PATRIARCAS E PROFETAS, cap. 29 – semana 05 a 12/06/2016

Capítulo 29 — Inimizade de Satanás contra a lei

O primeiro esforço de Satanás para destruir a lei de Deus — esforço este feito entre os santos habitantes do Céu — pareceu por algum tempo ser coroado de êxito. Grande número de anjos foram seduzidos; mas o triunfo aparente de Satanás redundou em derrota e perda, separação de Deus e banimento do Céu.
Quando se renovou o conflito na Terra, Satanás de novo alcançou uma aparente vantagem. Pela transgressão, o homem se tornou seu escravo, e o reino do homem também foi entregue nas mãos do maioral dos rebeldes. Parecia agora aberto o caminho para Satanás estabelecer um reino independente, e desafiar a autoridade de Deus e de Seu Filho. Mas o plano da salvação possibilitou ao homem ser de novo trazido à harmonia com Deus, e prestar obediência à Sua lei; e tanto ao homem como à Terra serem finalmente redimidos do poder do maligno.
Foi outra vez derrotado Satanás, e outra vez recorreu ao engano, na esperança de converter sua derrota em vitória. Para suscitar a rebelião na raça decaída, representou agora a Deus como injusto por ter permitido ao homem transgredir a Sua lei. “Por que”, disse o ardiloso tentador, “permitiu Deus que o homem fosse posto à prova, para pecar, e trazer a miséria e a morte, quando Ele sabia qual seria o resultado?” E os filhos de Adão, esquecidos da longânima misericórdia que concedera ao homem outra prova, não tomando em consideração o sacrifício admirável e terrível que sua rebelião custara ao Rei do Céu, deram ouvidos ao tentador, e murmuraram contra o único Ser que os podia salvar do poder destruidor de Satanás.
Milhares existem hoje repercutindo a mesma queixa revoltosa contra Deus. Não vêem que o despojar o homem da liberdade de escolha seria privá-lo de sua prerrogativa de um ser inteligente, e fazer dele um mero autômato. Não é propósito de Deus coagir a vontade. O homem foi criado como um ser moral livre. Como os habitantes de todos os outros mundos, devia ser sujeito à prova da obediência; mas nunca é levado a uma posição tal em que render-se ao mal se torne coisa forçosa. Nenhuma tentação ou prova se permite vir àquele que é incapaz de resistir. Deus nos proveu de tão amplos recursos, que o homem jamais ter-se-ia encontrado na contingência de ser derrotado no conflito com Satanás.
Aumentando-se os homens sobre a Terra, quase o mundo todo se uniu às fileiras da rebelião. Mais uma vez pareceu Satanás haver ganho a vitória. Mais uma vez, porém, a Onipotência suprimiu a operação da iniqüidade, e a Terra foi pelo dilúvio purificada de sua contaminação moral.
Diz o profeta: “Havendo os Teus juízos na Terra, os moradores do mundo aprendem justiça. Ainda que se mostre favor ao ímpio, nem por isso aprende a justiça; […] e não atenta para a majestade do Senhor”.Isaías 26:9, 10. Assim foi depois do dilúvio. Livres de Seus juízos, os habitantes da Terra de novo se rebelaram contra o Senhor. Duas vezes o concerto de Deus e Seus estatutos foram rejeitados pelo mundo. Tanto o povo anterior ao dilúvio como os descendentes de Noé rejeitaram a autoridade divina. Então Deus entrou em um concerto com Abraão, e tomou para Si um povo que se tornasse os depositários de Sua lei. A fim de seduzir e destruir este povo, Satanás logo começou a lançar as suas ciladas. Os filhos de Jacó foram tentados a contrair matrimônio com os gentios, e a adorar os seus ídolos. Mas José foi fiel a Deus, e sua fidelidade foi um constante testemunho da verdadeira fé. Foi para apagar esta luz que Satanás trabalhou por meio da inveja dos irmãos de José a fim de fazer com que ele fosse vendido como escravo para um país gentílico. Deus, entretanto, encaminhou os acontecimentos de maneira que o Seu conhecimento fosse dado ao povo do Egito.
Tanto na casa de Potifar como na prisão, José recebeu uma educação e ensino que, com o temor de Deus, o prepararam para a sua elevada posição de primeiro-ministro da nação. Do palácio dos Faraós foi sentida a sua influência por todo o país, e o conhecimento de Deus propagou-se larga e extensamente. Os israelitas no Egito também se tornaram prósperos e ricos; e, enquanto foram fiéis a Deus, exerceram dilatada influência. Os sacerdotes idólatras ficaram alarmados ao verem a nova religião alcançar favor. Inspirados por Satanás com a inimizade deste para com o Deus do Céu, aplicaram-se a apagar a luz. Aos sacerdotes era confiada a educação do herdeiro do trono, e era este espírito de decidida oposição a Deus e de zelo pela idolatria o que modelava o caráter do futuro rei, e determinou crueldade e opressão para com os hebreus.
Durante os quarenta anos que se seguiram à fuga de Moisés do Egito, a idolatria pareceu ter vencido. Ano após ano, as esperanças dos israelitas tornavam-se mais débeis. Tanto o rei como o povo exultavam em seu poderio, e zombavam do Deus de Israel. Este espírito desenvolveu-se até que culminou no Faraó que foi enfrentado por Moisés. Quando o chefe hebreu chegou perante o rei com uma mensagem do “Senhor Deus de Israel”, não foi a ignorância acerca do verdadeiro Deus, senão o desafio ao Seu poder, o que inspirou a resposta: “Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei? […] Não conheço o Senhor”. Êxodo 5:2. De princípio a fim, a oposição de Faraó ao mando divino não foi o resultado da ignorância, mas do ódio e desafio.
Posto que os egípcios houvessem durante tanto tempo rejeitado o conhecimento de Deus, o Senhor ainda lhes deu oportunidade para o arrependimento. Nos dias de José, o Egito fora um abrigo para Israel; Deus fora honrado pela bondade manifesta a Seu povo; e agora aquele Ser longânimo, tardio em iras e cheio de compaixão, deu a cada juízo prazo para realizar a sua obra; os egípcios, recebendo maldição por meio dos mesmos objetos que adoravam, tiveram prova do poder de Jeová, e todos que o quisessem poderiam sujeitar-se a Deus e escapar de Seus juízos. O fanatismo e obstinação do rei tiveram como resultado espalhar o conhecimento de Deus, e levar muitos dos egípcios a entregarem-se a Seu serviço.
Foi porque os israelitas estivessem tão dispostos a unir-se com os gentios e imitar-lhes a idolatria que Deus lhes permitiu descerem ao Egito, onde a influência de José era largamente sentida, e onde as circunstâncias lhes eram favoráveis para permanecerem como um povo distinto. Ali também a grosseira idolatria dos egípcios e sua crueldade e opressão durante a última parte da peregrinação dos hebreus, devia ter inspirado neles aversão à idolatria, e os devia ter levado a fugir para o Deus de seus pais em busca de refúgio. Esta providência tornara Satanás um meio para servir a seu propósito, obscurecendo a mente dos israelitas, e levando-os a imitar as práticas de seus senhores pagãos. Devido à veneração supersticiosa em que pelos egípcios eram tidos os animais, não se permitia aos hebreus, durante seu cativeiro, apresentar ofertas sacrificais. Assim sua mente não era dirigida por este culto ao grande Sacrifício, e enfraqueceu-se-lhes a fé. Quando chegou o tempo para o livramento de Israel, Satanás se pôs a resistir aos propósitos de Deus. Era seu firme intuito que aquele grande povo, que contava mais de dois milhões de almas, fosse conservado na ignorância e superstição. Aquele povo a quem Deus prometera abençoar e multiplicar, e tornar um poderio na Terra, e por meio do qual Ele revelaria o conhecimento de Sua vontade — povo de quem Ele faria os guardas de Sua lei — aquele mesmo povo estava Satanás procurando conservar na obscuridade e cativeiro, para que pudesse extinguir de seus espíritos a lembrança de Deus.
Quando se operaram os prodígios perante o rei, Satanás estava a postos para contrariar a sua influência, e impedir Faraó de reconhecer a supremacia de Deus, e obedecer à Sua ordem. Satanás fez tudo em seu alcance para contrafazer a obra de Deus e resistir à Sua vontade. O único resultado foi preparar o caminho para maiores exibições de poder e glória divinos, e tornar mais visíveis, tanto para israelitas como para todo o Egito, a existência e soberania do Deus verdadeiro e vivo.
Deus libertou Israel com grandiosas manifestações de Seu poder, e com juízos sobre todos os deuses do Egito. “Tirou dali o Seu povo com alegria, e os Seus escolhidos com regozijo. […] Para que guardassem os Seus preceitos, e observassem as Suas leis”. Salmos 105:43-45. Ele os livrou de seu estado servil, para que os pudesse levar a uma boa terra — terra esta que em Sua providência lhes fora preparada como refúgio de seus inimigos, onde pudessem habitar sob a sombra de Suas asas. Ele os levaria para Si mesmo, e os cingiria em Seus eternos braços; e em troca de toda a Sua bondade e misericórdia para com eles, exigia-se-lhes que não tivessem outros deuses diante dEle, o Deus vivo, e exaltassem Seu nome e o fizessem glorioso na Terra.
Durante o cativeiro no Egito muitos israelitas haviam perdido em grande parte o conhecimento da lei de Deus, e misturaram seus preceitos com costumes e tradições gentílicos. Deus os levou ao Sinai, e ali de viva voz declarou Sua lei.
Satanás e anjos maus estavam a postos. Mesmo enquanto Deus estava a proclamar a lei a Seu povo, Satanás achava-se a tramar no intuito de tentá-los a pecar. Deste povo que Deus escolhera, ele queria apoderar-se, em presença mesmo do Céu. Conduzindo-os à idolatria, destruiria a eficácia de todo o culto; pois como poderá o homem elevar-se, adorando o que não é mais elevado do que ele próprio, e que pode ser o símbolo de sua própria obra? Se o homem pudesse tornar-se tão cego ao poder, majestade e glória do Deus infinito, que O representasse por uma imagem esculpida, ou mesmo por um quadrúpede ou réptil; se pudesse de tal maneira esquecer-se de sua própria relação para com a Divindade, formado como é ele à imagem de seu Criador, que se prostrasse ante esses objetos repelentes e inanimados, estaria então aberto o caminho para a detestável licenciosidade; as más paixões do coração estariam desenfreadas, e Satanás teria amplo domínio.
Junto mesmo do Sinai Satanás começou a executar seus planos para subverter a lei de Deus, levando assim avante a mesma obra que iniciara no Céu. Durante os quarenta dias em que Moisés se achava no monte, com Deus, Satanás esteve ocupado provocando dúvida, apostasia e rebelião. Enquanto Deus escrevia a Sua lei, a fim de ser confiada ao Seu povo do concerto, os israelitas, negando sua fidelidade para com Jeová, estavam a pedir deuses de ouro! Quando Moisés veio da terrível presença da glória divina, com os preceitos da lei que se haviam comprometido a obedecer, encontrou-os em franco desafio aos mandos da mesma, curvando-se em adoração perante uma imagem de ouro.
Levando Israel a este ousado insulto e blasfêmia dirigidos a Jeová, Satanás planejara efetuar a sua ruína. Visto que se mostraram tão completamente degradados, tão insensíveis aos privilégios e bênçãos que Deus lhes oferecera, e aos seus próprios compromissos solenes e repetidos de fidelidade, o Senhor Se divorciaria deles, acreditava ele, e os votaria à destruição. Assim se asseguraria a extinção da descendência de Abraão, aquela descendência da promessa que deveria preservar o conhecimento do Deus vivo, e por meio da qual Ele deveria vir, a saber, a verdadeira Semente, a qual deveria vencer Satanás. O grande rebelado havia projetado destruir Israel, e assim transtornar o propósito de Deus. Mas de novo foi derrotado. Por pecador que fosse, o povo de Israel não foi destruído. Enquanto aqueles que obstinadamente se dispuseram ao lado de Satanás foram extirpados, o povo, humilhado e arrependido, foi misericordiosamente perdoado. A história deste pecado ficaria como testemunho perpétuo da culpabilidade e castigo da idolatria, e da justiça e longânima misericórdia de Deus.
O Universo inteiro foi testemunha das cenas do Sinai. Nos efeitos das duas administrações viu-se o contraste entre o governo de Deus e o de Satanás. De novo os habitantes destituídos de pecado, de outros mundos, viram os resultados da apostasia de Satanás, e a espécie de governo que ele teria estabelecido no Céu, caso lhe houvesse sido permitido exercer domínio.
Fazendo os homens violarem o segundo mandamento, visava Satanás rebaixar suas concepções acerca do Ser divino. Pondo de lado o quarto, fá-los-ia esquecer-se completamente de Deus. A reivindicação divina à reverência e culto, acima dos deuses dos gentios, baseia-se no fato de que Ele é o Criador, e que a Ele todos os outros seres devem sua existência. Assim é isto apresentado na Bíblia. Diz o profeta Jeremias: “O Senhor Deus é a verdade; Ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno. […] Os deuses que não fizeram os céus e a Terra desaparecerão da Terra e debaixo deste céu. Ele fez a Terra pelo Seu poder; Ele estabeleceu o mundo por Sua sabedoria e com a Sua inteligência estendeu os céus.” “Todo o homem se embruteceu, e não tem ciência; envergonha-se todo o fundidor da sua imagem de escultura; porque sua imagem fundida mentira é, e não há espírito nelas. Vaidade são, obra de enganos; no tempo da Sua visitação virão a perecer. Não é semelhante a estes a porção de Jacó; porque Ele é o Criador de todas as coisas”. Jeremias 10:10-12, 14-16. O sábado, como um memorial do poder criador de Deus, designa-O como o que fez os céus e a Terra. Daí o ser ele uma testemunha constante de Sua existência, e lembrança de Sua grandeza, Sua sabedoria e Seu amor. Houvesse sido o sábado sempre observado de maneira sagrada, e nunca poderia ter havido um ateu ou idólatra.
A instituição do sábado, que se originou no Éden, é tão antiga como o próprio mundo. Foi observado por todos os patriarcas, desde a criação. Durante o cativeiro no Egito, os israelitas foram obrigados por seus maiorais de tarefas a violar o sábado; e em grande parte perderam o conhecimento de sua santidade. Quando a lei foi proclamada no Sinai, as primeiras palavras do quarto mandamento foram: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar” (Êxodo 20:8), mostrando que o sábado não foi instituído então; aponta-se-nos a sua origem na criação. A fim de obliterar a lembrança de Deus da mente dos homens, visava Satanás destruir este grande memorial. Se pudessem os homens ser levados a esquecer seu Criador, não fariam esforços para resistir ao poder do mal, e Satanás estaria certo de sua presa.
A inimizade de Satanás à lei de Deus compeliu-o a fazer guerra contra cada preceito do Decálogo. Com o grande princípio de amor e fidelidade para com Deus, o Pai de todos, relaciona-se intimamente o princípio do amor e obediência filial. O desdém à autoridade paterna logo determinará o desdém pela autoridade de Deus. Daí os esforços de Satanás para diminuir a obrigação imposta pelo quinto mandamento. Entre os povos gentílicos, o princípio estipulado neste preceito era pouco atendido. Em muitas nações os pais eram abandonados, ou mortos, logo que a idade os tornava incapazes de proverem por si as suas necessidades. Na família, a mãe era tratada com pouco respeito, e pela morte de seu marido exigia-se-lhe submeter-se à autoridade do filho mais velho. A obediência filial foi ordenada por Moisés; mas, afastando-se os israelitas do Senhor, o quinto mandamento, juntamente com outros, veio a ser desrespeitado.
Satanás foi “homicida desde o princípio” (João 8:44); e, logo que obteve poder sobre a raça humana, não somente os dispôs a odiar e matar uns aos outros, mas, para mais ousadamente desafiar a autoridade de Deus, fez da violação do sexto mandamento uma parte da religião deles.
Mediante concepções pervertidas acerca dos atributos divinos, nações gentílicas foram levadas a crer serem necessários os sacrifícios humanos a fim de conseguirem o favor de suas divindades; e as mais horríveis crueldades têm sido perpetradas sob várias formas de idolatria. Entre estas estava o costume de fazer seus filhos passarem pelo fogo, perante seus ídolos. Quando um deles saía ileso desta prova, o povo acreditava que suas ofertas eram aceitas; aquele, que assim se livrava, era considerado como especialmente favorecido pelos deuses, era cumulado de benefícios, e a seguir sempre tido em grande estima; e, por mais graves que fossem os seus crimes, nunca era punido. Mas, se acontecesse ser algum queimado ao passar pelo fogo, estaria selada a sua sorte; acreditava-se que a ira dos deuses podia ser aplacada unicamente tirando a vida da vítima, e era ela, de acordo com isto, oferecida em sacrifício. Em tempos de grande apostasia prevaleceram estas abominações, até certo ponto, entre os israelitas.
A violação do sétimo mandamento cedo também foi praticada em nome da religião. Os mais licenciosos e abomináveis ritos foram incluídos como parte do culto gentílico. Os próprios deuses eram representados como impuros, e seus adoradores davam rédeas soltas às suas vis paixões. Prevaleciam vícios contra a natureza, e as festas religiosas eram caracterizadas por uma franca e geral impureza.
A poligamia foi praticada em época primitiva. Foi um dos pecados que acarretaram a ira de Deus sobre o mundo antediluviano. Todavia, depois do dilúvio, tornou-se novamente muito espalhada. Era o esforço calculado de Satanás perverter a instituição do casamento, a fim de enfraquecer as obrigações próprias à mesma, e diminuir a sua santidade; pois de nenhuma outra maneira poderia ele com maior certeza desfigurar a imagem de Deus no homem, e abrir as portas à miséria e ao vício.
Desde o início do grande conflito, tem sido o propósito de Satanás representar mal o caráter de Deus, e provocar a rebelião contra a Sua lei; e esta obra parece ser coroada de êxito. As multidões dão ouvidos aos enganos de Satanás, e dispõem-se contra Deus. Mas, em meio da operação do mal, os propósitos de Deus avançam perseverantemente ao seu cumprimento; a todos os seres criados está Ele a tornar manifestas Sua justiça e benevolência. Por meio das tentações de Satanás o gênero humano todo se tornou transgressor da lei de Deus; mas, pelo sacrifício de Seu Filho, abriu-se um caminho por onde podem voltar a Deus. Mediante a graça de Cristo, podem habilitar-se a prestar obediência à lei do Pai. Assim, em todos os séculos, do meio da apostasia e rebelião, Deus reúne um povo que Lhe é fiel, povo em cujo coração está a Sua lei. Isaías 51:7.
Foi por meio do engano que Satanás seduziu os anjos; dessa forma tem ele em todos os tempos levado avante sua obra entre os homens, e continuará com esta maneira de agir até ao fim. Declarasse ele abertamente achar-se a guerrear contra Deus e Sua lei, e os homens estariam acautelados; ele porém, se disfarça e mistura a verdade com o erro. As mais perigosas falsidades são as que se encontram misturadas com a verdade. É assim que se recebem erros que cativam e arruínam a alma. Por este meio Satanás leva o mundo consigo. Aproxima-se, porém, o dia em que seu triunfo para sempre se finalizará.
O trato de Deus com a rebelião terá como resultado desmascarar completamente a obra que durante tanto tempo se tem continuado encobertamente. Os resultados do governo de Satanás, os frutos de se porem de lado os estatutos divinos, serão patenteados a todas as inteligências criadas. A lei de Deus ficará inteiramente reivindicada. Ver-se-á que todo o trato de Deus foi orientado com referência ao bem eterno de Seu povo, e ao bem de todos os mundos que Ele criara. O próprio Satanás, na presença do Universo como testemunha, confessará a justiça do governo de Deus, e a retidão de Sua lei.
Não muito longe está o tempo em que Deus Se levantará a fim de reivindicar Sua autoridade insultada. “O Senhor sairá do Seu lugar, para castigar os moradores da Terra, por causa da sua iniqüidade”. Isaías 26:21. “Mas quem suportará o dia da Sua vinda? e quem subsistirá, quando Ele aparecer”. Malaquias 3:2. Ao povo de Israel, por causa de sua pecaminosidade, foi vedado aproximar-se do monte, quando Deus estava para descer sobre ele e proclamar Sua lei, não acontecesse que fossem consumidos pela ardente glória de Sua presença. Se tais manifestações do poder de Deus assinalaram o local escolhido para a proclamação de Sua lei, quão terrível deverá ser o Seu tribunal quando Ele vier para a execução destes estatutos sagrados! Como suportarão Sua glória no grande dia da paga final, aqueles que desprezaram Sua autoridade? Os terrores do Sinai deviam representar ao povo as cenas do juízo. O som de uma trombeta convocou Israel a encontrar-se com Deus. A voz do Arcanjo e a trombeta de Deus convocarão, da Terra toda, tanto os vivos como os mortos, à presença de seu Juiz. O Pai e o Filho, acompanhados por uma multidão de anjos, estavam presentes no monte. No grande dia do juízo, Cristo virá “na glória de Seu Pai, com os Seus anjos”. Mateus 16:27. Ele Se assentará então no trono de Sua glória, e diante dEle reunir-se-ão todas as nações.
Quando a presença divina Se manifestou no Sinai, a glória do Senhor era como fogo devorador à vista de todo o Israel. Mas quando Cristo vier em glória com os Seus santos anjos, a Terra toda será grandemente iluminada com a terrível luz de Sua presença. “Virá o nosso Deus, e não Se calará; adiante dEle um fogo irá consumindo, e haverá grande tormenta ao redor dEle. Chamará os céus, do alto, e a Terra, para julgar o Seu povo”. Salmos 50:3, 4. Uma torrente abrasada irromperá e sairá de diante dEle, a qual fará com que os elementos se derretam com intenso calor, e a Terra, bem como as obras que nela há, se queimarão. Manifestar-se-á “o Senhor Jesus desde o Céu com os anjos do Seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho”.2 Tessalonicenses 1:7, 8.
Nunca, desde que o homem foi criado, se testemunhou uma manifestação de poder divino como a que houve quando a lei foi proclamada do Sinai. “A Terra abalava-se, e os céus destilavam perante a face de Deus; o próprio Sinai tremeu na presença de Deus, do Deus de Israel”. Salmos 68:8. Por entre as mais tremendas convulsões da natureza, a voz de Deus, semelhante a uma trombeta, foi ouvida da nuvem. A montanha abalou-se da base ao cume, e as hostes de Israel, pálidas e a tremer de terror, caíram sobre seus rostos em terra. Aquele cuja voz então abalou a Terra, declarou: “Ainda uma vez comoverei, não só a Terra, senão também o céu”. Hebreus 12:26. Dizem as Escrituras: “O Senhor desde o alto bramirá, e fará ouvir a Sua voz desde a morada de Sua santidade” (Jeremias 25:30); “e os céus e a Terra tremerão”.Joel 3:16. Naquele grande dia vindouro o próprio céu se afastará “como um livro que se enrola”. Apocalipse 6:14. E todo o monte e ilha mover-se-ão de seus lugares. “De todo vacilará a Terra como o ébrio, e será movida e removida como a choça de noite; e a sua transgressão se agravará sobre ela, e cairá, e nunca mais se levantará”. Isaías 24:20.
“Pelo que todas as mãos se debilitarão”, todos os rostos se farão lívidos, “e o coração de todos os homens se desanimará. E assombrar-se-ão, e apoderar-se-ão deles dores e ais.” “E visitarei sobre o mundo a maldade” (Isaías 13:7, 8, 11, 13), diz o Senhor; “farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos”. Jeremias 30:6.
Quando Moisés veio da presença divina, no monte, onde havia recebido as tábuas do testemunho, o culpado Israel não podia suportar a luz que lhe glorificava o rosto. Quanto menos poderão os transgressores olhar para o Filho de Deus, quando Ele aparecer na glória de Seu Pai, rodeado por todo o exército celestial, para executar o juízo sobre os transgressores de Sua lei e os que rejeitaram a Sua obra expiatória! Aqueles que desrespeitaram a lei de Deus, e pisaram a pés o sangue de Cristo — os reis da Terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos — esconder-se-ão, “nas cavernas e nas rochas das montanhas”, e dirão às montanhas e às rochas: “Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto dAquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; porque é vindo o grande dia da Sua ira; e quem poderá subsistir?” Apocalipse 6:15-17. “Naquele dia o homem lançará às toupeiras e aos morcegos os seus ídolos de prata, e os seus ídolos de ouro […] e meter-se-á pelas fendas das rochas, e pela cavernas das penhas, por causa da presença espantosa do Senhor, e por causa da glória a Sua majestade, quando Ele Se levantar para assombrar a Terra”. Isaías 2:20, 21.
Ver-se-á então que da rebelião de Satanás contra Deus resultou ruína a si mesmo, e a todos os que escolheram fazer-se seus súditos. Ele fizera parecer que grande bem resultaria da transgressão; ver-se-á, porém, que “o salário do pecado é a morte”. Romanos 6:23. “Porque eis que aquele dia vem ardendo como forno; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo”. Malaquias 4:1. Satanás, a raiz de todo o pecado, e todos os malfeitores, que são os seus ramos, serão inteiramente extirpados. E dar-se-á fim ao pecado, com toda a desgraça e ruína que dele resultaram. Diz o salmista: “Destruíste os ímpios; apagaste o seu nome para sempre e eternamente. Oh! inimigo! Consumaram-se as assolações”. Salmos 9:5, 6.
Entretanto, em meio da tempestade do juízo divino, os filhos de Deus não terão motivos para receios. “O Senhor será o refúgio do Seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel”. Joel 3:16. O dia que traz terror e destruição aos transgressores da lei de Deus, trará aos obedientes “gozo inefável e glorioso”. 1 Pedro 1:8. “Congregai os Meus santos”, diz o Senhor, “aqueles que fizeram comigo um concerto com sacrifícios. E os céus anunciarão a Sua justiça; pois Deus mesmo é o Juiz”. Salmos 50:5, 6.
“Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus, e o que O não serve”. Malaquias 3:18. “Ouvi-Me, vós, que conheceis a justiça, vós, povo, em cujo coração está a Minha lei.” “Eis que Eu tomo da tua mão o cálice da vacilação; […] nunca mais dele beberás.” “Eu, Eu sou Aquele que vos consola”. Isaías 51:7, 22, 12. “Porque as montanhas se desviarão, e os outeiros tremerão; mas a Minha benignidade não se desviará de ti e o concerto da Minha paz não mudará, diz o Senhor, que Se compadece de ti”. Isaías 54:10.
O grande plano da redenção tem como resultado trazer de novo o mundo ao favor de Deus, de maneira completa. Tudo que se perdera pelo pecado é restaurado. Não somente o homem é redimido, mas também a Terra, a fim de ser, a eterna habitação dos obedientes. Durante seis mil anos, Satanás tem lutado para manter posse da Terra. Agora se cumpre o propósito original de Deus ao criá-la. “Os santos do Altíssimo receberão o reino, e possuirão o reino para todo o sempre, e de eternidade em eternidade”. Daniel 7:18.
“Desde o nascimento do Sol até ao ocaso, seja louvado o nome do Senhor”. Salmos 113:3. “Naquele dia um será o Senhor, e um será o Seu nome.” “E o Senhor será Rei sobre toda a Terra”. Zacarias 14:9. Dizem as Escrituras: “Para sempre, ó Senhor, a Tua Palavra permanece no Céu”. Salmos 119:89. São “fiéis todos os Seus mandamentos. Permanecem firmes para todo o sempre”. Salmos 111:7, 8. Os santos estatutos que Satanás odiara e procurara destruir, serão honrados por todo um Universo sem pecados. E “como a terra produz os seus renovos, e como o horto faz brotar o que nele se semeia, assim o Senhor Jeová fará brotar a justiça e o louvor para todas as nações”. Isaías 61:11.

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