BLOG DA SEMANA 22/01/2017, sobre Profetas e Reis, cap.4

Em química, estudamos oxidação (quando uma substância perde elétrons) e redução (quando uma substância ganha elétrons). Estes sempre acontecem juntos – quando algo ganha elétrons, algo mais perde elétrons. Determinamos cuidadosamente qual substância ganhou elétrons e qual substância os perdeu.

Às vezes, descrevemos esses processos de forma diferente – em vez de nos concentrarmos no que ganhou elétrons e no que os perdeu, nos concentramos no efeito que uma substância tem sobre outra. Referimo-nos ao agente oxidante (que faz com que outra coisa perca elétrons) e o agente redutor (que faz com que outra coisa ganhe elétrons). Se nos concentramos na própria substância, ou no efeito que a substância tem sobre outra substância, a reação química permanece a mesma.

As pessoas são diferentes das reações químicas. Aumentar a atenção para os nossos próprios ganhos e perdas sempre resulta em menos atenção às necessidades dos outros, e diminuir a atenção para as necessidades dos outros sempre leva a diminuição do serviço aos outros. No entanto, quando nos concentramos no efeito que temos sobre os outros, mais atentos estaremos às suas necessidades, levando a um maior serviço aos outros.

Porque fomos criados para servir a Deus, aos outros e ao resto da criação, devemos pensar e agir em harmonia com este propósito. O auto-serviço é uma negação de quem somos. Qual é o benefício de viver para ganhar a riqueza e o status que queremos, só para perder nossas identidades e destinos eternos no processo? Jesus ainda nos pergunta isso. Como vamos responder?

Brent Hamstra
Chefe do Departamento de Química
Universidade Adventista do Sul
Tennessee EUA

 

Texto original: http://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/4
Tradução: Jeferson Quimelli
Também disponível em: http://www.revivalandreformation.org/bhp/pt/sop/pk/4

PROFETAS E REIS, cap. 4

Capítulo 4 — Resultados da transgressão

Dentre as principais causas que levaram Salomão à extravagância e opressão destaca-se o seu fracasso em manter e alimentar o espírito de abnegação.

Quando, ao pé do Sinai, Moisés expôs ao povo a ordem divina: “E Me farão um santuário, e habitarei no meio deles” (Êxodo 25:8), a resposta dos israelitas foi acompanhada de oferendas apropriadas. “E veio todo o homem, a quem o seu coração moveu, e todo aquele cujo espírito voluntariamente o excitou” (Êxodo 35:21), e trouxeram ofertas. Para a construção do santuário foram necessários grandes e intensos preparativos; vasta quantidade do mais caro e precioso material fora requerida, mas o Senhor só aceitou ofertas voluntárias. “De todo o homem cujo coração se mover voluntariamente, dele tomareis a minha oferta alçada” (Êxodo 25:2), foi a ordem repetida por Moisés à congregação. Devoção a Deus e espírito de sacrifício foram os primeiros requisitos na preparação de um lugar de habitação para o Altíssimo.

Um convite semelhante ao espírito de abnegação foi feito quando Davi pôs sobre Salomão a responsabilidade da construção do templo. À multidão reunida ele fez a pergunta: “Quem, pois, está disposto a encher a sua mão, para oferecer hoje voluntariamente ao Senhor?” 1 Crônicas 29:5. Este convite à consagração e espírito voluntário devia ter sido sempre conservado em mente por aqueles que tinham interesse na construção do templo.

Para a construção do tabernáculo do deserto, homens escolhidos foram dotados por Deus com sabedoria e habilidade especiais. “Disse Moisés aos filhos de Israel: Eis que o Senhor tem chamado por nome a Bezalel, […] da tribo de Judá, e o espírito de Deus o encheu de sabedoria, entendimento e ciência em todo o artifício. […] Também lhe tem disposto o coração para ensinar a outros; a ele e Aoliabe […] da tribo de Dã. Encheu-os de sabedoria do coração, para fazer toda a obra de Mestre, e a mais engenhosa, e a do bordador, […] e a do tecelão, fazendo toda a obra. […] Êxodo 35:30-35. Assim obraram Bezalel e Aoliabe, e todo o homem sábio de coração, a quem o Senhor dera sabedoria e inteligência”. Êxodo 36:1. Inteligências celestiais cooperavam com os artífices a quem o próprio Deus havia escolhido.

Os descendentes desses homens herdaram em grande medida os talentos conferidos aos seus pais. Por algum tempo, esses homens de Judá e Dã conservaram-se humildes e altruístas; mas gradualmente, quase imperceptivelmente, perderam seu apego a Deus e o desejo de servi-Lo de maneira altruísta. Pediam salário cada vez mais alto por seus serviços, em virtude de sua superior habilidade como mestres das mais finas artes. Em alguns casos suas exigências eram satisfeitas, mas a maioria das vezes empregavam-se nas nações circunvizinhas. Em lugar do nobre espírito de abnegação que havia enchido o coração de seus ilustres ancestrais, abrigaram um espírito de cobiça, de ganância por ganhos cada vez maiores. Para que seus desejos egoístas fossem satisfeitos, usaram a habilidade que Deus lhes dera a serviço de reis pagãos e emprestaram seus talentos para a execução de obras que eram uma desonra para o seu Criador.

Foi entre esses homens que Salomão procurou um mestre-de-obras que superintendesse a construção do templo sobre o Monte Moriá. Minuciosas especificações, por escrito, referentes a cada parte da estrutura sagrada haviam sido confiadas ao rei; e ele poderia ter esperado com fé em que Deus proveria auxiliares consagrados, a quem seria outorgada habilidade especial para fazer com precisão a obra requerida. Mas Salomão perdeu de vista esta oportunidade de exercitar fé em Deus. Solicitou ao rei de Tiro um homem “sábio para trabalhar em ouro, e em prata, e em bronze, e em ferro, e em púrpura, e em carmesim, e em azul, e que saiba lavrar ao buril, juntamente com os sábios […] em Judá e em Jerusalém”. 2 Crônicas 2:7.

O rei fenício respondeu enviando Hirão Abiú, “filho de uma mulher das filhas de Dã, e cujo pai foi homem de Tiro”. 2 Crônicas 2:14. Hirão Abiú era descendente, pela linhagem materna, de Aoliabe, a quem, centenas de anos antes, Deus havia dado sabedoria especial para a construção do tabernáculo.

Assim à frente do grupo de artífices de Salomão foi colocado um homem cujos esforços não eram impulsionados pelo desejo altruísta de prestar serviço a Deus. Ele servia ao deus deste mundo: Mamom. Todas as fibras de seu ser estavam entretecidas com os princípios do egoísmo.

Dada essa habilidade pouco comum, Hirão Abiú exigiu grandes salários. Gradualmente os princípios errôneos que ele acariciava vieram a ser aceitos por seus companheiros. Ao trabalharem com ele dia após dia, renderam-se à inclinação de comparar seu salário com o deles, e começaram a perder de vista a santidade do caráter de sua obra. Abandonou-os o espírito de abnegação, e em seu lugar introduziu-se o espírito de cobiça. O resultado foi uma demanda por salários mais altos, o que lhes foi concedido.

As funestas influências assim postas em operação permearam todos os ramos do serviço do Senhor, e se estenderam através do reino. Os elevados salários requeridos e recebidos deram a muitos uma oportunidade para se entregarem ao luxo e extravagância. O pobre foi oprimido pelo rico; o espírito de abnegação quase que se perdeu. No vasto alcance dos efeitos destas influências pode-se descobrir uma das principais causas da terrível apostasia daquele que fora uma vez chamado o mais sábio dos mortais.

O agudo contraste entre o espírito e motivos do povo que construiu o tabernáculo no deserto e o dos que se ocupavam na construção do templo de Salomão, encerra uma lição de profundo significado. O egoísmo que caracterizou os construtores do templo de Salomão encontra seu paralelo hoje no egoísmo que domina no mundo. O espírito de cobiça, de luta por posições mais altas e mais altos salários é predominante. O serviço voluntário e a deleitável abnegação dos obreiros do tabernáculo raramente se encontram. Mas este é o único espírito que deve atuar nos seguidores de Jesus. Nosso divino Mestre deu o exemplo de como devem Seus discípulos trabalhar. Àqueles a quem ordenou: “Vinde após Mim, e Eu vos farei pescadores de homens” (Mateus 4:19), não ofereceu Ele qualquer soma em paga de seus serviços. Eles deviam compartilhar com Ele da abnegação e sacrifício.

Não é pelo salário que recebemos que devemos trabalhar. O motivo que nos dispõe ao trabalho por Deus não deve ter em si coisa alguma que lembre serviço a si próprio. Abnegada devoção e espírito de sacrifício têm sido e serão sempre o primeiro requisito do culto aceitável. Nosso Senhor e Mestre deseja que nenhum fio de egoísmo seja entretecido em Sua obra. A nossos esforços devemos acrescentar o tato e habilidade, a precisão e sabedoria que o Deus da perfeição exigiu dos construtores do santuário terrestre; contudo, em todas as nossas atividades devemos lembrar que os maiores talentos e os mais esplêndidos serviços são aceitáveis somente quando o eu é posto sobre o altar para consumir-se como um sacrifício vivo.
Outro afastamento dos retos princípios que finalmente levou à queda o rei de Israel, foi o render-se à tentação de tomar para si a glória que pertence a Deus somente.
Desde o momento em que Salomão recebeu o encargo de construir o templo até que o mesmo ficou pronto, seu manifesto propósito foi “edificar uma casa ao nome do Senhor Deus de Israel”. 2 Crônicas 6:7. Este propósito foi plenamente reconhecido perante as tribos de Israel reunidas por ocasião da dedicação do templo. Em sua oração o rei reconheceu o que Jeová havia dito: “O Meu nome estará ali”. 1 Reis 8:29.

Uma das partes mais tocantes da oração dedicatória de Salomão foi sua súplica a Deus pelos estrangeiros que viessem dos países distantes para aprenderem mais dAquele cuja fama tinha sido amplamente espalhada entre as nações. “Porque ouvirão do Teu grande nome”, o rei expressou, “e da Tua forte mão, e do Teu braço estendido”. Em favor de cada um desses adoradores estrangeiros Salomão havia suplicado: “Ouve Tu […] e faze conforme a tudo o que o estrangeiro a Ti clamar, a fim de que todos os povos da Terra conheçam o Teu nome para Te temerem como o Teu povo Israel, e para saberem que o Teu nome é invocado sobre esta casa que tenho edificado”. 1 Reis 8:42, 43.

Ao encerramento do culto, Salomão exortara Israel a ser fiel e leal a Deus, “para que todos os povos da Terra” soubessem, disse ele, “que o Senhor é Deus e que não há outro”. 1 Reis 8:60.
Alguém maior que Salomão fora o planejador do templo; a sabedoria e a glória de Deus estavam ali reveladas. Os que desconheciam este fato naturalmente admiravam e louvavam Salomão como o arquiteto e construtor; mas o rei recusava qualquer honra por este projeto e construção.

Assim foi quando a rainha de Sabá veio visitar Salomão. Ouvindo de sua sabedoria, e do magnificente templo que ele havia construído, ela se determinou “prová-lo por enigmas”, e ver por si mesma suas famosas obras. Assistida por uma comitiva de servos, e “com camelos carregados de especiarias, e muitíssimo ouro, e pedras preciosas”, ela fez a longa viagem para Jerusalém. “E veio a Salomão, e disse-lhe tudo quanto tinha no seu coração.” Ela falou-lhe dos mistérios da natureza, e Salomão ensinou-lhe a respeito do Deus da natureza, o grande Criador, que habita no mais alto Céu, e domina sobre todos. 1 Reis 10:1-3. “E Salomão lhe declarou todas as suas palavras; nenhuma coisa se escondeu ao rei, que não lhe declarasse”. 2 Crônicas 9:1, 2.
“Vendo, pois, a rainha de Sabá toda a sabedoria de Salomão, e a casa que edificara, […] não houve mais espírito nela. […] Foi verdade”, reconheceu, “a palavra que ouvi na minha terra, das tuas coisas e da tua sabedoria. E eu não cria naquelas palavras, até que vim, e os meus olhos o viram; eis que me não disseram metade; sobrepujaste em sabedoria e bens a fama que ouvi. Bem-aventurados os teus homens, bem-aventurados estes teus servos que estão sempre diante de ti, que ouvem a tua sabedoria!” 1 Reis 10:3, 6-8.

No final de sua visita, a rainha havia sido tão completamente instruída por Salomão quanto à fonte de sua sabedoria e prosperidade, que foi constrangida, não a exaltar o agente humano, mas a exclamar: “Bendito seja o Senhor teu Deus, que teve agrado em ti, para te pôr no trono de Israel; porque o Senhor ama a Israel para sempre, por isso te estabeleceu rei, para fazeres juízo e justiça”. 1 Reis 10:9. Esta a impressão que Deus designara fosse feita sobre todos os povos. E quando “todos os reis da Terra procuravam ver o rosto de Salomão, para ouvirem a sua sabedoria, que Deus lhe dera no seu coração” (1 Crônicas 9:23), Salomão por algum tempo honrou a Deus reverentemente, indicando-lhes o Criador dos Céus e da Terra, o Soberano do Universo, o Todo-sábio.
Houvesse Salomão continuado, em humildade de espírito, a volver a atenção dos homens de si para Aquele que lhe dera sabedoria e riquezas e honra, que história teria sido a sua Mas, conquanto a pena da inspiração registre suas virtudes, dá também fiel testemunho da sua queda. Elevado ao pináculo da grandeza, cercado com dádivas da fortuna, Salomão sentiu-se aturdido, perdeu o equilíbrio, e caiu. Constantemente exaltado pelos homens do mundo, foi finalmente inábil para resistir à lisonja de que era alvo. A sabedoria que lhe fora confiada para que glorificasse ao Doador, encheu-o de orgulho. Permitiu finalmente que os homens falassem de si como do mais digno de louvor pelo inigualável esplendor do edifício planejado e construído para honrar o “nome do Senhor Deus de Israel”.
Assim foi que o templo de Jeová veio a ser conhecido através das nações como “o templo de Salomão”. O agente humano tinha tomado para si a glória que pertencia ao “que mais alto é do que os altos”. Eclesiastes 5:8. Mesmo até ao dia de hoje o templo que Salomão declarou: “Pelo Teu nome é chamada esta casa que edifiquei” (2 Crônicas 6:32), é mais frequentemente mencionado, não como o templo de Jeová, mas como “templo de Salomão”.

Não pode o homem mostrar maior fraqueza que permitir se lhe atribua a honra por dons que são outorgados pelo Céu. O verdadeiro cristão fará com que Deus seja o primeiro, o último e o melhor em tudo. Nenhum ambicioso motivo logrará arrefecer seu amor por Deus; firmemente, perseverantemente, fará que advenha honra a seu Pai celestial. É quando somos fiéis em exaltar o nome de Deus, que nossos impulsos são postos sob a divina supervisão e somos capacitados a desenvolver faculdades espirituais e intelectuais.
Jesus, o divino Mestre, sempre exaltou o nome de Seu Pai celestial. Ele ensinou Seus discípulos a orar: “Pai nosso que estás nos Céus, santificado seja o Teu nome”. Mateus 6:9. E eles não deviam esquecer de reconhecer: Tua é “a glória”. Mateus 6:13. Tão cuidadoso foi o grande Médico em desviar a atenção de Si mesmo para a Fonte de Seu poder, que a maravilhada multidão “vendo os mudos a falar, os aleijados sãos, os coxos a andar, e os cegos a ver”, não O glorificavam a Ele, mas “glorificavam o Deus de Israel”. Mateus 15:31. Na maravilhosa oração que fez pouco antes de Sua crucifixão, Cristo declarou: “Eu glorifiquei-Te na Terra”. “Glorifica a Teu Filho”, suplicou, “para que também o Teu Filho Te glorifique a Ti”. “Pai justo, o mundo não Te conheceu, mas Eu Te conheci; e estes conheceram que Tu Me enviaste a Mim. E Eu lhes fiz conhecer o Teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que Me tens amado esteja neles, e Eu neles esteja”. João 17:1, 4, 25, 26.

“Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar glorie-se nisto: em Me conhecer e saber que Eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na Terra; porque destas coisas Me agrado, diz o Senhor”. Jeremias 9:23, 24.

“Louvarei o nome de Deus […] e engrandecê-Lo-ei com ação de graças”.
Salmos 69:30.

“Digno és, Senhor, de receber glória, e poder”.
Apocalipse 4:11.

“Louvar-Te-ei, Senhor Deus meu, com todo o meu coração,
e glorificarei o Teu nome para sempre”.
Salmos 86:12.

“Engrandecei ao Senhor comigo, e juntos exaltemos o Seu nome”.
Salmos 34:3.

A introdução de princípios tendentes a afastar do espírito de sacrifício para o de glorificação própria, foi ainda mais acompanhada por outra grosseira perversão do plano divino para Israel. Deus havia designado que Seu povo fosse a luz do mundo. Deles devia refletir a glória de Sua lei como revelada na vida prática. Para a concretização deste propósito, fizera Ele que Sua nação escolhida ocupasse uma posição estratégica entre as nações da Terra.

Nos dias de Salomão o reino de Israel se estendera desde Hamate ao Norte, até o Egito ao Sul, e do Mar Mediterrâneo ao Rio Eufrates. Através deste território corriam muitas vias naturais do mundo comercial, e as caravanas das terras distantes transpunham-nas constantemente. Assim foi dada a Salomão e a seu povo oportunidade para revelar aos homens de todas as nações o caráter do Rei dos reis, e ensinar-lhes reverência e obediência a Ele. A todo o mundo devia ser dado este conhecimento. Mediante o ensino contido nas ofertas sacrificais, Cristo devia ser exaltado perante as nações, para que todo o que desejasse pudesse viver.

Colocado como cabeça de uma nação que fora posta como um farol de luz para as nações ao redor, Salomão devia ter usado a sabedoria que Deus lhe dera e o poder de influência na organização e liderança de um grande movimento para iluminação dos que viviam na ignorância de Deus e Sua verdade. Assim, multidões teriam sido ganhas para obediência aos divinos preceitos, Israel teria ficado a salvo dos males praticados pelos pagãos, e o Senhor da glória teria sido grandemente honrado. Mas Salomão perdeu de vista este alto propósito. Deixou de usar suas esplêndidas oportunidades para iluminação dos que estavam continuamente passando através de seu território ou estacionando nas principais cidades.

O espírito missionário que Deus implantara no coração de Salomão e de todos os verdadeiros israelitas fora suplantado pelo espírito de comercialismo. As oportunidades propiciadas pelo contato com muitas nações foram usadas para exaltação pessoal. Salomão procurou fortalecer politicamente sua posição construindo cidades fortificadas nas passagens comerciais. Reconstruiu Gezer, próximo de Jope, que ficava ao longo da estrada entre Egito e Síria; Bete-Horom, a oeste de Jerusalém, dominando as passagens da estrada que ia do interior da Judéia a Gezer e à costa do mar; Megido, situada na estrada das caravanas de Damasco para o Egito, e de Jerusalém para o Norte; e “Tadmor, no deserto” (2 Crônicas 8:4), ao longo da rota das caravanas do Oriente. Todas estas cidades foram poderosamente fortificadas. As vantagens comerciais de uma passagem nas cabeceiras do Mar Vermelho foram ampliadas pela construção de naus em Esiom-Geber, “na praia do mar, na terra de Edom”. 1 Reis 9:26, 28. Marinheiros treinados de Tiro, “com os servos de Salomão” (2 Crônicas 8:18), conduziam esses navios nas viagens para Ofir, e “traziam de Ofir muitíssima madeira de sândalo, e pedras preciosas”. 1 Reis 10:11.

Os rendimentos do rei e de muitos de seus súditos foram grandemente aumentados, mas a que preço! Por causa da ambição e curteza de vistas daqueles a quem tinham sido confiados os oráculos de Deus, às incontáveis multidões que apinhavam as vias de transporte se permitiu que permanecessem na ignorância de Jeová.
Em saliente contraste com a conduta seguida por Salomão foi o procedimento de Cristo quando esteve na Terra. O Salvador, embora possuindo “todo o poder” (Mateus 28:18), jamais usou este poder para Seu próprio engrandecimento. Nenhum sonho de conquistas terrenas, de grandezas mundanas, maculou a perfeição de Seu serviço pela humanidade. “As raposas têm covis, e as aves dos céus ninhos”, disse Ele, “mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. Mateus 8:20. Os que em resposta ao chamado da hora, têm entrado no serviço do Obreiro-mestre, podem bem estudar Seus métodos. Ele tirou vantagem das oportunidades encontradas ao longo das movimentadas vias.

Nos intervalos de Suas jornadas de um para outro lado, Jesus permanecia em Cafarnaum, que passou a ser conhecida como “a Sua cidade”. Mateus 9:1. Situada na estrada de Damasco para Jerusalém e Egito e para o Mar Mediterrâneo, era esta cidade bem apropriada como centro do trabalho do Salvador. Pessoas de muitas terras passavam através da cidade, ou nela se detinham para descanso. Aí Jesus Se encontrava com pessoas de todas as nações e categorias, e assim eram Suas lições levadas a outros países e a muitas famílias. Por este meio era despertado o interesse nas profecias que apontavam para o Messias, a atenção era dirigida para o Salvador, e Sua missão era levada perante o mundo.
Em nossos dias, as oportunidades de entrar-se em contato com homens e mulheres de todas as classes e diferentes nacionalidades são muito maiores que nos dias de Israel. As movimentadas vias de comunicação têm-se multiplicado por milhares.

Assim como fez Cristo, os mensageiros do Altíssimo devem hoje tomar posição nessas vias movimentadas, onde possam encontrar-se com multidões que passam de todas as partes do mundo. Como Ele Se ocultou em Deus, devem eles semear a semente do evangelho, expondo perante outros as preciosas verdades das Sagradas Escrituras, que lançarão profundas raízes na mente e no coração, e germinem para a vida eterna.

Solenes são as lições do fracasso de Israel durante os anos em que tanto o rei como o povo se desviaram do alto propósito que tinham sido chamados a cumprir.
Seja onde for que eles tenham sido fracos, a ponto mesmo de cair, o Israel de Deus hoje, os representantes do Céu que constituem a verdadeira igreja de Cristo, devem ser fortes, pois para eles é transferido o encargo de concluir a obra confiada ao homem, e de anunciar o dia do ajuste final. Contudo, as mesmas influências que prevaleceram contra Israel no tempo do reinado de Salomão ainda se lhes antepõem. As forças do inimigo de toda a justiça estão fortemente entrincheiradas; e a vitória só pode ser ganha mediante o poder de Deus. O conflito que temos diante de nós exige espírito de abnegação, desconfiança própria, confiança em Deus somente, e sábio uso de toda oportunidade para a salvação de almas. A bênção do Senhor será concedida a Sua igreja, à medida que esta avance unida, revelando a um mundo que está nas trevas do erro a beleza da santidade manifesta num espírito de abnegação semelhante ao de Cristo, na exaltação do divino em vez do humano, e no amoroso e incansável serviço pelos que tanto precisam das bênçãos do evangelho.

BLOG DA SEMANA 15/01/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 3

Quando as coisas estão indo bem, nós vemos o perigo? Salomão parece não ter reconhecido a influência negativa que riqueza e fama poderia ter em sua vida. Por causa de sua sabedoria e honra, tornou-se famoso em todo o mundo, levando o Reino de Israel a um tempo de grande riqueza e prosperidade. Num primeiro momento, Salomão honrou a Deus, seguindo cuidadosamente as Suas instruções sobre como governar. Com o tempo, Salomão passou a confiar excessivamente em si mesmo em vez de reconhecer que seu sucesso dependia inteiramente das bênçãos de Deus. Ele começou a fazer pequenas coisas sozinho fora das diretrizes de Deus, o que levou a escolhas maiores, afastando-se do caminho de Deus. Eventualmente ele estava fazendo coisas terríveis como permitir que lugares de adoração fossem construídos onde pessoas sacrificariam crianças a ídolos!

Estamos seguindo em direção semelhante? Damos glória a Deus pelas coisas boas em nossas vidas e humildemente pedimos Sua contínua orientação? Ou temos opiniões excessivamente altas a respeito de nós mesmos (orgulho) e pensamos que somos tão fortes e incríveis que obtivemos todas as nossas bênçãos por conta própria?

A queda de Salomão é um aviso para que cada um de nós considere quando as coisas estão indo bem para manter nossa dependência de Deus e reconheçamos nossa necessidade Dele.

Julie Hill Alvarez
Placerville, CA EUA

 

Tradução: Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 3

Capítulo 3 — Orgulho da prosperidade

Enquanto Salomão exaltou a lei do Céu, Deus esteve com ele, e foi-lhe dada sabedoria para reger Israel com imparcialidade e misericórdia. A princípio, ao virem-lhe riquezas e honras mundanas, ele permaneceu humilde, e grande foi a extensão da sua influência. “E dominava Salomão sobre todos os reinos, desde o rio Eufrates até à terra dos filisteus, e até ao termo do Egito”. “E tinha paz de todas as bandas em roda dele. E Judá e Israel habitavam seguros, cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira […] todos os dias de Salomão”. 1 Reis 4:21, 24, 25.

Mas depois de uma manhã grandemente promissora, sua vida foi entenebrecida pela apostasia. A história registra o melancólico fato de que aquele que havia sido chamado Jedidias — amado do Senhor (2 Samuel 12:25) — aquele que havia sido honrado por Deus de forma tão marcante com o toque do divino favor que sua sabedoria e retidão conquistaram para ele fama mundial; aquele que tinha levado outros a renderem honra ao Deus de Israel, voltara-se da adoração de Jeová para se curvar ante os ídolos do paganismo.

Centenas de anos antes que Salomão subisse ao trono, o Senhor, antevendo os perigos que cercariam aqueles que fossem escolhidos reis de Israel, deu a Moisés instruções para sua guia. Foi dada orientação para que o que se assentasse no trono de Israel escrevesse “para si um translado” dos estatutos de Jeová “num livro, do que está diante dos sacerdotes levitas”. “E o terá consigo”, disse o Senhor, “e nele lerá todos os dias de sua vida, para que aprenda a temer ao Senhor seu Deus, para guardar todas as palavras desta lei, e estes estatutos, para fazê-los; para que o seu coração não se levante sobre os seus irmãos, e não se aparte do mandamento, nem para a direita, nem para a esquerda; para que prolongue os dias no seu reino, ele e seus filhos no meio de Israel”. Deuteronômio 17:18-20.

Em conexão com estas instruções, o Senhor particularmente alertou aquele que fosse ungido rei que não multiplicasse para si “mulheres, para que o seu coração não se” desviasse. “Nem prata, nem ouro”, deveria multiplicar-se “muito para si”. Deuteronômio 17:17.

Salomão estava familiarizado com estas advertências, e por algum tempo as guardou. Seu maior desejo era viver e reinar de acordo com os estatutos dados no Sinai. Sua maneira de conduzir os negócios do reino estava em evidente contraste com os costumes das nações de seu tempo — nações que não temiam a Deus, e cujos reis tripudiavam sobre Sua santa lei.

Procurando fortalecer suas relações com o poderoso reino que ficava ao sul de Israel, Salomão aventurou-se no terreno proibido. Satanás conhecia os resultados que acompanhariam a obediência; e durante os primeiros anos do reinado de Salomão — anos gloriosos por causa da sabedoria, beneficência e retidão do rei — ele procurou introduzir influências que traiçoeiramente minassem a lealdade de Salomão ao princípio, e o levassem a separar-se de Deus. Que o inimigo foi bem-sucedido em seu esforço nós o sabemos pelo relato: “E Salomão se aparentou com Faraó rei do Egito; e tomou a filha de Faraó, e a trouxe à cidade de Davi”. 1 Reis 3:1.

Do ponto de vista humano, este casamento, embora contrário aos ensinamentos da lei de Deus, parecia provar-se uma bênção; pois a esposa pagã de Salomão se converteu e uniu-se com ele na adoração ao verdadeiro Deus. Ademais, Faraó prestou assinalados serviços a Israel, tomando Gezer, matando “os cananeus que moravam na cidade”, e dando-a “em dote a sua filha, mulher de Salomão”. 1 Reis 9:16. Esta cidade foi por Salomão reconstruída, e assim aparentemente foi grandemente fortalecido seu reino ao longo da costa mediterrânea. Fazendo, porém, aliança com uma nação pagã, e selando o pacto pelo casamento com a princesa idólatra, Salomão temerariamente desconsiderou a sábia provisão que Deus fizera para manter a pureza de Seu povo. A esperança de que sua esposa egípcia se convertesse era apenas uma débil escusa para o pecado.

Por algum tempo Deus em Sua compassiva misericórdia passou por alto este terrível erro; e o rei, mediante sábia conduta, poderia ter contido ao menos em grande medida, as forças do mal que sua imprudência pusera em operação. Mas Salomão havia começado a perder de vista a Fonte de seu poder e glória. À medida que a inclinação ganhava ascendência sobre a razão, a confiança em si mesmo aumentava, e ele procurou executar o propósito de Deus a sua própria maneira. Arrazoava ele que alianças políticas e comerciais com as nações vizinhas levariam essas nações ao conhecimento do verdadeiro Deus; e entrou em aliança não santificada com nação após nação. Freqüentemente essas alianças eram seladas com casamento com princesas pagãs. Os mandamentos de Jeová foram postos de lado em favor dos costumes dos povos ao redor.

Salomão presumia que sua sabedoria e o poder do seu exemplo haveriam de levar suas esposas da idolatria à adoração do verdadeiro Deus, e também que as alianças assim formadas atrairiam as nações circunvizinhas em mais íntimo contato com Israel. Vã esperança! O erro de Salomão em considerar-se suficientemente forte para resistir às influências de associações pagãs foi fatal. E fatal foi também o engano que o levou a esperar que, não obstante a desconsideração de sua parte para com a lei de Deus, outros poderiam ser levados a reverenciá-la e obedecer-Lhe aos sagrados preceitos.

As alianças e relações comerciais do rei com as nações pagãs levaram-lhe reconhecimento, honra e riquezas deste mundo. Tornou-se-lhe possível trazer ouro de Ofir, e prata de Társis, em grande abundância. “E fez o rei que houvesse ouro e prata em Jerusalém como pedras, e cedros em tanta abundância como figueiras bravas que há pelas campinas”. 2 Crônicas 1:15. Riquezas, com todas as suas conseqüentes tentações, vieram nos dias de Salomão a um número sempre maior de pessoas; mas o fino ouro do caráter minguara e se corrompera.

Tão gradual foi a apostasia de Salomão que antes que dela se advertisse, tinha-se afastado de Deus. Quase imperceptivelmente começara a confiar cada vez menos na divina guia e bênção, e a pôr a confiança em sua própria força. Pouco a pouco deixou de prestar a Deus aquela obediência retilínea que devia fazer de Israel um povo peculiar, e conformou-se cada vez mais intimamente aos costumes das nações ao redor. Rendendo-se às tentações resultantes de seu sucesso e honrada posição, ele esqueceu a Fonte de sua prosperidade. A ambição de exceder todas as outras nações em poder e grandeza levou-o a renegar por propósitos egoístas os dons celestiais até então empregados para a glória de Deus. O dinheiro que devia ter sido conservado em sagrado depósito para benefício de pobres merecedores e para expansão, através do mundo, dos princípios de santo viver, foi egoistamente absorvido em ambiciosos projetos.

Dominado por um subjugante desejo de superar outras nações em exibições exteriores, o rei subestimou a necessidade de adquirir beleza e perfeição de caráter. Procurando glorificar-se a si mesmo perante o mundo, vendeu sua honra e integridade. Os enormes lucros adquiridos através do comércio com muitas terras, foram suplementados por pesados tributos. Assim, o orgulho, a ambição, a prodigalidade e condescendência produziram os frutos da crueldade e da extorsão. O espírito considerado, consciencioso, que lhe havia assinalado o trato com o povo durante a primeira parte de seu reinado, estava agora mudado. Do mais sábio e mais misericordioso dos reis, ele se degenerou num tirano. Outrora guardião do povo, compassivo e temente a Deus, tornara-se opressor e despótico. Tributo após tributo era lançado sobre o povo, a fim de serem levantados meios que sustentassem a luxuosa corte.

O povo começou a queixar-se. O respeito e admiração que haviam outrora votado a seu rei mudou-se em desafeto e repulsa. Como uma salvaguarda contra a dependência do braço carnal, o Senhor havia advertido os que devessem reinar sobre Israel a que não multiplicassem cavalos para si. Mas em manifesta desconsideração a este mandamento “os cavalos que tinha Salomão, se traziam do Egito”. 2 Crônicas 1:16. “E do Egito e de todas aquelas terras traziam cavalos a Salomão”. 2 Crônicas 9:28. “Também ajuntou Salomão carros e cavaleiros, de sorte que tinha mil e quatrocentos carros e doze mil cavaleiros, e os levou às cidades dos carros, e outros ficaram junto ao rei em Jerusalém”. 1 Reis 10:26.

Cada vez mais o rei apreciava o luxo, a consideração pessoal e o favor do mundo como indicações de grandeza. Mulheres belas e atrativas foram trazidas do Egito, Fenícia, Edom, Moabe e de muitos outros lugares. Essas mulheres se contavam por centenas. Sua religião era idólatra, e havia-lhes sido ensinada a prática de ritos cruéis e degradantes. Fascinado com sua beleza, o rei negligenciou seus deveres para com Deus e com seu reino.

Suas esposas exerciam forte influência sobre ele, e gradualmente prevaleceram no sentido de fazerem-no unir-se a elas em seu culto. Salomão tinha desconsiderado a instrução que Deus havia dado para servir de barreira contra a apostasia, e agora se entregara à adoração de falsos deuses. “Porque sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era perfeito para com o Senhor seu Deus, como o coração de Davi seu pai. Porque Salomão andou em seguimento de Astarote, deusa dos sidônios, e em seguimento de Milcom, a abominação dos filhos de Amom”. 1 Reis 11:4, 5.

Na elevação sul do Monte das Oliveiras — oposto ao Monte Moriá onde se erguia o belo templo de Jeová — Salomão ergueu um imponente bloco de edifícios para serem usados como santuários idólatras. Para satisfazer suas esposas, colocou enormes ídolos — desproporcionadas imagens de madeira e pedra — entre as alamedas de murta e oliveiras. Aí, diante dos altares das deidades pagãs — “Quemós, a abominação dos moabitas”, e “Moloque, a abominação dos filhos de Amom” (1 Reis 11:7) foram praticados os mais degradantes ritos do paganismo.

A conduta de Salomão trouxe sua inevitável penalidade. Sua separação de Deus pela comunhão com idólatras foi sua ruína. Renunciando sua aliança com Deus, perdeu o domínio de si mesmo. Sua eficiência moral desapareceu. Sua fina sensibilidade embotou-se, e cauterizou-se sua consciência. Aquele que no início de seu reinado havia demonstrado tanta sabedoria e simpatia em restituir um desamparado bebê a sua desafortunada mãe (1 Reis 3:16-28), caiu tão baixo a ponto de consentir na construção de um ídolo ao qual se ofereciam em sacrifício crianças vivas. Aquele que na sua juventude fora dotado de discrição e entendimento, e que em sua forte varonilidade havia sido inspirado a escrever: “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Provérbios 14:12), em seus últimos anos afastou-se tanto da pureza a ponto de favorecer ritos licenciosos e revoltantes relacionados com a adoração de Quemós e Astarote. Aquele que na dedicação do templo tinha dito a seu povo: “Seja o vosso coração perfeito para com o Senhor nosso Deus” (1 Reis 8:61), tornara-se um transgressor, negando no coração e na vida suas próprias palavras. Ele tomou licença por liberdade. Procurou — mas a que preço — unir a luz com as trevas, o bem com o mal, a pureza com a impureza, Cristo com Belial.

Depois de haver sido um dos maiores reis que já empunharam um cetro, Salomão tornou-se um libertino, instrumento e escravo de outros. Seu caráter, outrora nobre e viril, tornou-se debilitado e efeminado. Sua fé no Deus vivo foi suplantada por dúvidas ateístas. A incredulidade mareou sua felicidade, enfraqueceu-lhe os princípios e degradou-lhe a vida. A justiça e magnanimidade dos primórdios de seu reinado, transmudara-se em despotismo e tirania. Pobre, frágil natureza humana Pouco pode Deus fazer por homens que perdem o senso de dependência dEle.

Durante esses anos de apostasia, o declínio espiritual de Israel progrediu firmemente. Como poderia ser diferente se seu rei havia unido seus interesses com forças satânicas? Através desses agentes o inimigo operou para confundir a mente dos israelitas com respeito ao verdadeiro e ao falso culto; e eles se tornaram presa fácil. O comércio com outras nações levou-os a íntimo contato com os que não tinham amor a Deus, e seu próprio amor por Ele foi grandemente diminuído. Seu agudo senso do elevado e santo caráter de Deus foi amortecido. Recusando seguir na trilha da obediência, transferiram sua vassalagem para o inimigo da justiça. Tornou-se comum a prática de intercâmbio matrimonial com idólatras, e os israelitas depressa perderam sua repulsa pela idolatria. A poligamia foi tolerada. Mães idólatras levaram seus filhos a observar ritos pagãos. Na vida de alguns o puro culto religioso instituído por Deus foi substituído pela idolatria mais descarada.

Os cristãos devem manter-se distintos e separados do mundo, de seu espírito e influências. Deus é perfeitamente capaz de guardar-nos no mundo, mas nós não devemos pertencer ao mundo. O amor de Deus não é incerto e vacilante. Ele vigia sempre sobre Seus filhos com desmedido cuidado. Mas requer submissão integral. “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”. Mateus 6:24.

Salomão fora dotado com maravilhosa sabedoria; mas o mundo afastou-o de Deus. Os homens hoje não são mais fortes do que ele o era; são igualmente inclinados a ceder às influências que lhe provocaram a queda. Assim como Deus advertiu Salomão do perigo que o ameaçava, assim adverte Ele hoje a Seus filhos a que não ponham em perigo suas almas pela afinidade com o mundo. “Saí do meio deles”, pede Ele, “e apartai-vos, […] não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai, e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor todo-poderoso”. 2 Coríntios 6:17, 18.

No meio da prosperidade ronda o perigo. Através dos séculos, riquezas e honra sempre têm-se feito seguir do perigo para a humildade e espiritualidade. Não é o copo vazio que se torna difícil de ser transportado; é o copo cheio que precisa ser cuidadosamente equilibrado para ser conduzido. A aflição e adversidade podem causar tristeza, mas é a prosperidade que representa maior perigo para a vida espiritual. A menos que o ser humano esteja em constante submissão à vontade de Deus, a menos que seja santificado pela verdade, a prosperidade fará que ressurja a inclinação natural para a presunção.

No vale da humilhação, onde os homens dependem de Deus para serem ensinados e guiados em cada passo, há relativa segurança. Mas os homens que se plantam, por assim dizer, num elevado pináculo, e que, por causa de sua posição, presumem possuir grande sabedoria — esses estão no mais grave perigo. A não ser que tais homens façam de Deus sua confiança, seguramente cairão.

Sempre que a ambição e o orgulho são tolerados, a vida é maculada; pois o orgulho, não sentindo necessidade, cerra o coração para as bênçãos infinitas do Céu. Aquele que faz da glorificação de si mesmo seu alvo encontrar-se-á destituído da graça de Deus, por cuja eficiência as verdadeiras riquezas e a mais satisfatória alegria são conquistadas. Mas o que tudo entrega e tudo faz por Cristo conhecerá o cumprimento da promessa: “A bênção do Senhor é que enriquece, e não acrescenta dores”. Provérbios 10:22. Com o gentil toque da graça o Salvador expulsa da alma a inquieta e não santificada ambição, mudando a animosidade em amor, a incredulidade em confiança. Quando Ele Se dirige à alma, dizendo: “Segue-Me” (Mateus 9:9), o mágico encantamento do mundo é quebrado. Ao som de Sua voz, o espírito de avareza e ambição foge do coração, e os homens se erguem, emancipados, para segui-Lo.

BLOG DA SEMANA 08/01/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 2

Anos atrás, a produtora Hanna-Barbera transportou, em um filme de animação, três crianças da era moderna ao passado, em um esforço para tornar a história de Ester mais real. A fabulosa antiga Pérsia deixou as crianças maravilhadas!

Se pudéssemos, de modo semelhante, retroceder no tempo e presenciar a dedicação a Deus do templo de Salomão, também ficaríamos impressionados. Durante sete anos, trabalhadores e artesãos, planejadores de eventos, reis e coros e arquitetos trabalharam incansavelmente para tornar esta dedicação significativa nos corações das pessoas. Os dignatários ricamente vestidos de muitas nações estrangeiras, muita pompa, música cantada, música instrumental, arte magnífica e obras de arte manual – nada foi deixado de lado para honrar o grande Deus do Universo.

Imagine assistir Salomão levantar os braços para o céu e convidar Deus para abençoar a vasta congregação! Quão solene e impressionante seria ver o fogo descer do céu e consumir o holocausto e os sacrifícios no final da oração de Salomão.

Felizmente, Deus ainda está presente na hora e no lugar da oração. Embora possamos não ver o fogo descer do céu na igreja ou em nossas devoções pessoais, nosso senso de grandeza infinita de Deus ainda deve inspirar verdadeira reverência e adoração.

Cindy Tutsch
Diretora Associada aposentada do Patrimônio Ellen G. White

 

Tradução: Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 2

Capítulo 2 — O templo e sua dedicação

Salomão pôs em execução sabiamente o plano tão longamente acariciado por Davi, de construir um templo ao Senhor. Durante sete anos Jerusalém esteve repleta de ocupados obreiros, empenhados em aplainar o local escolhido, abrir as grandes valas, assentar os amplos fundamentos — “pedras grandes, e pedras preciosas, pedras lavradas” (1 Reis 5:17), talhar os pesados troncos vindos das florestas do Líbano, erguer o magnificente santuário.

Simultaneamente com a preparação da madeira e pedra, em cuja tarefa muitos milhares estavam aplicando suas energias, a manufatura do mobiliário para o templo ia progredindo constantemente, sob a liderança de Hirão, de Tiro, “um homem sábio de grande entendimento, […]” hábil para “lavrar em ouro, e em prata, em bronze, em ferro, em pedras e em madeira, em púrpura, em azul, e em linho fino, e em carmesim”. 2 Crônicas 2:13, 14.

Assim, à medida que o edifício sobre o Monte Moriá ia sendo silenciosamente erguido com pedras preparadas, “de maneira que nem martelo, nem machado, nem nenhum outro instrumento de ferro se ouviu na casa quando a edificavam” (1 Reis 6:7), os belos utensílios eram trabalhados conforme os modelos entregues por Davi a seu filho — “todos os vasos que eram para a casa de Deus”. 2 Crônicas 4:19. Eles compreendiam o altar de incenso, a mesa dos pães da proposição, o castiçal com as lâmpadas, os vasos e instrumentos relacionados com a ministração dos sacerdotes no lugar santo — tudo “de ouro, do mais perfeito ouro”. 2 Crônicas 4:21. O mobiliário de bronze — o altar de ofertas queimadas, o grande lavatório sobre doze bois, as pias de menor tamanho, com muitos outros vasos — “na campina do Jordão os fundiu o rei na terra argilosa, entre Sucote e Zeredá”. 2 Crônicas 4:17. Esse mobiliário foi provido em abundância, para que não houvesse falta.

De inexcedível beleza e inigualável esplendor era o régio edifício que Salomão e seus homens construíram a Deus e ao Seu culto. Guarnecido de pedras preciosas, circundado por espaçosos átrios com magnificentes vias de acesso, revestido de cedro lavrado e ouro polido, a estrutura do templo, com suas cortinas bordadas e rico mobiliário, era apropriado emblema da igreja viva de Deus na Terra, a qual tem sido edificada através dos séculos segundo o modelo divino, com material que se tem comparado ao “ouro, prata e pedras preciosas”, “lavradas como colunas de um palácio”. Deste templo espiritual Cristo “é a principal pedra de esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor”. Efésios 2:20, 21.

Afinal o templo planejado pelo rei Davi e construído por seu filho Salomão estava concluído. “Tudo quanto Salomão intentou fazer na casa do Senhor e na sua casa, prosperamente o efetuou”. 2 Crônicas 7:11. E agora, para que o palácio que coroava as elevações do Monte Moriá pudesse ser, sem dúvida, como Davi havia desejado, um lugar de habitação não “para homem, senão para o Senhor Deus” (1 Crônicas 29:1), restava a solene cerimônia da dedicação formal a Jeová e Seu culto.

O local em que o templo fora construído era, havia muito, considerado sagrado. Foi ali que Abraão, o pai dos fiéis, revelara sua disposição de sacrificar seu único filho, em obediência à ordem de Jeová. Ali renovara Deus com Abraão o concerto de bênção, que incluía a gloriosa promessa messiânica feita à espécie humana, de libertamento por meio do sacrifício do Filho do Altíssimo. Foi ali que, quando Davi ofereceu sacrifícios queimados e ofertas pacíficas para deter a espada punitiva do anjo destruidor, Deus lhe respondeu com fogo enviado do Céu. 1 Crônicas 21. E agora os adoradores de Jeová mais uma vez ali estavam, para encontrar-se com seu Deus e renovar-Lhe os votos de fidelidade.

O tempo escolhido para a dedicação fora o mais favorável — o sétimo mês, quando o povo de todas as partes do reino estava acostumado a reunir-se em Jerusalém para celebrar a Festa dos Tabernáculos. Esta festa era preeminentemente uma ocasião de regozijo. Os labores da colheita haviam findado, as atividades do novo ano ainda não começara, o povo estava livre de cuidados e podia abandonar-se às influências sagradas, jubilosas do momento.

No tempo indicado, as tribos de Israel, com representantes de muitas nações estrangeiras ricamente vestidos, reuniram-se nos átrios do templo. A cena era de esplendor incomum. Salomão, com os anciãos de Israel, e os mais influentes homens dentre o povo, retornaram de outra parte da cidade, de onde haviam trazido a arca do testamento. Do santuário nos altos de Gibeom tinha sido transferida a antiga “tenda da congregação, com todos os vasos sagrados, que estavam na tenda” (2 Crônicas 5:5); e esses queridos relicários das mais remotas experiências dos filhos de Israel durante seu vaguear no deserto e a conquista de Canaã, encontravam agora uma morada permanente no esplêndido edifício que fora construído para ocupar o lugar da estrutura portátil.

Levando ao templo a arca sagrada que continha as duas tábuas de pedra em que, pelo dedo de Deus, haviam sido escritos os preceitos do decálogo, Salomão seguira o exemplo de seu pai Davi. A cada seis passos oferecia sacrifícios; e com canto e música e com grande cerimônia, “trouxeram os sacerdotes a arca do concerto do Senhor ao seu lugar, ao oráculo da casa, à santidade das santidades”. 2 Crônicas 5:7. Ao penetrarem no interior do santuário, tomaram os lugares que lhes eram designados. Os cantores — levitas vestidos de linho branco, com címbalos, e com alaúdes, e com harpas — permaneceram de pé para o oriente do altar, e com eles até cento e vinte sacerdotes que tocavam as trombetas. 2 Crônicas 5:12.

“Eles uniformemente tocavam as trombetas, e cantavam para fazerem ouvir uma só voz, bendizendo e louvando ao Senhor; e levantando eles a voz com trombetas, e címbalos, e outros instrumentos músicos, e bendizendo ao Senhor, porque era bom, porque a Sua benignidade durava para sempre, a casa se encheu de uma nuvem, a saber, a casa do Senhor, e não podiam os sacerdotes ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus”. 2 Crônicas 5:13, 14.

Compreendendo o significado desta nuvem, Salomão declarou: “O Senhor tem dito que habitaria nas trevas. E eu Te tenho edificado uma casa para morada, e um lugar para a Tua eterna habitação”. 2 Crônicas 6:1, 2.

“O Senhor reina; Tremam as nações;

Ele está entronizado entre os querubins; comova-se a Terra.

O Senhor é grande em Sião, e mais elevado que todas as nações.

Louvem o Teu nome, grande e tremendo, pois é santo. […]

Exaltai ao Senhor nosso Deus, e prostrai-vos diante do escabelo de Seus pés, porque Ele é santo”.

Salmos 99:1-5.

“No meio do pátio” do templo havia sido erguida “uma base de metal”, ou plataforma, “de cinco côvados de comprimento, e de cinco côvados de largura, e de três côvados de altura”. Sobre esta base Salomão pôs-se em pé, e com as mãos erguidas abençoou a vasta multidão que tinha diante de si. “E toda a congregação de Israel estava em pé”. 2 Crônicas 6:13, 3.

“Bendito seja o Senhor Deus de Israel”, exclamou Salomão, “que falou pela Sua boca a Davi meu pai, e pelas Suas mãos o cumpriu, dizendo: Escolhi Jerusalém, para que ali estivesse o Meu nome”. 2 Crônicas 6:4, 6.

Salomão pôs-se então de joelhos na plataforma, e aos ouvidos de todo o povo ofereceu a oração dedicatória. Levantando as mãos para o céu, enquanto a congregação permanecia ajoelhada com a face para o chão, o rei suplicou: “Senhor Deus de Israel, não há Deus semelhante a Ti, nem nos Céus nem na Terra; que guardas o concerto e a beneficência aos Teus servos que caminham perante Ti de todo o seu coração”.

“Mas verdadeiramente habitará Deus com os homens na Terra? Eis que o Céu e o Céu dos Céus não Te podem conter, quanto menos esta casa que tenho edificado? Atende pois à oração do Teu servo, e à sua súplica, ó Senhor meu Deus, para ouvires o clamor, e a oração que o Teu servo ora perante Ti. Que os Teus olhos estejam dia e noite abertos sobre este lugar, de que dissestes que ali porias o Teu nome, para ouvires a oração que o Teu servo orar neste lugar. Ouve, pois, as súplicas do Teu servo, e do Teu povo Israel, que fizerem neste lugar; e ouve Tu do lugar da Tua habitação, desde os Céus; ouve pois, e perdoa. […]

“Quando também o Teu povo Israel for ferido diante do inimigo, por ter pecado contra Ti, e eles se converterem, e confessarem o Teu nome, e orarem, e suplicarem perante Ti nesta casa, então ouve Tu desde os Céus, e perdoa os pecados de Teu povo Israel; e faze-os tornar à terra que lhes tens dado a eles e a seus pais.

“Quando os céus se cerrarem, e não houver chuva, por terem pecado contra Ti, e orarem neste lugar, e confessarem Teu nome, e se converterem dos seus pecados, quando Tu os afligires, então ouve Tu desde os Céus, e perdoa o pecado de Teus servos, e do Teu povo Israel, ensinando-lhes o bom caminho, em que andem; e dá chuva sobre a Tua terra, que deste ao Teu povo em herança.

“Havendo fome na terra, havendo peste, havendo queimadura dos trigos, ou ferrugem, gafanhotos, ou lagarta, cercando-a algum dos seus inimigos nas terras das suas portas, ou quando houver qualquer praga, ou qualquer enfermidade, toda a oração, e toda a súplica, que qualquer homem fizer, ou todo o Teu povo Israel, conhecendo cada um a sua praga e a sua dor, e estendendo as suas mãos para esta casa, então ouve Tu desde os Céus, do assento da Tua habitação, e perdoa e dá a cada um conforme a todos os seus caminhos, segundo conheces o seu coração […] a fim de que Te temam, para andarem nos Teus caminhos, todos os dias que viverem na terra que deste a nossos pais.

“Assim também ao estrangeiro, que não for do Teu povo Israel, mas vier de terras remotas por amor do Teu grande nome, e da Tua poderosa mão, e do Teu braço estendido, vindo eles e orando nesta casa, então ouve Tu desde os Céus, do assento da Tua habitação, e faze conforme a tudo o que o estrangeiro Te suplicar, a fim de que todos os povos da Terra conheçam o Teu nome, e Te temam, como o Teu povo Israel; e a fim de saberem que pelo Teu nome é chamada esta casa que edifiquei.

“Quando o Teu povo sair à guerra contra os seus inimigos, pelo caminho que os enviares, e orarem a Ti para a banda desta cidade, que escolheste, e desta casa, que edifiquei ao Teu nome. Ouve então desde os Céus a sua oração, e sua súplica, e executa o seu direito.

“Quando pecarem contra Ti (pois não há homem que não peque), e Tu Te indignares contra eles, e os entregares diante do inimigo, para que os que os cativarem os levem em cativeiro para alguma terra, remota ou vizinha, e na terra, para onde forem levados em cativeiro, tornarem a si, e se converterem, e na terra do seu cativeiro a Ti suplicarem, dizendo: Pecamos, perversamente fizemos, e impiamente obramos; e se converterem a Ti com todo o seu coração e com toda a sua alma, na terra do seu cativeiro, a que os levarem presos, e orarem para a banda da sua terra, que deste a seus pais, e desta cidade que escolheste, e desta casa que edifiquei ao Teu nome, ouve então desde os Céus, do assento da Tua habitação, a sua oração e as suas súplicas, e executa o seu direito; e perdoa ao Teu povo que houver pecado contra Ti.

“Agora pois, ó meu Deus, estejam os Teus olhos abertos, e os Teus ouvidos atentos à oração deste lugar. Levanta-Te pois agora, Senhor Deus, para o Teu repouso, Tu e a arca da Tua fortaleza; os teus sacerdotes, ó Senhor Deus, sejam vestidos de salvação, e os Teus santos se alegrem do bem. Ah Senhor Deus, não faças virar o rosto do Teu ungido; lembra-Te das misericórdias de Davi Teu servo”. 2 Crônicas 6:14-42.

Acabando Salomão de orar, “desceu o fogo do Céu, e consumiu o holocausto e os sacrifícios”. Os sacerdotes não podiam entrar no templo, porque “a glória do Senhor encheu a casa do Senhor. E todos os filhos de Israel, vendo descer o fogo, e a glória do Senhor sobre a casa, encurvaram-se com o rosto em terra sobre o pavimento, e adoraram e louvaram ao Senhor; porque é bom, porque a Sua benignidade dura para sempre”.

Então o rei e o povo ofereceram sacrifícios perante o Senhor. “E o rei e todo o povo consagraram a casa de Deus”. 2 Crônicas 7:1-5. Durante sete dias as multidões de todas as partes do reino, “desde a entrada de Hamate, até ao rio do Egito”, “uma mui grande congregação” celebrou uma jubilosa festa. A semana seguinte foi pela feliz multidão dedicada à celebração da Festa dos Tabernáculos. Findo o tempo de reconsagração e júbilo, o povo retornou a seus lares, alegre “e de bom ânimo, pelo bem que o Senhor tinha feito a Davi, e a Salomão, e a Seu povo Israel”. 2 Crônicas 7:8, 10.

O rei havia feito o que estava em suas forças para encorajar o povo a render-se inteiramente a Deus e Seu serviço, e a magnificar Seu santo nome. E agora uma vez mais, como no início de seu reinado em Gibeom, ao rei de Israel fora dada evidência da divina aceitação e bênção. Numa visão noturna, o Senhor lhe apareceu com a mensagem: “Ouvi tua oração, e escolhi para Mim este lugar para casa de sacrifício. Se Eu cerrar os céus, e não houver chuva; ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra; ou se enviar a peste entre o Meu povo; e se o Meu povo, que se chama pelo Meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a Minha face e se converter dos seus maus caminhos, então Eu ouvirei dos Céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. Agora estarão abertos os Meus olhos e atentos os Meus ouvidos à oração deste lugar. Porque agora escolhi e santifiquei esta casa, para que o Meu nome esteja nela perpetuamente; e nela estarão fixos os Meus olhos e o Meu coração todos os dias”. 2 Crônicas 7:12-16.

Tivesse Israel permanecido leal a Deus e este glorioso edifício teria permanecido para sempre, como perpétuo sinal de especial favor de Deus a Seu povo escolhido. “E aos filhos dos estrangeiros”, declarou Deus, “que se chegarem ao Senhor, para O servirem, e para amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos Seus, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem o Meu concerto, também os levarei ao Meu santo monte, e os festejarei na Minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no Meu altar, porque a Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos”. Isaías 56:6, 7.

Em conexão com a certeza de aceitação, o Senhor tornou claro o caminho do dever perante o rei. “E, quanto a ti”, Ele declarou, “se andares diante de Mim, como andou Davi teu pai, e fizeres conforme a tudo que te ordenei e guardares os Meus estatutos e os Meus juízos, também confirmarei o trono do teu reino, conforme o concerto que fiz com Davi, teu pai, dizendo: Não te faltará varão que domine em Israel”. 2 Crônicas 7:17, 18.

Tivesse Salomão continuado a servir ao Senhor em humildade, todo o seu reinado teria exercido poderosa influência para o bem sobre as nações circunvizinhas — nações que tinham sido tão favoravelmente impressionadas pelo reinado de Davi, seu pai, e pelas sábias palavras e magnificentes obras dos primeiros anos de seu próprio reinado. Prevendo as terríveis tentações que acompanham a prosperidade e honras mundanas, Deus advertiu Salomão contra o mal da apostasia, e predisse os terríveis resultados do pecado. Até mesmo o belo templo que havia sido dedicado, declarou Ele, se tornaria como “provérbio e mote entre todas as gentes”, se Israel deixasse “ao Senhor Deus de seus pais” (2 Crônicas 7:20-22), se persistisse na idolatria.

Fortalecido no coração e grandemente animado pela mensagem do Céu de que sua oração em favor do povo havia sido ouvida, Salomão entrava agora para o mais glorioso período de seu reinado, quando “todos os reis da Terra” começaram a buscar sua presença, “para ouvirem a sua sabedoria, que Deus lhe dera no seu coração”. 2 Crônicas 9:23. Muitos vinham para ver o sistema de seu governo e para receber instrução quanto à maneira de se conduzirem nos assuntos difíceis.

Visitando essas pessoas a Salomão, ensinava-lhes ele a respeito de Deus como Criador de todas as coisas, e elas retornavam a seus lares com uma concepção mais clara do Deus de Israel, e de Seu amor pela raça humana. Nas obras da natureza contemplavam agora a expressão de Seu amor e uma revelação de Seu caráter; e muitos eram levados a adorá-Lo como seu Deus.

A humildade de Salomão ao tempo em que começou a levar a carga do Estado, quando ele reconheceu perante Deus: “Sou ainda menino pequeno” (1 Reis 3:7); seu marcado amor a Deus, profunda reverência pelas coisas divinas, sua desconfiança de si mesmo e exaltação do infinito Criador de tudo — todos esses traços de caráter tão dignos de emulação, foram revelados durante os serviços relacionados com a conclusão do templo, quando durante sua oração dedicatória ele se ajoelhou, postando-se na humilde posição de suplicante. Os seguidores de Cristo hoje devem guardar-se da tendência de perder o espírito de reverência e piedoso temor. As Escrituras ensinam como devem os homens aproximar-se de seu Criador: com humildade e temor, mediante a fé num mediador divino. O salmista declarou:

“O Senhor é Deus grande, e Rei grande acima de todos os deuses. […]

Ó, vinde, adoremos, e prostremo-nos;

ajoelhemos diante do Senhor que nos criou”.

Salmos 95:3, 6.

Tanto no culto particular como no público, é nosso privilégio dobrar os joelhos perante Deus, quando a Ele oferecemos nossas petições. Jesus, nosso exemplo, “pondo-Se de joelhos, orava”. Lucas 22:41. De Seus discípulos, falando de Pedro, se relata que também “pôs-se de joelhos e orou”. Atos dos Apóstolos 9:40. Paulo declarou: “Ponho-me de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. Efésios 3:14. Quando confessava perante Deus os pecados de Israel, Esdras se ajoelhou. Esdras 9:5. Daniel “se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante de seu Deus”. Daniel 6:10.

A verdadeira reverência a Deus é inspirada pelo senso de Sua infinita grandeza e a noção de Sua presença. Com este senso do invisível, todo coração deve sentir-se profundamente impressionado. A ocasião e o lugar de oração são sagrados, porque Deus está ali. E ao ser a reverência manifestada em atitude e comportamento, o sentimento que a inspira será aprofundado. “Santo e tremendo é o Seu nome” (Salmos 111:9), declara o salmista. Os anjos, quando pronunciam este nome velam o rosto. Com que reverência, então, não devemos nós, que somos pecadores e caídos, tomá-lo em nossos lábios!

Bem fariam velhos e jovens em ponderar as palavras das Escrituras que mostram como deve ser considerado o lugar assinalado pela especial presença de Deus. “Tira os teus sapatos”, ordenou Ele a Moisés junto à sarça ardente, “porque o lugar em que tu estás é terra santa”. Êxodo 3:5. Jacó, havendo contemplado a visão do anjo, exclamou: “O Senhor está neste lugar; e eu não o sabia. […] Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos Céus”. Gênesis 28:16, 17.

Naquilo que fora dito durante a cerimônia de dedicação, Salomão tinha procurado remover do espírito dos presentes as superstições em relação com o Criador, as quais haviam obscurecido a mente dos pagãos. O Deus dos Céus não está, como os deuses dos pagãos, confinado em templos feitos por mãos; todavia Ele Se encontraria com Seu povo por meio de Seu Espírito, quando se reunissem na casa dedicada a Sua adoração.

Séculos mais tarde Paulo ensinou a mesma verdade nas palavras: “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do Céu e da Terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; nem tão pouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois Ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas; […] para que buscassem ao Senhor, se porventura tateando, O pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; porque nEle vivemos, e nos movemos, e existimos”. Atos dos Apóstolos 17:24-28.

“Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor,

e o povo que Ele escolheu para Sua herança.

O Senhor olha desde os Céus e está vendo a todos os filhos dos homens;

da Sua morada contempla todos os moradores da Terra”.

Salmos 33:12-14.

“O Senhor tem estabelecido o Seu trono nos Céus, e o Seu reino domina sobre tudo”.

Salmos 103:19.

“O Teu caminho, ó Deus, está no santuário.

Que deus é tão grande como o nosso Deus?

Tu és o Deus que fazes maravilhas;

Tu fizeste notória a Tua força entre os povos”.

Salmos 77:13, 14.

Embora Deus não habite em templos feitos por mãos humanas, honra, não obstante, com Sua presença, as assembléias de Seu povo. Ele prometeu que quando se reunissem para buscá-Lo, reconhecendo seus pecados, e para orarem uns pelos outros, Ele Se reuniria com eles por meio de Seu Espírito. Mas os que se reúnem para adorá-Lo devem afastar de si toda coisa má. A menos que O adorem em espírito e em verdade e na beleza da Sua santidade, seu ajuntamento será de nenhum valor. Destes o Senhor declara: “Este povo honra-Me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de Mim. Mas em vão Me adoram”. Mateus 15:8, 9. Os que adoram a Deus devem adorá-Lo em “espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim O adorem”. João 4:23.

“O Senhor está no Seu santo templo; cale-se diante dEle toda a Terra”. Hebreus 2:20.

BLOG DA SEMANA, sobre Profetas e Reis, cap. 1

Ao ser transmitido o reinado de Davi a Salomão, Israel deveria realizar o que Deus havia planejado. Deus havia colocado Israel na encruzilhada do mundo, onde a mensagem do verdadeiro Deus poderia ser transmitida a todos daquela época.

Durante seus anos de crescimento, Salomão andou na obediência aos mandamentos de Deus. Agora, era hora dele assumir o trono. Através de seu pai, o rei Davi e seus conselheiros, Salomão recebeu os requisitos necessários para governar Israel. Governar Israel exigiria uma mente rápida, um espírito terno e um caráter reto. Em um sonho, Salomão humildemente abriu seu coração a Deus e pediu sabedoria. Deus se deleitou em conceder a Salomão este pedido.

Vivemos numa época em que o mundo está maduro para ouvir a mensagem de esperança e amor. Precisamos daquilo que Salomão precisava para governar Israel: uma mente capaz de compartilhar a mensagem, um espírito de ternura para com aqueles que encontramos e um caráter que reflita o do nosso Salvador. Quanta humildade nós devemos ter ao considerarmos o alcance da mensagem a ser dada! Mas, como Salomão, podemos abrir nosso coração a Deus e pedir sabedoria. Deus se deleita em responder a esta oração.

“Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.” Tiago 1:5, NVI . “Humilhem-se diante do Senhor, e Ele os exaltará.” Tiago 4:10, NVI.

Arlene Campbell

Michigan EUA

 

Texto original: http://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/1

Tradução: Jeferson/Gisele Quimelli

Também disponível em: http://www.revivalandreformation.org/bhp/pt/sop/pk/1