PROFETAS E REIS, cap. 27 (Acaz) e 28 (Ezequias)

Capítulo 27 — Acaz

A ascensão de Acaz ao trono pôs Isaías e seus associados face a face com condições mais aterradoras do que as que até então tivera lugar no reino de Judá. Muitos que anteriormente haviam resistido às influências sedutoras de práticas idólatras, estavam agora sendo persuadidos a tomar parte na adoração de divindades pagãs. Príncipes em Israel estavam-se mostrando infiéis ao sua atividade; falsos profetas se levantavam com mensagens que levavam ao extravio, e até alguns dos sacerdotes estavam ensinando por interesse. Não obstante os líderes em apostasia ainda conservavam as formas do culto divino, e presumiam ser contados entre o povo de Deus.

O profeta Miquéias, que durante esses tempos conturbados deu o seu testemunho, declarou que os pecadores de Sião, ao mesmo tempo que afirmavam estar “encostados ao Senhor”, e em blasfêmia se vangloriando: “Não está o Senhor no meio de nós? nenhum mal nos sobrevirá”, continuavam a edificar “a Sião com sangue, e a Jerusalém com injustiça”. Miquéias 3:11, 10. Contra esses males o profeta Isaías levantou a voz em severa repreensão: “Ouvi a palavra do Senhor, vós príncipes de Sodoma; prestai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra. De que Me serve a Mim a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. […] Quando vindes para comparecerdes perante Mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis pisar os Meus átrios?” Isaías 1:10-12.

A Inspiração declara: “O sacrifício dos ímpios é abominação; quanto mais oferecendo-o com intenção maligna”. Provérbios 21:27. O Deus dos Céus é “tão puro de olhos”, que não pode “ver o mal, e a vexação” não pode “contemplar”. Hebreus 1:13. Não é porque não esteja disposto a perdoar que Ele Se afasta do transgressor; mas porque o pecador se recusa a servir-se da abundante provisão de graça, torna-se impossível a Deus livrar do pecado. “A mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem o Seu ouvido agravado, para que não possa ouvir. Mas as vossas iniqüidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o Seu rosto de vós, para que vos não ouça”. Isaías 59:1, 2.

Salomão havia escrito: “Ai de ti, ó terra, cujo rei é criança”. Eclesiastes 10:16. Assim foi com a terra de Judá. Em virtude de continuadas transgressões, seus reis haviam-se tornado como crianças. Isaías chamou a atenção dopovo para a fraqueza da posição deste entre as nações da Terra; e mostrou que isto era o resultado da impiedade que se praticava nas altas esferas. “Eis”, disse ele, “que o Senhor Deus dos Exércitos tirará de Jerusalém e de Judá o bordão e o cajado, todo o sustento de pão, e toda a sede de água; o valente, e o soldado, o juiz e o profeta, e o adivinho, e o ancião; o capitão de cinqüenta, e o respeitável, e o conselheiro, e o sábio entre os artífices, e o eloqüente; e dar-lhes-ei mancebos por príncipes, e crianças governarão sobre eles.” “Porque Jerusalém tropeçou, e Judá caiu; porquanto a sua língua e as suas obras são contra o Senhor”. Isaías 3:1-4, 8.

“Os que te guiam”, continuou o profeta, “te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas”. Isaías 3:12. Durante o reinado de Acaz isto foi literalmente verdade; pois dele está escrito: “Andou nos caminhos dos reis de Israel, e, demais disto, fez imagens fundidas a Baalim. Também queimou incenso no vale do filho de Hinom, e queimou a seus filhos no fogo, conforme a todas as abominações dos gentios que o Senhor tinha desterrado de diante dos filhos de Israel”. 2 Crônicas 28:2, 3; 2 Reis 16:3.

Esse foi sem dúvida um tempo de grande perigo para a nação escolhida. Poucos anos mais e as dez tribos do reino de Israel seriam espalhadas entre as nações gentílicas. E no reino de Judá também as perspectivas eram negras. As forças do bem estavam diminuindo rapidamente, e as do mal aumentando. O profeta Miquéias, em vista da situação foi constrangido a exclamar: “Pereceu o benigno da terra, e não há entre os homens um que seja reto.” “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que um espinhal”. Miquéias 7:2, 4. “Se o Senhor dos Exércitos não nos deixara algum remanescente”, exclamou Isaías, “já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra”. Isaías 1:9.

Em todos os séculos, por amor dos que permaneceram leais, bem como em virtude do Seu infinito amor pelo transviado, Deus tem manifestado tolerância para com os rebeldes, e tem-nos admoestado a que abandonem seu mau caminho, e tornem para Ele. “Mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali” (Isaías 28:10), Ele tem ensinado aos transgressores o caminho da justiça por intermédio de homens por Ele indicados.

E assim foi durante o reinado de Acaz. Convite sobre convite foi enviado ao extraviado Israel para que retornasse à submissão a Jeová. Ternas foram as súplicas dos profetas; e ao estarem diante do povo, fervorosamente exortando ao arrependimento e reforma, suas palavras produziam fruto para a glória de Deus.

Através de Miquéias veio o maravilhoso apelo: “Ouvi agora o que diz o Senhor: levanta-te, contende com os montes, e ouçam os outeiros a tua voz. Ouvi, montes, a contenda do Senhor, e vós, fortes fundamentos da Terra; porque o Senhor tem uma contenda com o Seu povo, e com Israel entrará em juízo.

“Ó povo Meu que te tenho feito? e em que te enfadei? testifica contra Mim. Certamente te fiz subir da terra do Egito e da casa da servidão te remi; e pus diante de ti a Moisés, Arão e Miriã.

“Povo Meu, ora lembra-te da consulta de Balaque, rei de Moabe, e do que lhe respondeu Balaão, filho de Beor, desde Sitim até Gilgal, para que conheças as justiças do Senhor”. Miquéias 6:1-5.

O Deus a quem servimos é longânimo; “Suas misericórdias não têm fim”. Lamentações 3:22. Através de um período de graça, Seu Espírito está apelando aos homens para que aceitem o dom da vida. “Vivo Eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos, pois por que razão morrereis, ó casa de Israel?” Ezequiel 33:11. É um especial artifício de Satanás levar o homem ao pecado, e então deixá-lo ali, desajudado e desesperançado, temendo buscar perdão. Mas Deus convida: “Que se apodere da Minha força, e faça paz comigo; sim, que faça paz comigo”. Isaías 27:5. Em Cristo cada provisão está feita, cada incentivo oferecido.

Nos dias da apostasia em Judá e Israel, muitos estavam inquirindo: “Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei ante o Deus altíssimo? virei perante Ele com holocaustos? com bezerros de um ano? Agradar-Se-á o Senhor de milhares de carneiros? de dez mil ribeiros de azeite?” A resposta é clara e positiva: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?” Miquéias 6:6-8.

Insistindo sobre o valor da piedade prática, o profeta estava unicamente repetindo o conselho dado a Israel séculos antes. Por intermédio de Moisés, quando estavam para entrar na terra prometida, a palavra do Senhor havia sido: “Agora, pois, ó Israel, que é o que o Senhor teu Deus pede de ti, senão que andes em todos os Seus caminhos, e O ames, e sirvas ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, para que guardes os mandamentos do Senhor, e os Seus estatutos, que hoje te ordeno, para o teu bem?” Deuteronômio 10:12, 13. De século em século esses conselhos foram repetidos pelos servos de Jeová aos que estavam em perigo de cair nos hábitos do formalismo e de esquecer de demonstrar misericórdia. Quando, durante o Seu ministério terrestre, o próprio Cristo foi assediado por um doutor da lei com a pergunta: “Mestre, qual é o grande mandamento da lei?” Sua resposta foi: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas”. Mateus 22:36-40.

Estes claros pronunciamentos dos profetas e do próprio Mestre deviam ser recebidos por nós como a voz de Deus a cada alma. Não devemos perder oportunidade de praticar obras de benemerência, de terna previdência e cortesia cristã em favor do sobrecarregado e oprimido. Se mais não podemos fazer, devemos dizer palavras de coragem e esperança aos que não estão familiarizados com Deus, dos quais se pode com mais facilidade aproximar pelas avenidas da simpatia e do amor.

Ricas e abundantes são as promessas feitas aos que são atentos a oportunidades para levar alegria e bênção à vida de outros. “E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares secos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam”. Isaías 58:10, 11.

A conduta idólatra de Acaz, em face dos ferventes apelos dos profetas, não podia ter senão um resultado. Veio grande ira do Senhor sobre Judá e Jerusalém, e os entregou à turbação, à assolação, e ao assobio”. 2 Crônicas 29:8. O reino sofreu rápido declínio, e sua própria existência foi posta logo em perigo pelos exércitos invasores. “Então subiu Rezim, rei da Síria, com Peca, filho de Remalias, rei de Israel, a Jerusalém, à peleja; e cercaram a Acaz”. 2 Reis 16:5.

Tivesse Acaz e os principais homens de seu reino sido leais ao Altíssimo, e nenhum temor manifestariam a respeito de aliança tão antinatural como a que se tinha formado contra eles. Mas a repetida transgressão tinha-os despojado de força. Atingidos por um enorme temor dos juízos de um Deus ofendido, “se moveu o coração do rei, e o coração do seu povo, como se movem as árvores do bosque com o vento”. Isaías 7:2. Nesta crise, a palavra do Senhor veio a Isaías, ordenando-lhe que fosse ao encontro do rei amedrontado, e dissesse:

“Acautela-te e aquieta-te; não temas, nem se desanime o teu coração […] porquanto a Síria teve contra ti maligno conselho, com Efraim e com o filho de Remalias, dizendo: Vamos subir contra Judá e atormentemo-lo, e repartamo-lo entre nós, e façamos reinar no meio dele o filho de Tabeal. Assim diz o Senhor Deus: Isto não subsistirá, nem tampouco acontecerá”. O profeta declarou que o reino de Israel, bem como o da Síria, chegaria logo ao fim. “Se o não crerdes”, concluiu, “não ficareis firmes”. Isaías 7:4-7, 9.

Quão bom teria sido para o reino de Judá tivesse Acaz recebido esta mensagem como do Céu. Mas escolhendo apoiar-se no braço de carne, buscou ajuda de pagãos. Em desespero ele enviou uma mensagem a Tiglate-Pileser, rei da Assíria: “Eu sou teu servo e teu filho; sobe, e livra-me das mãos do rei da Síria, e das mãos do rei de Israel, que se levantam contra mim”. O pedido foi acompanhado de um rico presente tirado do tesouro do rei e das reservas do templo.

O auxílio pedido foi enviado, e ao rei Acaz foi dado um alívio temporário, mas a que preço para Judá O tributo oferecido despertou a cupidez da Assíria, e esta nação pérfida logo ameaçou invadir Judá e espoliá-la. Acaz e seus infelizes súditos estavam agora mortificados pelo temor de cair completamente nas mãos dos cruéis assírios.

“O Senhor humilhou a Judá” por causa de sua continuada transgressão. Nesse tempo de correção, Acaz, em vez de se arrepender, “ainda mais transgrediu contra o Senhor […] porque sacrificou aos deuses de Damasco”. “Visto que os deuses da Síria os ajudam”, disse ele, “eu lhes sacrificarei, para que me ajudem a mim”. 2 Crônicas 28:19, 22, 23.

Ao aproximar-se o fim do reinado do apóstata, fez ele que as portas do templo fossem fechadas. O serviço sagrado foi interrompido. Não mais ficariam os castiçais acesos perante o altar. Não mais seriam oferecidas ofertas pelos pecados do povo. Não mais o suave incenso ascenderia ao alto na hora do sacrifício da manhã e da tarde. Tornando deserto o pátio da casa de Deus, e aferrolhando suas portas, os habitantes da ímpia cidade ousadamente ergueram altares para a adoração de divindades pagãs nas esquinas das ruas através de Jerusalém. Aparentemente o paganismo havia triunfado; os poderes das trevas haviam quase prevalecido.

Mas em Judá viviam alguns que mantiveram sua obediência a Jeová, recusando com firmeza serem levados à idolatria. Era para estes que Isaías e Miquéias e seus associados olhavam com esperança ao verem a ruína operada durante os últimos anos de Acaz. Seu santuário fora fechado, mas àqueles fiéis fora assegurado: “Deus é conosco”. “Ao Senhor dos Exércitos, a Ele santificai; e seja Ele o vosso temor, e seja Ele o vosso assombro. Então Ele vos será santuário”. Isaías 8:10, 13, 14.

 

Capítulo 28 — Ezequias

Em evidente contraste com o governo displicente de Acaz, foi a transformação operada durante o próspero reinado de seu filho. Ezequias subiu ao trono determinado a fazer tudo que estivesse em seu poder para salvar Judá da sorte que estava tocando ao reino do norte. As mensagens dos profetas não davam margem a meias-medidas. Unicamente mediante a mais decidida reforma seriam evitados os juízos impendentes.

Nessa emergência, Ezequias provou ser um homem para a ocasião. Mal havia ele subido ao trono, começou a planejar e a executar. Voltou primeiramente sua atenção para a restauração das atividades do templo, havia tanto tempo negligenciadas; e nesta obra solicitou com fervor a cooperação de um grupo de sacerdotes e levitas que tinham permanecido leais a sua sagrada vocação. Seguro de sua leal cooperação, com eles falou livremente do seu desejo de instituir imediatas e profundas reformas. “Nossos pais transgrediram”, confessou, “e fizeram o que era mal aos olhos do Senhor nosso Deus, e O deixaram, e desviaram os seus rostos do tabernáculo do Senhor”. “Agora me tem vindo ao coração, que façamos um concerto com o Senhor, Deus de Israel, para que se desvie de nós o ardor da Sua ira”. 2 Crônicas 29:6, 10.

Em poucas e bem escolhidas palavras, o rei passou em revista a situação que enfrentava: o templo fechado e a cessação de todas as cerimônias no seu recinto; a idolatria flagrante praticada nas ruas da cidade e através do reino; a apostasia de multidões que poderiam ter permanecido leais a Deus se os líderes de Judá lhes tivessem dado um exemplo reto; e o declínio do reino e sua perda de prestígio na estima das nações ao redor. O reino do norte estava rapidamente se desmoronando; muitos estavam perecendo à espada; já uma multidão havia sido levada cativa; logo Israel devia cair completamente nas mãos dos assírios, e seria inteiramente arruinado; e esta sorte tocaria certamente também a Judá, a menos que Deus operasse poderosamente por intermédio de representantes escolhidos.

Ezequias apelou diretamente aos sacerdotes para que se unissem a ele a fim de levarem a efeito as necessárias reformas. “Não sejais negligentes”, ele os exortou, “pois o Senhor vos tem escolhido para estardes diante dEle para O servirdes, e para serdes Seus ministros e queimardes incenso”. “Santificai-vos agora, e santificai a casa do Senhor, Deus de vossos pais”. 2 Crônicas 29:11, 5.

Era esse um tempo para ação imediata. Os sacerdotes agiram com rapidez. Conseguindo a cooperação de outros de seu número que não haviam estado presentes durante esta conferência, empenharam-se de coração na obra de purificar e santificar o templo. Em vista dos anos de profanação e negligência, isto foi cercado de muitas dificuldades; mas os sacerdotes e levitas trabalharam infatigavelmente, e dentro de um intervalo de tempo consideravelmente curto foram capazes de dar sua tarefa por completa. As portas do templo foram reparadas e abertas de par em par; os vasos sagrados foram reunidos e postos no lugar; e tudo estava em ordem para o restabelecimento das atividades do santuário.

No primeiro culto celebrado, os príncipes da cidade uniram-se com o rei Ezequias e com os sacerdotes e levitas em buscar o perdão para os pecados da nação. Sobre o altar foram postas as ofertas pelo pecado, “para reconciliar a todo o Israel”. “E acabando de o oferecer, o rei e todos quantos com ele se acharam se prostraram e adoraram”. Uma vez mais as cortes do templo ressoaram com palavras de louvor e adoração. Os cânticos de Davi e de Asafe foram cantados com júbilo, ao sentirem os adoradores que estavam sendo libertados do cativeiro do pecado e apostasia. “E Ezequias, e todo o povo se alegraram, de que Deus tinha preparado o povo; porque apressuradamente se fez esta obra”. 2 Crônicas 29:24, 29, 36.

Deus havia sem dúvida preparado o coração dos chefes em Judá para liderarem um decidido movimento de reforma, a fim de que a onda da apostasia pudesse ser detida. Por intermédio de Seus profetas Ele tinha enviado a Seu povo escolhido mensagem após mensagem de ferventes rogos — mensagens que haviam sido desprezadas e rejeitadas pelas dez tribos do reino de Israel, agora entregues ao inimigo. Mas em Judá ficou um piedoso remanescente, e a esses os profetas continuaram a apelar. Ouvi Isaías instando: “Convertei-vos pois Àquele contra quem os filhos de Israel se rebelaram tão profundamente”. Isaías 31:6. Ouvi Miquéias declarando com confiança: “Eu, porém, esperarei no Senhor; esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá. Ó inimiga minha, não te alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei; se morar nas trevas, o Senhor será a minha luz. Sofrerei a ira do Senhor, porque pequei contra Ele; até que julgue a minha causa, e execute o meu direito. Ele me trará à luz, e eu verei a Sua justiça”. Miquéias 7:7-9.

Essas e outras mensagens semelhantes reveladoras da boa disposição de Deus em perdoar e aceitar os que a Ele voltavam com inteireza de coração, haviam levado esperança a muitas almas debilitadas nos escuros anos em que as portas do templo estiveram fechadas; e agora, ao darem os líderes início a uma reforma, uma multidão do povo, cansada da servidão do pecado, estava pronta para responder.

Os que entraram pelo pátio do templo em busca de perdão e a fim de renovarem seus votos de consagração a Jeová, encontraram maravilhoso encorajamento nas porções proféticas da Escritura. As solenes advertências contra a idolatria, proferidas por intermédio de Moisés aos ouvidos de todo o Israel, haviam sido acompanhadas pelas profecias da boa vontade de Deus em ouvir e perdoar aos que em tempos de apostasia buscassem a Deus de todo o coração. “Então no fim de dias”, Moisés havia dito, “te virarás para o Senhor teu Deus, e ouvirás a Sua voz. Porquanto o Senhor teu Deus é Deus misericordioso, e não te desamparará, nem te destruirá, nem Se esquecerá do concerto que jurou a teus pais”. Deuteronômio 4:30, 31.

E na oração profética oferecida por ocasião da dedicação do templo, cujas cerimônias Ezequias e seus companheiros estavam agora restaurando, Salomão havia suplicado: “Quando o Teu povo Israel for ferido diante do inimigo, por ter pecado contra Ti, e confessarem o Teu nome, e orarem e suplicarem a Ti nesta casa, ouve Tu então nos Céus, e perdoa o pecado do Teu povo Israel”. 1 Reis 8:33, 34. O selo da aprovação divina havia sido posto sobre esta oração; pois ao ser ela concluída, fogo havia descido do Céu a fim de consumir a oferta queimada e os sacrifícios, e a glória do Senhor enchera o templo. 2 Crônicas 7:1. E à noite o Senhor havia aparecido a Salomão, para dizer-lhe que sua oração tinha sido ouvida, e que misericórdia seria mostrada aos que adorassem ali. Havia sido dada a graciosa certeza: “Se o Meu povo, que se chama pelo Meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a Minha face e se converter dos seus maus caminhos, então Eu ouvirei dos Céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra”. 2 Crônicas 7:14.

Essas promessas encontraram abundante cumprimento durante a reforma levada a efeito por Ezequias.

O bom início ao tempo da purificação do templo foi seguido por um movimento mais amplo, do qual participaram tanto Israel como Judá. Em seu zelo para tornar as cerimônias do templo uma bênção real para o povo, Ezequias determinou reavivar o antigo costume de reunir os israelitas para a celebração conjunta da festa da Páscoa.

Por muitos anos a Páscoa não fora observada como festa nacional. A divisão do reino após o reinado de Salomão tinha feito que isto parecesse impraticável. Mas os terríveis juízos suspensos sobre as dez tribos estavam despertando no coração de alguns o desejo por coisas melhores; e as estimuladoras mensagens dos profetas estavam manifestando o seu efeito. Por intermédio de correios reais o convite para a Páscoa em Jerusalém foi ouvido amplamente, “de cidade em cidade, pela terra de Efraim e Manassés até Zebulom”. Os portadores do gracioso convite foram geralmente repelidos. Os impenitentes levianamente se retraíram; não obstante, alguns, ansiosos de buscar a Deus para um conhecimento mais claro de Sua vontade, “se humilharam, e vieram a Jerusalém”. 2 Crônicas 30:10, 11.

Na terra de Judá a resposta foi muito generalizada; pois sobre eles estava “a mão de Deus, dando-lhes um só coração, para fazerem o mandamento do rei e dos príncipes” (2 Crônicas 30:12) — uma determinação de acordo com a vontade de Deus revelada por intermédio de Seus profetas.

A ocasião representava uma das maiores vantagens para a multidão reunida. As ruas profanadas da cidade foram limpas dos idólatras altares colocados ali durante o reinado de Acaz. No dia determinado a Páscoa foi observada; e a semana foi gasta pelo povo em oferecer ofertas pacíficas e em aprender o que Deus queria que fizessem. Diariamente os levitas “que tinham entendimento no bom conhecimento do Senhor ensinavam ao povo”; e os que haviam preparado o seu coração para buscarem a Deus encontraram perdão. Grande alegria tomou posse da multidão de adoradores; “os levitas e os sacerdotes louvaram ao Senhor de dia em dia, com instrumentos fortemente retinentes” (2 Crônicas 30:22, 21); todos estavam unidos no seu desejo de louvar Aquele que Se havia provado tão gracioso e misericordioso.

Os sete dias normalmente dedicados à festa da Páscoa passaram demasiado depressa, e os adoradores determinaram gastar outros sete dias em aprender mais amplamente o caminho do Senhor. Os sacerdotes instrutores continuaram sua obra de instrução do livro da lei; diariamente o povo se reunia no templo para oferecer seu tributo de louvor e gratidão; e quando o grande ajuntamento ia chegando ao fim, tornou-se evidente que Deus havia operado maravilhosamente na conversão do transviado Judá, e em deter a maré de idolatria que ameaçava arrastar tudo diante de si. As solenes advertências dos profetas não tinham sido proferidas em vão. “Houve grande alegria em Jerusalém, porque desde os dias de Salomão, filho de Davi, rei de Israel, tal não houve em Jerusalém”. 2 Crônicas 30:26.

Chegou o momento em que os adoradores deviam retornar a seus lares. “Então os sacerdotes, os levitas, se levantaram e abençoaram o povo; e a sua voz foi ouvida, porque a sua oração chegou até a Sua santa habitação, aos Céus”. 2 Crônicas 30:27. Deus havia aceito os que com o coração quebrantado haviam confessado seus pecados, e com resoluto propósito haviam voltado para Ele em busca de perdão e auxílio.

Restava agora uma importante obra, na qual os que estavam retornando a seus lares deviam tomar parte ativa; e a execução desta obra trouxe a evidência da genuinidade da reforma operada. O relato diz: “Todos os israelitas que ali se achavam saíram às cidades de Judá e quebraram as estátuas, cortaram os bosques, e derribaram os altos e altares por toda Judá e Benjamim, como também por Efraim e Manassés, até que tudo destruíram. Então tornaram todos os filhos de Israel, cada um para a sua possessão, para as cidades deles”. 2 Crônicas 31:1.

Ezequias e seus associados instituíram várias reformas para o levantamento dos interesses espirituais e temporais do reino. “Em todo o Judá” o rei “fez o que era bom, e reto, e verdadeiro perante o Senhor seu Deus. E em toda a obra que começou, […] com todo o seu coração o fez, e prosperou”. “No Senhor Deus de Israel confiou, […] não se apartou de após Ele, e guardou os mandamentos que o Senhor tinha dado a Moisés. Assim o Senhor foi com ele”. 2 Reis 18:5-7.

O reinado de Ezequias se caracterizou por uma série de marcantes providências, as quais revelaram às nações vizinhas que o Deus de Israel estava com o Seu povo. O êxito dos assírios em capturar Samaria e espalhar o quebrantado remanescente das dez tribos entre as nações, durante a primeira parte do seu reinado, estava levando muitos a pôr em dúvida o poder do Deus dos hebreus. Empolgados por seus sucessos, os ninivitas havia muito tinham posto de lado a mensagem de Jonas, e se tornaram insolentes em sua oposição aos propósitos do Céu. Poucos anos após a queda de Samaria, os exércitos vitoriosos reapareceram na Palestina, dirigindo desta vez as suas forças contra as cidades fortificadas de Judá, com alguma medida de sucesso; mas se contiveram por algum tempo, em virtude de dificuldades surgidas em outras partes de seu reino. Não seria senão alguns anos mais tarde, ao aproximar-se o fim do reinado de Ezequias, que devia ser demonstrado perante as nações do mundo se os deuses dos pagãos deviam afinal prevalecer.

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/bhp/pt/sop/pk/27-28 e https://www.revivalandreformation.org/?id=7253

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