BLOG DA SEMANA 23/04/2017, sobre Profetas e Reis, cap 17

Acho que a maioria de nós concorda que cuidar de casa provavelmente não seja o trabalho mais glamoroso do mundo para um jovem! Certamente não atrai a aclamação como temerosos evangelistas de Deus, ou médicos, podem receber. Mas o jovem e piedoso Eliseu não se importava com o reconhecimento externo. Ele acreditava de todo o coração no conceito que Paulo escreveria sobre séculos mais tarde:

“Portanto, quer comais, bebais ou façais o que fizerdes, fazei tudo para a glória de Deus.” 1 Coríntios 10:31.

Como todos sabemos, Eliseu felizmente aceitou o chamado de Deus para ser um profeta quando chegou o tempo. Mas, Eliseu também alegremente (e habilmente) servia a Deus lavrando a fazenda de seu pai! “Por fidelidade em pequenas coisas, Eliseu estava se preparando para maiores responsabilidades” (PR, p.218). Por exemplo, estou nos últimos anos de minha faculdade atualmente. No futuro próximo, terei mais responsabilidade financeira. Mas, estabelecer um orçamento e cuidar de forma madura das despesas que tenho agora vai ajudar quando eu tiver maiores responsabilidades no futuro. Às vezes sentimos que bem executar pequenas tarefas não tem nenhuma importância. Mas Deus não vê desta maneira – em vez disso, as pequenas tarefas são como testes de Deus para ver se podemos ser confiáveis em coisas maiores. Você está fazendo alegremente o seu melhor para “arar a fazenda” que Deus lhe deu no presente? Executar bem sua tarefa atual não é perda de tempo!

Austin Menzmer, professor da Escola Sabatina
Collegedale, Tenessee

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/?id=1534
Equipe de tradução: Pr Jobson Santos/Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS. cap. 17 – O Chamado de Eliseu

Capítulo 17 — O chamado de Eliseu

Deus havia ordenado a Elias que ungisse outro para que fosse profeta em seu lugar. “A Eliseu, filho de Safate […] ungirás profeta em teu lugar” (1 Reis 19:16), Ele dissera; e em obediência à ordem, Elias saiu em busca de Eliseu. Viajando em direção do norte, quão mudada estava a cena do que havia sido apenas pouco tempo antes Naquele tempo o solo estava crestado, os distritos agrícolas sem serem trabalhados, pois nem orvalho e nem chuva havia caído por três anos e meio. Agora por todos os lados a vegetação despontava, como que para compensar o tempo de sequidão e fome.

O pai de Eliseu era um rico fazendeiro, um homem cuja família estava entre aqueles que em tempo de apostasia quase universal não tinham dobrado os joelhos a Baal. O seu lar era desses onde Deus era honrado, e onde a lealdade à fé do antigo Israel era uma regra da vida diária. Em tal ambiente transcorreram os primeiros anos de vida de Eliseu. Na quietude da vida campestre, sob o ensino de Deus e da natureza e da disciplina do trabalho útil, recebeu ele a educação em hábitos de simplicidade e de obediência a seus pais e a Deus, educação que o ajudou a preparar-se para a alta posição que mais tarde deveria ocupar.

O chamado profético veio a Eliseu enquanto arava o campo com os servos de seu pai. Ele havia assumido o trabalho que estava mais próximo. Possuía ambas as qualidades: de um líder entre os homens e a mansidão de quem está pronto para servir. De espírito quieto e gentil, era não obstante enérgico e firme. Possuía integridade, fidelidade e o amor e temor de Deus; e na humilde rotina da labuta diária, ganhava força de propósito e nobreza de caráter, crescendo constantemente em graça e conhecimento. Enquanto cooperava com seu pai nos deveres do lar, estava aprendendo a cooperar com Deus.

Pela fidelidade em pequenas coisas, Eliseu estava-se preparando para encargos mais pesados. Dia a dia, mediante experiência prática, capacitava-se para uma obra mais ampla e mais alta. Ele aprendeu a servir; e havendo aprendido isto, aprendeu também como instruir e dirigir. A lição é para todos. Ninguém pode saber qual é o propósito de Deus em Sua disciplina; mas todos podem estar certos de que a fidelidade em pequenas coisas é a evidência da capacidade para responsabilidades maiores. Cada ato da vida é uma revelação do caráter; e unicamente aquele que nos pequenos deveres prova-se um “obreiro que não tem de que se envergonhar” (2 Timóteo 2:15), pode ser honrado por Deus com mais alto serviço.

Aquele que sente não ser de qualquer conseqüência a maneira como realiza suas pequenas tarefas, prova-se incapaz para uma posição mais honrosa. Ele pode imaginar-se inteiramente competente para assumir maiores encargos; mas Deus olha mais no fundo do que na superfície. Depois de testado e provado, está escrita contra ele a sentença: “Pesado foste na balança, e foste achado em falta”. Daniel 5:27. Sua infidelidade reage sobre ele mesmo. Ele deixa de obter a graça, o poder, a força de caráter que se recebe mediante entrega sem reservas.

Muitos, por não estarem ligados diretamente a alguma atividade religiosa, acham que sua vida é inútil, que nada estão fazendo para o avançamento do reino de Deus. Se pudessem fazer alguma grande coisa, quão alegremente a empreenderiam! Mas porque só podem servir em pequenas coisas, julgam-se justificados em nada fazer. Erram nisto. Um homem pode estar no serviço ativo de Deus enquanto empenhado nos deveres comuns de cada dia — enquanto derrubando árvores, abrindo clareiras ou indo após o arado. A mãe que educa seus filhos para Cristo está trabalhando para Deus, tão verdadeiramente como o pregador no púlpito.

Muitos anseiam por talento especial com que fazer uma obra maravilhosa, enquanto deveres que estão à mão e cuja realização tornariam a vida fragrante, são perdidos de vista. Tomem tais pessoas as atividades que estão diretamente em seu caminho. O sucesso não depende tanto de talento quanto de energia e boa vontade. Não é a posse de esplêndidos talentos que nos capacita a prestar serviço aceitável; mas a conscienciosa realização dos deveres diários, o espírito contente, o interesse sincero e sem afetação no bem-estar dos outros. Na mais humilde sorte pode ser encontrada verdadeira excelência. As tarefas mais comuns, executadas com amorável fidelidade, são belas à vista de Deus.

Passando Elias, divinamente dirigido na busca de um sucessor, pelo campo que Eliseu estava arando, lançou sobre os ombros do jovem o manto da consagração. Durante a fome, a família de Safate tinha-se relacionado com a obra e missão de Elias; e agora o Espírito de Deus impressionou o coração de Eliseu quanto ao significado do ato do profeta. Isto foi para ele o sinal de que Deus o havia chamado para ser o sucessor de Elias.

“Então deixou ele os bois, e correu após Elias, e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei”. “Vai, e volta”, foi a resposta de Elias, “porque, que te tenho eu feito?” Isto não era uma repulsa, mas um teste de fé. Eliseu devia considerar o preço — decidir por si mesmo a aceitar ou rejeitar o chamado. Se seus desejos se apegassem ao lar e suas vantagens, ele estava livre para permanecer ali. Mas Eliseu compreendeu o significado do chamado. Sabia que viera de Deus, e não hesitou em obedecer. Não seria por qualquer vantagem terrena que ele iria renunciar à oportunidade de se tornar mensageiro de Deus, ou sacrificar o privilégio da associação com o Seu servo. Ele “tomou uma junta de bois, e os matou, e com os aparelhos dos bois cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram. Então se levantou e seguiu a Elias, e o servia”. 1 Reis 19:20, 21. Sem hesitação deixou um lar onde era amado, para assistir ao profeta em sua vida incerta.

Tivesse Eliseu perguntado a Elias o que se esperava dele — qual seria sua obra — e lhe teria sido respondido: Deus o sabe; Ele o fará conhecido de ti. Se esperares no Senhor, Ele responderá a todas as tuas inquirições. Podes vir comigo, se tens a evidência de que Deus te chamou. Sabe por ti mesmo que Deus me está sustentando, e que é Sua voz que ouves. Se podes considerar todas as coisas como escória, para que possas ganhar o favor de Deus, vem.

Semelhante ao chamado que veio a Eliseu foi a resposta dada por Cristo ao jovem doutor que Lhe fez a pergunta: “Que bem farei para conseguir a vida eterna?” “Se queres ser perfeito”, disse Jesus, “vai, vende tudo o que tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no Céu; e vem, e segue-Me”. Mateus 19:16, 21.

Eliseu aceitou o chamado para o serviço, não lançando um olhar sequer para trás, aos prazeres e confortos que estava deixando. O jovem doutor, quando ouviu as palavras do Salvador, “retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades”. Mateus 19:22. Ele não estava disposto a fazer o sacrifício. Seu amor por suas posses era maior que seu amor por Deus. Recusando-se a renunciar tudo por Cristo, ele se provou indigno de um lugar no serviço do Mestre.

O chamado para depor tudo no altar do serviço vem a cada um. Não nos é pedido que sirvamos como Eliseu serviu, nem que vendamos tudo que possuímos; mas Deus nos pede que demos ao Seu serviço o primeiro lugar em nossa vida, e não permitamos se passe um só dia sem que façamos alguma coisa para avançar Sua obra na Terra. Ele não espera de todos a mesma espécie de serviço. Um pode ser chamado a servir em terras estrangeiras; outro pode ser chamado a dar de seus meios para o sustento do evangelho. Deus aceita a oferta de cada um. É a consagração da vida e de todos os seus interesses que é necessário. Os que fazem essa consagração, ouvirão e obedecerão ao chamado do Céu.

A todos que se tornam participantes de Sua graça, o Senhor aponta uma obra a ser feita em favor de outros. Individualmente devemos permanecer em nosso lugar, dizendo: “Eis-me aqui, envia-me a mim”. Isaías 6:8. Quer seja um ministro da Palavra ou um médico, quer seja mercador ou fazendeiro, profissional ou mecânico, a responsabilidade repousa sobre ele. Sua obra deve revelar a outros o evangelho de sua salvação. Toda atividade em que se empenhe deve ser um meio para este fim.

Não foi grande a obra de início requerida de Eliseu; deveres comuns ainda constituíam sua disciplina. É dito dele que derramava água nas mãos de Elias, seu mestre. Ele estava disposto a fazer o que fosse que o Senhor ordenasse, e a cada passo aprendia lições de humildade e serviço. Como assistente pessoal do profeta, ele continuou a provar-se fiel nas pequenas coisas, enquanto com diário fortalecimento de propósito devotava-se à missão apontada por Deus.

A vida de Eliseu depois de unir-se a Elias não foi isenta de tentações. Provas ele as teve em abundância; mas em toda emergência confiou em Deus. Foi tentado a pensar no lar que havia deixado, mas não deu guarida a essa tentação. Havendo lançado mão do arado, resolveu não voltar atrás, e através de provações e lutas provou-se fiel a seu encargo.

O ministério compreende muito mais que pregar a Palavra. Significa educar jovens como Elias educou Eliseu, tirando-os de seus deveres comuns e dando-lhes responsabilidades para levarem na obra de Deus — pequenos encargos a princípio, e maiores na medida em que ganharem força e experiência. Há no ministério homens de fé e oração, homens que podem dizer: O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida; […] o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos”. 1 João 1:1-3. Obreiros jovens, inexperientes, devem ser treinados por trabalho prático em associação com esses experimentados servos de Deus. Assim, aprenderão como levar as cargas.

Os que assumem este treinamento de jovens obreiros estão fazendo um nobre serviço. O Senhor mesmo coopera com seus esforços. E os jovens sobre quem têm sido pronunciadas as palavras de consagração, cujo privilégio é estar em íntima associação com obreiros piedosos e fervorosos, devem aproveitar o máximo de suas oportunidades. Deus os tem honrado por havê-los escolhido para o Seu serviço e por havê-los colocado onde possam alcançar maior habilidade para isto; e eles devem ser humildes, fiéis, obedientes e dispostos para o sacrifício. Se se submeterem à disciplina de Deus, seguindo Suas indicações, e escolhendo Seus servos como seus conselheiros, redundarão em homens justos, firmes, e de princípios elevados, a quem Deus pode confiar responsabilidades.

Ao ser o evangelho proclamado em sua pureza, homens serão chamados do arado e das atividades comerciais comuns que ocupam em grande medida a mente, e serão educados em associação com homens de experiência. Ao aprenderem a trabalhar com eficácia, proclamarão a verdade com poder. Através das mais maravilhosas operações da divina providência, montanhas de dificuldades serão removidas e lançadas no mar. A mensagem que significa tanto para os habitantes da Terra será ouvida e entendida. Os homens saberão o que é a verdade. Para a frente, sempre para a frente a obra avançará, até que toda a Terra tenha sido advertida; e então virá o fim.

Por vários anos após o chamado de Eliseu, este e Elias trabalharam juntos, o mais jovem adquirindo diariamente maior preparo para a sua obra. Elias havia sido o instrumento para a derrota de gigantescos males. A idolatria que, sustentada por Acabe e a pagã Jezabel, tinha seduzido a nação, havia sido decididamente contida. Os profetas de Baal haviam sido mortos. Todo o povo de Israel tinha sido profundamente despertado, e muitos estavam retornando à adoração a Deus. Como sucessor de Elias, Eliseu, mediante instrução cuidadosa e paciente, devia procurar guiar Israel em caminho seguro. Sua associação com Elias, o maior profeta desde Moisés, preparou-o para a obra que deveria logo assumir sozinho.

Durante esses anos de ministério unido, Elias era de tempos em tempos chamado a opor-se a flagrantes males com severa repreensão. Quando o ímpio Acabe apoderou-se da vinha de Nabote, foi a voz de Elias que profetizou sua condenação e a condenação de toda sua casa. E quando Acazias, após a morte de seu pai Acabe, voltou-se do Deus vivo para Baal-Zebube, o deus de Ecrom, foi a voz de Elias que uma vez mais se fez ouvir em veemente protesto.

As escolas dos profetas, estabelecidas por Samuel, tinham entrado em decadência durante os anos da apostasia de Israel. Elias restabeleceu essas escolas, tomando providência para que os jovens adquirissem uma educação que os levasse a engrandecer a lei e fazê-la gloriosa. Três dessas escolas, uma em Gilgal, outra em Betel, e a terceira em Jericó, são mencionadas no registro. Pouco antes de Elias ser levado para o Céu, ele e Eliseu visitaram esses centros de educação. As lições que o profeta de Deus lhes havia propiciado em visitas anteriores, ele as repetiu agora. Especialmente instruiu-os com respeito ao alto privilégio de lealmente manterem obediência ao Deus do Céu. Imprimiu-lhes também na mente a importância de permitirem que a simplicidade marcasse cada aspecto de sua educação. Somente assim poderiam receber a modelagem do Céu, e saírem para trabalhar nos caminhos do Senhor.

O coração de Elias se encheu de júbilo quando viu o que estava sendo alcançado por meio dessas escolas. A obra de reforma não estava completa, mas ele podia verificar através do reino a exatidão da palavra do Senhor: “Também Eu fiz ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que se não dobraram a Baal, e toda a boca que o não beijou”. 1 Reis 19:18.

Enquanto Eliseu acompanhava o profeta em sua rotineira visita de escola a escola, sua fé e resolução foram uma vez mais provadas. Em Gilgal, e também em Betel e Jericó, ele foi convidado pelo profeta a retornar. “Fica-te aqui”, disse Elias, “porque o Senhor me enviou a Betel”. 2 Reis 2:2. Mas em seu primitivo trabalho de guiar o arado, Eliseu havia aprendido a não fracassar nem se desencorajar; e agora que havia lançado mão do arado em outro ramo do dever, não poderia deixar-se desviar de seu propósito. Ele não se afastaria de seu mestre enquanto tivesse oportunidade de conseguir maior capacidade para o serviço. Desconhecida por Elias, a revelação de que estava para ser trasladado fora dada a conhecer aos seus discípulos nas escolas dos profetas, e em particular a Eliseu. E agora o provado servo do homem de Deus conservava-se bem junto a ele. Tantas vezes quantas lhe fora feito o convite para retornar, sua resposta foi: “Vive o Senhor, e vive a tua alma, que te não deixarei”.

“E, assim, ambos foram juntos. […] E eles ambos pararam junto ao Jordão. Então, Elias tomou o seu manto enrolou-o, e feriu as águas, as quais se dividiram para os dois lados; e passaram ambos em seco. Sucedeu, pois, que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti”. 2 Reis 2:6-9.

Eliseu não pediu honras seculares, ou um lugar elevado entre os grandes homens da Terra. O que ele ambicionava era uma grande medida do Espírito que Deus havia derramado tão abundantemente sobre aquele que estava para ser honrado com a trasladação. Ele sabia que nada a não ser o Espírito que havia repousado sobre Elias, podia capacitá-lo a preencher em Israel o lugar para o qual Deus o havia chamado; assim respondeu: “Peço-te que haja porção dobrada do teu espírito sobre mim”. 2 Reis 2:9.

Em resposta a este pedido, Elias disse: “Coisa dura pediste. Se me vires quando for tomado de ti, assim se fará; porém, se não, não se fará. E sucedeu que indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao Céu num redemoinho”. 2 Reis 2:1-11.

Elias foi um tipo dos santos que estarão vivendo na Terra por ocasião do segundo advento de Cristo, e que serão “transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta” (1 Coríntios 15:51, 52), sem provar a morte. Foi como representante dos santos a serem assim trasladados que, ao aproximar-se o fim do ministério terrestre de Cristo, foi permitido a Elias estar com Moisés ao lado do Salvador no monte da transfiguração. Nesses entes glorificados os discípulos viram em miniatura a representação do reino dos redimidos. Eles contemplaram a Jesus revestido com a luz do Céu; ouviram uma voz que “saiu da nuvem” (Lucas 9:35), reconhecendo-O como o Filho de Deus; viram Moisés representando os que serão ressuscitados da morte por ocasião do segundo advento; e ali estava também Elias, representando os que, no fim da história terrestre, serão mudados do estado mortal para o imortal, e serão trasladados ao Céu sem ver a morte.

No deserto, em solidão e desencorajamento, Elias dissera que já havia vivido bastante, e orara pedindo a morte. Mas o Senhor em Sua misericórdia não o tomara pela palavra. Grande obra havia ainda para ser feita por Elias; e quando sua obra tivesse terminado, não devia ele ser deixado a perecer em desencorajamento e solidão. Não lhe estava reservado descer à tumba, mas ascender com os anjos de Deus à presença de Sua glória.

“O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros! E nunca mais o viu; e, travando dos seus vestidos, os rasgou em duas partes. Também levantou a capa de Elias, que lhe caíra, e feriu as águas, e disse: Onde está o Senhor, Deus de Elias? Então feriu as águas, e se dividiram elas para uma e outra banda, e Eliseu passou. Vendo-o, pois os filhos dos profetas que estavam defronte, em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. E vieram-lhe ao encontro, e se prostraram diante dele em terra”. 2 Reis 2:12-15.

Quando o Senhor em Sua providência considera oportuno remover de Sua obra aqueles a quem tem dado sabedoria, Ele ajuda e fortalece seus sucessores, se se voltarem para Ele em busca de auxílio e andarem em Seus caminhos. Podem eles ser mesmo mais sábios que seus predecessores; pois podem tirar proveito de suas experiências e de seus erros adquirir sabedoria.

Daí em diante Eliseu ocupou o lugar de Elias. Aquele que havia sido fiel no mínimo, devia provar-se igualmente fiel no máximo.

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/?id=7245

BLOG DA SEMANA 16/04/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 16 – A Queda da Casa de Acabe

Este triste capítulo traça a queda e destruição da casa de Acabe, que ao final levará à queda da própria nação de Israel. Desde o imaturo e mortal acesso de mau humor que levou à morte de Nabote, aos anciãos que, ao não permanecerem do lado correto se tornaram cúmplices do assassinato de Nabote, esta passagem foca o poder do pecado para destruir os pecadores.

O único destaque positivo nesta história é um oficial de nome desconhecido que trabalhou para outro rei egoísta, Acazias. Tendo aprendido dos erros dos dois oficiais anteriores que tentaram capturar Elias, o humilde oficial se ajoelhou perante Elias e pediu pela misericórdia divina para ele e seus homens. Deus o honrou poupando sua vida e a vida de seus homens.

Ao longo da história de Israel e Judá, Deus, em Sua misericórdia, permitiu que as pessoas continuassem em seus pecados e não os destruiu, mas no caso de ambas as nações um ponto de inflexão ocorre quando o mal se torna excessivo e a justiça é finalmente desprezada. Para Acabe e sua família este ponto de inflexão acontece quando da morte de Nabote. Apesar de Deus não matar Acabe, por conta de Sua tristeza pelo seu pecado, O Senhor pronunciou julgamento sobre sua família.

Ao mesmo tempo que é uma advertência, este capítulo contém uma promessa. O mal pode parecer triunfar, mas Deus detém o real controle da situação e a justiça prevalecerá. Podemos encontrar conforto na misericórdia, amor, e justiça de Deus quando a vida parece desmoronar diante de nós.

Heidi Campbell

Diretora do Instituto Internacional Adventista de Estudos Avançados em Inglês (AIIAS), Filipinas

 

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/16 e https://www.revivalandreformation.org/?id=1533
Equipe de tradução: Pr Jobson Santos/Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 16 – “A Queda da Casa de Acabe”

Capítulo 16 — A queda da casa de Acabe

Este capítulo é baseado em 1 Reis 21; 2 Reis 1.

A má influência que desde o início Jezabel havia exercido sobre Acabe continuou durante os últimos anos de sua vida, e deu frutos em obras de vergonha e violência, tais como raramente têm sido igualadas na História Sacra. “Ninguém fora como Acabe, que se vendera para fazer o que era mau aos olhos do Senhor; porque Jezabel, sua mulher, o incitava”. 1 Reis 21:25.

De uma disposição cobiçosa por natureza, Acabe, fortalecido e sustentado na prática do mal por Jezabel, tinha seguido os ditames de seu mau coração, até que ficou inteiramente controlado pelo espírito de egocentrismo. Não podia admitir qualquer recusa a seus desejos; o que desejava entendia que por direito devia ser seu.

Esse traço dominante em Acabe, que tão desastrosamente influenciou a sorte dos reinos sob seus sucessores, é revelado em um incidente que teve lugar enquanto Elias era ainda profeta em Israel. Bem junto ao palácio do rei estava uma vinha pertencente a Nabote, um jezreelita. Acabe assentou em seu coração possuir esta vinha; e propôs comprá-la, ou dar-lhe em troca outro pedaço de terra. “Dá-me a tua vinha”, disse ele a Nabote, “para que me sirva de horta, pois está vizinha, ao pé da minha casa; e te darei por ela outra vinha melhor do que ela, ou, se parece bem aos teus olhos, dar-te-ei a sua valia em dinheiro”. 1 Reis 21:2.

Nabote tinha sua vinha em alto valor, porque havia pertencido a seus pais, e recusava partilhá-la. “Guarde-me o Senhor”, disse ela a Acabe, “de que eu te dê a herança de meus pais”. 1 Reis 21:3. De acordo com o código levítico, nenhuma terra devia ser transferida permanentemente por venda ou troca; “os filhos de Israel se chegarão cada um à herança da tribo de seus pais”. Números 36:7.

A recusa de Nabote fez adoecer o monarca egoísta. “Acabe veio desgostoso e indignado a sua casa, por causa da palavra que Nabote, o jezreelita, lhe falara. […] E deitou-se na sua cama, e voltou o rosto, e não comeu pão”.

Jezabel, informada logo dos pormenores, e indignando-se de que alguém recusasse o pedido do rei, assegurou a Acabe que ele não precisava mais estar triste. “Governas tu agora no reino de Israel?” disse ela. “Levanta-te, come pão, e alegre-se o teu coração; eu te darei a vinha de Nabote, o jezreelita”.

Acabe não cuidou dos meios pelos quais sua esposa poderia conseguir o desejado objeto, e Jezabel imediatamente deu curso a seu ímpio propósito. Ela escreveu cartas em nome do rei, e selou-as com seu sinete, enviando-as aos anciãos e nobres da cidade em que Nabote residia, dizendo: “Apregoai um jejum, e ponde a Nabote acima do povo. E ponde defronte dele dois homens, filhos de Belial, que testemunhem contra ele, dizendo: Blasfemaste contra Deus e contra o rei. E trazei-o fora, e apedrejai-o para que morra”.

A ordem foi obedecida. “Os homens da sua cidade, os anciãos e os nobres que habitavam na sua cidade, fizeram como Jezabel lhes ordenara, conforme estava escrito nas cartas que lhes mandara”. Então Jezabel foi ao rei, e ordenou-lhe que se levantasse e tomasse posse da vinha. E Acabe, indiferente às conseqüências, cegamente seguiu-lhe o conselho, e desceu para tomar posse da cobiçada propriedade.

Ao rei não foi permitido desfrutar, sem ser incriminado, aquilo que havia alcançado pela fraude e derramamento de sangue. “Então veio a palavra do Senhor a Elias, o tesbita, dizendo: Levanta-te, desce para encontrar-te com Acabe, rei de Israel, que está em Samaria. Eis que está na vinha de Nabote, aonde tem descido para a possuir. E falar-lhe-ás, dizendo: Assim diz o Senhor: Porventura não mataste, e tomaste a herança?” E o Senhor deu a Elias posterior instrução para que pronunciasse sobre Acabe um terrível juízo.

O profeta deu pressa em executar a ordem divina. O governante culpado, encontrando o severo mensageiro de Jeová face a face na vinha, deu voz a seu súbito temor nas palavras: “Já me achaste, inimigo meu?”

Sem hesitação o mensageiro do Senhor replicou: “Achei-te; porquanto já te vendeste para fazeres o que é mau aos olhos do Senhor. Eis que trarei mal sobre ti, e arrancarei a tua posteridade”. Nenhuma misericórdia devia ser mostrada. A casa de Acabe devia ser totalmente destruída, “como a casa de Jeroboão, filho de Nebate, e como a casa de Baasa, filho de Aías”, declarou o Senhor por intermédio de Seu servo, “por causa da provocação, com que Me provocaste, e fizeste pecar a Israel”.

E a respeito de Jezabel o Senhor declarou: “Os cães comerão a Jezabel junto ao antemuro de Jezreel. Aquele que de Acabe morrer na cidade, os cães o comerão; e o que morrer no campo, as aves do céu o comerão”.

Quando o rei ouviu esta assustadora mensagem, “rasgou os seus vestidos, e cobriu a sua carne de saco, e jejuou; e jazia em saco, e andava mansamente.

“Então veio a Palavra do Senhor a Elias o tesbita, dizendo: Não viste que Acabe se humilha perante Mim? Porquanto, pois, se humilha perante Mim, não trarei este mal nos seus dias, mas nos dias de seu filho trarei este mal sobre a sua casa”. 1 Reis 21:4, 7, 9, 10, 17-29.

Foi menos de três anos mais tarde que o rei Acabe encontrou a morte às mãos dos sírios. Acazias, seu sucessor, “fez o que era mau aos olhos do Senhor; porque andou no caminho de seu pai, como também no caminho de sua mãe, e no caminho de Jeroboão”. “E serviu a Baal, e se inclinou diante dele, e indignou ao Senhor Deus de Israel” (1 Reis 22:52, 53), como seu pai Acabe tinha feito. Mas os juízos seguiram de perto os pecados do rebelde rei. Uma guerra desastrosa com Moabe, e a seguir um acidente em que sua própria vida foi ameaçada, atestaram da ira de Deus contra ele.

Havendo caído “pelas grades de um quarto alto”, Acazias, seriamente ferido, e temeroso de um possível desenlace, enviou alguns de seus servos para inquirirem de Baal-Zebube, deus de Ecrom, se se restabeleceria ou não. Supunha-se que o deus de Ecrom dava informações, através de um médium dentre seus sacerdotes, sobre futuros eventos. Grande número de pessoas ia inquiri-lo sobre isto; mas as predições ali formuladas, e as informações dadas, procediam do príncipe das trevas.

Os servos de Acazias encontraram-se com um homem de Deus, que fê-los retornar ao rei com a mensagem: “Porventura não há Deus em Israel, para irdes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom? E por isso assim diz o Senhor: Da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás”. Havendo dado a sua mensagem, o profeta partiu.

Os admirados servos voltaram depressa ao rei, e repetiram-lhe as palavras do homem de Deus. O rei inquiriu: “Qual era o traje do homem que vos veio ao encontro e vos falou estas palavras?” Eles responderam: “Era um homem vestido de pêlos, e com os lombos cingidos dum cinto de couro”. “É Elias, o tesbita” (2 Reis 1:2-8), exclamou Acazias. Ele sabia que se o desconhecido a quem seus mensageiros tinham encontrado, fosse de fato Elias, as palavras de condenação pronunciadas seguramente se cumpririam. Ansioso por impedir, se possível, o ameaçado juízo, ele determinou mandar vir o profeta.

Duas vezes Acazias enviou uma companhia de soldados para intimidar o profeta, e duas vezes a ira de Deus caiu sobre eles em juízo. A terceira companhia de soldados humilhou-se perante Deus; e seu capitão, ao aproximar-se do mensageiro do Senhor, “pôs-se de joelhos diante de Elias, e suplicou-lhe, e disse-lhe: homem de Deus, seja, peço-te, preciosa aos teus olhos a minha vida, e a vida destes cinqüenta teus servos”.

“Então o anjo do Senhor disse a Elias: Desce com este; não temas. E levantou-se, e desceu com ele ao rei. E disse-lhe: Assim diz o Senhor: Porque enviaste mensageiros a consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom? Porventura é por que não há Deus em Israel, para consultar a Sua palavra? Portanto desta cama, a que subiste, não descerás, mas certamente morrerás”. 1 Reis 1:13-16.

Durante o reinado de seu pai, Acazias tinha testemunhado as maravilhosas obras do Altíssimo. Ele vira as terríveis evidências que Deus havia dado ao apostatado Israel, da maneira como Ele trata os que põem de lado obrigatórios reclamos de Sua lei. Acazias tinha agido como se essas terríveis realidades fossem apenas tolas histórias. Em vez de humilhar seu coração perante o Senhor, ele havia seguido após Baal, e afinal tinha arriscado sobre isto seu mais ousado ato de impiedade. Rebelde e não disposto a arrepender-se, Acazias morreu “conforme a palavra do Senhor, que Elias falara”. 2 Reis 1:17.

A história do pecado do rei Acazias e sua punição traz em si uma advertência que ninguém pode subestimar impunemente. Homens de hoje podem não prestar homenagem a deuses pagãos, contudo milhares estão adorando no altar de Satanás tão verdadeiramente como o fizera o rei de Israel. O espírito de idolatria predomina no mundo hoje, embora, sob a influência de ciência e educação, tenha assumido formas mais refinadas e atrativas que nos dias em que Acazias procurou o deus de Ecrom. Cada dia acrescenta suas lastimáveis evidências de que a fé na segura Palavra da Profecia está em declínio, e que em seu lugar superstições e satânicos enganos estão cativando a mente de muitos.

Hoje os mistérios do culto pagão são substituídos pelas sessões e associações secretas, ocultismo e maravilhas dos médiuns espíritas. As revelações desses médiuns são avidamente recebidas por milhares que se recusam a aceitar a luz através da Palavra de Deus ou de Seu Espírito. Crentes no espiritismo podem falar com desdém dos mágicos do passado, mas o grande enganador ri triunfante ao se renderem eles a suas artes sob uma forma diferente.

Há muitos que recuam horrorizados ante o pensamento de consultar médiuns espíritas, mas são atraídos por formas mais agradáveis de espiritismo. Outros são levados ao extravio pelos ensinamentos da Ciência Cristã, e pelo misticismo da teosofia e outras religiões orientais.

Os apóstolos de quase todas as formas de espiritismo sustentam possuir poder para curar. Eles atribuem este poder à eletricidade, ao magnetismo, aos assim chamados “remédios de simpatia”, ou a forças latentes contidas na mente do homem. E não são poucos, mesmo neste século cristão, os que vão a esses curandeiros, em vez de confiar no poder do Deus vivo e na habilidade de médicos bem qualificados. A mãe, vigiando junto ao leito de seu filhinho enfermo, exclama: “Nada mais posso fazer. Não há médico que tenha poder para restaurar meu filho?” Falam-lhe das maravilhosas curas realizadas por algum curandeiro clarividente ou magnetizador, e ela lhe confia seu ente querido, colocando-o nas mãos de Satanás tão verdadeiramente como se ele estivesse ao seu lado. Em muitos casos a vida futura da criança é controlada por um poder satânico que parece impossível quebrar.

Deus tinha motivos para desgostar-Se ante a impiedade de Acazias. Que não havia Ele feito para conquistar o coração do povo de Israel e inspirar-lhes confiança em Si? Durante séculos Ele estivera dando a Seu povo manifestações de bondade e amor nunca igualados. Desde o início mostrara que tinha as Suas “delícias com os filhos dos homens”. Provérbios 8:31. Fora um auxílio sempre presente a todos que O buscavam em sinceridade. Contudo o rei de Israel, desviando-se agora de Deus para suplicar ajuda ao pior inimigo de seu povo, proclamava aos pagãos que tinha mais confiança nos seus ídolos do que no Deus do Céu. De igual maneira homens e mulheres desonram-nO quando tornam da Fonte de força e sabedoria para solicitar auxílio ou conselho dos poderes das trevas. Se a ira de Deus foi acesa pelo ato de Acazias, como considera Ele os que, tendo ainda maior luz, escolhem adotar uma conduta semelhante?

Os que se entregam aos enganos de Satanás podem presumir de grandes benefícios recebidos; mas prova isto que sua conduta é sábia ou prudente? Como seria se a vida fosse prolongada? Se vantagens temporais fossem concedidas? Valerá a pena no fim haver desrespeitado a vontade de Deus? Tais lucros aparentes provar-se-ão no final uma perda irreparável. Não podemos derribar impunemente uma única barreira que Deus tenha construído para guardar Seu povo do poder de Satanás.

Como Acazias não tivesse filhos, foi sucedido por Jorão, seu irmão, o qual reinou sobre as dez tribos por doze anos. Durante esses anos sua mãe, Jezabel, ainda viveu, e continuou a exercer sua má influência sobre os negócios da nação. Costumes idólatras eram ainda praticados por muitos dentre o povo. O próprio Jorão “fez o que era mau aos olhos do Senhor; porém não como seu pai, nem como sua mãe, porque tirou a estátua de Baal, que seu pai fizera. Contudo aderiu aos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, que fizera pecar a Israel; não se apartou deles”. 2 Reis 3:2, 3.

Foi durante o reinado de Jorão sobre Israel que Josafá morreu, e seu filho, chamado Jeorão, subiu ao trono do reino de Judá. Por seu casamento com a filha de Acabe e Jezabel, Jeorão de Judá estava intimamente associado com o rei de Israel; e em seu reinado seguiu após Baal, “como fazia a casa de Acabe”. “Também fez altos nos montes de Judá, e fez com que se corrompessem os moradores de Jerusalém, e até a Judá impeliu a isso”. 2 Crônicas 21:6, 11.

Ao rei de Judá não foi permitido continuar com sua terrível apostasia sem reprovação. O profeta Elias não havia ainda sido trasladado, e ele não podia permanecer em silêncio enquanto o reino de Judá estava seguindo o mesmo curso que tinha levado o reino do norte à beira da ruína. O profeta enviou a Jeorão de Judá uma comunicação escrita, em que o ímpio rei leu as terríveis palavras:

“Assim diz o Senhor, Deus de Davi teu pai: Porquanto não andaste nos caminhos de Josafá, teu pai, e nos caminhos de Asa, rei de Judá, mas andaste nos caminhos dos reis de Israel, e fizeste corromper a Judá e aos

moradores de Jerusalém, segundo a corrupção da casa de Acabe, e também mataste a teus irmãos, da casa de teu pai, melhores do que tu; eis que o Senhor ferirá com um grande flagelo ao teu povo, e a teus filhos, e às tuas mulheres, e a todas as tuas fazendas. Tu também terás uma grande enfermidade”.

Em cumprimento desta profecia, despertou “o Senhor contra Jeorão o espírito dos filisteus e dos arábios, que estão da banda dos etíopes. Estes subiram a Judá, e deram sobre ela, e levaram toda a fazenda, que se achou na casa do rei, como também a seus filhos e a suas mulheres; de modo que lhe não deixaram filho, senão a Jeoacaz, Acazias, Azarias, o mais moço de seus filhos.

“E depois de tudo isto o Senhor o feriu nas suas entranhas com uma enfermidade incurável. E sucedeu que, depois de muitos dias, e chegado que foi o fim de dois anos […] morreu de más enfermidades”. 2 Crônicas 21:12-19. “E Acazias, seu filho, reinou em seu lugar”. 2 Reis 8:24.

Jorão, o filho de Acabe, estava ainda reinando no reino de Israel quando seu sobrinho, Acazias, subiu ao trono de Judá. Acazias reinou apenas um ano, e durante este tempo, influenciado por sua mãe, Atalia, “sua conselheira, para obrar impiamente”, “andou nos caminhos da casa de Acabe”, “e fez o que era mau aos olhos do Senhor”. 2 Crônicas 22:3, 4. Jezabel, sua avó, vivia ainda, e ele se aliou ousadamente com Jorão de Israel, seu tio.

Acazias de Judá logo encontrou um trágico fim. Os membros sobreviventes da casa de Acabe foram sem dúvida “seus conselheiros depois da morte de seu pai, para sua perdição”. 2 Crônicas 22:3, 4. Enquanto Acazias estava em visita a seu tio em Jezreel, o profeta Eliseu foi divinamente dirigido para que enviasse um dos filhos dos profetas a Ramote-Gileade, a fim de ungir a Jeú como rei de Israel. As forças combinadas de Judá e Israel estavam nessa ocasião empenhadas numa campanha militar contra os sírios de Ramote-Gileade. Jorão havia sido ferido em combate, e retornara a Jezreel, deixando Jeú no comando dos exércitos reais.

Ao ungir Jeú, o mensageiro de Eliseu declarou: “Ungi-te rei sobre o povo do Senhor, sobre Israel”. E então solenemente pôs sobre Jeú uma especial comissão do Céu. “E ferirás a casa de Acabe, teu senhor”, o Senhor declarou por intermédio de Seu mensageiro, “para que Eu vingue o sangue de Meus servos, os profetas, e o sangue de todos os servos do Senhor, da mão de Jezabel. E toda a casa de Acabe perecerá”. 2 Reis 9:6-8.

Depois de haver sido proclamado rei pelo exército, Jeú dirigiu-se apressadamente para Jezreel, onde deu início à obra de execução de todos aqueles que deliberadamente haviam escolhido prosseguir no pecado e levar outros a pecar. Jorão de Israel, Acazias de Judá, e Jezabel, a rainha-mãe, “todos os restantes da casa de Acabe em Jezreel, como também a todos os seus grandes, e os seus conhecidos, e os seus sacerdotes”, foram mortos. “Todos os profetas de Baal, todos os seus servos e todos os seus sacerdotes” que habitavam no centro do culto a Baal próximo de Samaria, foram passados a espada. As imagens idólatras foram quebradas e queimadas, e o templo de Baal foi feito em ruínas. E “assim Jeú destruiu a Baal de Israel”. 2 Reis 10:11, 19, 28.

Notícias dessa execução geral chegaram até Atalia, filha de Jezabel, que ainda ocupava uma posição de autoridade no reino de Judá. Quando ela viu que seu filho, o rei de Judá, era morto, “levantou-se, e destruiu toda a descendência real”. Neste massacre todos os descendentes de Davi que eram elegíveis ao trono foram destruídos, salvo um, uma criança de nome Joás, a quem a esposa de Joiada, o sumo sacerdote, escondeu nas recâmaras do templo. Durante seis anos a criança permaneceu ali escondida, enquanto “Atalia reinava sobre a terra”. 2 Reis 10:11, 19, 28.

No fim deste tempo, “os levitas e todo o Judá” (2 Crônicas 23:8) uniram-se com Joiada, o sumo sacerdote, para coroar e ungir o pequeno Joás, aclamando-o rei. “E bateram as mãos, e disseram: Viva o rei”. 2 Reis 11:12.

“Ouvindo, pois, Atalia a voz do povo que corria para louvar o rei, veio ao povo à casa do Senhor”. “E olhou, e eis que o rei estava junto à coluna, conforme o costume, e os capitães, e as trombetas junto ao rei, e todo o povo da terra estava alegre, e tocava as trombetas”.

“Então Atalia rasgou os seus vestidos, e clamou: Traição! Traição!” 2 Reis 11:14. Mas Joiada ordenou a seus oficiais que a aprisionassem e a todos seus seguidores e os tirassem para fora do templo ao lugar da execução, onde deviam ser mortos.

Assim pereceu o último membro da casa de Acabe. O terrível mal que se produzira através de sua aliança com Jezabel continuou até que o último de seus descendentes foi destruído. Mesmo na terra de Judá, onde a adoração ao Deus verdadeiro jamais havia sido posta de lado, Atalia foi bem-sucedida em seduzir a muitos. Imediatamente após a execução da impenitente rainha, “todo o povo da terra entrou na casa de Baal, e a derribaram, como também os seus altares, e as suas imagens totalmente quebraram, e a Matã, sacerdote de Baal, mataram perante os altares”. 2 Reis 11:18.

Seguiu-se uma reforma. Os que tomaram parte na aclamação de Joás como rei, tinham combinado solenemente que seriam “o povo do Senhor”. E agora que a maléfica influência da filha de Jezabel tinha sido removida do reino de Judá, e os sacerdotes de Baal haviam sido mortos e seu templo destruído, “todo o povo da terra se alegrou, e a cidade repousou”. 2 Crônicas 23:16, 21.

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/?id=7244

BLOG DA SEMANA, sobre Profetas e Reis, cap. 15 – “Josafá”

Você gostaria de saber como construir um caráter sólido enquanto pessoa? Um caráter sólido enquanto família, companhia, ou mesmo nação? A experiência de Josafá nos instrui claramente sobre como realizar isso.

Faça da Bíblia a pedra angular de tudo que você realiza. Josafá procurou conhecer e obedecer às Escrituras. Quando a Palavra de Deus é o princípio norteador de nossas vidas, o egoísmo, a ganância, o orgulho e o conjunto de traços que definem fracas gerações serão inevitavelmente deixados para trás.

Viva uma vida de gratidão e louvor. Mesmo no meio de uma situação desesperada, Josafá e seu povo escolheram a música em vez da murmuração, alegria em vez de tristeza, e cantar em vez de suspirar. Uma atitude de louvor e gratidão ajudará muito a levantar nossos espíritos e nos incentivará a continuar quando as coisas ficarem difíceis.

Confie em Deus acima de tudo. Josafá tinha um poderoso exército. Ele construiu cidades fortificadas que levaram anos para serem erguidas e reforçadas. No entanto, quando chegou o tempo, ele escolheu confiar em Deus e não na força humana. Da mesma forma, não há nada de errado (na verdade, é muito bom) em trabalhar duro para obter uma educação, uma sólida posição financeira e uma sólida reputação. Mas quando enfrentamos desafios, devemos confiar no Deus que permitiu que estes desafios viessem até nós. Ele é a verdadeira fonte de nossa força.

Andy R. Spinoza
Pastor da IASD Central de Dubai, Emirados Árabes Unidos

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/15
Também disponível em: https://www.revivalandreformation.org/bhp/pt/sop/pk/15
Tradução: Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 15 – “Josafá”

Capítulo 15 — Josafá

Até sua chamada ao trono, com a idade de 35 anos, Josafá tivera perante si o exemplo do bom rei Asa, que em quase toda crise fizera “o que parecia reto aos olhos do Senhor”. 1 Reis 15:11. Durante um próspero reinado de vinte e cinco anos, Josafá procurou andar “em todos os caminhos de seu pai Asa”, e “não se desviou deles”. 1 Reis 22:43.

Em seus esforços para reinar sabiamente, Josafá procurou persuadir seus súditos a tomarem posição firme contra as práticas idólatras. Muitos dentre o povo em seu domínio “sacrificavam e queimavam incenso nos altos”. 1 Reis 22:44. O rei não destruiu de vez esses santuários; mas desde o início procurou salvaguardar Judá dos pecados que caracterizavam o reino do norte sob o governo de Acabe, de quem fora contemporâneo durante muitos anos. Josafá era pessoalmente leal a Deus. Ele “não buscou a Baalins. Antes buscou ao Deus de seu pai, e andou nos Seus mandamentos, e não segundo as obras de Israel”. Por causa de sua integridade, o Senhor era com ele, e “confirmou o reino na sua mão”. 2 Crônicas 17:3-5.

“Todo o Judá deu presentes a Josafá; e teve riquezas e glória em abundância. E exaltou-se o seu coração nos caminhos do Senhor”. 2 Crônicas 17:5, 6. Com o passar do tempo e o prosseguimento das reformas, o rei “tirou os altos e os bosques de Judá”. 2 Crônicas 17:6. “Também desterrou da terra o resto dos rapazes escandalosos, que ficaram nos dias de seu pai Asa”. 1 Reis 22:47. Assim, gradualmente os habitantes de Judá ficaram libertos de muitos dos perigos que estavam ameaçando seriamente retardar seu desenvolvimento espiritual.

Através do reino o povo estava necessitado de instrução na lei de Deus. Na compreensão desta lei estava a sua segurança; na conformação de sua vida aos seus requisitos, tornar-se-iam leais tanto a Deus como ao homem. Sabendo disto, Josafá tomou medidas para assegurar a seu povo integral instrução nas Santas Escrituras. Os príncipes que tinham o encargo das diferentes partes do seu domínio foram orientados no sentido de disporem para o fiel ministério de sacerdotes instrutores. Por real indicação, esses mestres, trabalhando sob a direta supervisão dos príncipes, “rodearam todas as cidades de Judá, e ensinaram entre o povo”. 2 Crônicas 17:9. E como muitos procurassem compreender os reclamos de Deus e afastar o pecado, teve lugar um reavivamento.

A esta sábia provisão para as necessidades espirituais de seus súditos, Josafá deveu muito de sua prosperidade como governante. Na obediência à lei de Deus há grande ganho. Na conformidade aos divinos requisitos há um poder transformador que leva paz e boa vontade entre os homens. Se os ensinos da Palavra de Deus tivessem influência controladora na vida de todo homem e mulher, se a mente e o coração fossem postos sob seu poder moderador, os males que agora existem na vida nacional e social não teriam lugar. De cada lar emanaria uma influência que tornaria fortes homens e mulheres no discernimento espiritual e no poder moral, e assim nações e indivíduos seriam colocados em terreno vantajoso.

Por muitos anos Josafá viveu em paz, sem ser molestado pelas nações vizinhas. “Veio o temor do Senhor sobre todos os reinos da terra, que estavam em roda de Judá”. 2 Crônicas 17:10. Dos filisteus recebia tributo em dinheiro e presentes; da Arábia, grandes rebanhos de ovelhas e cabras. “Cresceu, pois, Josafá e se engrandeceu extremamente; e edificou fortalezas e cidades de munições em Judá. […] Gente de guerra, varões valentes em Jerusalém, […] estavam no serviço do rei, afora os que o rei tinha posto nas cidades fortes por todo o Judá”. 2 Crônicas 17:12-19. Abençoado abundantemente com “riquezas e glória” (2 Crônicas 18:1), estava ele capacitado a exercer poderosa influência em favor da verdade e da justiça.

Alguns anos depois de haver subido ao trono, Josafá, agora no auge de sua prosperidade, permitiu o casamento de seu filho, Jeorão, com Atalia, filha de Acabe e Jezabel. Por esta união foi formada entre os reis de Judá e de Israel uma aliança que não fora ordenada por Deus, e que num tempo de crise levou ao desastre o rei e muitos de seus súditos.

Numa ocasião, Josafá visitou o rei de Israel em Samaria. Honra especial foi mostrada para com o real hóspede de Jerusalém; e antes que encerrasse sua visita, foi ele persuadido a unir-se com o rei de Israel numa guerra contra os sírios. Acabe esperava que pela união de suas forças com as de Judá ele poderia reconquistar Ramote, uma das cidades de refúgio que, sustentava ele, por direito pertencia aos israelitas.

Conquanto num momento de fraqueza houvesse Josafá precipitadamente prometido unir-se ao rei de Israel em sua guerra contra os sírios, melhor juízo levou contudo a procurar saber a vontade de Deus concernente a este cometimento. “Consulta, hoje, peço-te, a palavra do Senhor”, ele sugeriu a Acabe. Em resposta, Acabe reuniu quatrocentos dos profetas falsos de Samaria, e perguntou-lhes: “Iremos à guerra contra Ramote-Gileade, ou deixá-lo-ei?” E eles responderam: “Sobe, porque Deus a dará na mão do rei”. 2 Crônicas 18:4, 5.

Não satisfeito, Josafá procurou conhecer com certeza a vontade de Deus. “Não há ainda aqui profeta algum do Senhor”, perguntou ele, “para que o consultemos?” “Ainda há um homem por quem podemos consultar ao Senhor”, respondeu Acabe, “porém eu o aborreço, porque nunca profetiza de mim bem senão sempre mal; ele é Micaías, filho de Inlá”. 1 Reis 22:8. Josafá ficou firme em seu pedido de que um homem de Deus fosse chamado; e ao apresentar-se diante deles e ser conjurado por Acabe a não dizer “senão a verdade em nome do Senhor”, Micaías disse: “Vi a todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm pastor; e disse o Senhor: Estes não têm senhor; torne cada um em paz para a sua casa”. 1 Reis 22:16, 17.

As palavras do profeta deviam ter sido suficientes para mostrar aos reis que seu projeto não era favorecido pelo Céu; mas nenhum dos dois governantes sentiu-se inclinado a acatar a advertência. Acabe havia traçado seu caminho, e estava determinado a segui-lo. Josafá havia empenhado sua palavra de honra: “Seremos contigo nesta guerra” (2 Crônicas 18:3); e depois de haver feito tal promessa, ficou relutante em retirar suas forças. “Assim o rei de Israel e Josafá, rei de Judá, subiram a Ramote de Gileade”. 1 Reis 22:29.

Durante a batalha que se seguiu, Acabe foi acometido por uma flecha, e ao entardecer morreu. “E depois do Sol posto passou um pregão pelo exército, dizendo: Cada um para a sua cidade, e cada um para a sua terra”. 1 Reis 22:36. Assim se cumpriu a palavra do profeta.

Dessa desastrosa batalha Josafá retornou a Jerusalém. Ao aproximar-se da cidade, o profeta Jeú veio-lhe ao encontro com a reprovação: “Devias tu ajudar ao ímpio, e amar aqueles que ao Senhor aborrecem? Por isso virá sobre ti grande ira de diante do Senhor. Boas coisas contudo se acharam em ti, porque tiraste os bosques da terra, e preparaste o teu coração, para buscar a Deus”. 2 Crônicas 19:2, 3.

Os últimos anos do reinado de Josafá foram em grande parte gastos no fortalecimento da defesa nacional e espiritual de Judá. Ele “tornou a passar pelo povo desde Berseba até as montanhas de Efraim, e fez com que tornassem ao Senhor Deus de seus pais”. 2 Crônicas 19:4.

Uma das importantes medidas tomadas pelo rei foi o estabelecimento e manutenção de eficientes tribunais de justiça. Ele “estabeleceu juízes na terra, em todas as cidades fortes, de cidade em cidade”; e no encargo que lhes dera admoestou: “Vede o que fazeis; porque não julgais da parte do homem, senão da parte do Senhor, e Ele está convosco no negócio do juízo. Agora, pois, seja o temor do Senhor convosco; guardai-o, e fazei-o, porque não há no Senhor nosso Deus iniqüidade nem aceitação de pessoas, nem aceitação de presentes”. 2 Crônicas 19:5-7.

O sistema judicial foi aperfeiçoado pela fundação de uma Corte de Apelação em Jerusalém, onde Josafá “estabeleceu alguns dos levitas e dos sacerdotes e dos chefes dos pais de Israel sobre o juízo do Senhor, e sobre as causas judiciais”. 2 Crônicas 19:8.

O rei exortou esses juízes a que fossem fiéis. “Assim andai no temor do Senhor com fidelidade, e com coração inteiro”, ordenou-lhes. “E em toda a diferença que vier a vós de vossos irmãos, que habitam nas suas cidades, entre sangue e sangue, entre lei e mandamento, entre estatutos e juízos, admoestai-os, que se não façam culpados para com o Senhor, e não venha grande ira sobre vós, e sobre vossos irmãos. Fazei assim, e não vos fareis culpados.

“E eis aqui Amarias, o sumo sacerdote, presidirá sobre vós em todo o negócio do Senhor; e Zebadias, filho de Ismael, príncipe da casa de Judá, em todo o negócio do rei; também os oficiais, os levitas, estão perante vós.

“Esforçai-vos, pois, e fazei-o, e o Senhor será com os bons”. 2 Crônicas 19:9-11. Nessa cuidadosa salvaguarda dos direitos e liberdade de seus súditos, Josafá deu ênfase à consideração que cada membro da família humana recebe do Deus de justiça, que governa sobre todos. “Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses”. E todos os que são apontados para agir como juízes sob Sua administração, devem “defender o pobre e o órfão; fazer justiça ao aflito e necessitado”, tirando-os “das mãos dos ímpios”. Salmos 82:1, 3, 4.

Aproximando-se o fim do reinado de Josafá, o reino de Judá foi invadido por um exército ante cuja aproximação os habitantes da terra tinham razões para tremer. “Os filhos de Moabe, e os filhos de Amom, e com eles alguns outros dos amonitas, vieram à peleja contra Josafá”. Notícias desta invasão haviam alcançado o reino através de um mensageiro, que apareceu com a alarmante palavra: “Vem contra ti uma grande multidão dalém do mar e da Síria; e eis que já estão em Hazazom-Tamar, que é En-Gedi”. 2 Crônicas 20:1, 2.

Josafá era um homem de coragem e valor. Durante anos, estivera fortalecendo seus exércitos e suas cidades fortificadas. Ele estava bem preparado para enfrentar praticamente qualquer inimigo; contudo, nesta crise não pôs sua confiança no braço de carne. Não mediante disciplinados exércitos e cidades muradas, mas por uma viva fé no Deus de Israel, poderia ele esperar alcançar a vitória sobre esses pagãos que se vangloriavam de seu poder para humilhar Judá aos olhos das nações.

“Então, Josafá temeu e pôs-se a buscar o Senhor, e apregoou jejum em todo o Judá. E Judá se ajuntou, para pedir socorro ao Senhor; também de todas as cidades de Judá vieram para buscarem o Senhor”. 2 Crônicas 20:3, 4.

Em pé no recinto do templo perante seu povo, Josafá derramou sua alma em oração, pleiteando as promessas de Deus, com confissão da fragilidade de Israel. “Ah Senhor, Deus de nossos pais”, ele suplicava, “porventura não és Tu Deus nos Céus? Pois Tu és Dominador sobre todos os reinos das gentes, e na Tua mão há força e poder, e não há quem Te possa resistir. Porventura, ó Deus nosso, não lançaste Tu fora os moradores desta terra, de diante do Teu povo Israel, e não a deste à semente de Abraão, Teu amigo, para sempre? E habitaram nela, e edificaram nela um santuário ao Teu nome, dizendo: Se algum mal nos sobrevier, espada, juízo, peste, ou fome, nós nos apresentaremos diante desta casa e diante de Ti; pois Teu nome está nesta casa; e clamaremos a Ti na nossa angústia, e Tu nos ouvirás e livrarás.

“Agora, pois, eis que os filhos de Amom e de Moabe, e os das montanhas de Seir, pelos quais não permitiste que passasse Israel, quando vinham da terra do Egito, mas deles se desviaram e não os destruíram, eis que nos dão o pago, vindo para lançar-nos fora da Tua herança, que nos fizeste herdar. Ah Deus nosso, porventura não os julgarás? Porque em nós não há força perante esta grande multidão que vem contra nós, e não sabemos nós o que faremos; porém os nossos olhos estão postos em Ti”. 2 Crônicas 20:6-12.

Com confiança podia Josafá dizer ao Senhor: “Nossos olhos estão postos em Ti.” Durante anos ele havia ensinado o povo a confiar nAquele que nos séculos passados tinha-Se interposto tantas vezes para salvar Seus escolhidos de completa destruição; e agora, quando o reino estava em perigo, Josafá não estava sozinho; “todo o Judá estava em pé perante o Senhor, como também as suas crianças, as suas mulheres, e os seus filhos”. 2 Crônicas 20:13. Unidos jejuaram e oraram; unidos pleitearam com o Senhor para que pusesse seus inimigos em confusão, a fim de que o nome de Jeová fosse glorificado.

“Ó Deus, não estejas em silêncio;
não cerres os ouvidos nem fiques impassível, ó Deus.

Porque eis que Teus inimigos se alvoroçam,
e os que Te aborrecem levantaram a cabeça.

Astutamente formam conselho contra o Teu povo,
e conspiram contra os Teus protegidos.

Disseram: Vinde, e desarraiguemo-los, para que não sejam nação,
nem haja mais memória do nome de Israel.

Porque a uma se conluiaram; aliaram-se contra Ti.
As tendas de Edom, e dos ismaelitas,
de Moabe, e dos agarenos, de Gebal,
e de Amom, e de Amaleque. […]
Faze-lhes como fizeste a Midiã, como a Sísera,
como a Jabim na ribeira de Quisom; […]
Confundam-se e assombrem-se perpetuamente;
envergonhem-se, e pereçam, para que saibam que Tu,
cujo nome é Jeová, és o Altíssimo sobre toda a Terra”.

Salmos 83.

Unindo-se o povo ao rei em humilhar-se perante Deus, e suplicando dEle auxílio, o Espírito do Senhor veio sobre Jaaziel, “levita dos filhos de Asafe, e disse”: “Dai ouvidos todo o Judá, e vós, moradores de Jerusalém, e tu, ó rei Josafá. Assim o Senhor vos diz: Não temais nem vos assusteis por causa desta grande multidão, pois a peleja não é vossa, senão de Deus. Amanhã descereis contra eles; eis que sobem pela ladeira de Ziz, e os achareis no fim do vale, diante do deserto de Jeruel. Nesta peleja não tereis que pelejar; parai, estai em pé, e vede a salvação do Senhor para convosco, ó Judá e Jerusalém. Não temais, nem vos assusteis; amanhã saí-lhes ao encontro, porque o Senhor será convosco”.

“Então Josafá se prostrou com o rosto em terra; e todo o Judá e os moradores de Jerusalém se lançaram perante o Senhor, adorando ao Senhor. E levantaram-se os levitas, dos filhos dos coatitas, e dos filhos dos coraítas, para louvarem ao Senhor Deus de Israel, com voz muito alta”.

Pela manhã cedo se levantaram e saíram ao deserto de Tecoa. Ao avançarem para a batalha, Josafá disse: “Ouvi-me, ó Judá, e vós moradores de Jerusalém: Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos Seus profetas, e sereis prosperados”. “E aconselhou-se com o povo, e ordenou cantores para o Senhor, que louvassem a Majestade santa”. 2 Crônicas 20:14-21. Esses cantores iam diante do exército, erguendo suas vozes em louvor a Deus pela promessa de vitória.

Era uma maneira singular de ir à batalha contra o exército do inimigo — louvando ao Senhor com cânticos, e exaltando o Deus de Israel. Este era seu hino de batalha. Eles possuíam a beleza da santidade. Se mais louvores de Deus tivessem lugar agora, esperança e coragem e fé aumentariam constantemente. E isto não fortaleceria as mãos dos valentes soldados que hoje estão firmes em defesa da verdade?

“O Senhor pôs emboscadas contra os filhos de Amom, e de Moabe e os das montanhas de Seir, que vieram contra Judá, e foram desbaratados. Porque os filhos de Amom e de Moabe se levantaram contra os moradores das montanhas de Seir, para os destruir e exterminar; e, acabando eles com os das montanhas de Seir, ajudaram uns aos outros a destruir-se.

“Entretanto chegou Judá à atalaia do deserto; e olharam para a multidão, e eis que eram corpos mortos, que jaziam em terra, e nenhum escapou”. 2 Crônicas 20:22-24.

Deus foi a força de Judá nesta crise, e é Ele a força de Seu povo hoje. Não devemos confiar em príncipes, ou pôr o homem no lugar de Deus. Devemos lembrar que os seres humanos são falíveis e falhos, e que Aquele que tem todo o poder é nossa forte torre de defesa. Em qualquer emergência devemos sentir que a batalha é Sua. Seus recursos são ilimitados, e as aparentes impossibilidades farão que a vitória seja ainda maior.

“Salva-nos, ó Deus da nossa salvação,
E ajuda-nos e livra-nos das nações,
para que louvemos o Teu santo nome,
e nos gloriemos no Teu louvor”.

1 Crônicas 16:35.

Carregados com os despojos, os exércitos de Judá retornaram “com alegria, porque o Senhor os alegrara acerca dos seus inimigos. E vieram a Jerusalém com alaúdes, e com harpas, e com trombetas, para a casa do Senhor”. 2 Crônicas 20:27, 28. Grande era seu motivo para júbilo. Em obediência à ordem: “Estai em pé, e vede a salvação do Senhor. […] Não temais, nem vos assusteis” (2 Crônicas 20:17), eles tinham posto sua confiança inteiramente em Deus, e Ele Se havia provado sua fortaleza e Libertador. Agora podiam cantar com entendimento os inspirados hinos de Davi:

“Deus é o nosso refúgio e fortaleza,
socorro bem presente na angústia. […]
Ele […] quebra o arco e corta a lança;
queima os carros no fogo.
Aquietai-vos, e sabei que Eu sou Deus;
serei exaltado entre as nações,
serei exaltado na Terra.
O Senhor dos exércitos está conosco,
o Deus de Jacó é o nosso refúgio”.

Salmos 46.

“Segundo é o Teu nome, ó Deus, assim é o Teu louvor,
até aos fins da Terra: A Tua mão direita está cheia de justiça.
Alegre-se o monte de Sião;
alegrem-se as filhas de Judá Por causa dos Teus juízos. […]
Deus é o nosso Deus para sempre;
Ele será o nosso guia até a morte”.

Salmos 48:10, 11, 14.

Através da fé dos governantes de Judá e de seus exércitos, “veio o temor de Deus sobre todos os reinos daquelas terras, ouvindo eles que o Senhor havia pelejado contra os inimigos de Israel. E o reino de Josafá ficou quieto; e o seu Deus lhe deu repouso em redor”. 2 Crônicas 20:29, 30.

 

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/bhp/pt/sop/pk/15

BLOG DA SEMANA 02/04/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 14

Durante o tempo que passei com minha congregação ao longo dos anos, um tema tornou-se recorrente: sobrecarga de tarefas. As pessoas a quem eu sirvo são ocupadas, estressadas, e necessitam desesperadamente de repouso. E essa necessidade de descanso é sentida também por aqueles de fora da igreja.

Manter santo o dia do Sábado tem a ver com experimentar o descanso de Deus. Ao deixar de acreditar no Sábado, começo a acreditar na mentira de que estou no controle das coisas, e que o sucesso neste mundo ao meu redor depende do que faço. Somente observando o Sábado pela fé posso descansar na obra consumada de Cristo, tanto na criação como na redenção.

Deus levantou uma geração de cristãos que, como Elias, chamarão as pessoas a não colocarem sua confiança em ídolos sem vida deste mundo, e, em vez disso, descansar naquele que é Senhor do Sábado, o Criador de todos. Que privilégio temos de experimentar o repouso de Deus, e de poder convidar outras pessoas a experimentar também desse descanso de Deus.

Mitch Menzmer
Southern Adventist University, Tenesse, Estados Unidos

http://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/14

Tradução: Jeferson e Gisele Quimelli