PROFETAS E REIS, Capítulo 59 — “A casa de Israel”

Capítulo 59 — “A casa de Israel”

Na proclamação das verdades do evangelho eterno a toda nação, tribo, língua e povo, a igreja de Deus na Terra está hoje cumprindo a antiga profecia: “Florescerá e brotará Israel, e encherão de fruto a face do mundo”. Isaías 27:6. Os seguidores de Jesus, em cooperação com inteligências celestiais, estão rapidamente ocupando os lugares solitários da Terra; e como resultado dos seus labores, uma abundante colheita de almas preciosas está em processo. Hoje, como nunca dantes, a disseminação da verdade bíblica por meio de uma igreja consagrada está levando aos filhos dos homens os benefícios prefigurados séculos antes na promessa a Abraão e a Israel — promessa para a igreja de Deus na Terra em cada século: “Abençoar-te-ei […] e tu serás uma bênção”. Gênesis 12:2.

Essa promessa de bênção devia ter encontrado cumprimento em grande medida durante os séculos seguintes ao retorno dos israelitas das terras do seu cativeiro. Era desígnio de Deus que toda a Terra fosse preparada para o primeiro advento de Cristo, assim como hoje o caminho está sendo preparado para a Sua segunda vinda. Ao final dos anos, de humilhante exílio, Deus graciosamente deu a Seu povo Israel, por intermédio de Zacarias, esta certeza: “Voltarei para Sião, e habitarei no meio de Jerusalém; e Jerusalém chamar-se-á a cidade de verdade, e o monte do Senhor dos Exércitos monte de santidade.” E de Seu povo Ele disse: “Eis que […] Eu serei o seu Deus em verdade e em justiça”. Zacarias 8:3, 7, 8.

Essas promessas estavam condicionadas à obediência. Os pecados que haviam caracterizado os israelitas anteriormente ao cativeiro, não deviam ser repetidos. “Executai juízo verdadeiro”, o Senhor exortou os que estavam empenhados na reconstrução; “mostrai piedade e misericórdia cada um a seu irmão; e não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente o mal cada um contra o seu irmão no seu coração”. Zacarias 7:9, 10. “Falai a verdade cada um com o seu companheiro; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas”. Zacarias 8:16.

Rica era a recompensa, tanto temporal como espiritual, prometida aos que pusessem em prática esses princípios de justiça. “A semente prosperará”, o Senhor declarou, “a vide dará o seu fruto, e os céus darão o seu orvalho, e farei que o resto deste povo herde tudo isto. E há de acontecer, ó casa de Judá, e ó casa de Israel, que, assim como fostes uma maldição entre as nações, assim vos salvarei, e sereis uma bênção”. Zacarias 8:12, 13.

Graças ao cativeiro babilônico foram os israelitas de fato curados da adoração de imagens de escultura. Após o seu retorno, deram muita atenção às instruções religiosas e ao estudo do que tinha sido escrito no livro da lei e nos profetas concernente ao culto do verdadeiro Deus. A restauração do templo capacitou-os a pôr em prática integralmente os ritos do santuário. Sob a guia de Zorobabel, de Esdras e de Neemias, repetidamente eles concertaram guardar todos os mandamentos e ordenanças de Jeová. A fase de prosperidade que se seguiu, deu ampla evidência da boa vontade de Deus em aceitar e perdoar; e no entanto, com fatal curteza de vistas, eles se desviaram vezes e vezes do seu glorioso destino, e egoistamente conservaram para si aquilo que teria levado cura e vida espiritual a incontáveis multidões.

Essa falta no cumprimento do propósito divino era muito notória nos dias de Malaquias. Severamente o mensageiro do Senhor tratou com os males que estavam roubando Israel de sua prosperidade temporal e poder espiritual. Em suas repreensões aos transgressores o profeta não poupou nem os sacerdotes nem o povo. O “peso da Palavra do Senhor contra Israel” por intermédio de Malaquias era que as lições do passado não fossem esquecidas, e que o concerto feito por Jeová com a casa de Israel fosse guardado com fidelidade. Unicamente por sincero arrependimento poderiam as bênçãos de Deus tornar-se realidade. “Suplicai o favor de Deus”, o profeta implorava, “e Ele terá piedade de nós”. Malaquias 1:1, 9.

Não seria por alguma falha temporária de Israel, no entanto, que o plano dos séculos para a redenção da humanidade haveria de ser frustrado. Aqueles a quem o profeta estava falando, podiam deixar de ouvir a mensagem dada; mas os propósitos de Jeová deveriam ainda assim prosseguir firmemente até completo cumprimento. “Desde o nascente do Sol até o poente”, o Senhor declarou através do Seu mensageiro, “será grande entre as nações o Meu nome; e em todo o lugar se oferecerá ao Meu nome incenso e uma oblação pura; porque o Meu nome será grande entre as nações”. Malaquias 1:11.

O concerto “de vida e de paz” que Deus fez com os filhos de Levi — concerto que, se guardado promoveria bênção inaudita — o Senhor Se propunha agora renovar com os que uma vez tinham sido líderes espirituais, mas que pela transgressão se haviam tornado “desprezíveis e indignos diante de todo o povo. Malaquias 2:5, 9.

Solenemente foram os praticantes do mal advertidos sobre o dia do julgamento por vir, e do propósito de Jeová de visitar com imediata destruição cada transgressor. Todavia ninguém foi deixado sem esperança; as profecias de Malaquias sobre o juízo foram acompanhadas de convites ao impenitente para que fizesse paz com Deus. “Tornai vós para Mim”, o Senhor apelava, “e Eu tornarei para vós”. Malaquias 3:7.

Nenhum coração deve deixar de responder a tal convite. O Deus do Céu está apelando a Seus filhos para que voltem para Ele, a fim de que possam com Ele cooperar na condução de Sua obra na Terra. O Senhor estende Sua mão para tomar a mão de Israel, para ajudá-los no apertado caminho da abnegação e do altruísmo, de modo que possam partilhar com Ele a herança como filhos de Deus. Deixar-se-ão convencer? Discernirão sua única esperança?

Quão triste é o registro que temos, de que nos dias de Malaquias os israelitas hesitaram em render seu orgulhoso coração em pronta e amorável obediência e sincera cooperação A justificação própria é evidente em sua resposta: “Em que havemos de tornar?”

O Senhor revela a Seu povo um dos seus pecados especiais. “Roubará o homem a Deus?” Ele interroga. “Todavia vós Me roubais.” Ainda não convencidos do pecado, os desobedientes inquirem: “Em que Te roubamos?”

Definida sem dúvida é a resposta do Senhor: “Nos dízimos e nas ofertas alçadas. Com maldição sois amaldiçoados, porque Me roubais a Mim, vós, toda a nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na Minha casa, e depois fazei prova de Mim, diz o Senhor dos Exércitos, se Eu não vos abrir as janelas do Céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal que dela vos advenha a maior abastança. E por causa de vós repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; e a vide no campo não vos será estéril, diz o Senhor dos Exércitos. E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos”. Malaquias 3:7-12.

Deus abençoa a obra das mãos dos homens, para que eles possam devolver-Lhe Sua porção. Dá-lhes a luz do Sol e a chuva; faz que a vegetação brote; dá saúde e habilidade para a aquisição de meios. Todas as bênçãos vêm de Suas pródigas mãos, e Ele deseja que homens e mulheres mostrem gratidão devolvendo-Lhe uma parte em dízimos e ofertas — em ofertas de gratidão, ofertas voluntárias e ofertas pelo pecado. Devem eles devotar seus meios a Seu serviço, para que Sua vinha não venha a ser um deserto estéril. Devem estudar o que o Senhor faria em lugar deles. A Ele devem levar em oração toda questão difícil. Devem revelar interesse altruísta na edificação de Sua obra em todas as partes do mundo.

Através de mensagens como as apresentadas por Malaquias, o último dos profetas do Antigo Testamento, bem como pela opressão de inimigos pagãos, os israelitas finalmente aprenderam a lição de que a verdadeira prosperidade depende da obediência à lei de Deus. Mas no caso de muitos dentre o povo, a obediência não era fruto da fé e amor. Seus motivos eram egoístas. O culto era prestado como meio de alcançar a grandeza nacional. O povo escolhido não se tornou a luz do mundo, mas encerrou-se ao abrigo do mundo como salvaguarda contra o ser seduzido pela idolatria. As restrições que Deus havia feito, proibindo o casamento entre o Seu povo e os pagãos, e proibindo Israel de se unir nas práticas idólatras com as nações circunvizinhas, foram tão pervertidas a ponto de se tornarem um muro de separação entre os israelitas e todos os outros povos, privando assim a outros das próprias bênçãos que Deus tinha-os comissionado para dar ao mundo.

Ao mesmo tempo os judeus, por seus pecados, estavam-se separando de Deus. Eram incapazes de discernir o profundo significado espiritual do seu sistema de sacrifícios. Em sua justiça própria confiaram em suas próprias obras, nos sacrifícios e ordenanças em si, em vez de descansar nos méritos dAquele a quem todas essas coisas apontavam. Assim, “procurando estabelecer a sua própria justiça” (Romanos 10:3), edificaram-se sobre um formalismo auto-suficiente. Faltando-lhes o Espírito e a graça de Deus, procuraram ressarcir a falta mediante rigorosa observância das cerimônias e ritos religiosos. Não contentes com as ordenanças que o próprio Deus havia designado, obstruíram os mandamentos divinos com incontáveis exigências por si mesmos tramadas. Quanto mais se distanciavam de Deus, mais rigorosos eram na observância dessas formas.

Com todas essas minuciosas e opressoras exigências, tornou-se uma impossibilidade prática para o povo a guarda da lei. Os grandes princípios de justiça expostos no Decálogo, e as gloriosas verdades delineadas no cerimonial simbólico, foram igualmente obscurecidas, sepultadas sob uma massa de tradições e preceitos humanos. Os que estavam realmente desejosos de servir a Deus, e que procuravam observar toda a lei como prescrita pelos sacerdotes e chefes, vergavam sob pesado fardo.

Como nação, o povo de Israel, conquanto desejando o advento do Messias, estava de tal modo separado de Deus no coração e na vida que não podia alcançar verdadeira concepção do caráter ou missão do prometido Redentor. Em lugar de desejar a redenção do pecado, e a glória e paz da santidade, tinham o coração posto no libertamento de seus inimigos nacionais, e a restauração do poder temporal. Eles esperavam por um Messias que viesse como conquistador, a fim de quebrar todo jugo, e exaltar Israel ao domínio de todas as nações. Assim havia Satanás alcançado sucesso em preparar o coração do povo para que rejeitasse o Salvador quando aparecesse. Seu próprio orgulho de coração e falsa concepção do caráter e missão do Messias, impediram-nos de pesar honestamente as evidências de Sua messianidade.

Durante mais de mil anos, o povo judeu tinha esperado a vinda do Salvador prometido. Suas esperanças mais brilhantes tinham repousado neste acontecimento. Durante mil anos, em cântico e profecia, nos ritos do templo e nas orações domésticas, Seu nome havia sido entesourado; e no entanto quando Ele veio, não O reconheceram como o Messias por quem haviam tão longamente esperado. “Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam”. João 1:11. Para o Seu coração amante do mundo, o Amado do Céu era “como raiz de uma terra seca”. Aos olhos deles Ele “não tinha parecer nem formosura”; nEle não discerniam qualquer beleza para que O desejassem. Isaías 53:2.

Toda a vida de Jesus de Nazaré entre o povo judeu era uma reprovação ao seu egoísmo revelado na indisposição de reconhecer os justos direitos do Senhor da vinha sobre os que tinham sido postos como lavradores. Eles odiavam o Seu exemplo de fidelidade e piedade; e quando veio a prova final, a prova que significava obediência para a vida eterna ou desobediência para a eterna morte, rejeitaram o Santo de Israel, e se tornaram responsáveis por Sua crucifixão no Calvário.

Na parábola da vinha, Cristo, nas proximidades do fim do Seu ministério terrestre, chamou a atenção dos mestres judeus para as ricas bênçãos outorgadas a Israel, e nelas mostrou o direito de Deus a sua obediência. Claramente Ele expôs perante eles a glória do propósito de Deus, propósito este que pela obediência eles poderiam ter cumprido. Afastando o véu que ocultava o futuro, mostrou-lhes como, em virtude do não cumprimento do Seu propósito, toda a nação fora privada de Suas bênçãos, sobre si acarretando ruína.

“Houve um homem pai de família”, Cristo disse, “que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe”. Mateus 21:33.

O Salvador Se referiu assim à “vinha do Senhor dos Exércitos”, que o profeta Isaías séculos antes havia declarado ser “a casa de Israel”.

“E, chegando o tempo dos frutos”, Cristo continuou, o proprietário da vinha “enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos. E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram a um, mataram a outro, e apedrejaram a outro. Depois enviou outros servos, em maior número que os primeiros; e eles fizeram-lhes o mesmo; e por último enviou-lhes o seu filho. […] Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança. E, lançando mão dele, o arrastaram para fora da vinha, e o mataram.”

Havendo retratado ante os sacerdotes o seu ato final de impiedade, Cristo dirige-lhes agora a pergunta: “Quando pois vier o Senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?” Os sacerdotes haviam acompanhado a narrativa com profundo interesse; e sem considerar a relação que havia do assunto para com eles mesmos, uniram-se ao povo na resposta: “Dará afrontosa morte a esses maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe dêem os frutos.”

Inadvertidamente haviam eles pronunciado sua própria condenação. Jesus olhou para eles, e sob Seu olhar pesquisador eles compreenderam que Ele havia lido os segredos do seu coração. Sua divindade se sobressaiu com inquestionável poder. Eles viram nos lavradores uma figura de si mesmos, e involuntariamente exclamaram: “Não seja assim”

Solene e pesaroso Cristo perguntou: “Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do ângulo; pelo Senhor foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto Eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos. E quem cair sobre esta pedra despedaçar-se-á; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó”. Mateus 21:33-44.

Cristo teria evitado a condenação da nação judaica se o povo O tivesse recebido. Mas a inveja e o ciúme tornaram-nos implacáveis. Decidiram que não receberiam a Jesus de Nazaré como o Messias. Rejeitaram a luz do mundo, e daí em diante suas vidas foram circundadas com o negror das trevas da meia-noite. A condenação predita veio sobre a nação judaica. Suas próprias paixões violentas, incontroladas, operaram sua ruína. Em sua cega ira destruíram-se uns aos outros. Seu orgulho rebelde e obstinado atraiu sobre eles a ira dos conquistadores romanos. Jerusalém foi destruída, o templo foi feito em ruínas, e o sítio onde se erguia foi lavrado como um campo. Os filhos de Judá pereceram pelas mais horríveis formas de morte. Milhões foram vendidos para servirem como escravos em terras pagãs.

Aquilo que Deus propôs realizar em favor do mundo por intermédio de Israel, a nação escolhida, Ele executará afinal por meio de Sua igreja na Terra hoje. Ele arrendou Sua vinha “a outros lavradores”, isto é, ao Seu povo que guarda o concerto, e que fielmente dá “os seus frutos”. Jamais esteve o Senhor sem verdadeiros representantes na Terra e que fazem do interesse de Deus o seu próprio interesse. Essas testemunhas do Senhor são contadas entre o Israel espiritual, e em relação a eles se cumprirão todas as promessas do concerto feitas por Jeová a Seu antigo povo.

Hoje a igreja de Deus é livre para levar a êxito o plano divino para a salvação de uma raça perdida. Por muitos séculos o povo de Deus sofreu restrição de sua liberdade. A pregação do evangelho em sua pureza foi proibida, e as mais severas penalidades aplicadas aos que ousaram desobedecer aos mandamentos de homens. Como conseqüência, a grande vinha moral do Senhor ficou quase inteiramente desabitada. O povo viu-se privado da luz da Palavra de Deus. As trevas do erro e da superstição ameaçavam obliterar o conhecimento da verdadeira religião. A igreja de Deus na Terra esteve tão verdadeiramente em cativeiro durante este longo período de feroz perseguição, como estiveram os filhos de Israel em Babilônia durante o período do exílio.

Mas, graças a Deus, Sua igreja não está mais em cativeiro. Ao Israel espiritual foram restaurados os privilégios concedidos ao povo de Deus por ocasião do seu livramento de Babilônia. Em todas as partes da Terra homens e mulheres estão respondendo à mensagem enviada do Céu, da qual João o revelador profetizou que seria proclamada antes da segunda vinda de Cristo: “Temei a Deus, e dai-Lhe glória; porque vinda é a hora do Seu juízo”. Apocalipse 14:7.

Não mais têm as forças do mal poder para conservar cativa a igreja; pois “caiu, caiu Babilônia, aquela grande cidade, que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição” (Apocalipse 14:8); e ao Israel espiritual é dada a mensagem: “Sai dela, povo Meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas”. Apocalipse 18:4. Assim como os exilados ouviram a mensagem: “Saí do meio de Babilônia” (Jeremias 51:6), e foram restaurados à terra da promessa, assim os que temem a Deus hoje estão aceitando a mensagem para retirar-se da Babilônia espiritual, e logo devem permanecer como troféus da graça divina na Terra renovada, a Canaã celestial.

Nos dias de Malaquias, a pergunta escarnecedora dos impenitentes: “Onde está o Deus do juízo?” recebeu a solene resposta: “De repente virá ao Seu templo o Senhor […] o Anjo do concerto. […] Mas quem suportará o dia da Sua vinda? e quem subsistirá quando Ele aparecer? porque Ele será como o fogo do ourives, e como o sabão dos lavandeiros. E assentar-Se-á, afinando e purificando a prata; e purificará os filhos de Levi, e os afinará como ouro e como prata. Então ao Senhor trarão ofertas em justiça. E a oferta de Judá e de Jerusalém será suave ao Senhor, como nos dias antigos, e como nos primeiros anos”. Malaquias 2:17; 3:1-4.

Quando o Messias prometido estava prestes a aparecer, a mensagem do precursor de Cristo foi: Arrependei-vos, publicanos e pecadores; arrependei-vos, fariseus e saduceus; “porque é chegado o reino dos Céus”. Mateus 3:2.

Hoje, no espírito e poder de Elias e de João Batista, mensageiros escolhidos por Deus estão chamando a atenção de um mundo em vias de julgamento para os solenes acontecimentos a terem lugar breve, em conexão com as horas finais de graça e o aparecimento de Cristo Jesus como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Logo cada homem deverá ser julgado segundo as obras feitas no corpo. A hora do juízo de Deus é chegada, e sobre os membros de Sua igreja na Terra repousa a solene responsabilidade de advertir aos que estão mesmo às bordas, por assim dizer, da eterna ruína. A cada ser humano em todo o mundo que estiver disposto a atender, devem-se tornar claros os princípios em jogo na grande controvérsia em curso, princípios dos quais pende o destino de toda a humanidade.

Nestas horas finais de graça para os filhos dos homens, quando a sorte de cada alma deve ser logo decidida para sempre, o Senhor do Céu e da Terra espera que Sua igreja desperte para a ação como nunca dantes. Os que foram feitos livres em Cristo pelo conhecimento da preciosa verdade, são considerados pelo Senhor Jesus como Seus escolhidos, favorecidos sobre todos os outros povos na face da Terra; e Ele está contando certo que eles manifestarão os louvores dAquele que os chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz. As bênçãos tão liberalmente outorgadas devem ser comunicadas a outros. As boas-novas de salvação devem ir a cada nação, tribo, língua e povo.

Nas visões dos profetas do passado o Senhor da glória foi representado como concedendo luz especial a Sua igreja nos dias de trevas e incredulidade que precederiam Sua segunda vinda. Como Sol da Justiça, Ele devia brilhar sobre Sua igreja, “trazendo salvação debaixo de Suas asas. Malaquias 4:2. E de todo verdadeiro discípulo devia ser difundida influência para a vida, coragem, prestatividade e verdadeira cura.

A vinda de Cristo ocorrerá no mais escuro período da história da Terra. Os dias de Noé e de Ló retratam a condição do mundo imediatamente antes da vinda do Filho do homem. As Escrituras que apontam para este tempo declaram que Satanás operará com todo o poder e “com todo o engano da injustiça”. 2 Tessalonicenses 2:9, 10. Sua operação é claramente revelada pelas trevas em rápido progresso, os inumeráveis erros, heresias e enganos destes últimos dias. Não somente está Satanás levando cativo o mundo, mas seus enganos estão fermentando as professas igrejas de nosso Senhor Jesus Cristo. A grande apostasia redundará em trevas profundas como a meia-noite. Para o povo de Deus será essa uma noite de provação, de lágrimas e de perseguição por amor da verdade. Mas da noite de trevas brilhará a luz de Deus.

Ele faz que das trevas resplandeça a luz. 2 Coríntios 4:6. Quando “a Terra era sem forma e vazia, e havia trevas sobre a face do abismo”, “o Espírito de Deus Se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz. E houve luz”. Gênesis 1:2, 3. Assim na noite de trevas espirituais a Palavra de Deus ordena: “Haja luz.” A Seu povo Ele diz: “Levanta-te, resplandece, porque já vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti”. Isaías 60:1.

“Eis que as trevas cobriram a Terra”, diz a Escritura, “e a escuridão os povos; mas sobre ti o Senhor irá surgindo, e a Sua glória Se verá sobre ti”. Isaías 60:2. Cristo, o resplendor da glória do Pai, veio ao mundo como Sua luz. Ele veio para representar Deus ante os homens, e dEle está escrito que foi ungido “com o Espírito Santo e com virtude”, e que “andou fazendo bem”. Atos dos Apóstolos 10:38. Na sinagoga de Nazaré Ele disse: “O espírito do Senhor é sobre Mim, pois que Me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-Me a curar os quebrantados de coração, a apregoar liberdade aos cativos, e dar vista aos cegos; a pôr em liberdade os oprimidos; a anunciar o ano aceitável do Senhor”. Lucas 4:18, 19. Esta foi a obra que Ele comissionou Seus discípulos para que fizessem. “Vós sois a luz do mundo”, Ele disse. “Resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos Céus”. Mateus 5:14, 16.

Esta é a obra que o profeta Isaías descreve quando diz: “Não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desterrados? e, vendo o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor será a tua retaguarda”. Isaías 58:7, 8.

Assim na noite de trevas espirituais a glória de Deus deve brilhar por meio de Sua igreja no erguer o abatido e confortar o triste.

Por toda parte ao nosso redor se ouvem lamentos de um mundo em tristeza. De todos os lados há necessitados e opressos. Pertence-nos ajudar a aliviar e suavizar as durezas e misérias da vida. Unicamente o amor de Cristo pode satisfazer as necessidades da alma. Se Cristo está habitando em nós, o nosso coração estará cheio de divina simpatia. As fontes contidas do amor fervente semelhante ao de Cristo, serão franqueadas.

Há muitas pessoas a quem a esperança abandonou. Restituí-lhes a luz. Muitos perderam a coragem. Falai-lhes palavras de ânimo. Orai por eles. Há os que necessitam do pão da vida. Lede-lhes da Palavra de Deus. Há muitos enfermos da alma, os quais nenhum bálsamo terrestre pode alcançar nem médico levar cura. Orai por essas almas. Levai-as a Jesus. Dizei-lhes que há Bálsamo e Médico em Gileade.

A luz é uma bênção, uma bênção universal a derramar seus tesouros sobre um mundo ingrato, injusto e pervertido. Assim é com a luz do Sol da Justiça. A Terra toda, envolvida embora nas trevas do pecado, do infortúnio e da dor, deve ser iluminada com o conhecimento do amor de Deus. A luz que brilha do trono do Céu não deve ser excluída de nenhuma seita, categoria ou classe de pessoas.

A mensagem de esperança e misericórdia deve ser levada aos confins da Terra. Todo o que quiser, pode lançar mão da força de Deus e fazer paz com Ele. Não mais devem os pagãos continuar submersos na escuridão da meia-noite. As trevas devem fugir ante os brilhantes raios do Sol da Justiça.

Cristo tomou toda providência para que Sua igreja seja um corpo transformado, iluminado com a Luz do mundo, na posse da glória de Emanuel. É Seu propósito que cada cristão seja circundado de uma atmosfera espiritual de luz e paz. Ele deseja que revelemos Seu próprio regozijo em nossa vida.

“Levanta-te, resplandece, porque já vem a tua luz, e a glória do Senhor vem nascendo sobre ti”. Isaías 60:1. Cristo virá com poder e grande glória. Virá revestido de Sua própria glória, e da glória do Pai. E os santos anjos O assistem no Seu trajeto. Enquanto todo o mundo está imerso em trevas, haverá luz em toda habitação dos santos. Eles surpreenderão a primeira luz de Seu segundo aparecimento. A luz imaculada irromperá do Seu esplendor, e Cristo o Redentor será admirado por todos os que O têm servido. Enquanto os ímpios fogem, os seguidores de Cristo regozijam-se em Sua presença.

É então que o redimido dentre os homens receberá sua prometida herança. Assim o propósito de Deus para Israel encontrará literal cumprimento. Aquilo que Deus propõe, o homem é impotente para anular. Mesmo em meio à operação do mal, o propósito de Deus tem prosseguido firmemente em direção do seu cumprimento. Foi assim com a casa de Israel através da história da monarquia dividida; assim é com o Israel espiritual de hoje.

O vidente de Patmos, olhando através dos séculos para o tempo desta restauração de Israel na Terra renovada, testificou:

“Depois destas coisas, olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; e clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro”. Apocalipse 7:9, 10.

“E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sob os seus rostos, e adoraram a Deus, dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre”. Apocalipse 7:9-12.

“E ouvi como que a voz de uma grande multidão, e como que a voz de muitas águas, e como que a voz de grandes trovões, que dizia: Aleluia: pois já o Senhor Deus todo-poderoso reina. Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-Lhe honra”. Apocalipse 19:6, 7. Ele “é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão os que estão com Ele, chamados, e eleitos, e fiéis”. Apocalipse 17:14.

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/?id=7279

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