Leitura da semana 9: 06/09/2015 – Parábolas de Jesus Capítulos 3-5

Capítulo 3 — O desenvolvimento da vida

Este capítulo é baseado em Marcos 4:26-29.

A parábola do semeador produziu muita indagação. Alguns dos ouvintes concluíram que Cristo não fundaria um reino terrestre, e muitos estavam curiosos e perplexos. Notando-lhes a perplexidade, Cristo usou outras ilustrações, ainda tentando desviar-lhes os pensamentos da esperança de um reino temporal, para a obra da graça divina no coração.
“E dizia: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra, e dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como. Porque a terra por si mesma frutifica; primeiro, a erva, depois, a espiga, e, por último, o grão cheio na espiga. E, quando já o fruto se mostra, mete-lhe logo a foice, porque está chegada a ceifa.” Marcos 4:26-29.
O lavrador que mete “logo a foice, porque está chegada a ceifa”, não pode ser outro senão Cristo. Ele é que, no último grande dia, recolherá a seara da Terra. O semeador da semente, porém, representa aqueles que trabalham em lugar de Cristo. Da semente se diz que brotou e cresceu, “não sabendo ele como”, e isto não pode referir-se ao Filho de Deus. Cristo não dorme em Sua incumbência, mas cuida dela dia e noite. Não ignora como a semente germina.
A parábola da semente revela que Deus opera na natureza. A semente encerra um princípio germinativo, princípio que Deus mesmo implantou; porém, abandonada a si própria a semente não teria a faculdade de germinar. O homem tem sua parte em favorecer o crescimento do grão. Precisa preparar e adubar o solo, e lançar a semente. Precisa lavrar o campo. Mas há um ponto, além do qual nada pode fazer. Nenhuma força ou sabedoria humana pode extrair da semente a planta viva. Ainda que o homem empregue seus esforços até ao limite extremo, precisará, entretanto, depender dAquele que ligou o semear e o colher pelos maravilhosos elos de Sua própria Onipotência.
Há vida na semente, e força no solo; mas se o poder infinito não for exercido dia e noite, a semente não produzirá colheita. A chuva precisa ser enviada para umedecer os campos sedentos, o Sol precisa comunicar calor, e a eletricidade precisa ser conduzida à semente enterrada. A vida que o Criador implantou, somente Ele pode despertar. Toda semente germina e toda planta se desenvolve pelo poder de Deus.
“Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o horto faz brotar o que nele se semeia, assim o Senhor Jeová fará brotar a justiça e o louvor.” Isaías 61:11. Como no semear natural assim é no espiritual; o professor da verdade deve procurar preparar o solo do coração; precisa lançar a semente; mas a força que, somente, pode produzir vida, vem de Deus. Há um limite além do qual os esforços humanos são em vão. Embora devamos pregar a Palavra, não podemos comunicar o poder que vivificará a alma e fará brotar justiça e louvor. Na pregação da Palavra precisa haver a operação de um agente que supera as forças humanas. Somente pelo Espírito divino será a Palavra viva e poderosa para renovar o caráter para a vida eterna. Isso é o que Cristo buscava incutir em Seus discípulos. Ensinava que nada que possuíam em si mesmos podia dar êxito a seus esforços, mas o miraculoso poder de Deus é que torna eficaz Sua Palavra.
A obra do semeador é uma obra de fé. Poderá ele não compreender o mistério da germinação e do crescimento da semente. Todavia, tem confiança nos instrumentos pelos quais Deus faz a vegetação florescer. Lançando a semente à terra, desperdiça aparentemente o precioso cereal, que podia fornecer pão para sua família. Mas somente renuncia a um bem presente, em troca de uma devolução maior. Espalha a semente, esperando recolhê-la multiplicada numa colheita abundante. Assim devem agir os servos de Cristo, aguardando a colheita da semente lançada à terra.
A boa semente pode por algum tempo jazer despercebida num coração frio, egoísta e mundano, sem dar demonstração de haver-se enraizado; porém mais tarde, tocando o Espírito de Deus esse coração, a semente oculta brota, e, finalmente, produz frutos para a glória de Deus. Não sabemos durante toda a vida qual prosperará, se esta ou aquela. Isso não é de nossa alçada. Façamos nosso trabalho e deixemos os resultados com Deus. “Pela manhã, semeia a tua semente e, à tarde, não retires a tua mão.” Eclesiastes 11:6. O grande concerto de Deus declara: “Enquanto a Terra durar, sementeira e sega, … não cessarão.” Gênesis 8:22. Confiante nesta promessa o lavrador ara e semeia. Com não menos confiança devemos labutar na sementeira espiritual, confiantes em Sua declaração: “Assim será a palavra que sair da Minha boca; ela não voltará para Mim vazia; antes, fará o que Me apraz e prosperará naquilo para que a enviei.” Isaías 55:11. “Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.” Salmos 126:6.
A germinação da semente representa o início da vida espiritual, e o desenvolvimento da planta é uma bela figura do crescimento cristão. Como ocorre na natureza, assim é na graça; não pode haver vida sem crescimento. A planta precisa crescer ou morrer. Como seu crescimento é silencioso e imperceptível, mas constante, assim é o desenvolvimento da vida cristã. Nossa vida pode ser perfeita em cada fase de desenvolvimento; contudo haverá progresso contínuo, se o propósito de Deus se cumprir em nós. A santificação é obra de toda uma vida. Multiplicando-se as oportunidades, ampliar-se-á nossa experiência e crescerá nosso conhecimento. Tornar-nos-emos fortes para assumir as responsabilidades, e nossa maturidade será proporcional aos nossos privilégios.
A planta cresce recebendo o que Deus provê para sustentar-lhe a vida. Aprofunda as raízes no solo. Absorve o sol, o orvalho e a chuva. Áureas propriedades vitalizantes do ar. Assim deve crescer o cristão, cooperando com os agentes divinos. Sentindo nosso desamparo, devemos aproveitar todas as oportunidades que se nos deparam, para ganhar uma experiência mais rica. Como a planta enraíza-se no solo, devemos também arraigar-nos profundamente em Cristo. Como a planta recebe o sol, o orvalho e a chuva, também devemos abrir o coração ao Espírito Santo. A obra deve ser feita “não por força, nem por violência, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos”. Zacarias 4:6. Se conservarmos a mente firmada em Cristo, “Ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a Terra”. Oséias 6:3. Como o Sol da Justiça levantar-se-á sobre nós, trazendo salvação “debaixo das Suas asas”. Malaquias 4:2. Floresceremos “como o lírio”. Oséias 14:5. Seremos “vivificados como o trigo”, e floresceremos “como a vide”. Oséias 14:7. Confiando constantemente em Cristo como nosso Salvador pessoal, cresceremos em tudo nAquele que é a cabeça.
O trigo desenvolve-se “primeiro, a erva, depois, a espiga, e, por último, o grão cheio na espiga”. Marcos 4:28. O objetivo do lavrador no lançar a semente e na cultura da planta crescente é a produção de cereal. Deseja pão para os famintos, e semente para futuras searas. Assim espera o Lavrador divino uma colheita como recompensa de Seu trabalho e sacrifício. Cristo procura reproduzir-Se no coração dos homens; e faz isto por intermédio daqueles que nEle crêem. O objetivo da vida cristã é a frutificação — a reprodução do caráter de Cristo no crente, para que Se possa reproduzir em outros.
A planta não germina, não cresce, nem produz frutos para si mesma, mas para “dar semente ao semeador, e pão ao que come”. Isaías 55:10. Igualmente ninguém deve viver para si mesmo. O cristão está no mundo como representante de Cristo para a salvação de outros.
Na vida que se centraliza no eu não pode haver crescimento nem frutificação. Se aceitastes a Cristo como Salvador pessoal, deveis esquecer-vos e procurar auxiliar a outros. Falai do amor de Cristo, contai de Sua bondade. Cumpri todo dever que se vos apresenta. Levai sobre o coração o peso da salvação das pessoas, e tentai salvar os perdidos por todos os meios possíveis. Recebendo o Espírito de Cristo — o espírito do amor abnegado e do sacrifício por outrem — crescereis e produzireis fruto. As graças do Espírito amadurecerão em vosso caráter. Vossa fé aumentará; vossas convicções aprofundar-se-ão, vosso amor será mais perfeito. Mais e mais refletireis a semelhança de Cristo em tudo que é puro, nobre e amável.
“O fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.” Gálatas 5:22, 23. Este fruto jamais perecerá, antes produzirá uma colheita de sua espécie para a vida eterna. “Quando já o fruto se mostra, mete-lhe logo a foice, porque está chegada a ceifa.” Marcos 4:29. Cristo aguarda com fremente desejo a manifestação de Si mesmo em Sua igreja. Quando o caráter de Cristo se reproduzir perfeitamente em Seu povo, então virá para reclamá-los como Seus.
Todo cristão tem o privilégio, não só de esperar a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, como também de apressá-la. 2 Pedro 3:12. Se todos os que professam Seu nome produzissem fruto para Sua glória, quão depressa não estaria o mundo todo semeado com a semente do evangelho! Rapidamente amadureceria a última grande seara e Cristo viria recolher o precioso grão

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Capítulo 4 — Por que existe o mal
Este capítulo é baseado em Mateus 13:24-30, 37-43.

“Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio.” Mateus 13:24-26.
“O campo”, disse Cristo, “é o mundo.” Mateus 13:38. Precisamos, porém, entender isto como significativo da igreja de Cristo no mundo. A parábola é uma descrição pertinente ao reino de Deus, Sua obra pela salvação dos homens; e esta obra é executada pela igreja. Em verdade, o Espírito Santo saiu a todo o mundo; opera no coração dos homens em toda parte; mas é na igreja que devemos crescer e amadurecer para o celeiro de Deus.
“O que semeia a boa semente é o Filho do homem, … a boa semente são os filhos do reino, e o joio são os filhos do maligno.” Mateus 13:37, 38. A boa semente representa aqueles que são nascidos da Palavra de Deus, da verdade. O joio representa uma classe que é o fruto ou encarnação do erro, de princípios falsos. “O inimigo que o semeou é o diabo.” Mateus 13:39. Nem Deus nem os anjos jamais semearam semente que produzisse joio. O joio é sempre lançado por Satanás, o inimigo de Deus e do homem.
No oriente, os homens vingavam-se muitas vezes do inimigo, espalhando sementes de qualquer erva daninha, muito semelhante ao trigo, em crescimento, em seu campo recém-semeado. Crescendo com o trigo prejudicava a colheita, e causava fadigas e prejuízos ao proprietário do campo. Assim Satanás, induzido por sua inimizade a Cristo, espalha a má semente entre o bom trigo do reino. O fruto de sua semeadura atribui ele ao Filho de Deus. Introduzindo na igreja aqueles que levam o nome de Deus, conquanto Lhe neguem o caráter, faz o maligno que Deus seja desonrado, a obra da salvação mal representada e almas postas em perigo.
Dói aos servos de Cristo ver misturados na congregação crentes falsos e verdadeiros. Anseiam fazer alguma coisa para purificar a igreja. Como os servos do pai de família, estão dispostos a arrancar o joio. Mas Cristo lhes diz: “Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa.” Mateus 13:29, 30.
Cristo ensinou claramente que aqueles que perseveram em pecado declarado devem ser desligados da igreja; mas não nos confiou a tarefa de julgar o caráter e os motivos. Conhece demasiado bem nossa natureza para que nos delegasse esta obra. Se tentássemos desarraigar da igreja os que supomos serem falsos cristãos, certamente cometeríamos erro. Muitas vezes consideramos casos perdidos justamente aqueles que Cristo está atraindo a Si. Se devêssemos proceder com essas pessoas segundo nosso parecer imperfeito, extinguir-se-ia talvez sua última esperança. Muitos que se julgam cristãos serão finalmente achados em falta. Haverá muitos no Céu, os quais seus vizinhos supunham que lá não entrariam. O homem julga segundo a aparência; mas Deus vê o coração. O joio e o trigo devem crescer juntos até à ceifa; e a colheita é o fim do tempo da graça.
Há nas palavras do Salvador ainda outra lição, uma lição de maravilhosa longanimidade e terno amor. Como o joio tem as raízes entrelaçadas com as do bom trigo, assim falsos irmãos podem estar na igreja, intimamente ligados com os discípulos verdadeiros. O verdadeiro caráter desses pretensos crentes não é plenamente manifesto. Caso fossem desligados da congregação, outros poderiam ser induzidos a tropeçar, os quais, se não fosse isto, permaneceriam firmes.
A lição dessa parábola é ilustrada pelo proceder de Deus para com os homens e os anjos. Satanás é um enganador. Ao pecar ele no Céu, nem mesmo os anjos fiéis reconheceram plenamente seu caráter. Esta é a razão por que Deus não o destruiu imediatamente. Se o tivesse feito, os santos anjos não teriam percebido o amor e a justiça de Deus. Uma só dúvida quanto à bondade de Deus teria sido como má semente, que produziria o amargo fruto do pecado e da desgraça. Por isto foi poupado o autor do mal, para desenvolver plenamente seu caráter. Durante longos séculos, suportou Deus a angústia de contemplar a obra do mal. Preferiu dar a infinita Dádiva do Gólgota, a deixar alguém ser induzido pelas falsas representações do maligno; pois o joio não podia ser arrancado, sem o risco de desarraigar a preciosa semente. E não seremos tão clementes para com nossos semelhantes, como o Senhor do Céu e da Terra o é para com Satanás?
Por haver na igreja membros indignos, não tem o mundo o direito de duvidar da verdade do cristianismo, nem devem os cristãos desanimar por causa destes falsos irmãos. Como foi com a igreja primitiva? Ananias e Safira uniram-se aos discípulos. Simão Mago foi batizado. Demas, que abandonou a Paulo, era considerado crente. Judas Iscariotes foi um dos apóstolos. O Redentor não quer perder uma única pessoa. Sua experiência com Judas é relatada para mostrar Sua longanimidade com a corrompida natureza humana; e nos ordena sermos pacientes como Ele o foi. Disse que até ao fim do tempo haveria falsos irmãos na igreja. Apesar da advertência de Cristo, têm os homens procurado arrancar o joio. Para punir os que foram considerados malfeitores, tem a igreja recorrido ao poder civil. Os que divergiram das doutrinas dominantes foram encarcerados, martirizados e mortos por instigação de homens que pretendiam agir sob a sanção de Cristo. Mas atos tais são inspirados pelo espírito de Satanás, não pelo Espírito de Cristo. Esse é o método peculiar de Satanás de submeter o mundo a seu domínio. Por esta maneira de proceder com os supostos hereges, Deus tem sido mal representado pela igreja.
Na parábola de Cristo não nos é ensinado que julguemos e condenemos a outros, antes sejamos humildes e desconfiemos do eu. Nem tudo que é semeado no campo é bom trigo. O estarem os homens na igreja não prova que são cristãos.
O joio era muito semelhante ao trigo enquanto as hastes estavam verdes; mas quando o campo estava branco para a ceifa, a erva inútil nada se parecia com o trigo, que vergava ao peso das espigas cheias e maduras. Pecadores que pretendem ser piedosos, confundem-se por algum tempo com os verdadeiros seguidores de Cristo, e a aparência de cristianismo tende a enganar a muitos; mas não haverá, na sega do mundo, semelhança entre os bons e os maus. Então, serão manifestos aqueles que se ligaram à igreja, mas não a Cristo.
É permitido ao joio crescer entre o trigo, desfrutar os mesmos privilégios de sol e chuva; mas no tempo da ceifa será vista “a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não O serve”. Malaquias 3:18. Cristo mesmo decidirá quem é digno de ser membro da família celestial. Julgará todo homem segundo suas palavras e obras. A profissão de fé nada pesa na balança. O caráter é que decide o destino. O Salvador não aponta a um tempo em que todo o joio se tornará trigo. O trigo e o joio crescem juntos até à ceifa, o fim do mundo. Então o joio será atado em molhos para ser queimado, e o trigo será recolhido no celeiro de Deus. “Então, os justos resplandecerão como o Sol, no reino de seu Pai.” Mateus 13:43. “Mandará o Filho do homem os Seus anjos, e eles colherão do Seu reino tudo o que causa escândalo e os que cometem iniqüidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali, haverá pranto e ranger de dentes.” Mateus 13:41, 42.

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Capítulo 5 — Pequenos inícios, grandes resultados
Este capítulo é baseado em Mateus 13:31, 32; Marcos 4:30-32; Lucas 13:18, 19.

Entre a multidão que ouvia os ensinos de Jesus, havia muitos fariseus. Cheios de desdém, observavam quão poucos de Seus ouvintes O reconheciam como o Messias. E perguntavam de si para si como esse mestre despretensioso poderia elevar Israel ao domínio universal. Como poderia Ele, sem riquezas, poder ou honra, fundar um novo reino? Cristo lhes leu os pensamentos e respondeu:
“A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o representaremos?” Marcos 4:30. Em governos terrenos nada havia que pudesse servir de comparação. Nenhuma sociedade civil Lhe podia fornecer um símile. “É como um grão de mostarda”, disse “que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que há na Terra; mas, tendo sido semeado, cresce, e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra.”Marcos 4:31, 32.
O embrião, contido na semente, cresce pelo desenvolvimento do princípio vital que Deus nele implantou. Seu desenvolvimento não depende de meios humanos. Assim é com o reino de Cristo. Há uma nova criação. Os princípios de desenvolvimento são diretamente opostos aos que regem os reinos deste mundo. Governos terrenos prevalecem pelo emprego da força; pelas armas mantêm o seu domínio, mas o fundador do novo reino é o Príncipe da paz. O Espírito Santo representa os reinos terrestres mediante o símbolo de feras; mas Cristo é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. João 1:29. Em Seu plano de governo não há o emprego da força bruta para compelir a consciência. Esperavam os judeus que o reino de Deus fosse estabelecido do mesmo modo que os do mundo. Para promover justiça, recorriam a medidas externas. Forjavam planos e métodos. Mas Cristo implanta um princípio. Implantando a verdade e a justiça, frustra o erro e o pecado.
Ao proferir Jesus esta parábola, a mostardeira podia ser vista perto e longe, erguendo-se sobre a relva e os cereais, balançando seus galhos levemente no ar. Os pássaros esvoaçavam de galho em galho e chilreavam entre a folhagem. Contudo, a semente de que surgiu essa planta gigantesca, era a menor de todas as sementes. Primeiro despontou um tenro broto; mas possuía bastante vitalidade, cresceu e floresceu até alcançar grande tamanho. Assim, a princípio, o reino de Cristo parecia humilde e insignificante. Comparado com os reinos terrestres, dir-se-ia ser o menor de todos. O direito de Cristo a ser rei, era ridicularizado pelos governantes deste mundo. Todavia, o reino do evangelho possuía vida divina nas poderosas verdades confiadas a Seus seguidores. E como foi rápido o seu crescimento! Que amplitude de influência! Quando Cristo pronunciou essa parábola, era o novo reino representado apenas por uns camponeses galileus. Sua pobreza e minoria foram apresentadas repetidamente como motivo por que os homens não se devessem unir a esses pescadores simples que seguiam a Jesus. Mas o grão de mostarda deveria crescer e estender seus ramos por todo o mundo. Quando passassem os reinos terrestres, cuja glória enchia então os corações, o reino de Cristo perduraria ainda como uma vasta e forte potência.
Assim a obra da graça no coração é pequena ao princípio. É dita uma palavra, um raio de luz projetado na alma, exercida uma influência que é o início da nova vida; e quem pode medir os resultados?
A parábola do grão de mostarda não só ilustra o crescimento do reino de Cristo, mas, em cada fase de seu desenvolvimento, repete-se a experiência nela apresentada. Para Sua igreja, em cada geração, Deus tem uma verdade peculiar e um serviço especial. A verdade, oculta aos sábios e entendidos deste mundo, é revelada às criancinhas e aos humildes. Exige sacrifício próprio. Há combates para se ferirem e vitórias para serem conquistadas. De início seus adeptos são poucos. Pelos grandes do mundo e por uma igreja de espírito mundano são repelidos e desprezados. Vede João Batista, o precursor de Cristo, sozinho censurando o orgulho e formalismo do povo judeu! Vede os primeiros defensores do evangelho na Europa! Obscura e desanimadora parecia a missão de Paulo e Silas, os dois fazedores de tendas, quando, com os companheiros, embarcavam em Trôade para Filipos! Vede o “idoso Paulo”, pregando a Cristo, acorrentado na cidadela dos Césares. Vede as pequenas comunidades de escravos e camponeses em conflito com o paganismo de Roma Imperial. Vede Martinho Lutero, resistindo àquela poderosa igreja que é a obra-prima da sabedoria deste mundo. Vede-o mantendo a Palavra de Deus contra o imperador e o papa, declarando: “Aqui estou; não posso proceder doutra forma. Deus me auxilie!”
Vede João Wesley pregando a Cristo e Sua justiça em meio do formalismo, sensualidade e incredulidade. Vede alguém que, doendo-lhe a miséria do paganismo, roga o privilégio de lhes levar a mensagem do amor de Cristo. Ouvi a resposta do eclesiasticismo:“Sente-se, moço. Quando Deus quiser converter os pagãos, fá-lo-á sem o meu nem o seu auxílio.”
Os grandes guias do pensamento religioso desta geração anunciam os louvores daqueles que plantaram a semente da verdade há séculos, e erguem-lhes monumentos. Não abandonam muitos esta obra para espezinhar o renovo que hoje em dia desponta da mesma semente? Repete-se o velho clamor: “Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este [Cristo no mensageiro que Ele envia] não sabemos de onde é.” João 9:29. Como em épocas primitivas, as verdades especiais para este tempo não se acham com as autoridades eclesiásticas mas com homens e mulheres, que não são demasiado instruídos nem sábios demais para crer na Palavra de Deus.
“Porque vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são.” 1 Coríntios 1:26-28. “Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.”1 Coríntios 2:5.
Nesta última geração, a parábola do grão de mostarda deve alcançar notável e triunfante cumprimento. A pequena semente tornar-se-á uma árvore. A última mensagem de advertência e misericórdia deve ir “a toda nação, e tribo, e língua, e povo” (Apocalipse 14:6), para “tomar deles um povo para o Seu nome” (Atos dos Apóstolos 15:14); e a Terra será iluminada por Sua glória. Apocalipse 18:1.

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