PROFETAS E REIS, cap. 46 – “Os profetas de Deus os ajudavam”

 Capítulo 46 — “Os profetas de Deus os ajudavam”

Próximo dos israelitas que tinham tomado a tarefa de reconstruir o templo, habitavam os samaritanos, uma raça mestiça que tinha surgido em conseqüência de cruzamento pelo matrimônio entre os colonos pagãos das províncias da Assíria com o remanescente das dez tribos que tinha sido deixado em Samaria e Galiléia. Nos últimos anos os samaritanos declaravam adorar o verdadeiro Deus; mas no coração e prática eram idólatras. Eles sustentavam, é certo, que seus ídolos eram apenas para lembrar-lhes o Deus vivo, o Governador do Universo; não obstante o povo era propenso a reverenciar imagens de escultura.

Durante o período da restauração, esses samaritanos vieram a ser conhecidos como “os adversários de Judá e Benjamim”. Ouvindo eles “que os que tornaram do cativeiro edificavam o templo ao Senhor Deus de Israel”, “chegaram-se a Zorobabel e aos chefes dos pais”, e expressaram o desejo de se unirem com eles em sua construção. “Deixai-nos edificar convosco”, propuseram, “porque, como vós, buscaremos a vosso Deus; como também já Lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos mandou vir para aqui.” Mas o privilégio que pediam foi-lhes recusado. “Não convém que vós e nós edifiquemos casa a nosso Deus”, os líderes de Israel declararam; “mas nós sós a edificaremos ao Senhor, Deus de Israel, como nos ordenou o rei Ciro, rei da Pérsia”. Esdras 4:1-3.

Apenas um remanescente tinha escolhido voltar de Babilônia; e agora, ao empreenderem uma obra aparentemente além de suas forças, seus mais próximos vizinhos vêm com oferecimento de auxílio. Os samaritanos se referem a sua adoração do verdadeiro Deus, e manifestam o desejo de partilhar os privilégios e bênçãos relacionados com a atividade do templo. “Como vós, buscaremos a vosso Deus”, declaram eles. “Deixai-nos edificar convosco.” Mas tivessem os líderes judeus aceito esta oferta de assistência, e teriam aberto uma porta para a entrada da idolatria. Eles discerniram a insinceridade dos samaritanos. Compreenderam que o auxílio alcançado mediante uma aliança com esses homens seria como nada em comparação com as bênçãos que poderiam esperar receber se seguissem os claros mandamentos de Jeová.

Referindo-Se à relação que Israel poderia vir a manter com as nações ao redor, o Senhor havia declarado por intermédio de Moisés: “Não farás com elas concerto, nem terás piedade delas, nem darás tuas filhas a seus filhos; pois fariam desviar os teus filhos de Mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria”. Deuteronômio 7:2-4. “Porque povo santo és ao Senhor teu Deus; o Senhor teu Deus te escolheu, para que Lhe fosses o Seu povo próprio, de todos os povos que sobre a Terra há”. Deuteronômio 14:2.

O resultado que se seguiria em face de um concerto com as nações ao redor foi claramente predito. “O Senhor vos espalhará entre todos os povos, desde uma extremidade da Terra até a outra”, Moisés havia declarado; “e ali servirás a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus pais: ao pau e à pedra. E nem ainda entre as mesmas gentes descansarás, nem a planta de teu pé terá repouso; porque o Senhor ali te dará coração tremente, e desfalecimento dos olhos, e desmaio da alma. E a tua vida como suspensa estará diante de ti; e estremecerás de noite e de dia, e não crerás na tua própria vida. Pela manhã dirás: Ah quem me dera ver a noite E à tarde dirás: Ah quem me dera ver a manhã pelo pasmo de teu coração, com que pasmará, e pelo que verás, com os teus olhos”. Deuteronômio 28:64-67. “Então dali buscarás ao Senhor teu Deus”, tinha sido a promessa, “e O acharás, quando O buscardes de todo o teu coração e de toda a tua alma”. Deuteronômio 4:29.

Zorobabel e seus companheiros estavam familiarizados com essas e muitas outras passagens semelhantes das Escrituras; e no recente cativeiro, tiveram evidência após evidência do seu cumprimento. E agora havendo-se arrependido dos males que haviam acarretado sobre eles e seus pais os juízos tão claramente preditos por meio de Moisés; havendo voltado de todo o coração para Deus, e renovado sua relação de concerto com Ele, tiveram a permissão de retornar à Judéia, para que pudessem restaurar o que havia sido destruído. Deviam eles, já no início de sua empreitada, entrar em concerto com os idólatras?

“Não farás com elas concerto” (Deuteronômio 7:2), Deus dissera; e os que de novo se haviam dedicado ao Senhor junto ao altar erguido ante as ruínas de Seu templo, sentiram que a linha de demarcação entre o Seu povo e o mundo devia ser mantida perfeitamente distinta. Eles se recusaram a entrar em aliança com os que, tendo embora familiaridade com os requisitos da lei de Deus, não se rendiam a suas exigências.

Os princípios apresentados em Deuteronômio para instrução de Israel, devem ser erguidos pelo povo de Deus até ao fim do tempo. A verdadeira prosperidade depende da continuidade de nossa relação de concerto com Deus. Nunca podemos nos permitir compromisso de princípio fazendo aliança com os que O não temem.

Há o constante perigo de que cristãos professos venham a pensar que para exercer influência sobre os mundanos, necessitem conformar-se até certo ponto com o mundo. Mas embora tal conduta possa parecer como propiciando grandes vantagens, acaba sempre em perda espiritual. O povo de Deus deve guardar-se estritamente contra toda sutil influência que busque entrada mediante aduladoras insinuações dos inimigos da verdade. Eles são peregrinos e estrangeiros neste mundo; palmilhando um caminho juncado de perigos. Não devem dar atenção aos engenhosos subterfúgios e fascinantes razões que os tentem a afastar-se de sua obediência.

Não são os inimigos francos e confessos da causa de Deus os mais de temer. Aqueles que, como os adversários de Judá e Benjamim, vêm com palavras suaves e fala agradável, aparentemente procurando amigável aliança com os filhos de Deus, têm maior poder para enganar. Contra tais pessoas cada alma deve estar alerta, não suceda que algum engano magistral e cuidadosamente disfarçado o tome inadvertido. E especialmente hoje, enquanto a história da Terra caminha para o fim, o Senhor requer de Seus filhos uma vigilância que não conheça abrandamento. Mas embora o conflito seja incessante, ninguém é deixado a lutar sozinho. Anjos ajudam e protegem os que andam humildemente diante de Deus. O Senhor jamais trai a quem nEle confia. Quando Seus filhos dEle se aproximam em busca de proteção contra o mal, em piedade e amor Ele levanta para eles um estandarte contra o inimigo. Não lhes toque, Ele diz; pois são Meus. Tenho-os gravados nas palmas das Minhas mãos.

Incansáveis em sua oposição, os samaritanos “debilitavam as mãos do povo de Judá, e inquietavam-nos no edificar; e alugaram contra eles conselheiros para frustrarem o seu plano, todos os dias de Ciro, rei da Pérsia, até o reinado de Dario, rei da Pérsia”. Esdras 4:4, 5. Mediante falsos relatórios, eles suscitaram suspeitas em espíritos facilmente levados a suspeitar. Mas durante muitos anos os poderes do mal foram mantidos em xeque, e o povo na Judéia teve liberdade para continuar sua obra.

Enquanto Satanás estava procurando influenciar as mais altas autoridades no reino da Medo-Pérsia para que não mostrassem favor ao povo de Deus, anjos trabalhavam no interesse dos exilados. Era uma controvérsia na qual todo o Céu estava interessado. Por intermédio do profeta Daniel é-nos dado um lampejo desta poderosa luta entre as forças do bem e as do mal. Durante três semanas Gabriel se empenhou em luta com os poderes das trevas, procurando conter as influências em operação na mente de Ciro; e antes que a contenda terminasse, o próprio Cristo veio em auxílio de Gabriel. “O príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte de mim vinte e um dias”, Gabriel declara; “e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia”. Daniel 10:13. Tudo que o Céu podia fazer em favor do povo de Deus foi feito. A vitória foi finalmente ganha; as forças do inimigo foram contidas todos os dias de Ciro, e todos os dias de seu filho Cambisses, que reinou cerca de sete anos e meio.

Esse foi um tempo de maravilhosas oportunidades para os judeus. Os mais altos instrumentos do Céu estavam operando no coração dos reis, e o povo de Deus devia trabalhar com a máxima atividade para executar o decreto de Ciro. Não deviam eles poupar esforços no sentido de concluir a restauração do templo e suas cerimônias, e se restabeleceram em seus lares judaicos. Mas no dia do poder de Deus, muitos se provaram mal dispostos. A oposição dos seus inimigos era forte e determinada, e gradualmente os edificadores desanimaram. Alguns não podiam esquecer a cena do lançamento do alicerce, quando muitos tinham dado expressão a sua falta de confiança no empreendimento. E tornando-se os samaritanos mais ousados, muitos judeus punham em dúvida se, afinal de contas havia chegado o tempo para a reconstrução. O ressentimento logo se espalhou. Muitos dos obreiros, sem coragem ou ânimo, retornaram a seus lares, para assumirem seu curso comum de vida.

Durante o reinado de Cambisses, o trabalho do templo progrediu lentamente. E durante o reinado do falso Smerdis, chamado Artaxerxes em Esdras 4:7, os samaritanos induziram o inescrupuloso impostor a baixar um decreto proibindo os judeus de reconstruir sua cidade e templo.

Por mais de um ano o templo foi negligenciado, e quase abandonado. O povo habitava em seus lares, e tudo fazia por alcançar prosperidade temporal; mas sua situação era deplorável. Por mais que trabalhassem não prosperavam. Os próprios elementos da natureza, pareciam conspirar contra eles. Visto que haviam permitido continuasse o templo em ruínas, o Senhor enviou sobre seus recursos uma ruinosa estiagem. Deus lhes havia concedido os frutos do campo e dos pomares, o milho, o vinho, o óleo, como um sinal do Seu favor; mas como usassem essas abundantes dádivas tão egoistamente, a bênção foi retirada.

Tais eram as condições existentes durante a primeira parte do reinado de Dario Histaspes. Tanto do ponto de vista espiritual quando temporal, os israelitas estavam em estado deplorável. Tanto haviam murmurado e duvidado; tanto tempo tinham escolhido tratar de interesses pessoais primeiro, enquanto contemplavam com apatia o templo do Senhor em ruínas, que muitos haviam perdido de vista o propósito de Deus em fazê-los retornar à Judéia; e esses estavam dizendo: “Não veio ainda o tempo, o tempo em que a casa do Senhor deve ser edificada”. Ageu 1:2.

Mas nem mesmo esta hora escura foi sem esperança para aqueles cuja confiança estava em Deus. Os profetas Ageu e Zacarias foram despertados para enfrentar a crise. Com encorajadores testemunhos esses mensageiros escolhidos revelaram ao povo a causa de suas dificuldades. A falta de prosperidade temporal era o resultado da negligência em dar prioridade aos interesses de Deus, os profetas afirmaram. Tivessem os israelitas honrado a Deus, tivessem-Lhe eles mostrado o devido respeito e cortesia, fazendo do reerguimento de Sua casa a primeira obra, e teriam convidado Sua presença e bênção.

Aos que haviam perdido o ânimo, Ageu dirigiu a penetrante pergunta: “É para vós tempo de habitardes nas vossas casas estucadas, e esta casa há de ficar deserta? Ora pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Aplicai os vossos corações aos vossos caminhos.” Por que tendes feito tão pouco? Por que vos preocupais com as vossas próprias casas, e não vos preocupais com a casa do Senhor? Onde está o zelo que uma vez sentistes pela restauração da casa do Senhor? Que tendes lucrado em servir-vos a vós mesmos? O desejo de fugir da pobreza tem-vos levado a negligenciar o templo, mas esta negligência acarretou sobre vós o que temíeis. “Semeais muito, e recolheis pouco; comeis, mas não vos fartais; bebeis, mas não vos saciais; vesti-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe salário num saco furado”. Ageu 1:4-6.

E então, em palavras que eles não podiam deixar de entender, o Senhor revelou a causa da penúria que padeciam: “Olhastes para muito, mas eis que alcançastes pouco; e esse pouco, quando o trouxestes para casa, Eu lhe assoprei. Por que causa? disse o Senhor dos Exércitos. Por causa da Minha casa, que está deserta, e cada um de vós corre à sua própria casa. Por isso retêm os céus o seu orvalho, e a Terra retém os seus frutos. E fiz vir a seca sobre a terra, e sobre os montes, e sobre o trigo, e sobre o mosto, e sobre o azeite, e sobre o que a terra produz; como também sobre os homens, e sobre os animais, e sobre todo o trabalho das mãos”. Ageu 1:9-11.

“Aplicai os vossos corações aos vossos caminhos”, o Senhor apelava. “Subi ao monte, e trazei e madeira, e edificai a casa, e dela me agradarei; e Eu serei glorificado, diz o Senhor”. Ageu 1:7, 8.

A mensagem de conselho e reprovação dada por intermédio de Ageu foi recebida no coração pelos líderes e povo de Israel. Sentiram que Deus estava tratando a sério com eles. Não ousaram menosprezar a repetida instrução a eles enviada — de que sua prosperidade, tanto temporal como espiritual, estava na dependência de sua fiel obediência aos mandamentos de Deus. Despertado pelas advertências do profeta, Zorobabel e Josué, “e todo o resto do povo”, ouviram “a voz do Senhor seu Deus, e as palavras do profeta Ageu, como o Senhor seu Deus o tinha enviado”. Ageu 1:12.

Tão logo Israel decidiu obedecer, as palavras de reprovação foram seguidas por uma mensagem de encorajamento. “Então Ageu […] falou ao povo, conforme a mensagem do Senhor, dizendo: Eu sou convosco, diz o Senhor. E o Senhor levantou o espírito de Zorobabel” e de Josué, e “o espírito de todo o povo; e vieram, e trabalharam na casa do Senhor dos Exércitos, seu Deus”. Ageu 1:13, 14.

Menos de um mês depois que a obra do templo foi retomada, os construtores receberam outra confortadora mensagem: “Esforça-te, Zorobabel”, o próprio Senhor apelava por intermédio do Seu profeta; “e esforça-te, Josué […] e esforçai-vos todo o povo da terra, diz o Senhor, e trabalhai; porque Eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos”. Ageu 2:4.

A Israel acampado diante do Monte Sinai o Senhor havia declarado: “Habitarei no meio dos filhos de Israel, e lhes serei por Deus. E saberão que Eu sou o Senhor Deus, que os tenho tirado da terra do Egito, para habitar no meio deles; Eu o Senhor seu Deus”. Êxodo 29:45, 46. E agora, não obstante o fato de que eles tinham repetidamente sido “rebeldes, e contristaram o Seu Espírito Santo” (Isaías 63:10), Deus uma vez mais através da mensagem do Seu profeta, estava estendendo Sua mão para salvar. Como reconhecimento de sua cooperação com o Seu propósito, Ele estava renovando o Seu concerto de que o Seu Espírito permaneceria entre eles; e Ele os animava: “Não temas.”

A Seus filhos hoje, o Senhor declara: “Esforçai-vos […] e trabalhai; porque Eu sou convosco.” Os cristãos sempre tiveram no Senhor um forte ajudador. Podemos não conhecer a maneira como o Senhor ajuda; mas de uma coisa nós sabemos: Ele jamais falta aos que nEle põem a sua confiança. Se os cristãos soubessem quantas vezes o Senhor tem preparado o seu caminho, a fim de que o propósito do inimigo com respeito a eles não se realizasse, não andariam tropeçando e queixando-se. Sua fé estaria firme em Deus, e nenhuma provação teria poder para movê-los. Eles O reconheceriam como sua sabedoria e eficiência, e Ele poderia realizar aquilo que deseja por meio deles.

Os ferventes apelos e encorajamentos dados por meio de Ageu, receberam ênfase adicional por meio de Zacarias, a quem Deus suscitou para lhe ficar ao lado nos apelos a Israel para que executasse a ordem de levantar-se e edificar. A primeira mensagem de Zacarias foi uma garantia de que a Palavra de Deus jamais falha, e uma promessa de bênção aos que dessem ouvidos à segura palavra da profecia.

Com os campos devastados, as escassas reservas de provisões rapidamente se esgotando, e rodeados como estavam por povos inamistosos, os israelitas prosseguiam ainda assim com fé, em resposta ao chamado dos mensageiros de Deus, e trabalhavam diligentemente para restaurar o templo arruinado. Era uma obra que requeria firme confiança em Deus. Enquanto o povo procurava fazer sua parte, buscando uma renovação da graça de Deus no coração e na vida, mensagem após mensagem era dada por intermédio de Ageu e Zacarias, com a certeza de que sua fé seria ricamente recompensada, e que a Palavra de Deus concernente à futura glória do templo cujas paredes eles estavam reparando, não falharia. Nesse mesmo edifício apareceria, na plenitude do tempo, o Desejado de todas as nações como o Mestre e Salvador da humanidade.

Assim os construtores não foram deixados a lutar sozinhos; estavam “com eles os profetas de Deus, que os ajudavam” (Esdras 5:2); e o Senhor dos Exércitos havia declarado: “Esforçai-vos […] e trabalhai; porque Eu sou convosco”. Ageu 2:4.

Com arrependimento de coração e desejo de avançar pela fé, vieram as promessas de prosperidade temporal. “Desde este dia”, o Senhor declarou, “vos abençoarei”. Ageu 2:19.

A Zorobabel, seu líder — aquele que, através de todos os anos desde o seu retorno de Babilônia, havia sido tão severamente provado — foi dada a mais preciosa mensagem. O dia se aproximava, o Senhor declarou, quando todos os inimigos do Seu povo escolhido seriam abatidos. “Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, te tomarei, ó Zorobabel […] Meu servo, diz o Senhor, e te farei como um anel de selar; porque te escolhi”. Ageu 2:23. Agora o governador de Israel podia ver o significado da providência que o tinha levado através de desencorajamento e perplexidade; ele podia discernir em tudo isto o propósito de Deus.

Essa palavra pessoal a Zorobabel foi registrada para encorajamento dos filhos de Deus em todos os séculos. Deus tem um propósito em enviar a Seus filhos. Ele jamais os dirige de outra forma que não aquela mesma que eles escolheriam se pudessem ver o fim desde o princípio, e discernir a glória do propósito que estão preenchendo. Tudo que Ele traz sobre eles em provação e infortúnio vem para que sejam fortes a fim de agirem e sofrerem por Ele.

As mensagens dadas por Ageu e Zacarias despertaram o povo no sentido de fazer todo o esforço possível para a reconstrução do templo; mas enquanto trabalhavam foram maldosamente molestados pelos samaritanos e outros, que tramaram muitos embaraços. Uma ocasião os oficiais do reino medo-persa, governadores da província, visitaram Jerusalém, e pediram o nome da pessoa que havia autorizado a restauração do templo. Se nessa ocasião os judeus não tivessem confiado no Senhor para orientação, esta inquirição teria tido para eles resultados desastrosos. “Porém os olhos de Deus estavam sobre os anciãos dos judeus, e não os impediram, até que o negócio veio a Dario”. Esdras 5:5. Os oficiais receberam uma resposta tão sábia que decidiram escrever uma carta a Dario Histaspes, então rei da Medo-Pérsia, chamando sua atenção para o decreto original feito por Ciro, o qual ordenara que a casa de Deus em Jerusalém fosse reconstruída, e que as despesas da mesma fossem pagas do tesouro do rei.

Dario pesquisou em busca deste decreto, e encontrou-o; ordenou então aos que tinham feito a inquirição que permitissem prosseguir a reconstrução do templo. “Deixai-os na obra desta casa de Deus”, ele ordenou; “para que o governador dos judeus e os judeus edifiquem esta casa de Deus no seu lugar.

“Também por mim”, Dario continuou, “se decreta o que haveis de fazer com os anciãos dos judeus, para que edifiquem esta casa de Deus, a saber: Que da fazenda do rei, dos tributos dalém do rio, se pague prontamente a

despesa a estes homens, para que não sejam impedidos. E o que for necessário, como bezerros, e carneiros, e cordeiros, para o holocausto ao Deus dos Céus, trigo, sal, vinho e azeite, segundo o rito dos sacerdotes que estão em Jerusalém, dê-se-lhes, de dia em dia, para que não haja falta; para que ofereçam sacrifícios de cheiro suave ao Deus dos Céus, e orem pela vida do rei e de seus filhos”. Esdras 6:7-10.

Além disso o rei decretou que severas penalidades seriam aplicadas a quem de alguma maneira pretendesse alterar o decreto; e ele concluiu com esta afirmação digna de nota: “O Deus, pois, que fez habitar ali o Seu nome derribe a todos os reis e povos que estenderem a sua mão para o mudarem e para destruírem esta casa de Deus, que está em Jerusalém. Eu Dario, dei o decreto; apressuradamente se execute”. Esdras 6:12. Assim o Senhor preparou o caminho para a conclusão do templo.

Durante muitos meses antes que este decreto fosse baixado, os israelitas, estiveram a trabalhar pela fé, os profetas de Deus ainda os ajudando por meio de oportunas mensagens, pelas quais o propósito divino para Israel foi mantido perante os edificadores. Dois meses depois que a última mensagem registrada de Ageu foi dada, Zacarias teve uma série de visões referentes à obra de Deus na Terra. Essas mensagens, dadas na forma de parábolas e símbolos, vieram num tempo de grande incerteza e ansiedade, e foram de peculiar significação para os homens que estavam avançando em nome do Deus de Israel. Parecia aos líderes como se a permissão dada aos judeus para reconstruir estivesse prestes a sofrer impedimento; o futuro parecia muito negro. Deus viu que Seu povo estava em necessidade de ser sustido e animado por uma revelação de Sua infinita compaixão e amor.

Em visão, Zacarias ouviu o anjo do Senhor perguntar: “O Senhor dos Exércitos, até quando não terás compaixão de Jerusalém, e das cidades de Judá, contra as quais estiveste irado estes setenta anos? E respondeu o Senhor ao anjo que falava comigo”, declarou Zacarias, “com palavras boas, palavras consoladoras.”

“E o anjo que falava comigo me disse: Clama, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Com grande zelo estou zelando por Jerusalém e por Sião. E com grandíssima ira estou irado com as nações em descanso; porque estando Eu num pouco desgostoso, eles auxiliaram no mal. Portanto, o Senhor diz assim: Voltei-Me para Jerusalém com misericórdia; a Minha casa nela será edificada, e o cordel será estendido sobre Jerusalém”. Zacarias 1:12-16.

O profeta foi agora autorizado a predizer: “Assim diz o Senhor dos Exércitos: As Minhas cidades ainda aumentarão e prosperarão, porque o Senhor ainda consolará a Sião e ainda escolherá a Jerusalém”. Zacarias 1:17.

Zacarias viu então “os poderes que dispersaram a Judá, a Israel e a Jerusalém”, simbolizados por quatro cornos. Logo em seguida ele viu quatro ferreiros, representando os agentes usados pelo Senhor na restauração de Seu povo e da casa do Seu culto. Zacarias 1:18-21.

“Tornei a levantar os meus olhos”, diz Zacarias, “e olhei, e vi um homem em cuja mão estava um cordel de medir. E eu disse: Para onde vais tu? E ele me disse: Medir Jerusalém, para ver qual é a sua largura e qual o seu comprimento. E eis que saiu o anjo que falava comigo, e outro anjo lhe saiu ao encontro, e lhe disse: Corre, fala a este mancebo, dizendo: Jerusalém será habitada como as aldeias sem muros, por causa da multidão, nela, dos homens e dos animais. E Eu, diz o Senhor, serei para ela um muro de fogo ao redor, e Eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória”. Zacarias 2:1-5.

Deus havia determinado que Jerusalém fosse reconstruída; a visão da medição da cidade era uma garantia de que Ele daria conforto e força aos Seus afligidos, e cumpriria para com eles as promessas do Seu eterno concerto. Seu cuidado protetor, Ele havia declarado, seria como “um muro de fogo ao redor”; e por meio deles Sua glória seria revelada a todos os filhos dos homens. Aquilo que Ele estava realizando por Seu povo devia ser conhecido em toda a Terra. “Exulta e canta de gozo, ó habitante de Sião, porque grande é o Santo de Israel no meio de ti”. Isaías 12:6.

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/?id=7270

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s