BLOG DA SEMANA 18/06/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 27-28

O pastor de uma igreja crescente e vibrante disse, certa vez: “O sucesso ou o fracasso dependem da liderança”. Ellen White ressalta esse axioma nos primeiros parágrafos do capítulo 27, onde ela narra a história de Acaz. “Muitos que anteriormente haviam resistido às influências sedutoras de práticas idólatras, estavam agora sendo persuadidos a tomarem parte na adoração de divindades pagãs” (Profetas e Reis, p. 315/322). Apesar do novo rei não forçar seus compatriotas a se envolverem com a idolatria, é inegável a influência que exerceu nessa direção.

Através de seu exemplo, os líderes dão permissão implícita a ações previamente consideradas abomináveis. Os líderes também podem legitimar filosofias ou éticas incoerentes.

Quando comecei a trabalhar como pastor distrital, iniciei um clube de jovens numa igreja que não havia tido um grupo assim antes. Um casal de voluntários ajudaram a “liderar” o ministério incipiente e, nos primeiros dias, eu esperava que eles desenvolvessem uma boa interação com os jovens e não brigassem entre si. Na minha opinião, isso era essencial para aquele ministério ser bem sucedido. Infelizmente, não deixei claro para eles as minhas expectativas. E pior ainda, eu mesmo dediquei pouco tempo à capacitação daqueles líderes.

Com o passar do tempo fui ficando cada vez mais frustrado com aqueles dois líderes voluntários, devido a inabilidade deles de inspirarem aos jovens e se conectarem com eles coração a coração.

Quem me abriu os olhos para o problema foi um membro simples que foi sincero e expôs a sua percepção de que o clube de jovens não estava indo bem. A verdade é que eu havia falhado como líder.

O sucesso ou o fracasso dependem da liderança. E quando a liderança falha, a verdade (Isaías) deve falar ao poder (Acaz).

Kris Loewen
Pastor associado
Igreja da Universidade Walla Walla

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/27-28 e https://www.revivalandreformation.org/?id=1542
Equipe de tradução: Pr Jobson Santos/Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 27 (Acaz) e 28 (Ezequias)

Capítulo 27 — Acaz

A ascensão de Acaz ao trono pôs Isaías e seus associados face a face com condições mais aterradoras do que as que até então tivera lugar no reino de Judá. Muitos que anteriormente haviam resistido às influências sedutoras de práticas idólatras, estavam agora sendo persuadidos a tomar parte na adoração de divindades pagãs. Príncipes em Israel estavam-se mostrando infiéis ao sua atividade; falsos profetas se levantavam com mensagens que levavam ao extravio, e até alguns dos sacerdotes estavam ensinando por interesse. Não obstante os líderes em apostasia ainda conservavam as formas do culto divino, e presumiam ser contados entre o povo de Deus.

O profeta Miquéias, que durante esses tempos conturbados deu o seu testemunho, declarou que os pecadores de Sião, ao mesmo tempo que afirmavam estar “encostados ao Senhor”, e em blasfêmia se vangloriando: “Não está o Senhor no meio de nós? nenhum mal nos sobrevirá”, continuavam a edificar “a Sião com sangue, e a Jerusalém com injustiça”. Miquéias 3:11, 10. Contra esses males o profeta Isaías levantou a voz em severa repreensão: “Ouvi a palavra do Senhor, vós príncipes de Sodoma; prestai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra. De que Me serve a Mim a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. […] Quando vindes para comparecerdes perante Mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis pisar os Meus átrios?” Isaías 1:10-12.

A Inspiração declara: “O sacrifício dos ímpios é abominação; quanto mais oferecendo-o com intenção maligna”. Provérbios 21:27. O Deus dos Céus é “tão puro de olhos”, que não pode “ver o mal, e a vexação” não pode “contemplar”. Hebreus 1:13. Não é porque não esteja disposto a perdoar que Ele Se afasta do transgressor; mas porque o pecador se recusa a servir-se da abundante provisão de graça, torna-se impossível a Deus livrar do pecado. “A mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem o Seu ouvido agravado, para que não possa ouvir. Mas as vossas iniqüidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o Seu rosto de vós, para que vos não ouça”. Isaías 59:1, 2.

Salomão havia escrito: “Ai de ti, ó terra, cujo rei é criança”. Eclesiastes 10:16. Assim foi com a terra de Judá. Em virtude de continuadas transgressões, seus reis haviam-se tornado como crianças. Isaías chamou a atenção dopovo para a fraqueza da posição deste entre as nações da Terra; e mostrou que isto era o resultado da impiedade que se praticava nas altas esferas. “Eis”, disse ele, “que o Senhor Deus dos Exércitos tirará de Jerusalém e de Judá o bordão e o cajado, todo o sustento de pão, e toda a sede de água; o valente, e o soldado, o juiz e o profeta, e o adivinho, e o ancião; o capitão de cinqüenta, e o respeitável, e o conselheiro, e o sábio entre os artífices, e o eloqüente; e dar-lhes-ei mancebos por príncipes, e crianças governarão sobre eles.” “Porque Jerusalém tropeçou, e Judá caiu; porquanto a sua língua e as suas obras são contra o Senhor”. Isaías 3:1-4, 8.

“Os que te guiam”, continuou o profeta, “te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas”. Isaías 3:12. Durante o reinado de Acaz isto foi literalmente verdade; pois dele está escrito: “Andou nos caminhos dos reis de Israel, e, demais disto, fez imagens fundidas a Baalim. Também queimou incenso no vale do filho de Hinom, e queimou a seus filhos no fogo, conforme a todas as abominações dos gentios que o Senhor tinha desterrado de diante dos filhos de Israel”. 2 Crônicas 28:2, 3; 2 Reis 16:3.

Esse foi sem dúvida um tempo de grande perigo para a nação escolhida. Poucos anos mais e as dez tribos do reino de Israel seriam espalhadas entre as nações gentílicas. E no reino de Judá também as perspectivas eram negras. As forças do bem estavam diminuindo rapidamente, e as do mal aumentando. O profeta Miquéias, em vista da situação foi constrangido a exclamar: “Pereceu o benigno da terra, e não há entre os homens um que seja reto.” “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que um espinhal”. Miquéias 7:2, 4. “Se o Senhor dos Exércitos não nos deixara algum remanescente”, exclamou Isaías, “já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra”. Isaías 1:9.

Em todos os séculos, por amor dos que permaneceram leais, bem como em virtude do Seu infinito amor pelo transviado, Deus tem manifestado tolerância para com os rebeldes, e tem-nos admoestado a que abandonem seu mau caminho, e tornem para Ele. “Mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali” (Isaías 28:10), Ele tem ensinado aos transgressores o caminho da justiça por intermédio de homens por Ele indicados.

E assim foi durante o reinado de Acaz. Convite sobre convite foi enviado ao extraviado Israel para que retornasse à submissão a Jeová. Ternas foram as súplicas dos profetas; e ao estarem diante do povo, fervorosamente exortando ao arrependimento e reforma, suas palavras produziam fruto para a glória de Deus.

Através de Miquéias veio o maravilhoso apelo: “Ouvi agora o que diz o Senhor: levanta-te, contende com os montes, e ouçam os outeiros a tua voz. Ouvi, montes, a contenda do Senhor, e vós, fortes fundamentos da Terra; porque o Senhor tem uma contenda com o Seu povo, e com Israel entrará em juízo.

“Ó povo Meu que te tenho feito? e em que te enfadei? testifica contra Mim. Certamente te fiz subir da terra do Egito e da casa da servidão te remi; e pus diante de ti a Moisés, Arão e Miriã.

“Povo Meu, ora lembra-te da consulta de Balaque, rei de Moabe, e do que lhe respondeu Balaão, filho de Beor, desde Sitim até Gilgal, para que conheças as justiças do Senhor”. Miquéias 6:1-5.

O Deus a quem servimos é longânimo; “Suas misericórdias não têm fim”. Lamentações 3:22. Através de um período de graça, Seu Espírito está apelando aos homens para que aceitem o dom da vida. “Vivo Eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos, pois por que razão morrereis, ó casa de Israel?” Ezequiel 33:11. É um especial artifício de Satanás levar o homem ao pecado, e então deixá-lo ali, desajudado e desesperançado, temendo buscar perdão. Mas Deus convida: “Que se apodere da Minha força, e faça paz comigo; sim, que faça paz comigo”. Isaías 27:5. Em Cristo cada provisão está feita, cada incentivo oferecido.

Nos dias da apostasia em Judá e Israel, muitos estavam inquirindo: “Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei ante o Deus altíssimo? virei perante Ele com holocaustos? com bezerros de um ano? Agradar-Se-á o Senhor de milhares de carneiros? de dez mil ribeiros de azeite?” A resposta é clara e positiva: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?” Miquéias 6:6-8.

Insistindo sobre o valor da piedade prática, o profeta estava unicamente repetindo o conselho dado a Israel séculos antes. Por intermédio de Moisés, quando estavam para entrar na terra prometida, a palavra do Senhor havia sido: “Agora, pois, ó Israel, que é o que o Senhor teu Deus pede de ti, senão que andes em todos os Seus caminhos, e O ames, e sirvas ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, para que guardes os mandamentos do Senhor, e os Seus estatutos, que hoje te ordeno, para o teu bem?” Deuteronômio 10:12, 13. De século em século esses conselhos foram repetidos pelos servos de Jeová aos que estavam em perigo de cair nos hábitos do formalismo e de esquecer de demonstrar misericórdia. Quando, durante o Seu ministério terrestre, o próprio Cristo foi assediado por um doutor da lei com a pergunta: “Mestre, qual é o grande mandamento da lei?” Sua resposta foi: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas”. Mateus 22:36-40.

Estes claros pronunciamentos dos profetas e do próprio Mestre deviam ser recebidos por nós como a voz de Deus a cada alma. Não devemos perder oportunidade de praticar obras de benemerência, de terna previdência e cortesia cristã em favor do sobrecarregado e oprimido. Se mais não podemos fazer, devemos dizer palavras de coragem e esperança aos que não estão familiarizados com Deus, dos quais se pode com mais facilidade aproximar pelas avenidas da simpatia e do amor.

Ricas e abundantes são as promessas feitas aos que são atentos a oportunidades para levar alegria e bênção à vida de outros. “E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares secos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam”. Isaías 58:10, 11.

A conduta idólatra de Acaz, em face dos ferventes apelos dos profetas, não podia ter senão um resultado. Veio grande ira do Senhor sobre Judá e Jerusalém, e os entregou à turbação, à assolação, e ao assobio”. 2 Crônicas 29:8. O reino sofreu rápido declínio, e sua própria existência foi posta logo em perigo pelos exércitos invasores. “Então subiu Rezim, rei da Síria, com Peca, filho de Remalias, rei de Israel, a Jerusalém, à peleja; e cercaram a Acaz”. 2 Reis 16:5.

Tivesse Acaz e os principais homens de seu reino sido leais ao Altíssimo, e nenhum temor manifestariam a respeito de aliança tão antinatural como a que se tinha formado contra eles. Mas a repetida transgressão tinha-os despojado de força. Atingidos por um enorme temor dos juízos de um Deus ofendido, “se moveu o coração do rei, e o coração do seu povo, como se movem as árvores do bosque com o vento”. Isaías 7:2. Nesta crise, a palavra do Senhor veio a Isaías, ordenando-lhe que fosse ao encontro do rei amedrontado, e dissesse:

“Acautela-te e aquieta-te; não temas, nem se desanime o teu coração […] porquanto a Síria teve contra ti maligno conselho, com Efraim e com o filho de Remalias, dizendo: Vamos subir contra Judá e atormentemo-lo, e repartamo-lo entre nós, e façamos reinar no meio dele o filho de Tabeal. Assim diz o Senhor Deus: Isto não subsistirá, nem tampouco acontecerá”. O profeta declarou que o reino de Israel, bem como o da Síria, chegaria logo ao fim. “Se o não crerdes”, concluiu, “não ficareis firmes”. Isaías 7:4-7, 9.

Quão bom teria sido para o reino de Judá tivesse Acaz recebido esta mensagem como do Céu. Mas escolhendo apoiar-se no braço de carne, buscou ajuda de pagãos. Em desespero ele enviou uma mensagem a Tiglate-Pileser, rei da Assíria: “Eu sou teu servo e teu filho; sobe, e livra-me das mãos do rei da Síria, e das mãos do rei de Israel, que se levantam contra mim”. O pedido foi acompanhado de um rico presente tirado do tesouro do rei e das reservas do templo.

O auxílio pedido foi enviado, e ao rei Acaz foi dado um alívio temporário, mas a que preço para Judá O tributo oferecido despertou a cupidez da Assíria, e esta nação pérfida logo ameaçou invadir Judá e espoliá-la. Acaz e seus infelizes súditos estavam agora mortificados pelo temor de cair completamente nas mãos dos cruéis assírios.

“O Senhor humilhou a Judá” por causa de sua continuada transgressão. Nesse tempo de correção, Acaz, em vez de se arrepender, “ainda mais transgrediu contra o Senhor […] porque sacrificou aos deuses de Damasco”. “Visto que os deuses da Síria os ajudam”, disse ele, “eu lhes sacrificarei, para que me ajudem a mim”. 2 Crônicas 28:19, 22, 23.

Ao aproximar-se o fim do reinado do apóstata, fez ele que as portas do templo fossem fechadas. O serviço sagrado foi interrompido. Não mais ficariam os castiçais acesos perante o altar. Não mais seriam oferecidas ofertas pelos pecados do povo. Não mais o suave incenso ascenderia ao alto na hora do sacrifício da manhã e da tarde. Tornando deserto o pátio da casa de Deus, e aferrolhando suas portas, os habitantes da ímpia cidade ousadamente ergueram altares para a adoração de divindades pagãs nas esquinas das ruas através de Jerusalém. Aparentemente o paganismo havia triunfado; os poderes das trevas haviam quase prevalecido.

Mas em Judá viviam alguns que mantiveram sua obediência a Jeová, recusando com firmeza serem levados à idolatria. Era para estes que Isaías e Miquéias e seus associados olhavam com esperança ao verem a ruína operada durante os últimos anos de Acaz. Seu santuário fora fechado, mas àqueles fiéis fora assegurado: “Deus é conosco”. “Ao Senhor dos Exércitos, a Ele santificai; e seja Ele o vosso temor, e seja Ele o vosso assombro. Então Ele vos será santuário”. Isaías 8:10, 13, 14.

 

Capítulo 28 — Ezequias

Em evidente contraste com o governo displicente de Acaz, foi a transformação operada durante o próspero reinado de seu filho. Ezequias subiu ao trono determinado a fazer tudo que estivesse em seu poder para salvar Judá da sorte que estava tocando ao reino do norte. As mensagens dos profetas não davam margem a meias-medidas. Unicamente mediante a mais decidida reforma seriam evitados os juízos impendentes.

Nessa emergência, Ezequias provou ser um homem para a ocasião. Mal havia ele subido ao trono, começou a planejar e a executar. Voltou primeiramente sua atenção para a restauração das atividades do templo, havia tanto tempo negligenciadas; e nesta obra solicitou com fervor a cooperação de um grupo de sacerdotes e levitas que tinham permanecido leais a sua sagrada vocação. Seguro de sua leal cooperação, com eles falou livremente do seu desejo de instituir imediatas e profundas reformas. “Nossos pais transgrediram”, confessou, “e fizeram o que era mal aos olhos do Senhor nosso Deus, e O deixaram, e desviaram os seus rostos do tabernáculo do Senhor”. “Agora me tem vindo ao coração, que façamos um concerto com o Senhor, Deus de Israel, para que se desvie de nós o ardor da Sua ira”. 2 Crônicas 29:6, 10.

Em poucas e bem escolhidas palavras, o rei passou em revista a situação que enfrentava: o templo fechado e a cessação de todas as cerimônias no seu recinto; a idolatria flagrante praticada nas ruas da cidade e através do reino; a apostasia de multidões que poderiam ter permanecido leais a Deus se os líderes de Judá lhes tivessem dado um exemplo reto; e o declínio do reino e sua perda de prestígio na estima das nações ao redor. O reino do norte estava rapidamente se desmoronando; muitos estavam perecendo à espada; já uma multidão havia sido levada cativa; logo Israel devia cair completamente nas mãos dos assírios, e seria inteiramente arruinado; e esta sorte tocaria certamente também a Judá, a menos que Deus operasse poderosamente por intermédio de representantes escolhidos.

Ezequias apelou diretamente aos sacerdotes para que se unissem a ele a fim de levarem a efeito as necessárias reformas. “Não sejais negligentes”, ele os exortou, “pois o Senhor vos tem escolhido para estardes diante dEle para O servirdes, e para serdes Seus ministros e queimardes incenso”. “Santificai-vos agora, e santificai a casa do Senhor, Deus de vossos pais”. 2 Crônicas 29:11, 5.

Era esse um tempo para ação imediata. Os sacerdotes agiram com rapidez. Conseguindo a cooperação de outros de seu número que não haviam estado presentes durante esta conferência, empenharam-se de coração na obra de purificar e santificar o templo. Em vista dos anos de profanação e negligência, isto foi cercado de muitas dificuldades; mas os sacerdotes e levitas trabalharam infatigavelmente, e dentro de um intervalo de tempo consideravelmente curto foram capazes de dar sua tarefa por completa. As portas do templo foram reparadas e abertas de par em par; os vasos sagrados foram reunidos e postos no lugar; e tudo estava em ordem para o restabelecimento das atividades do santuário.

No primeiro culto celebrado, os príncipes da cidade uniram-se com o rei Ezequias e com os sacerdotes e levitas em buscar o perdão para os pecados da nação. Sobre o altar foram postas as ofertas pelo pecado, “para reconciliar a todo o Israel”. “E acabando de o oferecer, o rei e todos quantos com ele se acharam se prostraram e adoraram”. Uma vez mais as cortes do templo ressoaram com palavras de louvor e adoração. Os cânticos de Davi e de Asafe foram cantados com júbilo, ao sentirem os adoradores que estavam sendo libertados do cativeiro do pecado e apostasia. “E Ezequias, e todo o povo se alegraram, de que Deus tinha preparado o povo; porque apressuradamente se fez esta obra”. 2 Crônicas 29:24, 29, 36.

Deus havia sem dúvida preparado o coração dos chefes em Judá para liderarem um decidido movimento de reforma, a fim de que a onda da apostasia pudesse ser detida. Por intermédio de Seus profetas Ele tinha enviado a Seu povo escolhido mensagem após mensagem de ferventes rogos — mensagens que haviam sido desprezadas e rejeitadas pelas dez tribos do reino de Israel, agora entregues ao inimigo. Mas em Judá ficou um piedoso remanescente, e a esses os profetas continuaram a apelar. Ouvi Isaías instando: “Convertei-vos pois Àquele contra quem os filhos de Israel se rebelaram tão profundamente”. Isaías 31:6. Ouvi Miquéias declarando com confiança: “Eu, porém, esperarei no Senhor; esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá. Ó inimiga minha, não te alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei; se morar nas trevas, o Senhor será a minha luz. Sofrerei a ira do Senhor, porque pequei contra Ele; até que julgue a minha causa, e execute o meu direito. Ele me trará à luz, e eu verei a Sua justiça”. Miquéias 7:7-9.

Essas e outras mensagens semelhantes reveladoras da boa disposição de Deus em perdoar e aceitar os que a Ele voltavam com inteireza de coração, haviam levado esperança a muitas almas debilitadas nos escuros anos em que as portas do templo estiveram fechadas; e agora, ao darem os líderes início a uma reforma, uma multidão do povo, cansada da servidão do pecado, estava pronta para responder.

Os que entraram pelo pátio do templo em busca de perdão e a fim de renovarem seus votos de consagração a Jeová, encontraram maravilhoso encorajamento nas porções proféticas da Escritura. As solenes advertências contra a idolatria, proferidas por intermédio de Moisés aos ouvidos de todo o Israel, haviam sido acompanhadas pelas profecias da boa vontade de Deus em ouvir e perdoar aos que em tempos de apostasia buscassem a Deus de todo o coração. “Então no fim de dias”, Moisés havia dito, “te virarás para o Senhor teu Deus, e ouvirás a Sua voz. Porquanto o Senhor teu Deus é Deus misericordioso, e não te desamparará, nem te destruirá, nem Se esquecerá do concerto que jurou a teus pais”. Deuteronômio 4:30, 31.

E na oração profética oferecida por ocasião da dedicação do templo, cujas cerimônias Ezequias e seus companheiros estavam agora restaurando, Salomão havia suplicado: “Quando o Teu povo Israel for ferido diante do inimigo, por ter pecado contra Ti, e confessarem o Teu nome, e orarem e suplicarem a Ti nesta casa, ouve Tu então nos Céus, e perdoa o pecado do Teu povo Israel”. 1 Reis 8:33, 34. O selo da aprovação divina havia sido posto sobre esta oração; pois ao ser ela concluída, fogo havia descido do Céu a fim de consumir a oferta queimada e os sacrifícios, e a glória do Senhor enchera o templo. 2 Crônicas 7:1. E à noite o Senhor havia aparecido a Salomão, para dizer-lhe que sua oração tinha sido ouvida, e que misericórdia seria mostrada aos que adorassem ali. Havia sido dada a graciosa certeza: “Se o Meu povo, que se chama pelo Meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a Minha face e se converter dos seus maus caminhos, então Eu ouvirei dos Céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra”. 2 Crônicas 7:14.

Essas promessas encontraram abundante cumprimento durante a reforma levada a efeito por Ezequias.

O bom início ao tempo da purificação do templo foi seguido por um movimento mais amplo, do qual participaram tanto Israel como Judá. Em seu zelo para tornar as cerimônias do templo uma bênção real para o povo, Ezequias determinou reavivar o antigo costume de reunir os israelitas para a celebração conjunta da festa da Páscoa.

Por muitos anos a Páscoa não fora observada como festa nacional. A divisão do reino após o reinado de Salomão tinha feito que isto parecesse impraticável. Mas os terríveis juízos suspensos sobre as dez tribos estavam despertando no coração de alguns o desejo por coisas melhores; e as estimuladoras mensagens dos profetas estavam manifestando o seu efeito. Por intermédio de correios reais o convite para a Páscoa em Jerusalém foi ouvido amplamente, “de cidade em cidade, pela terra de Efraim e Manassés até Zebulom”. Os portadores do gracioso convite foram geralmente repelidos. Os impenitentes levianamente se retraíram; não obstante, alguns, ansiosos de buscar a Deus para um conhecimento mais claro de Sua vontade, “se humilharam, e vieram a Jerusalém”. 2 Crônicas 30:10, 11.

Na terra de Judá a resposta foi muito generalizada; pois sobre eles estava “a mão de Deus, dando-lhes um só coração, para fazerem o mandamento do rei e dos príncipes” (2 Crônicas 30:12) — uma determinação de acordo com a vontade de Deus revelada por intermédio de Seus profetas.

A ocasião representava uma das maiores vantagens para a multidão reunida. As ruas profanadas da cidade foram limpas dos idólatras altares colocados ali durante o reinado de Acaz. No dia determinado a Páscoa foi observada; e a semana foi gasta pelo povo em oferecer ofertas pacíficas e em aprender o que Deus queria que fizessem. Diariamente os levitas “que tinham entendimento no bom conhecimento do Senhor ensinavam ao povo”; e os que haviam preparado o seu coração para buscarem a Deus encontraram perdão. Grande alegria tomou posse da multidão de adoradores; “os levitas e os sacerdotes louvaram ao Senhor de dia em dia, com instrumentos fortemente retinentes” (2 Crônicas 30:22, 21); todos estavam unidos no seu desejo de louvar Aquele que Se havia provado tão gracioso e misericordioso.

Os sete dias normalmente dedicados à festa da Páscoa passaram demasiado depressa, e os adoradores determinaram gastar outros sete dias em aprender mais amplamente o caminho do Senhor. Os sacerdotes instrutores continuaram sua obra de instrução do livro da lei; diariamente o povo se reunia no templo para oferecer seu tributo de louvor e gratidão; e quando o grande ajuntamento ia chegando ao fim, tornou-se evidente que Deus havia operado maravilhosamente na conversão do transviado Judá, e em deter a maré de idolatria que ameaçava arrastar tudo diante de si. As solenes advertências dos profetas não tinham sido proferidas em vão. “Houve grande alegria em Jerusalém, porque desde os dias de Salomão, filho de Davi, rei de Israel, tal não houve em Jerusalém”. 2 Crônicas 30:26.

Chegou o momento em que os adoradores deviam retornar a seus lares. “Então os sacerdotes, os levitas, se levantaram e abençoaram o povo; e a sua voz foi ouvida, porque a sua oração chegou até a Sua santa habitação, aos Céus”. 2 Crônicas 30:27. Deus havia aceito os que com o coração quebrantado haviam confessado seus pecados, e com resoluto propósito haviam voltado para Ele em busca de perdão e auxílio.

Restava agora uma importante obra, na qual os que estavam retornando a seus lares deviam tomar parte ativa; e a execução desta obra trouxe a evidência da genuinidade da reforma operada. O relato diz: “Todos os israelitas que ali se achavam saíram às cidades de Judá e quebraram as estátuas, cortaram os bosques, e derribaram os altos e altares por toda Judá e Benjamim, como também por Efraim e Manassés, até que tudo destruíram. Então tornaram todos os filhos de Israel, cada um para a sua possessão, para as cidades deles”. 2 Crônicas 31:1.

Ezequias e seus associados instituíram várias reformas para o levantamento dos interesses espirituais e temporais do reino. “Em todo o Judá” o rei “fez o que era bom, e reto, e verdadeiro perante o Senhor seu Deus. E em toda a obra que começou, […] com todo o seu coração o fez, e prosperou”. “No Senhor Deus de Israel confiou, […] não se apartou de após Ele, e guardou os mandamentos que o Senhor tinha dado a Moisés. Assim o Senhor foi com ele”. 2 Reis 18:5-7.

O reinado de Ezequias se caracterizou por uma série de marcantes providências, as quais revelaram às nações vizinhas que o Deus de Israel estava com o Seu povo. O êxito dos assírios em capturar Samaria e espalhar o quebrantado remanescente das dez tribos entre as nações, durante a primeira parte do seu reinado, estava levando muitos a pôr em dúvida o poder do Deus dos hebreus. Empolgados por seus sucessos, os ninivitas havia muito tinham posto de lado a mensagem de Jonas, e se tornaram insolentes em sua oposição aos propósitos do Céu. Poucos anos após a queda de Samaria, os exércitos vitoriosos reapareceram na Palestina, dirigindo desta vez as suas forças contra as cidades fortificadas de Judá, com alguma medida de sucesso; mas se contiveram por algum tempo, em virtude de dificuldades surgidas em outras partes de seu reino. Não seria senão alguns anos mais tarde, ao aproximar-se o fim do reinado de Ezequias, que devia ser demonstrado perante as nações do mundo se os deuses dos pagãos deviam afinal prevalecer.

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/bhp/pt/sop/pk/27-28 e https://www.revivalandreformation.org/?id=7253

BLOG DA SEMANA, sobre Profetas e Reis, cap. 26

Aquilo que dizemos influencia profundamente nossas vidas:
“Não tenho o suficiente”, torna-se uma profecia auto-realizável criando uma mentalidade de escassez, suspeita e ganância.
“Tenho muitos defeitos” ou “ninguém gosta de mim” nos faz viver ciclos de vitimização, timidez e mesquinhez.
“Eu não posso confiar neles” reforça uma independência doentia, ansiedade e solidão.

As histórias que contamos fazem mais efeito sobre nós do que sobre os outros. Nós as assimilamos assim como copiamos o sotaque ou os gestos de alguém. O que dizemos influencia a nossa percepção acerca da vida.

Aquilo que falamos para nós mesmos sobre Deus também molda nossas vidas. Ellen White destaca nesse capítulo essas histórias implícitas. Durante gerações, as pessoas têm tido ideias distorcidas a respeito de Deus. Quando em nossas mentes Deus é vingativo, exigente, perfeccionista, nervoso ou discriminatório, é fácil concluir que Ele nos lançará fora por causa de nossa imperfeições. Ainda pior, podemos supor que outros também estão fora do alcance de Deus.

Muitas falsas narrativas são desafiadas pela frase: “Toda a Terra está cheia de Sua glória”. Deus estende Sua bondade amorosa e Sua graça a todas as nações e povos.

O anúncio feito por Isaías de que a presença de Deus nos inclui desafia não só as histórias herdadas pelos israelitas, mas também as nossas. A pergunta que precisamos nos fazer é: temos dado pouco crédito à Sua graça ou temos dado crédito demais à Sua justiça? Contemos a nós mesmos histórias corretas acerca do Deus que é justo e cheio de graça como fruto do Seu imenso amor.

Kris Loewen
Pastor associado
Igreja da Universidade Walla Walla

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/26
Equipe de tradução: Pr Jobson Santos/Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 26

Capítulo 26 — “Eis aqui está o vosso Deus”

Nos dias de Isaías as faculdades espirituais da humanidade haviam sido entenebrecidas por uma errônea compreensão de Deus. Durante muito tempo Satanás procurara levar os homens a olhar o seu Criador como o autor do pecado, do sofrimento e morte. Os que ele havia assim enganado, tinham a Deus na conta de duro e exigente. Imaginavam-nO como atento para denunciar e condenar, maldisposto em receber o pecador enquanto houvesse uma escusa legal para não auxiliá-lo. A lei de amor pela qual o Céu é regido, havia sido falsamente apresentada pelo arquienganador com uma restrição imposta à felicidade do homem, um pesado jugo do qual deviam sentir-se alegres por se verem livres. Ele declarou que os preceitos, dessa lei não podiam ser obedecidos, e que as penalidades da transgressão eram impostas arbitrariamente.

Havendo perdido de vista o verdadeiro caráter de Jeová, os israelitas ficaram sem escusa. Não raro havia Deus Se revelado a eles como “um Deus cheio de compaixão, e piedoso, sofredor, e grande em benignidade e em verdade”. Salmos 86:15.

“Quando Israel era menino”, Ele testificou, “Eu o amei, e do Egito chamei o Meu filho”. Oséias 11:1.

Ternamente havia o Senhor tratado com Israel em seu livramento do cativeiro egípcio e em sua jornada para a terra prometida. “Em toda angústia deles foi Ele angustiado, e o anjo de Sua face os salvou; pelo Seu amor, e pela Sua compaixão Ele os remiu; e os tomou, e os conduziu todos os dias da antiguidade”. Isaías 63:9.

“Irá a Minha presença contigo” (Êxodo 33:14), foi a promessa feita durante a viagem através do deserto. Essa garantia foi acompanhada por uma maravilhosa revelação do caráter de Jeová, a qual capacitou Moisés a proclamar a todo o Israel a bondade de Deus, e a instruí-lo cabalmente quanto aos atributos do seu invisível Rei. “Passando pois o Senhor perante a sua face, clamou: Jeová, o Senhor, Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade; que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniqüidade, e a transgressão, e o pecado; que ao culpado não tem por inocente”. Êxodo 34:6, 7.

Foi sobre seu conhecimento da longanimidade de Jeová e de Seu infinito amor e misericórdia, que Moisés baseou sua maravilhosa intercessão pela vida de Israel quando, nos limites da terra prometida eles se recusaram a avançar em obediência ao mando de Deus. No clímax de sua rebelião o Senhor havia declarado: “Com pestilência o ferirei, e o rejeitarei”; e Se propusera fazer dos descendentes de Moisés “povo maior e mais forte do que este”. Números 14:12. Mas o profeta pleiteou a maravilhosa providência e promessas de Deus em favor da nação escolhida. E então, como o mais forte de todos os argumentos, lembrou o amor de Deus pelo homem caído. Números 14:17-19.

Graciosamente o Senhor respondeu: “Conforme à tua palavra lhe tenho perdoado”. E então Ele fez Moisés participante, na forma de uma profecia, do conhecimento de Seu propósito concernente ao triunfo final de Israel: “Tão certamente como Eu vivo”, Ele declarou, “que a glória do Senhor encherá toda a Terra”. Números 14:20, 21. A glória de Deus, Seu caráter, Sua misericordiosa bondade e terno amor — aquilo que Moisés havia pleiteado em favor de Israel — devia ser revelado a toda a humanidade. E esta promessa de Jeová foi feita duplamente segura; foi confirmada por um juramento. Tão certamente como Deus vive e reina, seria anunciada “entre as nações a Sua glória; entre todos os povos as Suas maravilhas”. Salmos 96:3.

Foi com respeito ao futuro cumprimento desta profecia que Isaías tinha ouvido os gloriosos serafins cantando perante o trono: “Toda a Terra está cheia da Sua glória”.Isaías 6:3. O profeta, confiante na certeza destas palavras, declarara ousadamente mais tarde, ele próprio, a respeito daqueles que se curvavam ante imagens de madeira e pedra: “Eles verão a glória do Senhor, e a excelência do nosso Deus”. Isaías 35:2.

Hoje esta profecia está encontrando rápido cumprimento. As atividades missionárias da igreja de Deus na Terra estão produzindo rico fruto, e logo a mensagem evangélica terá sido proclamada a todas as nações. “Para louvor e glória da Sua graça”, homens e mulheres de toda raça, língua e povo estão sendo feitos “agradáveis a si no Amado”, para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da Sua graça, pela benignidade para conosco em Cristo Jesus”. Efésios 1:6; 2:7. “Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel, que só Ele faz maravilhas. E bendito seja para sempre o Seu nome glorioso, e encha-se toda a Terra da Sua glória”. Salmos 72:18, 19.

Na visão dada a Isaías no recinto do templo, foi-lhe propiciado ver claramente o caráter do Deus de Israel. “O alto e o sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é santo”, havia-lhe aparecido em grande majestade; contudo, ao profeta fora feito compreender a natureza compassiva de seu Senhor. Aquele que habita “num alto e santo lugar”, habita “também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos”. Isaías 57:15. O anjo comissionado para tocar os lábios de Isaías levara-lhe a mensagem: “Tua iniqüidade foi tirada, e purificado o teu pecado”. Isaías 6:7.

Pelo contemplar a seu Deus, o profeta, como Saulo de Tarso às portas de Damasco, não tinha recebido somente visão de sua própria indignidade; ao seu coração humilhado viera a certeza de perdão, pleno e livre; e ele se tornara um homem mudado. Havia visto o seu Senhor. Apanhara um lampejo da amabilidade do caráter divino. Podia testificar da transformação que se operara pela contemplação do Infinito Amor. Daí em diante ele fora inspirado com o incontido desejo de ver o transviado Israel livre do fardo e penalidade do pecado. “Por que seríeis ainda castigados?” o profeta inquirira. “Vinde então, e argüi-Me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã”. “Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos Meus olhos; cessai de fazer mal. Aprendei a fazer bem”.Isaías 1:5, 18, 16, 17.

O Deus a quem tinham estado professando servir, mas cujo caráter haviam mal compreendido, fora posto diante deles como o grande Médico da enfermidade espiritual. Que importava estivesse toda a cabeça enferma, e todo o coração fraco? que desde a planta do pé até à cabeça não houvesse coisa sã, senão feridas, e inchaços e chagas podres? Isaías 1:6. Aquele que estivera seguindo obstinadamente o caminho do seu coração podia encontrar cura volvendo para o Senhor. “Eu vejo os seus caminhos”, o Senhor declarou, “e os sararei; também os guiarei, e lhes tornarei a dar consolações. […] Paz, paz, para os que estão longe, e para os que estão perto, diz o Senhor, e Eu os sararei”. Isaías 57:18, 19.

O profeta exaltou a Deus como o Criador de todos. Sua mensagem às cidades de Judá foi: “Eis aqui está o vosso Deus”. Isaías 40:9. “Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus, e os estendeu, e formou a Terra, e a tudo quanto produz” (Isaías 42:5); “Eu sou o Senhor que faço todas as coisas” (Isaías 44:24); “Eu formo a luz, e crio as trevas;” “Eu fiz a Terra, e criei nela o homem; Eu o fiz: as Minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos dei as Minhas ordens”. Isaías 45:7, 12. “A quem pois Me fareis semelhante, para que lhe seja semelhante? diz o Santo. Levantai ao alto os vossos olhos, e vede quem criou estas coisas, quem produz por conta o seu exército, quem a todas chama pelos seus nomes; por causa da grandeza das Suas forças, e pela fortaleza do Seu poder, nenhuma faltará”. Isaías 40:25, 26.

Aos que temiam não ser recebidos se retornassem a Deus, o profeta declarou:

“Por que pois dizes, ó Jacó, e tu falas, ó Israel: O meu caminho está encoberto ao Senhor, e o meu juízo passa de largo pelo meu Deus? Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da Terra, nem Se cansa nem Se fatiga? não há esquadrinhação do Seu entendimento. Dá esforço ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os mancebos certamente cairão, mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão”.Isaías 40:27-31.

O coração do Infinito Amor anseia pelos que se sentem desprovidos de forças para se livrarem dos laços de Satanás; e graciosamente Se oferece para fortalecê-los, a fim de que vivam para Ele. “Não temas”, ordena Ele, “porque Eu sou contigo; não te assombres, porque Eu sou teu Deus; Eu te esforço, Eu te ajudo, e te sustento com a destra da Minha justiça”. “Eu, o Senhor teu Deus, te tomo pela tua mão direita, e te digo: Não temas, que Eu te ajudo. Não temas, ó bichinho de Jacó, povozinho de Israel; Eu te ajudo, diz o Senhor, e o teu Redentor é o Santo de Israel”. Isaías 41:10, 13, 14.

Os habitantes de Judá eram todos indignos, contudo Deus não os abandonaria. Por eles Seu nome devia ser exaltado entre os pagãos. Muitos que eram inteiramente desconhecedores de Seus atributos, deviam ainda contemplar a glória do divino caráter. Foi com o propósito de tornar claros Seus misericordiosos desígnios que Ele persistiu em enviar Seus servos os profetas com a mensagem: “Convertei-vos agora cada um do seu mau caminho”. Jeremias 25:5. “Por amor do Meu nome”, declarou Ele a Isaías, “retardarei a Minha ira, e por amor do Meu louvor Me conterei para contigo, para que te não venha a cortar”. “Por amor de Mim, por amor de Mim o farei, porque como seria profanado o Meu nome? e a Minha glória não a darei a outrem”. Isaías 48:9, 11.

O chamado para arrependimento soara com inconfundível clareza, e todos foram convidados a retornar. “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar”, o profeta clamava, “invocai-O enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que Se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar”. Isaías 55:6, 7.

Tem você, leitor, escolhido, o seu próprio caminho? Tem vagueado longe de Deus? Tem procurado banquetear-se com os frutos da transgressão, apenas para verificar que são cinza em seus lábios? E agora, subvertidos os planos de sua vida e suas esperanças fenecidas, assenta-se você em desolação e solidão? Aquela voz que há muito lhe tem falado ao coração, mas a que você não tem dado ouvidos, chega-lhe distinta e clara: “Levantai-vos, e andai, porque não será aqui o lugar do vosso descanso; por causa da corrupção que destrói, sim, que destrói grandemente”. Miquéias 2:10. Retorne para a casa de seu Pai. Ele o convida, dizendo: “Torna-te para Mim, porque Eu te remi”.Isaías 44:22. “Vinde a Mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei um concerto perpétuo, dando-vos as firmes beneficências de Davi”. Isaías 55:3.

Não atenda à sugestão do inimigo de persistir longe de Cristo até que você mesmo tenha se tornado melhor; até que seja suficientemente bom para vir a Deus. Se esperar até então, jamais virá. Quando Satanás apontar para as suas vestes imundas, repita a promessa do Salvador: “O que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. João 6:37. Diga ao inimigo que o sangue de Jesus Cristo purifica de todo o pecado. Faça sua própria a oração de Davi: “Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve”. Salmos 51:7.

As exortações do profeta de Judá para que contemplassem o Deus vivo, e para que aceitassem Seu gracioso oferecimento, não foram em vão. Houve alguns que deram fervorosa atenção, e que voltaram de seus ídolos para o culto de Jeová. Em seu Criador eles aprenderam a ver amor, misericórdia e terna compaixão. E nos dias negros que estavam para sobrevir na história de Judá, quando apenas um remanescente devia ser deixado na terra, as palavras do profeta deviam continuar produzindo fruto em decidida reforma. “Naquele dia”, declarou Isaías, “atentará o homem para o seu Criador, e os seus olhos olharão para o Santo de Israel. E não atentará para os altares, obra das suas mãos, nem olhará para o que fizeram seus dedos, nem para os bosques, nem para as imagens do Sol”. Isaías 17:7, 8.

Muitos deveriam contemplar Aquele que é totalmente desejável, o que leva a bandeira entre dez mil. “Os teus olhos verão o Rei na Sua formosura”, era a graciosa promessa a eles feita. Seus pecados deviam ser perdoados, e eles deviam exultar somente em Deus. Nesse alegre dia da redenção da idolatria, eles exclamariam: “O Senhor ali nos será grandioso, lugar de rios e correntes largas. […] O Senhor é o nosso juiz; o Senhor é o nosso legislador; o Senhor é o nosso rei; Ele nos salvará”. Isaías 33:21, 22.

As mensagens levadas por Isaías aos que escolhiam volver de seus maus caminhos, eram cheias de conforto e encorajamento. Ouvi a palavra do Senhor por intermédio do Seu profeta:

“Lembra-te destas coisas ó Jacó,
e ó Israel, Porquanto és Meu servo;
eu te formei; Meu servo és, ó Israel;
não Me esquecerei de ti.

Desfaço as tuas transgressões como a névoa,
e os teus pecados como a nuvem;
torna-te para Mim, porque Eu te remi”.

Isaías 44:21, 22.

“E dirás naquele dia: Graças Te dou, ó Senhor,
Porque, ainda que Te iraste contra mim,
a Tua ira se retirou,
e Tu me consolaste.
Eis que Deus é a minha salvação;
eu confiarei, e não temerei,
porque o Senhor Jeová é a minha força
e o meu cântico,
e Se tornou a minha salvação. […]
Cantai ao Senhor, porque fez coisas grandiosas;
saiba-se isto em toda a Terra.
Exulta e canta de gozo, ó habitante de Sião,
porque grande é o Santo de Israel no meio de ti”.

Isaías 12.

BLOG DA SEMANA 04/06/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 24 e 25

É nas situações tristes e angustiantes que enfrentamos, juntos e individualmente, que ficamos perturbados, sem direção e até mesmo perdemos de vista a esperança. É nos momentos em que a tristeza e o mal parecem ter vantagem, que a gloriosa e abundante esperança, se torna, de fato, um presente muito apreciado.
Quando a jovem nação de Israel estava na fronteira da Terra Prometida, muitos que haviam começado a viagem do Egito não estavam mais vivos. Os profetas advertiram repetidamente sobre as consequências de se afastar de Deus e viver sem Ele. E o triste resultado para muitos foi que eles não viram nem viveram a concretização das promessas. No entanto, Deus manteve a promessa de restauração e esperança “naquele dia” que viria. No meio da dor, idolatria e rebelião, Deus concedeu a promessa de um dia perfeito. Foi a esperança que levou muitos a manter a presença refrescante de Deus em suas vidas desde a saída do Egito, há muito tempo.
Hoje, na fronteira da eternidade, nós também temos a opção de manter a presença refrescante de Deus conosco. Que prestemos atenção ao sábio conselho dos profetas e nos apeguemos a Deus, aquEle que nos concede grandes esperanças enquanto caminhamos em direção à terra prometida.

Jenniffer Ogden
Pastora de crianças e família
Igreja da Universidade Walla Walla, EUA

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/24-25 e https://www.revivalandreformation.org/?id=1540
Tradução: Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 24-25

Capítulo 24 — “Destruído porque lhe faltou o conhecimento”

O favor de Deus para com Israel fora sempre condicionado a sua obediência. Aos pés do Sinai, haviam eles entrado em relação de concerto com Ele como Sua “propriedade peculiar dentre todos os povos”. Solenemente haviam prometido seguir na trilha da obediência. “Tudo que o Senhor tem dito faremos” (Êxodo 19:5, 8), disseram. E quando, poucos dias mais tarde, a lei de Deus foi proclamada do Sinai, e instruções adicionais na forma de estatutos e juízos lhes foram comunicadas por intermédio de Moisés, os israelitas a uma só voz haviam prometido: “Todas as palavras que o Senhor tem falado, faremos”. Na ratificação do concerto, o povo uma vez mais em uníssono declarou: “Tudo o que o Senhor tem falado faremos, e obedeceremos”. Êxodo 24:3, 7. Deus havia escolhido Israel como Seu povo, e eles O haviam escolhido como seu Rei.

Próximo do fim da peregrinação pelo deserto, as condições do concerto haviam sido repetidas. Em Baal-Peor, mesmo nos limites da terra prometida, onde muitos caíram presa de sutil tentação, os que permaneceram fiéis renovaram seus votos de obediência. Por meio de Moisés foram advertidos sobre as tentações que os assaltariam no futuro; e foram fervorosamente exortados a que permanecessem separados das nações circunvizinhas e adorassem unicamente a Deus.

“Agora, pois, ó Israel”, foi a instrução de Moisés, “ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes; para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o Senhor Deus de vossos pais vos dá. Não acrescenteis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando. […] Guardai-os pois, e fazei-os, porque esta será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos, que ouvirão todos estes estatutos, e dirão: Este grande povo só é gente sábia e entendida”. Deuteronômio 4:1-6.

Os israelitas haviam sido especialmente advertidos a não perder de vista os mandamentos de Deus, em cuja obediência deviam encontrar força e bênção. “Tão-somente guarda-te a ti mesmo, e guarda bem a tua alma”, tinha sido a eles a palavra de Deus por intermédio de Moisés, “que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida; e as farás saber aos teus filhos, e aos filhos de teus filhos”. Deuteronômio 4:9. As impressionantes cenas relacionadas com a entrega da lei no Sinai não deviam jamais ser esquecidas. Claras e decididas foram as advertências então dadas a Israel contra os costumes idólatras predominantes entre as nações circunvizinhas. “Guardai pois com diligência as vossas almas” […] foi o conselho dado; “para que não vos corrompais, e vos façais alguma escultura, semelhança de imagem”, “e não levantes os teus olhos aos céus e vejas o Sol, e a Lua, e as estrelas, todo o exército dos céus, e sejas impelido a que te inclines perante eles, e sirvas àqueles que o Senhor teu Deus repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus”. “Guardai-vos de que vos esqueçais do concerto do Senhor vosso Deus, que tem feito convosco, e vos façais alguma escultura, imagem de alguma coisa que o Senhor vosso Deus vos proibiu”. Deuteronômio 4:15, 16, 19-23.

Moisés assinalou os males que resultariam do abandono dos estatutos de Jeová. Tomando o Céu e a Terra como testemunha, ele declarou que se depois de haverem habitado longo tempo na terra da promessa, o povo introduzisse formas corrompidas de adoração, e se curvasse perante as imagens de escultura, e se recusasse a voltar à adoração do verdadeiro Deus, a ira do Senhor seria despertada, e eles seriam levados cativos e espalhados entre os pagãos. “Certamente perecereis depressa da Terra, a qual, passado o Jordão, ides possuir”, ele os advertiu. “Não prolongareis os vossos dias nela, antes sereis de todo destruídos. E o Senhor vos espalhará entre os povos, e ficareis poucos em número entre as gentes, às quais o Senhor vos conduzirá. E ali servireis a deuses que são obras de mãos de homens, madeira e pedra, que não vêem, nem ouvem, nem comem, nem cheiram”. Deuteronômio 4:26-28.

Essa profecia, cumprida em parte no tempo dos juízes, encontrou cumprimento mais completo e literal no cativeiro de Israel na Assíria, e de Judá em Babilônia.

A apostasia de Israel havia-se desenvolvido gradualmente. De geração a geração Satanás tinha feito repetidas tentativas para levar a nação escolhida a esquecer “os mandamentos, os estatutos e os juízos” (Deuteronômio 6:1) que eles haviam prometido guardar para sempre. Ele sabia que se pudesse levar Israel a esquecer-se de Deus, e a “andar após outros deuses, e servi-los, e adorá-los”, “certamente” pereceriam. Deuteronômio 8:19.

O inimigo da igreja de Deus sobre a Terra não tinha, porém, tomado inteiramente em conta a natureza compassiva dAquele que “ao culpado não tem por inocente”, e cuja glória é ser “misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade; que guarda a beneficência em milhares, que perdoa a iniqüidade, e a transgressão, e o pecado”. Êxodo 34:6, 7. A despeito dos esforços de Satanás para frustrar o propósito de Deus para Israel, embora mesmo em algumas das horas mais escuras de sua história parecesse que as forças do mal estavam para alcançar a vitória, o Senhor graciosamente Se revelou. Ele desdobrou perante Israel as preciosidades que deveriam ser para o bem-estar da nação. “Escrevi para eles as grandezas da Minha lei”, Ele declarou por intermédio de Oséias, “mas isso é para ele como coisa estranha”. Oséias 8:12. “Eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os pelos seus braços, mas não conheceram que Eu os curava”. Oséias 11:3. Ternamente havia o Senhor tratado com eles, instruindo-os por intermédio de Seus profetas, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra.

Tivesse Israel aceito as mensagens dos profetas e teriam sido poupados à humilhação que se seguiu. Foi em virtude de haverem persistido no abandono de Sua lei, que Deus foi compelido a deixá-los ir em cativeiro. “O Meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento”, foi a mensagem enviada a eles por meio de Oséias. “Porque tu rejeitaste o conhecimento, também Eu te rejeitarei […] visto que te esqueceste da lei do teu Deus”. Oséias 4:6.

Em todos os séculos a transgressão da lei de Deus tem sido seguida pelo mesmo resultado. Nos dias de Noé, quando todo princípio de reto proceder fora violado, e a iniqüidade se tornara tão profunda e difusa que Deus não a pôde mais suportar, saiu o decreto: “Destruirei, de sobre a face da Terra o homem que criei”. Gênesis 6:7. Nos dias de Abraão, o povo de Sodoma desafiava abertamente a Deus e Sua lei; e teve lugar aí a mesma impiedade, a mesma corrupção, a mesma incontida condescendência que haviam assinalado o mundo antediluviano. Os habitantes de Sodoma transpuseram os limites da divina paciência, e sobre eles se acendeu o fogo da vingança de Deus.

O tempo que precedeu o cativeiro das dez tribos de Israel foi de uma desobediência similar e similar impiedade. A lei de Deus era contada como de nenhuma importância, e isto abriu as comportas da iniqüidade sobre Israel. “O Senhor tem uma contenda com os habitantes da Terra”, declarou Oséias, “porque não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus na Terra. Só prevalecem o perjurar, e o mentir, e o adulterar, e há homicídios sobre homicídios”. Oséias 4:1, 2.

As profecias de juízo pronunciadas por Amós e Oséias foram acompanhadas por predição de glória futura. Às dez tribos, desde muito, rebeldes e impenitentes, não foi dada nenhuma promessa de completa restauração de seu anterior domínio na Palestina. Até o fim do tempo eles deviam ser “errantes entre as nações”. Mas por intermédio de Oséias foi dada uma profecia que punha perante eles o privilégio de ter uma parte na restauração final que deve ser feita para o povo de Deus no fim da história da Terra, quando Cristo aparecerá como Rei dos reis e Senhor dos senhores. “Por muitos dias”, o profeta declarou, as dez tribos deviam ficar “sem rei, e sem príncipe, e sem sacrifício, e sem estátua, e sem éfode ou terafim”. “Depois”, continuou o profeta, “tornarão os filhos de Israel, e buscarão ao Senhor seu Deus, e a Davi, seu rei; e temerão ao Senhor, e a Sua bondade, no fim dos dias”. Oséias 3:4, 5.

Em linguagem simbólica Oséias põe perante as dez tribos o plano de Deus de restauração em favor de toda a alma penitente que se unisse com Sua igreja na Terra, as bênçãos asseguradas a Israel nos dias de sua lealdade a Ele na terra prometida. Referindo-se a Israel como aquele a quem Ele ansiava por mostrar misericórdia, o Senhor declarou: “Eis que Eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração. E lhe darei as suas vinhas dali, e o vale de Acor, por porta de esperança; e ali cantará, como nos dias de sua mocidade, e como no dia em que subiu da terra do Egito. E acontecerá naquele dia, diz o Senhor, que Me chamarás: Meu marido; e não Me chamarás mais: Meu Baal meu senhor. E da sua boca tirarei os nomes de Baalim, e os seus nomes não virão mais em memória”. Oséias 2:14-17.

Nos últimos dias da história da Terra, o concerto de Deus com Seu povo que guarda os Seus mandamentos deve ser renovado. “E naquele dia farei por eles aliança com as bestas-feras do campo, e com as aves do céu, e com os répteis da terra; e da terra tirarei o arco, e a espada, e a guerra, e os farei deitar em segurança. E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias. E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao Senhor.

“E acontecerá naquele dia que Eu responderei, diz o Senhor, Eu responderei aos céus, e estes responderão à terra; e a terra responderá ao trigo, e ao mosto, e ao óleo, e estes responderão a Jezreel. E semeá-la-ei para Mim na terra, e compadecer-Me-ei de Lo-Ruama; e a Lo-Ami direi: Tu és Meu povo; e ele dirá; Tu és meu Deus”. Oséias 2:18-23.

“E acontecerá naquele dia que os resíduos de Israel, e os escapados da casa de Jacó […] se estribarão sobre o Senhor, o Santo de Israel, em verdade”. Isaías 10:20. “De toda a nação, e tribo, e língua, e povo”, haverá alguns que alegremente responderão à mensagem: “Temei a Deus, e dai-Lhe glória; porque vinda é a hora do Seu juízo”. Voltar-se-ão de todo ídolo que os retém na Terra, e adorarão “Aquele que fez o Céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas”. Libertar-se-ão de todo o embaraço, e estarão perante o mundo como monumentos da misericórdia de Deus. Obedientes aos divinos reclamos, serão reconhecidos pelos anjos e pelos homens como os que têm guardado “os mandamentos de Deus, e a fé em Jesus”. Apocalipse 14:6, 7, 12.

“Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que o que lavra alcançará ao que sega, e o que pisa as uvas ao que lança a semente; e os montes destilarão mosto, e todos os outeiros se derreterão. E removerei o cativeiro do Meu povo Israel, e reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão, e plantarão vinhas, e beberão o seu vinho, e farão pomares, e lhes comerão o fruto. E os plantarei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o Senhor teu Deus”. Amós 9:13-15.

Capítulo 25 — O chamado de Isaías

O longo reinado de Uzias (também conhecido como Azarias) na terra de Judá e Benjamim foi caracterizado por uma prosperidade maior que a de qualquer outro rei desde a morte de Salomão, cerca de dois séculos antes. Por muitos anos o rei governou com discrição. Sob as bênçãos do Céu, seus exércitos reconquistaram alguns dos territórios que tinham sido perdidos nos anos anteriores. Cidades foram reconstruídas e fortificadas, e a posição da nação entre os povos vizinhos foi grandemente fortalecida. Reavivou-se o comércio, e as riquezas das nações fluíram para Jerusalém. O nome de Uzias voou “até muito longe; porque foi maravilhosamente ajudado, até que se tornou forte”. 2 Crônicas 26:15.

Essa prosperidade, no entanto, não foi acompanhada por um correspondente avivamento do poder espiritual. Os cultos do templo prosseguiram como nos anos anteriores, e multidões se reuniram para adorar ao Deus vivo; mas o orgulho e o formalismo gradualmente tomaram o lugar da humildade e sinceridade. Do próprio Uzias está escrito: “Mas, havendo-se já fortalecido, exaltou-se o seu coração até se corromper, e transgrediu contra o Senhor seu Deus”. 2 Crônicas 26:16.

O pecado que produziu tão desastrosos resultados para Uzias foi o da presunção. Em violação de um claro mandamento de Jeová, segundo o qual ninguém que não os descendentes de Arão devia oficiar como sacerdote, o rei entrou no santuário “para queimar incenso no altar”. O sumo sacerdote Azarias e seus associados protestaram, e suplicaram a Uzias que abandonasse seu propósito. “Transgrediste”, disseram eles; “e não será isto para honra tua”. 2 Crônicas 26:16, 18.

Uzias encheu-se de ira, que sendo ele o rei, fosse assim repreendido. Mas não lhe foi permitido profanar o santuário contra os protestos unidos dos que tinham autoridade. Enquanto permanecia ali, em irada rebelião, foi ele subitamente ferido pelo juízo divino. Em sua testa apareceu lepra. Atribulado, deixou o recinto do templo, para nunca mais aí entrar. Até o dia de sua morte, alguns anos mais tarde, Uzias ficou leproso — um exemplo vivo da loucura de abandonar um claro “Assim diz o Senhor”. Nem sua exaltada posição nem sua longa vida de serviço poderiam ser invocadas como desculpa pelo presunçoso pecado com que mareou os anos finais de seu reinado, atraindo sobre si o juízo do Céu.

Deus não faz acepção de pessoas. “A alma que fizer alguma coisa à mão levantada, quer seja dos naturais quer dos estrangeiros, injuria ao Senhor; e tal alma será extirpada do meio do seu povo”. Números 15:30.

O juízo que caiu sobre Uzias pareceu ter tido sobre seu filho uma influência refreadora. Jotão levou pesadas responsabilidades durante os últimos anos do reinado de seu pai, e subiu ao trono após a morte de Uzias. De Jotão está escrito: “Fez o que era reto aos olhos do Senhor; fez conforme tudo quanto fizera seu pai Uzias. Tão-somente os altos se não tiraram; porque ainda o povo sacrificava e queimava incenso nos altos”. 2 Reis 15:34, 35.

O reinado de Uzias estava chegando ao fim, e Jotão estava já levando muitas das tarefas do Estado, quando Isaías, da linhagem real, foi chamado, embora ainda jovem, para a missão profética. Os tempos em que Isaías devia trabalhar estavam repletos de perigos peculiares para o povo de Deus. O profeta devia testemunhar a invasão de Judá pelos exércitos combinados do norte de Israel e da Síria; devia ele contemplar as tropas assírias acampadas diante das principais cidades do reino. Durante a trajetória de sua vida, Samaria devia cair, e as dez tribos de Israel deviam ser espalhadas entre as nações. Judá seria mais de uma vez invadida pelos exércitos assírios, e Jerusalém devia sofrer um cerco do qual teria resultado sua queda, não Se tivesse Deus atuado miraculosamente. Graves perigos ameaçavam já a paz do reino do sul. A divina proteção estava sendo removida, e as forças assírias estavam prestes a se espalhar sobre a terra de Judá.

Mas os perigos de fora, esmagadores como pudessem parecer, não eram tão sérios quanto os perigos internos. Era a perversidade de seu povo que levava ao servo do Senhor a maior perplexidade e a mais profunda depressão. Por sua apostasia e rebelião, os que podiam ter permanecido como portadores de luz entre as nações, estavam atraindo os juízos de Deus. Muitos dos males que apressaram a rápida destruição do reino do norte, e que tinham sido recentemente denunciados em termos inequívocos por Oséias e Amós, depressa estavam corrompendo o reino de Judá.

A perspectiva era particularmente desencorajadora em referência à condição social do povo. Em seu desejo de ganho, estavam os homens adicionando casa a casa, herdade a herdade. Oséias 5:8. A justiça fora pervertida; e nenhuma piedade era mostrada ao pobre. A respeito desses males Deus declarou: “O espólio do pobre está em vossas casas”. “Que tendes vós que afligir o Meu povo e moer as faces do pobre?” Isaías 3:14, 15. Mesmo os juízes, cujo dever era proteger o desajudado, faziam ouvidos moucos aos clamores do pobre e necessitado, das viúvas e dos órfãos. Isaías 10:1, 2.

Com a opressão e a opulência vieram o orgulho e o amor à ostentação (Isaías 2:11, 12), embriaguez e o espírito de orgia. Isaías 5:22, 11, 12. E nos dias de Isaías a própria idolatria já não provocava surpresa. Isaías 2:8, 9. Práticas iníquas tinham-se tornado tão predominantes entre todas as classes, que os poucos que permaneciam fiéis a Deus eram não raro tentados a perder o ânimo, dando lugar ao desencorajamento e desespero. Era como se o propósito de Deus para Israel estivesse para falhar, e a nação rebelde devesse sofrer sorte semelhante à de Sodoma e Gomorra.

Em face de tais condições, não é surpreendente que Isaías recuasse da responsabilidade, quando chamado a levar a Judá as mensagens de advertência e reprovação da parte de Deus, durante o último ano do reinado de Uzias. Ele bem sabia que haveria de encontrar obstinada resistência. Considerando sua própria incapacidade para enfrentar a situação, e tomando em conta a obstinação e incredulidade do povo para quem ia trabalhar, sua tarefa pareceu-lhe inexeqüível. Devia ele em desespero renunciar a sua missão, deixando Judá entregue a sua idolatria? Deviam os deuses de Nínive reger a terra em desafio ao Deus do Céu?

Tais eram os pensamentos que fervilhavam na mente de Isaías ao estar sob o pórtico do templo. Subitamente, pareceu-lhe que o portal e o véu interior do templo eram levantados ou afastados, e foi-lhe permitido olhar para dentro, sobre o santo dos santos, onde nem mesmo os pés do profeta podiam entrar. Ali surgiu ante ele a visão de Jeová assentado em Seu trono alto e sublime, enquanto o séquito de Sua glória enchia o templo. De cada lado do trono pairavam serafins, as faces veladas em adoração, enquanto ministravam perante seu Criador, e se uniam em solene invocação: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a Terra está cheia da Sua glória” (Isaías 6:3), de maneira que a coluna, o pilar e a porta de cedro pareciam sacudidos com o som, e a casa se encheu com seu tributo de louvor.

Contemplando Isaías esta revelação da glória e majestade de seu Senhor, sentiu-se oprimido com o senso da pureza e santidade de Deus. Quão saliente o contraste entre a incomparável perfeição de seu Criador, e a conduta pecaminosa dos que, como ele, havia muito foram contados entre o povo escolhido de Israel e Judá “Ai de mim”, exclamou, “que vou perecendo porque eu sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos exércitos”. Isaías 6:5. Em pé, por assim dizer, na plena luz da divina presença do santuário, ele sentiu que, se deixado a sua própria imperfeição e ineficiência, seria inteiramente incapaz de executar a missão para a qual havia sido chamado. Mas um serafim foi enviado para libertá-lo de sua angústia, e capacitá-lo para a sua grande missão. Uma brasa viva do altar foi colocada sobre seus lábios com as palavras: “Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e purificado o teu pecado.” Então a voz de Deus se fez ouvir dizendo: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” e Isaías respondeu: “Eis-me aqui, envia-me a mim”. Isaías 6:7, 8.

O celestial visitante ordenou ao expectante mensageiro:

“Vai, e dize a este povo:

Ouvis, de fato, e não entendeis,
e vedes, em verdade,
mas não percebeis.

Engorda o coração deste povo,
e endurece-lhe os ouvidos,
e fecha-lhe os olhos;

Não venha ele a ver com os olhos,
e a ouvir com seus ouvidos,
e a entender com o seu coração,
e a converter-se,
e a ser sarado”.

Isaías 6:9, 10.

O dever do profeta era claro; ele devia levantar sua voz em protesto contra os males predominantes. Mas assustava-o tomar a tarefa sem alguma segurança de sucesso. “Até quando, Senhor?” (Isaías 6:11) ele perguntou. Nenhum dentre Teu povo escolhido há de compreender, e arrepender-se e ser sarado?

Sua angústia de alma em favor do extraviado Judá não devia ser sofrida em vão. Sua missão não devia ser inteiramente infrutífera. Contudo os males que estiveram a se multiplicar por muitas gerações não seriam removidos em seus dias. No transcurso de sua vida ele teria que ser um corajoso e paciente ensinador — um profeta da esperança, bem como da condenação. O divino propósito seria finalmente cumprido, os frutos de seus esforços e dos labores de todos os fiéis mensageiros de Deus, haveriam de aparecer. Um remanescente devia ser salvo. Para que isto pudesse ser alcançado, e as mensagens de advertência e súplica fossem levadas à nação rebelde, o Senhor declarou:

“Até que se assolem as cidades,
e fiquem sem habitantes,
e nas casas não fique morador,
e a terra seja assolada de todo,
e o Senhor afaste dela os homens
e no meio da terra seja grande o desamparo”.

Isaías 6:11, 12.

Os pesados juízos que deviam cair sobre os impenitentes — guerra, exílio, opressão, a perda de poder e prestígio entre as nações — tudo isso devia vir, para que os que neles reconhecessem a mão de um Deus ofendido, pudessem ser levados ao arrependimento. As dez tribos do reino do norte deviam logo ser espalhadas entre as nações, e suas cidades ficariam em desolação; os exércitos destruidores de nações hostis deviam varrer sua terra vez após vez; até mesmo Jerusalém devia finalmente cair, e Judá devia ser levada cativa; contudo, a terra prometida não devia permanecer inteiramente abandonada para sempre. O celeste visitante de Isaías assegurou:

“Se ainda a décima parte dela ficar,
tornará a ser pastada.

Como o carvalho, e como a azinheira,
que, depois de se desfolharem, ainda ficam firmes,
assim a santa semente será a firmeza dela”.

Isaías 6:13.

Essa garantia do cumprimento final do propósito de Deus levou coragem ao coração de Isaías. Que importava que poderes terrestres se arregimentassem contra Judá? Que importava que o mensageiro do Senhor enfrentasse oposição e resistência? Isaías tinha visto o Rei, o Senhor dos exércitos; ouvira o cântico dos serafins: “Toda a Terra está cheia de Sua glória” (Isaías 6:3); ele tivera a promessa de que as mensagens de Jeová ao apostatado Judá seriam acompanhadas pelo convincente poder do Espírito Santo; e o profeta foi revigorado para a obra que tinha diante de si. Através de sua longa e árdua missão, levou consigo a lembrança desta visão. Durante sessenta anos ou mais ele permaneceu diante dos filhos de Judá como um profeta de esperança, tornando-se cada vez mais ousado em suas predições do futuro triunfo da igreja.

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/bhp/pt/sop/pk/24-25 e https://www.revivalandreformation.org/?id=7251

BLOG DA SEMANA, sobre Profetas e Reis, cap. 23

Os dias finais do reino de Israel foram cheios de violência. Como um ex-soldado testemunhei e executei terríveis violências que mostram como podem ser os dias finais deste mundo. O mundo em que vivemos agora não é diferente daquele que os profetas Oséias e Amós advertiram. Através de tudo que acontece ao nosso redor, Deus clama aos nossos corações impenitentes a que retornemos a Ele. Eu pessoalmente ouvi este chamado e vivenciei a grande misericórdia de Deus, antes do meu julgamento iminente.

A humanidade tende a louvar muito mais a criação do que o Criador. A fim de despertar-nos a lembrar dEle e de Sua aliança conosco, Ele envia mensagens misericordiosas do perdão prometido. Mesmo vivendo uma existência miserável, tentando satisfazer nossos desejos pecaminosos, muitas vezes ainda recusamos as advertências de Deus. Hoje, como nos dias de Menaém, nos encontramos quebrados e enfraquecidos por nosso pecado. Nós tomamos nossas vidas quebradas e fingimos que ela está inteira, apenas para descobrir que o nosso pecado nos domina completamente até o final.

Na misericórdia insondável de Deus Ele nos estende a Sua graça. Podemos quebrar e quebramos a aliança com Deus, mas Ele nunca viola Sua integridade relacional conosco! É especialmente quando estamos no nosso pior que o amor incomparável de Deus nos corteja a voltar a Ele e trazer outros conosco, para que possamos ser libertados para o bem – levados cativos pelo Seu amor!

Joseph Washburn
Ex-boina verde
Storyline Adventist Church, Eugene, Oregon EUA

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/23
Tradução: Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli