PROFETAS E REIS, cap. 43 – O vigia invisível

Capítulo 43 — O vigia invisível
Este capítulo é baseado em Daniel 5.
Para o fim da vida de Daniel, grandes mudanças tiveram lugar na terra para a qual, havia mais de sessenta anos, ele e seus companheiros hebreus tinham sido levados cativos. Nabucodonosor, “o mais formidável dentre as nações” (Ezequiel 28:7), tinha morrido, e Babilônia, “a glória de toda a Terra” (Jeremias 51:41), tinha passado às mãos de desavisados sucessores, e a dissolução estava sendo o resultado gradual mas certo.
Graças à loucura e fragilidade de Belsazar, o neto de Nabucodonosor, a orgulhosa Babilônia devia logo cair. Admitido em sua juventude a partilhar da autoridade real, Belsazar se gloriou de seu poder, e exaltou-se em seu coração contra o Deus do Céu. Muitas tinham sido as suas oportunidades de conhecer a vontade divina, e compreender sua responsabilidade de render-Lhe obediência. Estava ele informado do banimento de seu avô, pelo decreto de Deus, da sociedade dos homens; e estava familiarizado com a conversão e miraculosa restauração de Nabucodonosor. Mas Belsazar permitiu que o amor dos prazeres e a glorificação do eu obliterassem as lições que jamais devia ter esquecido. Ele desperdiçou as oportunidades que graciosamente lhe foram providas, e negligenciou o uso dos meios que estavam ao seu alcance para se tornar mais amplamente familiarizado com a verdade. Aquilo que Nabucodonosor tinha finalmente alcançado a preço de inauditos sofrimentos e humilhação, Belsazar passou por alto com indiferença.
Não demorou que viessem os contratempos. Babilônia foi sitiada por Ciro, sobrinho de Dario, o medo, e comandante geral dos exércitos combinados da Média e da Pérsia. Mas dentro das fortalezas aparentemente inexpugnáveis, com suas muralhas maciças e seus portões de bronze, protegida pelo rio Eufrates, e com abundante provisão em estoque, o voluptuoso rei sentiu-se seguro, e passava seu tempo em folguedos e festança.
Em seu orgulho e arrogância, com um temerário senso de segurança, Belsazar “deu um grande banquete a mil dos seus grandes, e bebeu vinho na presença dos mil”. Daniel 5:1. Todas as atrações que a riqueza e o poder podem proporcionar, acrescentavam esplendor à cena. Belas mulheres com seus encantos estavam entre os hóspedes em atendimento ao banquete real. Homens de talento e educação estavam presentes. Príncipes e estadistas bebiam vinho como água, e se aviltavam sob sua enlouquecedora influência.
A razão destronada pela despudorada intoxicação, os mais baixos impulsos e paixões agora em ascendência, o rei em pessoa tomou a dianteira na dissoluta orgia. Ao prosseguir a festa, ele “mandou trazer os vasos de ouro e de prata, que Nabucodonosor, […] tinha tirado do templo que estava em Jerusalém, para que bebessem por eles”. O rei queria provar que nada era demasiado sagrado para que suas mãos tocassem. “Então trouxeram os vasos de ouro […] e beberam por eles o rei, os seus grandes, as suas mulheres e concubinas. Beberam o vinho, e deram louvores aos deuses de ouro, e de prata, de cobre, de ferro, de madeira, e de pedra”. Daniel 5:2-4.
Mal imaginava Belsazar que havia uma Testemunha celestial de sua grosseira idolatria; que um divino Vigia, incógnito, olhava a cena de profanação, ouvia a sacrílega hilaridade, contemplava a idolatria. Mas logo o Hóspede não convidado fez sentir a Sua presença. Quando a orgia ia alta, uma pálida mão apareceu, e traçou na parede do palácio caracteres que luziam como fogo — palavras que, embora desconhecidas ao vasto auditório, eram um sinal de condenação ao rei, agora ferido em sua consciência, e seus hóspedes.
Cessou a ruidosa festa, enquanto homens e mulheres, possuídos de terror, observavam a mão traçando os misteriosos caracteres. Perante eles passaram-se, como numa visão panorâmica, as obras de suas vidas más; parecia-lhes estarem citados ante o tribunal do eterno Deus, cujo poder eles acabavam de desafiar. Onde apenas poucos momentos antes havia hilaridade e ditos blasfemos, viam-se agora faces pálidas e exclamações de terror. Quando Deus faz os homens temerem, eles não podem ocultar a intensidade desse terror.
Belsazar era o mais aterrorizado de todos eles. Era ele que, sobre todos os demais, tinha sido responsável pela rebelião contra Deus, que nessa noite alcançara o seu apogeu no domínio babilônico. Na presença da invisível Testemunha, representante dAquele cujo poder tinha sido desafiado e cujo nome fora blasfemado, o rei sentiu-se paralisado de temor. A consciência despertou. “As juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos bateram um no outro.” Belsazar se levantara impiamente contra o Deus do Céu, e tinha confiado em seu próprio poder, não supondo que alguém ousasse dizer: “Por que fazes isto?” Mas agora sentia que precisava prestar contas da sua mordomia, e que por suas oportunidades malbaratadas e desafiadora atitude não podia apresentar justificativas.
Em vão o rei procurou ler as letras de fogo. Mas ali estava um segredo que ele não podia compreender e um poder que ele não podia nem compreender e nem contestar. Em desespero ele se voltou para os sábios do reino em busca de auxílio. Suas desvairadas exclamações irromperam na assembléia, chamando os astrólogos, os caldeus, os adivinhos, para que lhe lessem a escritura. “Qualquer que ler esta escritura”, ele prometeu, “e me declarar a sua interpretação, será vestido de púrpura, e trará uma cadeira de ouro ao pescoço, e será no reino o terceiro dominador.” Mas de nada adiantaram seus apelos a seus acreditados conselheiros com promessas de rica recompensa. A sabedoria celestial não pode ser comprada ou vendida. “Todos os sábios do rei […] não puderam ler a escritura, nem fazer saber ao rei a sua interpretação”. Daniel 5:6-8. Eles não eram mais capazes de ler os misteriosos caracteres do que tinham sido os sábios da geração anterior de interpretar os sonhos de Nabucodonosor.
Então a rainha-mãe se lembrou de Daniel que, cerca de meio século antes, tinha feito conhecer ao rei Nabucodonosor o sonho da grande imagem e sua interpretação. “Ó rei, vive para sempre” disse ela. “Não se turbem os teus pensamentos, nem se mude o teu semblante. Há no teu reino um homem, que tem o espírito dos deuses santos; e nos dias de teu pai se achou nele luz, e inteligência, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e […] o rei Nabucodonosor […] o constituiu chefe dos magos, dos astrólogos, dos caldeus, e dos adivinhadores; porquanto se achou neste Daniel um espírito excelente, e ciência e entendimento, interpretando sonhos, e explicando enigmas, e solvendo dúvidas, ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar. Chame-se pois agora Daniel e ele dará a interpretação.
“Então Daniel foi introduzido à presença do rei.” Fazendo um esforço para reconquistar sua compostura, Belsazar disse ao profeta: “És tu aquele Daniel, dos cativos de Judá, que o rei, meu pai, trouxe de Judá? Tenho ouvido dizer a teu respeito que o espírito dos deuses está em ti, e que a luz, e o entendimento e a excelente sabedoria se acham em ti. Acabam de ser introduzidos à minha presença os sábios e os astrólogos, para lerem esta escritura, e me fazerem saber a sua interpretação; mas não puderam dar a interpretação destas palavras. Eu, porém, tenho ouvido dizer de ti que podes dar interpretações e solver dúvidas. Agora, se puderes ler esta escritura, e fazer-me saber a sua interpretação, serás vestido de púrpura, e terás cadeia de ouro ao pescoço, e no reino serás o terceiro dominador”. Daniel 5:10-16.
Diante dessa aterrorizada aglomeração, Daniel, insensível às promessas do rei, permanecia na tranqüila dignidade de um servo do Altíssimo, não para pronunciar palavras de adulação, mas para interpretar uma mensagem de condenação. “Os teus dons fiquem contigo”, ele disse, “e dá os teus presentes a outro; todavia lerei ao rei a escritura, e lhe farei saber a interpretação.”
O profeta primeiro lembrou a Belsazar assuntos que lhe eram familiares, mas que lhe não tinham ensinado a lição de humildade que poderia tê-lo salvo. Ele falou do pecado e queda de Nabucodonosor, e do trato do Senhor para com ele — o domínio e glória que lhe foram concedidos, o juízo divino por seu orgulho e subseqüente reconhecimento do poder e misericórdia do Deus de Israel; e então com palavras ousadas e enfáticas elerepreendeu a Belsazar por sua grande impiedade. Ele trouxe o pecado do rei ante este, mostrando-lhe as lições que ele podia ter aprendido mas não aprendeu. Belsazar não tinha compreendido corretamente a experiência de seu avô, nem acatara as advertências de fatos tão significativos para si. A oportunidade de conhecer e obedecer ao verdadeiro Deus tinha-lhe sido dada, mas não tinha sido levada ao coração, e ele estava prestes a colher as conseqüências da sua rebelião.
“E tu […] Belsazar”, o profeta declarou, “não humilhaste o teu coração, ainda que soubesses tudo isto. E te levantaste contra o Senhor do Céu, pois foram trazidos os vasos da casa dEle perante ti, e tu, os teus grandes, as tuas mulheres e as tuas concubinas, bebestes vinho por eles; além disto, deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de cobre, de ferro, de madeira e de pedra, que não vêem, não ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida, e todos os teus caminhos, a Ele não glorificaste. Então dEle foi enviada aquela parte da mão, e escreveu-se esta escritura”.
Tornando à mensagem do Céu escrita na parede, o profeta leu: “MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM.” A mão que havia traçado os caracteres não se via mais, mas estas quatro palavras estavam ainda luzindo com terrível clareza; e agora com a respiração suspensa o povo estava atento enquanto o idoso profeta declarava: “Esta é a interpretação daquilo: MENE: Contou Deus o teu reino, e o acabou. TEQUEL: Pesado foste na balança, e foste achado em falta. PERES: Dividido foi o teu reino, e deu-se aos medos e aos persas”. Daniel 5:17-28.
Nessa última noite de louca orgia, Belsazar e seus grandes tinham enchido a medida de sua culpa e da culpa do reino caldeu. A mão de Deus não mais desviaria o mal impendente. Através de multiformes providências, Deus tinha procurado ensinar-lhes reverência por Sua lei. “Queríamos sarar Babilônia”, declarou Ele a respeito daqueles cujo juízo agora alcançava o Céu, “mas ela não sarou”. Jeremias 51:9. Em virtude da estranha perversidade do coração humano, Deus achou ser necessário afinal passar a irrevogável sentença. Belsazar devia cair, e seu reino devia passar a outras mãos.
Havendo o profeta terminado de falar, o rei ordenou que fossem cumpridas as honras prometidas; e em harmonia com isto, “mandou Belsazar que vestissem a Daniel de púrpura, e que lhe pusessem uma cadeia de ouro ao pescoço, e proclamassem a respeito dele que havia de ser o terceiro dominador do reino”. Daniel 5:29.
Mais de um século antes a Inspiração havia predito que “a noite que eu desejava”, quando o rei e seus conselheiros se rivalizariam em blasfêmias contra Deus, seria mudada subitamente numa ocasião de destruição e temor. E agora, em rápida sucessão, momentosos eventos seguiam-se uns aos outros exatamente como tinham sido retratados pelas escrituras proféticas anos antes que os principais personagens do drama tivessem nascido.
Enquanto ainda no salão de festas, rodeado por aqueles cuja sorte tinha sido selada, o rei foi informado por um mensageiro que “a sua cidade foi tomada” pelo inimigo contra cujos planos ele se imaginara seguro; que “os vaus estão ocupados […] e os homens de guerra ficaram assombrados”. Jeremias 51:31, 32. No exato momento em que o rei e seus nobres estavam bebendo pelos vasos sagrados de Jeová, e louvando a seus deuses de prata e outro, os medos e persas, havendo desviado do seu leito o Eufrates, estavam marchando para o coração da cidade desguarnecida. O exército de Ciro estava agora sob os muros do palácio; a cidade estava cheia de soldados inimigos “como de pulgão” (Jeremias 51:14), e seus gritos triunfantes podiam ser ouvidos sobre o desesperado clamor dos foliões atônitos.
“Naquela mesma noite foi morto Belsazar, rei dos caldeus” (Daniel 5:30), e um rei estrangeiro ocupou o trono.
Os profetas hebreus haviam falado claramente sobre a maneira como Babilônia devia cair. Havendo-lhes Deus revelado em visão os eventos do futuro, eles exclamaram: “Como foi tomada Sesaque, e apanhada de surpresa a glória de toda a Terra como se tornou Babilônia um espanto entre as nações” “Como foi cortado e quebrado o martelo de toda a Terra! Como se tornou Babilônia em espanto entre as nações”! Jeremias 51:41. “Ao estrondo da tomada de Babilônia estremeceu a terra; e o grito se ouviu entre as nações”. Jeremias 50:23, 46.
“Num momento caiu Babilônia.” “Porque o destruidor vem sobre ela, sobre Babilônia, e os seus valentes serão presos, já estão quebrados os seus arcos; porque o Senhor, Deus das recompensas, certamente lhe retribuirá. E embriagarei os seus príncipes, e os seus sábios, e os seus capitães, e os seus magistrados, e os seus valentes; e dormirão um sono perpétuo, e não acordarão, diz o Rei, cujo nome é o Senhor dos Exércitos”. Jeremias 51:8, 56, 57.
“Laços te armei, e também foste presa, ó Babilônia, e tu não o soubeste; foste achada, e também apanhada, porque contra o Senhor te entremeteste. O Senhor abriu o teu tesouro, e tirou os instrumentos da Sua indignação; porque o Senhor, o Senhor dos Exércitos, tem uma obra a realizar na terra dos caldeus.”
“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Os filhos de Israel e os filhos de Judá foram oprimidos juntamente; e todos os que os levaram cativos os retiveram, não os quiseram soltar. Mas o seu Redentor é forte, o Senhor dos Exércitos é o Seu nome; certamente pleiteará a causa deles, para dar descanso à terra, e inquietar os moradores de Babilônia”. Jeremias 50:24, 25, 33, 34.
Assim, “os largos muros de Babilônia” foram “totalmente derribados, e as suas portas excelsas […] abrasadas pelo fogo”. Assim Jeová dos Exércitos fez “cessar a arrogância dos atrevidos”, e abateu “a soberba dos tiranos”. Jeremias 51:58. Assim Babilônia, o ornamento dos reinos, a glória e a soberba dos caldeus”, tornou-se como Sodoma e Gomorra — um lugar para sempre amaldiçoado. “Nunca mais será habitada”, a Inspiração havia declarado, “nem reedificada de geração em geração; nem o árabe armará ali a sua tenda, nem tão pouco os pastores ali farão deitar os seus rebanhos. Mas as feras do deserto repousarão ali, e as suas casas se encherão de horríveis animais; e ali habitarão as avestruzes, e os sátiros pularão ali. E as feras que uivam gritarão umas às outras nos seus palácios vazios, como também os chacais nos seus palácios de prazer”. Isaías 13:11, 19-22. “E reduzi-la-ei a possessão de corujas e a lagoas de águas, e varrê-la-ei com vassoura de perdição, diz o Senhor dos Exércitos”. Isaías 14:23.
Ao último rei de Babilônia, como em tipo ao primeiro, viera a sentença do divino Vigia: “A ti se diz, ó rei: Passou de ti o reino”. Daniel 4:31.
“Desce, e assenta-te no pó,
ó virgem filha de Babilônia;
assenta-te no chão; não há já trono. […]
Assenta-te silenciosa, e entra nas trevas,
ó filha dos caldeus,
porque nunca mais serás chamada senhora de reinos.
Muito agastei contra o Meu povo,
tornei profana a Minha herança,
e os entreguei na tua mão;
não usaste com eles de misericórdia. […]
E dizias: Eu serei senhora para sempre;
até agora não tomaste estas coisas em teu coração,
nem te lembraste do fim delas.
Agora pois ouve isto,
tu que és dada a delícias,
que habitas tão segura,
que dizes no teu coração: Eu sou,
e fora de mim não há outra;
não ficarei viúva, nem conhecerei a perda de filhos. […]
Mas ambas estas coisas virão sobre ti num momento,
no mesmo dia, perda de filhos e viuvez;
em toda a sua força virão sobre ti,
por causa da multidão das tuas feitiçarias,
por causa da abundância dos teus muitos encantamentos.
Porque confiaste na tua maldade,
e disseste: Ninguém me pode ver.
A tua sabedoria e a tua ciência,
isto te fez desviar,
e disseste no teu coração: Eu sou,
e fora de mim não há outra.
Pelo que sobre ti virá mal de
que não saberás a origem,
e tal destruição cairá sobre ti,
que a não poderás afastar;
porque virá sobre ti de repente tão tempestuosa desolação,
que a não poderás conhecer.
Deixa-te estar com os teus encantamentos,
e com a multidão das tuas feitiçarias em
que trabalhaste desde a tua mocidade,
e ver se podes tirar proveito,
ou, se porventura te podes fortificar.
Cansaste-te na multidão dos teus conselheiros;
levantem-se pois agora os agoureiros do céu,
os que contemplavam os astros,
e salvem-te do que há de vir sobre ti.
Eis que serão como a pragana […]
Não poderão salvar a tua vida do poder da labareda […]
Ninguém te salvará”.
Isaías 47:1-15.
A cada nação que tem surgido no cenário da ação tem sido permitido ocupar o seu lugar na Terra, para que seja comprovado o fato de que ela cumpriu ou não os propósitos do Santo e Vigia. A profecia traçou o surgimento e progresso dos grandes impérios mundiais: Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma. Com cada uma delas, bem como com as nações de menos poder, a história tem-se repetido. Cada uma tem o seu período de prova; cada uma tem falhado, sua glória fenecido e passado seu poder.
Conquanto as nações tenham rejeitado os princípios de Deus, e nesta rejeição tenham obrado a própria ruína, um divino e soberano propósito tem manifestamente estado a operar através dos séculos. Foi isto que o profeta Ezequiel viu na maravilhosa representação que lhe foi dada durante o exílio na terra dos caldeus, quando ante os seus olhos atônitos foram apresentados os símbolos que revelavam um Poder dominante que trata com os negócios dos soberanos terrestres.
Sobre as barrancas do rio Quebar, Ezequiel contemplou um vento tempestuoso que parecia vir do norte, “uma grande nuvem, como um fogo a revolver-se; e um resplendor ao redor dela, e no meio uma coisa como cor de âmbar”. Uma porção de rodas intercaladas umas nas outras eram movidas por quatro seres viventes. E por cima de tudo “havia uma semelhança de trono, como de uma safira; e sobre a semelhança do trono havia como que a semelhança dum homem, no alto, sobre ele”. Ezequiel 1:4, 26. “E apareceu nos querubins uma semelhança de mão de homem debaixo de suas asas”. Ezequiel 10:8. As rodas eram de um arranjo tão complicado, que à primeira vista pareciam uma confusão; não obstante elas se moviam em perfeita harmonia. Seres celestiais, sustentados e guiados pela mão sob as asas dos querubins, estavam impelindo essas rodas; acima deles, sobre o trono de safira, estava o Eterno; e ao redor do trono havia um arco-íris, símbolo da divina misericórdia.
Assim como as rodas com aparência tão complicada estavam sob a guia da mão por baixo das asas dos querubins, também o complicado jogo dos eventos humanos está sob divino controle. Em meio a lutas e tumultos das nações, Aquele que Se assenta sobre querubins ainda guia os negócios da Terra.
A história das nações fala-nos a nós hoje. Deus tem designado um lugar em Seu grande plano para cada nação e cada indivíduo. Homens e nações estão sendo hoje testados pelo prumo na mão dAquele que não erra. Todos estão por sua própria escolha decidindo o seu destino, e Deus está superintendendo a tudo para a realização dos Seus propósitos.
As profecias que o grande EU SOU tem dado em Sua Palavra, unindo elo com elo na cadeia dos acontecimentos, da eternidade no passado à eternidade no futuro, dizem-nos onde estamos hoje na sucessão dos séculos, e o que se pode esperar no tempo por vir. Tudo o que a profecia tem predito que haveria de acontecer, até o presente, tem tomado lugar nas páginas da História, e podemos estar certos de que tudo quanto ainda está por suceder será cumprido no seu devido tempo.
Hoje os sinais dos tempos declaram que estamos no limiar de grandes e solenes eventos. Tudo em nosso mundo está em agitação. Ante nossos olhos cumprem-se as profecias do Salvador, de acontecimentos que precederiam Sua vinda. “E ouvireis de guerras e de rumores de guerra. […] Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares”. Mateus 24:6, 7.
O tempo presente é de dominante interesse para todo o vivente. Governadores e estadistas, homens que ocupam posições de confiança e autoridade, homens e mulheres pensantes de todas as classes, têm fixa a sua atenção nos fatos que se desenrolam em redor de nós. Acham-se a observar as relações tensas e inquietas que existem entre as nações. Observam a intensidade que está tomando posse de todo o elemento terrestre, e reconhecem que algo de grande e decisivo está para ocorrer, ou seja, que o mundo se encontra à beira de uma crise estupenda.
Só a Bíblia permite uma visão correta dessas coisas. Nela estão reveladas as grandes cenas finais da história de nosso mundo, acontecimentos que já estão lançando suas primeiras sombras, o som de cuja aproximação fazendo tremer a Terra, e o coração dos homens desmaiando de terror.
“Eis que o Senhor esvazia a Terra, e a desola, e transtorna a sua superfície, e dispersa os seus moradores […] porquanto transgridem as leis, mudam os estatutos, e quebram a aliança eterna. Por isso a maldição consome a Terra, e os que habitam nela serão desolados”. Isaías 24:1-6.
“Ah! aquele dia porque o dia do Senhor está perto, e virá como uma assolação do Todo-poderoso. […] A semente apodreceu debaixo dos seus torrões, os celeiros foram assolados, os armazéns derribados, porque se secou o trigo. Como geme o gado as manadas de vacas estão confusas, porque não têm pasto; também os rebanhos de ovelhas são destruídos”. “A vide se secou, a figueira se murchou; a romeira também, e a palmeira e a macieira; todas as árvores do campo se secaram, e a alegria se secou entre os filhos dos homens”. Joel 1:15-18, 12.
“Estou ferido no meu coração! […] não me posso calar, porque tu, ó minha alma, ouviste o som da trombeta e o alarido da guerra. Quebranto sobre quebranto se apregoa; porque já toda a Terra está destruída”. Jeremias 4:19, 20.
“Ah porque aquele dia é tão grande que não houve outro semelhante e é tempo de angústia para Jacó; ele porém será livrado dela”. Jeremias 30:7.
“Porque Tu, ó Senhor, és o meu refúgio! O Altíssimo é a tua habitação.
Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará a tua tenda”. Salmos 91:9, 10.
“Ó filha de Sião […] ali te remirá o Senhor da mão de teus inimigos. Agora se congregaram muitas nações contra ti, que dizem: Seja profanada, e os nossos olhos verão o seu desejo sobre Sião. Mas não sabem os pensamentos do Senhor, nem entendem o Seu conselho”. Miquéias 4:10-12. Deus não faltará a Sua igreja na hora do maior perigo. Ele prometeu livramento. “Eis que acabarei o cativeiro das tendas de Jacó”, Ele declarou, “e apiedar-Me-ei das suas moradas”. Jeremias 30:18.
Então o propósito de Deus se cumprirá; os princípios do Seu reino serão honrados por todos os que habitam debaixo do Sol.
Fonte: https://www.revivalandreformation.org/?id=7267

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