LEITURA DA SEMANA 11 (20.09.2015) – PARÁBOLAS DE JESUS, caps. 8-10

Capítulo 8 — O maior tesouro

Este capítulo é baseado em Mateus 13:44.

“Também o reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem e compra aquele campo.” Mateus 13:44.

Nos tempos antigos era comum esconderem os homens seus tesouros na terra. Pilhagens e roubos eram freqüentes; e cada vez que havia mudança no governo, os que possuíam muitas propriedades estavam sujeitos a serem taxados com pesados tributos. Além disso a terra estava em constante perigo, pela invasão de bandos de ladrões. Por isso os ricos procuravam preservar seus tesouros escondendo-os, e a terra era tida como esconderijo seguro. Mas, o local era muitas vezes esquecido, a morte podia chamar o possuidor, a prisão ou desterro podiam separá-lo de suas riquezas, e o tesouro, para cuja conservação tomara tais precauções, ficava para o feliz descobridor. No tempo de Cristo não era incomum descobrirem-se, em terras abandonadas, moedas velhas e ornamentos de ouro e prata.

Um homem arrenda um terreno para o cultivar, e, lavrando os bois o solo, é desenterrado um tesouro oculto. Descobrindo o homem esse tesouro, vê que uma fortuna está ao seu alcance. Repondo o ouro no esconderijo, volta para casa, vende tudo quanto tem para adquirir o campo que encerra o tesouro. Sua família e vizinhos pensam que está agindo como insensato. Contemplando o campo, não vêem valor algum na terra abandonada. Mas o homem sabe o que faz; e quando o campo lhe pertence, examina cada porção do mesmo, para achar o tesouro de que se apossou.

Essa parábola ilustra o valor do tesouro celestial e os esforços que devem ser feitos para assegurá-lo. O descobridor do tesouro no campo estava disposto a privar-se de tudo quanto possuía, disposto a empenhar-se em trabalho árduo para alcançar as riquezas encobertas. Assim também o descobridor do tesouro celestial não terá nenhum trabalho por demasiado grande, nem sacrifício algum por demasiado custoso, para obter os tesouros da verdade.

Na parábola, o campo que encerra o tesouro, representa as Sagradas Escrituras. E o evangelho é o tesouro. A própria terra não está tão permeada de veios auríferos nem tão cheia de preciosidades como a Palavra de Deus.

Como está oculto

Diz-se que os tesouros do evangelho estão ocultos. A beleza, o poder, o mistério do plano da redenção não são perseguidos por aqueles que são sábios em seu próprio conceito, e ensoberbecidos pelos ensinos de uma filosofia vã. Muitos têm olhos mas não vêem; ouvidos mas não ouvem; inteligência, mas não discernem o tesouro oculto.

Um homem poderia passar sobre o lugar onde o tesouro está escondido. Grandemente necessitado, poderia assentar-se e descansar à sombra de uma árvore sem saber das riquezas ocultas sob suas raízes. Assim era com os judeus. Como tesouro áureo, a verdade foi confiada aos hebreus. A dispensação judaica, trazendo o sinete do Céu, fora instituída por Cristo mesmo. As grandes verdades da salvação eram ocultadas por tipos e símbolos. Contudo quando Cristo veio, os judeus não reconheceram Aquele a quem apontavam todos esses símbolos. Tinham em mãos a Palavra de Deus; mas as tradições transmitidas de geração a geração, e as interpretações humanas das Escrituras lhes ocultavam a verdade tal como é em Jesus. Perdeu-se a significação espiritual das Sagradas Escrituras. O tesouro de todo o conhecimento foi-lhes revelado, mas não o sabiam.

Deus não encobre Sua verdade aos homens. Por seu próprio procedimento obscurecem-na eles mesmos. Cristo deu aos judeus prova abundante de que era o Messias; mas Seus ensinamentos exigiam deles uma reforma radical de vida. Viram que se recebessem a Cristo, precisariam renunciar a seus acariciados conceitos e tradições, suas práticas egoístas e ímpias. Aceitar a verdade eterna e imutável exigia sacrifício. Por isso não reconheciam a evidência mais conclusiva que Deus podia dar para firmar a fé em Cristo. Professavam crer no Antigo Testamento; contudo recusavam aceitar o testemunho nele contido a respeito da vida e caráter de Cristo. Temiam deixar-se convencer para não serem convertidos e obrigados a renunciar a suas opiniões preconcebidas. O Tesouro do evangelho, o Caminho, a Verdade e a Vida, estava entre eles; mas rejeitaram a maior dádiva que o Céu lhes poderia outorgar.

“Até muitos dos principais creram nEle”, lemos, “mas não O confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga.” João 12:42. Estavam convictos; criam que Jesus era o Filho de Deus; mas confessá-Lo, não estava em harmonia com seus desejos ambiciosos. Não possuíam a fé que lhes asseguraria o tesouro celeste. Atentavam para os tesouros terrestres.

E hoje os homens procuram ansiosamente tesouros terrenos; têm a mente imbuída de pensamentos egoístas e ambiciosos. Para ganharem riquezas, honra e poder, colocam os princípios, tradições e requisitos de homens acima dos de Deus. Para eles, os tesouros de Sua palavra estão encobertos.

“O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” 1 Coríntios 2:14.

“Se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” 2 Coríntios 4:3, 4.

O valor do tesouro

O Salvador viu que os homens estavam empenhados em adquirir riquezas, e perdiam de vista as realidades eternas. Empreendeu corrigir esse mal. Procurou quebrar o encanto fascinante que paralisava a alma. Elevando a voz, disse: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” Mateus 16:26. Apresenta à humanidade decaída o mundo mais nobre, que haviam perdido de vista, para que contemplassem as realidades eternas. Leva-os ao limiar do Infinito, resplandecente com a indescritível glória de Deus, e lhes mostra o seu tesouro. O valor desse tesouro supera o ouro e a prata. Não se pode comparar com as riquezas das minas terrestres.

“O abismo diz: Não está em mim;
E o mar diz: Ela não está comigo.

Não se dará por ela ouro fino,
Nem se pesará prata em câmbio dela.

Nem se pode comprar por ouro fino de Ofir,
Nem pelo precioso ônix, nem pela safira.

Com ela se não pode comparar o ouro ou o cristal;
Nem se trocará por jóia de ouro fino.

Ela faz esquecer o coral e as pérolas;
Porque a aquisição da sabedoria é melhor que a dos rubis.”

Jó 28:14-18.

Esse é o tesouro que se acha nas Escrituras. A Bíblia é o grande livro de Deus, Seu grande educador. O fundamento de toda a verdadeira Ciência está contido na Bíblia. Esquadrinhando a Palavra de Deus, todo ramo de conhecimento pode ser encontrado; e sobre tudo o mais, encerra a ciência das ciências, a ciência da salvação. A Bíblia é a fonte das riquezas inesgotáveis de Cristo.

A verdadeira educação superior é obtida estudando a Palavra de Deus e a ela obedecendo. Se, porém, é substituída por livros, que não levam a Deus, e ao reino do Céu, a educação adquirida é uma perversão do nome.

Há maravilhosas verdades na natureza. A terra, o mar e o céu estão cheios de verdade. São nossos mestres. A natureza proclama a sua voz em lições de sabedoria celestial e de verdade eterna. Mas o homem decaído não quer entender. O pecado obscureceu-lhe a visão, e não pode por si mesmo interpretar a natureza, sem sobrepô-la a Deus. Lições corretas não podem impressionar o espírito de quem rejeita a Palavra de Deus. Os ensinamentos da natureza são tão pervertidos que afastam a mente do Criador.

Por muitos a sabedoria dos homens é considerada superior à do divino Mestre, e o Livro de Deus é julgado arcaico, anacrônico e desinteressante. Mas os que foram vivificados pelo Espírito Santo não o consideram assim. Vêem o inestimável tesouro e venderiam tudo para comprar o campo que o encerra. Em vez dos livros que contêm as suposições de grandes autores de fama, escolhem a Palavra dAquele que é o maior autor e o maior mestre que o mundo já conheceu, que deu Sua vida por nós, para que por Ele tenhamos a vida eterna.

Os resultados de desprezar o tesouro

Satanás atua no espírito humano e leva-o a pensar que se pode alcançar um maravilhoso conhecimento à parte de Deus. Mediante argumentação ilusória, induziu Adão e Eva a duvidarem da Palavra de Deus, e a substituírem-na por uma teoria que levou à desobediência. Seus sofismas fazem hoje o mesmo que fizeram no Éden. Professores que permeiam suas lições de opiniões de escritores incrédulos, implantam na mente dos jovens, pensamentos que os arrastarão ao desprezo a Deus e à transgressão de Sua lei. Pouco sabem do que estão fazendo. Mal reconhecem qual será a conseqüência de sua obra.

Um estudante pode passar todos os graus das escolas e colégios de hoje. Pode devotar todas as suas faculdades à aquisição de sabedoria. Mas, se não tiver o conhecimento de Deus, se não obedecer às leis que lhe regem o ser, aniquilar-se-á a si próprio. Por hábitos errôneos perde o respeito próprio. Perde o domínio de si mesmo. Não pode ajuizar corretamente das coisas que mais intimamente com ele se relacionam. É negligente e desarrazoado no trato da inteligência e do corpo. Pela prática de hábitos incorretos torna-se um náufrago. Não pode ter felicidade; pois sua negligência de cultivar princípios sãos e puros, sujeita-o ao domínio de costumes que destroem a paz. Os anos de estudo exaustivo ficam perdidos, porque se arruinou a si próprio. Abusou de suas forças físicas e mentais, e o templo do corpo é uma ruína. Está aniquilado para esta vida e para a vindoura. Pensou alcançar um tesouro pela aquisição de conhecimentos terrenos; pondo, porém, de parte a Bíblia, sacrificou um tesouro digno de tudo o mais.

A procura do tesouro

A Palavra de Deus deve ser nosso estudo. Devemos instruir nossos filhos nas verdades nela encontradas. É um deposito inesgotável; mas os homens deixam de achar esse tesouro, porque não o procuram até adquiri-lo. Muitos se contentam com uma suposição a respeito da verdade. Dão-se por satisfeitos com uma análise superficial, supondo ter tudo que é essencial. Tomam o veredicto de outros pela verdade, sendo negligentes demais para empenharem-se em sincero e diligente trabalho, representado na Palavra como escavar em busca do tesouro oculto. As invenções de homens, porém, são não somente indignas de confiança, como perigosas; porque colocam o homem onde Deus deveria estar. Põem as palavras de homens onde deveria estar um “Assim diz o Senhor”.

Cristo é a verdade. Suas palavras são verdade, e têm significação mais profunda do que superficialmente aparentam. Todos os ensinos de Cristo têm um valor superior à sua aparência despretensiosa. Mentes vivificadas pelo Espírito Santo discernirão a preciosidade dessas palavras. Discernirão as preciosas gemas da verdade, embora sejam tesouros encobertos.

Teorias e especulações humanas jamais hão de conduzir à compreensão da palavra de Deus. Os que julgam entender de filosofia, consideram suas interpretações necessárias para descerrar o tesouro do conhecimento e impedir que penetrem heresias na igreja. Mas foram justamente essas explanações que introduziram as falsas teorias e heresias. Os homens têm feito esforços desesperados para explicar textos considerados obscuros; mas muitas vezes seus esforços têm obscurecido ainda mais o que tentavam esclarecer.

Os sacerdotes e fariseus pensavam realizar grandes feitos como professores, sobrepondo à Palavra de Deus as suas interpretações; porém Cristo, deles disse: “Porventura, não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus?” Marcos 12:24. Culpava-os de ensinar “doutrinas que são mandamentos de homens”. Marcos 7:7. Embora fossem os instrutores dos oráculos divinos, embora se supusesse que compreendiam Sua Palavra, não eram praticantes da mesma. Satanás cegara-lhes os olhos, para não verem sua verdadeira significação.

Essa é a obra de muitos em nosso tempo. Muitas igrejas são culpadas deste pecado. Há perigo, e grande, de os conceituados sábios de hoje repetirem a experiência dos mestres judeus. Interpretam falsamente os oráculos divinos, e mentes são confundidas e envoltas em trevas, em conseqüência de sua concepção errônea da verdade divina.

As Escrituras não necessitam de ser lidas sob a luz embaçada da tradição ou especulação humanas. Podemos tão bem atear luz ao Sol com um facho, como explicar as Escrituras por tradições ou fantasias humanas. A santa Palavra de Deus não necessita do lusco-fusco dos archotes terrenos para tornar distintos os seus esplendores. Em si mesma é luz — a revelação da glória divina; e, ao seu lado, qualquer outra luz é fraquíssima.

Deve, porém, haver estudo sincero e exame minucioso. Percepções vivas e claras da verdade jamais serão a recompensa da indolência. Sem paciente, fervoroso e constante esforço não se pode conseguir sucesso terreno. Para que os homens alcancem bom êxito nos negócios, precisam ter determinação e fé para esperar os resultados. E não podemos

esperar obter conhecimento espiritual sem esforço veemente. Os que desejam achar os tesouros da verdade, precisam cavar em busca deles como o faz o mineiro, em busca do tesouro oculto na terra. Não adiantará um trabalho de um coração desinteressado e indiferente. É essencial tanto a adultos como a jovens, não somente ler a Palavra de Deus, como também estudá-la com fervor sincero, oração e investigação da verdade como se buscassem um tesouro escondido. Os que assim procederem serão recompensados; pois Cristo avivará o entendimento.

Nossa salvação depende do conhecimento da verdade contida nas Escrituras. Deus quer que o possuamos. Examinai, oh, examinai a preciosa Bíblia com coração faminto. Sondai a Palavra de Deus, como o mineiro sonda a terra para descobrir veios auríferos. Jamais deis por acabada a busca, enquanto não tiverdes determinado a vossa relação para com Deus, e Sua vontade concernente a vós. Cristo declarou: “Tudo quanto pedirdes em Meu nome, Eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu o farei.” João 14:13, 14. Homens piedosos e de talento vislumbram as realidades eternas, porém, muitas vezes deixam de compreendê-las porque as coisas visíveis eclipsam a glória do invisível. Aquele que quiser procurar o tesouro oculto com bom êxito, precisa alçar-se a prossecuções mais elevadas que as coisas deste mundo. Suas afeições e todas as suas capacidades precisam ser consagradas à pesquisa.

A desobediência tem cerrado a porta a uma grande soma de conhecimentos que podiam ser obtidos das Escrituras. Compreensão significa obediência aos mandamentos de Deus. As Escrituras não devem ser adaptadas ao preconceito e desconfiança dos homens. Somente podem entendê-las aqueles que humildemente procuram o conhecimento da verdade para poder obedecer-lhe.

Pergunta: Que preciso fazer para ser salvo? Antes de iniciar a pesquisa, é preciso depor as opiniões preconcebidas, as idéias herdadas e cultivadas. Se examinais as Escrituras para justificar opiniões próprias, nunca alcançareis a verdade. Pesquisai para aprender o que o Senhor diz. Se vos vier a convicção ao estudardes, se virdes que vossas opiniões acariciadas não estão em harmonia com a verdade, não interpreteis mal a verdade para acomodá-la à vossa própria crença, antes aceitai a luz concedida. Abri a mente e o coração, para que possais contemplar as maravilhas da Palavra de Deus.

A fé em Cristo, como o Redentor do mundo, exige o reconhecimento de uma inteligência esclarecida, dirigida por um coração que pode discernir e avaliar o tesouro celestial. Essa fé é inseparável do arrependimento e transformação do caráter. Ter fé significa achar e aceitar o tesouro do evangelho com todos os deveres que o mesmo impõe.

“Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus.” João 3:3. Conjeturará e imaginará, mas sem os olhos da fé, não pode ver o tesouro. Cristo deu a Sua vida para nos assegurar esse tesouro inestimável; porém sem regeneração pela fé em Seu sangue, não há remissão de pecados, nem tesouro para alguém prestes a perecer.

Necessitamos da iluminação do Espírito Santo, para discernir as verdades da Palavra de Deus. As coisas aprazíveis do mundo natural não são vistas sem que o Sol, dissipando as trevas, as inunde de luz. Assim as preciosidades da Palavra de Deus, não são apreciadas, sem serem reveladas pelos brilhantes raios do Sol da Justiça.

O Espírito Santo enviado do Céu, pela benevolência do infinito amor, toma as coisas de Deus e as revela a toda pessoa que tem fé implícita em Cristo. Por Seu poder, as verdades vitais das quais depende a salvação, são impressas na mente, e o caminho da vida torna-se tão claro, que ninguém precisa desviar-se. Estudando as Escrituras, devemos orar para que a luz do Santo Espírito de Deus ilumine a Palavra a fim de vermos e apreciarmos suas jóias.

A recompensa da pesquisa

Ninguém pense que não há mais sabedoria para alcançar. A profundeza do entendimento humano pode ser medida, as obras de autores humanos podem ser conhecidas; porém o mais alto, mais profundo e mais largo vôo da imaginação não pode descobrir a Deus. Há a imensidade além de tudo que podemos compreender. Vimos somente o cintilar da glória divina e do infinito conhecimento e sabedoria; temos estado a trabalhar, por assim dizer, próximos da superfície enquanto ricos veios de ouro estão mais embaixo, para recompensar aquele que cavar em sua procura. A escavação precisa aprofundar-se mais e mais na mina, e maravilhosos tesouros serão o resultado. Por uma fé correta, o conhecimento divino tornar-se-á conhecimento humano. Ninguém pode esquadrinhar as Escrituras no Espírito de Cristo sem ser recompensado. Quando o homem consente em ser instruído como uma criancinha, quando se submete inteiramente a Deus, achará a verdade em Sua Palavra. Se os homens fossem obedientes compreenderiam o plano do governo de Deus. O mundo celestial abriria os seus mistérios de graça e glória à pesquisa. Os seres humanos seriam totalmente diferentes do que agora são: porque, explorando as minas da verdade, os homens seriam enobrecidos. O mistério da salvação, a encarnação de Cristo, Seu sacrifício expiatório não seriam, como o são agora, noções vagas em nossa mente. Não somente seriam mais bem compreendidos, como infinitamente mais apreciados.

Em Sua oração ao Pai, deu Cristo ao mundo uma lição que deve ser gravada na mente e na alma. “A vida eterna”, disse, “é esta: Que conheçam a Ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” João 17:3. Isto é verdadeira educação. Comunica-nos poder. O conhecimento experimental de Deus e de Jesus Cristo, a quem Ele enviou, transforma o homem na semelhança de Deus. Dá ao homem o domínio próprio, submetendo todos os impulsos e paixões da natureza inferior ao domínio das faculdades superiores da mente. Faz de seu possuidor filho de Deus e herdeiro do Céu. Leva-o à comunhão com a mente do Infinito e lhe abre os ricos segredos do Universo.

Esse é o conhecimento obtido pelo estudo da Palavra de Deus. Esse tesouro pode ser encontrado por toda pessoa que der tudo para alcançá-lo.

“Se clamares por entendimento, e por inteligência alçares a tua voz, se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do Senhor e acharás o conhecimento de Deus.” Provérbios 2:3-5.

Capítulo 9 — A pérola de grande preço

Este capítulo é baseado em Mateus 13:45, 46.

As bênçãos da graça remidora, nosso Salvador compara a uma preciosa pérola. Ilustrou Sua lição pela parábola do negociante que buscava boas pérolas e que, “encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a”. Mateus 13:46. Cristo mesmo é a pérola de grande preço. NEle está comprovada a glória do Pai, a plenitude da Divindade. É o resplendor da magnificência do Pai e a expressa imagem de Sua Pessoa. A glória dos atributos de Deus é expressa em Seu caráter. Cada página das Sagradas Escrituras irradia Sua luz. A justiça de Cristo, como uma pérola branca e pura, não tem defeito nem mácula alguma. Nenhuma obra humana pode aperfeiçoar a grande e preciosa dádiva de Deus. É irrepreensível. Em Cristo “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da Ciência”. Colossences 2:3. “Para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.” 1 Coríntios 1:30. Tudo que pode satisfazer às necessidades e anelos da vida humana, para este e para o mundo vindouro, é encontrado em Cristo. Nosso Redentor é a pérola tão preciosa, em comparação com a qual tudo pode ser estimado por perda. Cristo “veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam”. João 1:11. A luz de Deus raiou nas trevas do mundo, “e as trevas não a compreenderam”. João 1:5. Mas nem todos se acharam indiferentes à dádiva do Céu. O negociante da parábola representa uma classe que anelava sinceramente a verdade. Em diferentes nações havia pensadores sinceros que tinham procurado na literatura, ciência e religião do mundo gentílico, aquilo que poderiam receber como o tesouro do espírito. Entre os judeus havia os que procuravam alguma coisa que não possuíam. Não satisfeitos com uma religião formal, ansiavam alguma coisa espiritual e enobrecedora. Os discípulos escolhidos de Cristo pertenciam a esta última classe. Cornélio e o eunuco da Etiópia, à primeira. Tinham estado anelando a luz do Céu e orando por seu recebimento; e quando Cristo lhes foi revelado, receberam-nO com alegria.

A pérola não nos é apresentada na parábola como uma dádiva. O negociante adquiriu-a pelo preço de tudo que possuía. Muitos indagam a significação disto, pois Cristo é apresentado nas Escrituras como uma dádiva. É uma dádiva, mas somente para aqueles que se Lhe entregam alma, corpo e espírito sem reservas. Devemos entregar-nos a Cristo, para viver uma vida de obediência voluntária a todos os Seus reclamos. Tudo que somos, todos os talentos e habilidades que possuímos, são do Senhor para serem consagrados a Seu serviço. Quando assim nos rendemos inteiramente a Ele, Cristo Se entrega a nós com todos os tesouros do Céu e adquirimos a pérola de grande preço.

A salvação é um dom gratuito e contudo deve ser comprado e vendido. No mercado que está sob a administração do favor divino, a preciosa pérola é representada como sendo comprada sem dinheiro e sem preço. Neste mercado todos podem obter as mercadorias celestiais. A tesouraria das jóias da verdade está aberta a todos. “Eis que diante de ti pus uma porta aberta”, declara o Senhor, “e ninguém a pode fechar.” Apocalipse 3:8. Espada alguma guarda a entrada desta porta. Vozes do interior e de junto à porta dizem: Vem. A voz do Salvador nos convida ansiosa e amavelmente: “Aconselho-te que de Mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças.” Apocalipse 3:18.

O evangelho de Cristo é uma bênção que todos podem possuir. Os mais pobres tanto como os mais ricos estão em condições de adquirir a salvação; pois soma alguma de riquezas terrenas pode assegurá-la. É obtida pela obediência voluntária, entregando-nos a Cristo como Sua propriedade adquirida. A educação, mesmo da mais elevada espécie, não pode em si levar o homem para mais perto de Deus. Os fariseus eram favorecidos com todos os privilégios temporais e espirituais, e diziam com arrogância e orgulho: “Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”; contudo eram desgraçados, e miseráveis, e pobres, e cegos, e nus.” Apocalipse 3:17. Cristo lhes ofereceu a pérola de grande preço; mas desdenharam aceitá-la, e Ele lhes disse: “Os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus.” Mateus 21:31.

Não podemos ganhar a salvação; devemos, porém, procurá-la com tanto interesse e perseverança, como se por ela quiséssemos abandonar tudo no mundo.

Devemos buscar a pérola de grande preço, mas não nos mercados mundanos, ou por meios mundanos. O preço de nós exigido não é ouro nem prata, pois isto pertence a Deus. Abandonai a idéia de que privilégios temporais ou espirituais adquirir-vos-ão a salvação. Deus requer vossa obediência voluntária. Pede-vos renunciar a vossos pecados. “Ao que vencer”, diz Cristo, “lhe concederei que se assente comigo no Meu trono, assim como Eu venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.” Apocalipse 3:21. Alguns há, que parece sempre buscarem a pérola celestial. Não renunciam, porém, completamente a seus maus hábitos. Não morrem para o próprio eu, para que Cristo viva neles. Por este motivo, não acham a pérola valiosa. Não venceram sua ambição profana e seu amor às atrações do mundo. Não tomam a cruz e não seguem a Cristo no caminho da abnegação e sacrifício. Quase cristãos mas não plenamente, parecem estar perto do reino do Céu, mas não podem ali entrar. Quase, mas não completamente salvos, significa estar não quase, porém completamente perdidos.

A parábola do negociante que buscava boas pérolas, tem significação dupla: aplica-se não somente aos homens que procuram o reino dos Céus, como também a Cristo, que procura Sua herança perdida. Cristo, o Negociante celestial que busca boas pérolas, viu na humanidade perdida a pérola de preço. Viu as possibilidades de redenção no homem pervertido e arruinado pelo pecado. Corações que têm sido o campo de combate com Satanás, e foram salvos pelo poder do amor, são mais preciosos ao Salvador do que aqueles que jamais caíram. Deus contemplou a humanidade não como desprezível e indigna; contemplou-a em Cristo, viu-a como se podia tornar pelo amor redentor.

Reuniu todas as riquezas do Universo e as ofereceu para adquirir a pérola. E Jesus, encontrando-a, insere-a novamente em Seu diadema. “Porque, como as pedras de uma coroa, eles serão exaltados na sua terra.” Zacarias 9:16. “Eles serão Meus, diz o Senhor dos Exércitos, naquele dia que farei, serão para Mim particular tesouro.” Malaquias 3:17.

Mas Cristo como a pérola preciosa, e nosso privilégio de possuir este tesouro celeste, é o tema com o qual mais nos deveríamos preocupar. O Espírito Santo é que revela aos homens a preciosidade da boa pérola. O tempo do poder do Espírito Santo é o tempo em que, num sentido especial, a dádiva celeste será procurada e achada. Nos dias de Cristo muitos ouviam o evangelho, mas tinham o espírito entenebrecido por falsos ensinos; e não reconheciam no humilde Mestre da Galiléia o Enviado de Deus. Mas depois da ascensão de Cristo, Sua entronização em Seu reino intercessório foi assinalada pelo derramamento do Espírito Santo. No dia de Pentecoste foi dado o Espírito. As testemunhas de Cristo anunciavam o poder do Salvador ressurreto. A luz do Céu penetrou na mente obscurecida dos que tinham sido enganados pelos inimigos de Cristo. Agora O contemplavam elevado “a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados”. Atos dos Apóstolos 5:31. Viram-nO envolto na glória do Céu, com tesouros infinitos nas mãos para outorgar a todos os que se voltassem de sua rebelião. Proclamando os apóstolos a glória do Unigênito do Pai, foram convertidas três mil pessoas. Viam-se como realmente eram — pecadores e poluídos, e a Cristo como seu Amigo e Redentor. Cristo foi exaltado, Cristo foi glorificado pelo poder do Espírito Santo, que repousava sobre os homens. Pela fé esses crentes contemplavam-nO como Aquele que suportara humilhação, sofrimento e morte, para que não perecessem mas tivessem a vida eterna. A revelação de Cristo pelo Espírito lhes trouxe um senso reconhecedor de Seu poder e majestade; e pela fé estendiam as mãos a Ele, dizendo: “Creio!”

Então as boas-novas de um Salvador ressurgido foram levadas às mais longínquas extremidades do mundo habitado. A igreja viu como de todos os lugares lhe afluíam conversos. Crentes foram convertidos de novo. Pecadores aliavam-se aos cristãos, para buscar a pérola de grande preço. Cumpriu-se a profecia: “E o que dentre eles tropeçar, naquele dia, será como Davi, e a casa de Davi será… como o anjo do Senhor diante deles.” Zacarias 12:8. Cada cristão via em seu irmão a semelhança divina de benevolência e amor. Um único interesse prevalecia. Um objetivo absorvia todos os outros. Todos os corações palpitavam em harmonia. O único empenho dos crentes era revelar a semelhança do caráter de Cristo e trabalhar pelo engrandecimento de Seu reino. “Era um o coração e a alma da multidão dos que criam. … E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça.” Atos dos Apóstolos 4:32, 33. “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.” Atos dos Apóstolos 2:47. O Espírito de Cristo animava toda a congregação; porque tinham achado a pérola de grande preço.

Estas cenas devem repetir-se, e com maior poder. O derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecoste foi a chuva temporã; porém a chuva serôdia será mais copiosa. O Espírito aguarda nosso pedido e recepção. Cristo deve ser revelado novamente em Sua plenitude pelo poder do Espírito Santo. Homens reconhecerão o valor da pérola preciosa e dirão com o apóstolo Paulo: “O que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.” Filipenses 3:7, 8.

Capítulo 10 — A rede e a pesca

Este capítulo é baseado em Mateus 13:47-50.

“O reino dos Céus é semelhante a uma rede lançada ao mar e que apanha toda qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora. Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos e separarão os maus dentre os justos. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali, haverá pranto e ranger de dentes.” Mateus 13:47-50.

O lançar da rede é a pregação do evangelho. Este congrega na igreja bons e maus. Quando terminar a missão do evangelho, o juízo efetuará a obra de separação. Cristo viu que a existência de falsos irmãos na igreja motivaria que se falasse mal do caminho da verdade. O mundo difamaria o Evangelho por causa da vida incoerente de falsos professos. Mesmo os cristãos seriam induzidos a tropeçar, ao verem que muitos que levavam o nome de Cristo não eram governados pelo Seu Espírito. Havendo tais pecadores na igreja, os homens estariam em perigo de pensar que Deus lhes desculparia os pecados. Por isso Cristo ergueu o véu do futuro e ordenou a todos que notassem que o caráter e não a posição é que decide o destino do homem.

Tanto a parábola do joio, como a da rede, claramente ensinam que não haverá um tempo em que todos os ímpios se converterão a Deus. O trigo e o joio crescem juntos até à ceifa. Os peixes bons e os ruins são puxados juntamente para a margem, para uma separação final.

Essas parábolas ensinam que depois do Juízo não haverá graça. Quando findar a obra do evangelho, seguir-se-á imediatamente a separação de bons e maus, e o destino de cada classe será fixado para sempre.

Deus não deseja a destruição de ninguém. “Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva; convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que razão morrereis?”Ezequiel 33:11. Durante todo o período da graça Seu Espírito insta com os homens para que aceitem o dom da vida. Somente os que Lhe rejeitam a intercessão serão deixados a perecer. Deus declarou que o pecado precisa ser destruído como um mal nocivo ao Universo. Os que se atêm ao pecado hão de perecer na destruição do mesmo.

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