tinham-se-lhes concedido muitos privilégios. Eles haviam desfrutado a mais plena liberdade para ministrar às necessidades espirituais de seus irmãos no exílio. Sinagogas tinham sido construídas, nas quais os sacerdotes dirigiam o culto de Deus, e instruíam o povo. A observância do sábado, e a prática dos sagrados ritos peculiares à fé judaica, tinham sido permitidos livremente.

Mas com o passar dos anos depois do cativeiro, as condições mudaram, e muitas responsabilidades novas repousaram sobre os líderes de Israel. O templo de Jerusalém tinha sido reconstruído e dedicado, e mais sacerdotes eram necessários para a realização de suas cerimônias. Havia urgente necessidade de homens de Deus para atuar como ensinadores do povo. Demais disto, os judeus que permanecessem em Babilônia corriam o perigo de ter restringida sua liberdade religiosa. Por intermédio do profeta Zacarias, bem como pela recente experiência nos momentosos dias de Ester e Mardoqueu, os judeus na Medo-Pérsia tinham sido claramente advertidos a voltar para a sua própria terra. Chegara o tempo em que seria perigoso para eles a permanência por mais tempo no meio de influências pagãs. Em vista dessas condições modificadas, os sacerdotes em Babilônia deviam ter sido ligeiros em discernir na promulgação do decreto um chamado especial a eles para que retornassem para Jerusalém.

O rei e os príncipes tinham feito mais que sua parte em abrir o caminho para o retorno. Tinham provido abundantes meios; mas onde estavam os homens? Os filhos de Levi falharam no momento em que a influência de uma decisão de acompanhar seus irmãos teria levado outros a seguir-lhes o exemplo. Sua estranha indiferença é uma triste revelação da atitude dos israelitas em Babilônia em relação aos propósitos de Deus por Seu povo.

Uma vez mais Esdras apelou aos levitas, enviando-lhes um urgente convite para se unirem com o seu grupo. Para dar ênfase à importância de rápida ação, ele enviou com o seu apelo escrito vários dos seus “chefes” (Esdras 7:28) e “sábios”. Esdras 8:16.

Enquanto os viajantes ficaram com Esdras, esses acreditados mensageiros retornaram depressa com o apelo para que “trouxessem ministros para a casa de Deus”. Esdras 8:17. O apelo foi ouvido; alguns que estavam vacilantes, fizeram afinal a decisão de retornar. Ao todo, cerca de quarenta sacerdotes e duzentos e vinte netinins — homens em quem Esdras podia confiar como sábios ministros e bons mestres e ajudadores — foram levados ao acampamento.

Todos estavam agora prontos para partir. Diante deles estava uma jornada que levaria vários meses. Os homens tinham consigo suas esposas, filhos e posses, além de grande tesouro para o templo e seus serviços. Esdras fora advertido de que inimigos estavam de espreita pelo caminho, prontos para pilhar e destruir a ele e seu grupo; contudo não pedira ao rei nenhuma força armada para proteção. “Porque me envergonhei”, ele explicou, “de pedir ao rei exército e cavaleiros para nos defender do inimigo no caminho, porquanto tínhamos falado ao rei, dizendo: A mão de nosso Deus é sobre todos os que O buscam para o bem, mas a Sua força e a Sua ira sobre todos os que O deixam”. Esdras 8:22.

Nisso Esdras e seus companheiros viram uma oportunidade de magnificar o nome de Deus entre os pagãos. A fé no poder do Deus vivo seria fortalecida se os próprios israelitas revelassem agora implícita confiança no seu divino Guia. Determinaram-se, pois, depositar sua segurança inteiramente nEle. Não pediram nenhuma guarda de soldados. Não dariam aos pagãos qualquer ocasião de atribuir ao poder do homem a glória que somente a Deus pertence. Não permitiriam que surgisse na mente dos seus amigos pagãos qualquer dúvida quanto à sinceridade de sua dependência de Deus como Seu povo. A força seria obtida, não através de riquezas ou do poder e influência de idólatras, mas mediante o favor de Deus. Eles seriam protegidos exclusivamente pelo conservar diante de si a lei do Senhor, esforçando-se por obedecê-la.

Este conhecimento das condições sob as quais eles poderiam continuar contando com a propícia mão de Deus, infundiu uma solenidade mais que comum ao culto de consagração dirigido por Esdras e seu fiel grupo pouco antes da partida. “Apregoei ali um jejum junto ao rio Aava”, Esdras declara desta experiência, “para nos humilharmos diante da face do nosso Deus, para Lhe pedirmos caminho direito para nós, e para nossos filhos, e para toda a nossa fazenda.” “Nós, pois, jejuamos, e pedimos isto ao nosso Deus, e moveu-Se pelas nossas orações”. Esdras 8:21, 23.

A bênção de Deus, entretanto, não tornava medidas de prudência e precaução desnecessárias. Como providência especial para salvaguardar o tesouro, Esdras separou “doze dos maiorais dos sacerdotes” — homens cuja fidelidade e lealdade tinham sido provadas — e pesou-lhes “a prata, e o ouro, e os vasos, que era a oferta para a casa do nosso Deus, a qual ofereceram o rei e os seus conselheiros, e os seus príncipes”. Esses homens receberam o solene encargo de agir como vigilantes mordomos do tesouro confiado aos seus cuidados.

“Consagrados sois do Senhor”, Esdras declarou, “e sagrados são estes vasos, como também esta prata e este ouro, oferta voluntária, oferecida ao Senhor Deus de vossos pais. Vigiai, pois, e guardai-os, até que os peseis na presença dos maiorais dos sacerdotes e dos levitas, e dos príncipes dos pais de Israel, em Jerusalém, nas câmaras da casa de Deus”. Esdras 8:24, 25, 28, 29.

O cuidado exercido por Esdras nas providências para o transporte e segurança do tesouro do Senhor, ensina uma lição digna de meditado estudo. Unicamente aqueles cuja lealdade tinha sido provada, foram escolhidos; e foram claramente instruídos com respeito à responsabilidade que sobre eles repousava. Na indicação de fiéis oficiais para funcionar como tesoureiros dos bens do Senhor, Esdras reconheceu a necessidade e o valor de ordem e organização em relação com a obra de Deus.

Durante os poucos dias que os israelitas se detiveram junto ao rio, completou-se toda a provisão para a longa jornada. “E partimos do rio de Aava”, diz Esdras, “no dia doze do primeiro mês, para irmos para Jerusalém; e a mão do nosso Deus estava sobre nós, e livrou-nos da mão dos inimigos, e dos que nos armavam ciladas no caminho”. Esdras 8:31. Cerca de quatro meses foram gastos na viagem, dado que a multidão que acompanhava Esdras, vários milhares ao todo, incluindo-se mulheres e crianças, precisava andar devagar. Mas tudo foi preservado com segurança. Seus inimigos foram impedidos de fazer-lhes mal. Foi próspera a sua viagem; e no primeiro dia do quinto mês, no sétimo ano de Artaxerxes, alcançaram Jerusalém.

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/?id=7273

BLOG DA SEMANA 29/10/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 48-49

Eu acho que muitos de nós podemos nos identificar com estas duas histórias nos capítulos 48-49 ao experimentarmos obstáculos em nossos caminhos, que parecem desencorajadores e assustadores.

Nos últimos anos isso aconteceu comigo com a doença do meu filho mais novo, a morte de meu marido, as lutas financeiras e um novo casamento que se desmoronou. Eu me senti completamente sozinha e os obstáculos me levaram ao ponto de não saber o caminho a seguir.

Tenho certeza de que Zorobabel e Ester sentiram o mesmo. Aquilo que enfrentavam não era algo que pudessem lidar sozinhos. Eles foram colocados em uma situação que nenhum homem poderia consertar, apenas Deus. Eu acredito que Deus, às vezes, permite circunstâncias como estas para que não tenhamos escolha a não ser O procurarmos e confiar completamente nEle.

Nenhuma pessoa humana poderia ter fornecido o conforto que eu precisava, ou força para atravessar os últimos anos, como Deus forneceu. A construção do templo e a aproximação de Ester junto ao rei eram situações igualmente extremas. Ela tinha pleno conhecimento do que enfrentava, e dependeu completamente da proteção de Deus, enquanto fazia esse movimento audaz em benefício de seu povo. Ela não se lançou inconsequentemente, mas jejuou e orou, dependendo de Deus em cada passo.

O fim do capítulo 49 nos lembra que Deus é e sempre será o vindicador da Sua verdade e do Seu povo, mesmo nos tempos do fim.

“O Senhor lutará por vocês; tão somente acalmem-se.” Êxodo 14:14 NVI.

Jill Simpson Palffy
Igreja Adventista do Sétimo Dia de Westminster
Carolina do Sul, EUA

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/48-49
Tradução: Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli