BLOG DA SEMANA 15/10/2017 – sobre Profetas e Reis, cap. 46

A vesícula biliar de Mary Mallon estava infectada com febre tifóide, mas ela não apresentava sintomas. Quando ela cozinhava, quase sempre ocorria um surto de febre tifoide. Os médicos sugeriram a remoção de sua vesícula infectada, mas ela não acreditava que ela fosse uma portadora. Ela se recusou a parar de cozinhar, e as pessoas continuaram a adoecer e morrer. Ela foi apelidada de “Mary Tifóide“.

Quando os israelitas começaram a restaurar o templo, os samaritanos vizinhos ofereceram ajuda. Ajuda é sempre benvinda, certo? Afinal, “muitas mãos fazem a luz brilhar”. Mas esses samaritanos carregavam a infecção da idolatria. Eles não se acreditavam infectados. Eles alegavam que seus ídolos apenas lembravam o verdadeiro Deus. Mas se os israelitas tivessem aceitado sua ajuda e se unido a eles, isto teria aberto a porta para a entrada da idolatria.

Com que frequência a mesma tentação nos encontra até hoje? Com que frequência somos tentados a aceitar ajuda, mesmo que isto signifique colocar limites na nossa liberdade religiosa? Comprometer princípios para atrair uma multidão? Juntar-se a atividades questionáveis para evitar irritar um amigo ou um grupo?

Embora estas concessões possam parecer boas a partir de uma perspectiva humana, elas são muito perigosas à vista de Deus. Deus é capaz de remover nossas infecções e limpar nossos corações, mas Ele precisa de toda nossa devoção. Deus pode realizar mais através de um pequeno número de pessoas completamente dedicadas a Ele do que através de um grande número que está comprometido.

“Nunca podemos nos dar ao luxo de comprometer o princípio ao entrar em aliança com aqueles que não o temem”. (PR, 570)

Lisa Ward
Cleburne, Texas

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/?id=1559/
Equipe de tradução: Pr Jobson Santos/Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 46 – “Os profetas de Deus os ajudavam”

 Capítulo 46 — “Os profetas de Deus os ajudavam”

Próximo dos israelitas que tinham tomado a tarefa de reconstruir o templo, habitavam os samaritanos, uma raça mestiça que tinha surgido em conseqüência de cruzamento pelo matrimônio entre os colonos pagãos das províncias da Assíria com o remanescente das dez tribos que tinha sido deixado em Samaria e Galiléia. Nos últimos anos os samaritanos declaravam adorar o verdadeiro Deus; mas no coração e prática eram idólatras. Eles sustentavam, é certo, que seus ídolos eram apenas para lembrar-lhes o Deus vivo, o Governador do Universo; não obstante o povo era propenso a reverenciar imagens de escultura.

Durante o período da restauração, esses samaritanos vieram a ser conhecidos como “os adversários de Judá e Benjamim”. Ouvindo eles “que os que tornaram do cativeiro edificavam o templo ao Senhor Deus de Israel”, “chegaram-se a Zorobabel e aos chefes dos pais”, e expressaram o desejo de se unirem com eles em sua construção. “Deixai-nos edificar convosco”, propuseram, “porque, como vós, buscaremos a vosso Deus; como também já Lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos mandou vir para aqui.” Mas o privilégio que pediam foi-lhes recusado. “Não convém que vós e nós edifiquemos casa a nosso Deus”, os líderes de Israel declararam; “mas nós sós a edificaremos ao Senhor, Deus de Israel, como nos ordenou o rei Ciro, rei da Pérsia”. Esdras 4:1-3.

Apenas um remanescente tinha escolhido voltar de Babilônia; e agora, ao empreenderem uma obra aparentemente além de suas forças, seus mais próximos vizinhos vêm com oferecimento de auxílio. Os samaritanos se referem a sua adoração do verdadeiro Deus, e manifestam o desejo de partilhar os privilégios e bênçãos relacionados com a atividade do templo. “Como vós, buscaremos a vosso Deus”, declaram eles. “Deixai-nos edificar convosco.” Mas tivessem os líderes judeus aceito esta oferta de assistência, e teriam aberto uma porta para a entrada da idolatria. Eles discerniram a insinceridade dos samaritanos. Compreenderam que o auxílio alcançado mediante uma aliança com esses homens seria como nada em comparação com as bênçãos que poderiam esperar receber se seguissem os claros mandamentos de Jeová.

Referindo-Se à relação que Israel poderia vir a manter com as nações ao redor, o Senhor havia declarado por intermédio de Moisés: “Não farás com elas concerto, nem terás piedade delas, nem darás tuas filhas a seus filhos; pois fariam desviar os teus filhos de Mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria”. Deuteronômio 7:2-4. “Porque povo santo és ao Senhor teu Deus; o Senhor teu Deus te escolheu, para que Lhe fosses o Seu povo próprio, de todos os povos que sobre a Terra há”. Deuteronômio 14:2.

O resultado que se seguiria em face de um concerto com as nações ao redor foi claramente predito. “O Senhor vos espalhará entre todos os povos, desde uma extremidade da Terra até a outra”, Moisés havia declarado; “e ali servirás a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus pais: ao pau e à pedra. E nem ainda entre as mesmas gentes descansarás, nem a planta de teu pé terá repouso; porque o Senhor ali te dará coração tremente, e desfalecimento dos olhos, e desmaio da alma. E a tua vida como suspensa estará diante de ti; e estremecerás de noite e de dia, e não crerás na tua própria vida. Pela manhã dirás: Ah quem me dera ver a noite E à tarde dirás: Ah quem me dera ver a manhã pelo pasmo de teu coração, com que pasmará, e pelo que verás, com os teus olhos”. Deuteronômio 28:64-67. “Então dali buscarás ao Senhor teu Deus”, tinha sido a promessa, “e O acharás, quando O buscardes de todo o teu coração e de toda a tua alma”. Deuteronômio 4:29.

Zorobabel e seus companheiros estavam familiarizados com essas e muitas outras passagens semelhantes das Escrituras; e no recente cativeiro, tiveram evidência após evidência do seu cumprimento. E agora havendo-se arrependido dos males que haviam acarretado sobre eles e seus pais os juízos tão claramente preditos por meio de Moisés; havendo voltado de todo o coração para Deus, e renovado sua relação de concerto com Ele, tiveram a permissão de retornar à Judéia, para que pudessem restaurar o que havia sido destruído. Deviam eles, já no início de sua empreitada, entrar em concerto com os idólatras?

“Não farás com elas concerto” (Deuteronômio 7:2), Deus dissera; e os que de novo se haviam dedicado ao Senhor junto ao altar erguido ante as ruínas de Seu templo, sentiram que a linha de demarcação entre o Seu povo e o mundo devia ser mantida perfeitamente distinta. Eles se recusaram a entrar em aliança com os que, tendo embora familiaridade com os requisitos da lei de Deus, não se rendiam a suas exigências.

Os princípios apresentados em Deuteronômio para instrução de Israel, devem ser erguidos pelo povo de Deus até ao fim do tempo. A verdadeira prosperidade depende da continuidade de nossa relação de concerto com Deus. Nunca podemos nos permitir compromisso de princípio fazendo aliança com os que O não temem.

Há o constante perigo de que cristãos professos venham a pensar que para exercer influência sobre os mundanos, necessitem conformar-se até certo ponto com o mundo. Mas embora tal conduta possa parecer como propiciando grandes vantagens, acaba sempre em perda espiritual. O povo de Deus deve guardar-se estritamente contra toda sutil influência que busque entrada mediante aduladoras insinuações dos inimigos da verdade. Eles são peregrinos e estrangeiros neste mundo; palmilhando um caminho juncado de perigos. Não devem dar atenção aos engenhosos subterfúgios e fascinantes razões que os tentem a afastar-se de sua obediência.

Não são os inimigos francos e confessos da causa de Deus os mais de temer. Aqueles que, como os adversários de Judá e Benjamim, vêm com palavras suaves e fala agradável, aparentemente procurando amigável aliança com os filhos de Deus, têm maior poder para enganar. Contra tais pessoas cada alma deve estar alerta, não suceda que algum engano magistral e cuidadosamente disfarçado o tome inadvertido. E especialmente hoje, enquanto a história da Terra caminha para o fim, o Senhor requer de Seus filhos uma vigilância que não conheça abrandamento. Mas embora o conflito seja incessante, ninguém é deixado a lutar sozinho. Anjos ajudam e protegem os que andam humildemente diante de Deus. O Senhor jamais trai a quem nEle confia. Quando Seus filhos dEle se aproximam em busca de proteção contra o mal, em piedade e amor Ele levanta para eles um estandarte contra o inimigo. Não lhes toque, Ele diz; pois são Meus. Tenho-os gravados nas palmas das Minhas mãos.

Incansáveis em sua oposição, os samaritanos “debilitavam as mãos do povo de Judá, e inquietavam-nos no edificar; e alugaram contra eles conselheiros para frustrarem o seu plano, todos os dias de Ciro, rei da Pérsia, até o reinado de Dario, rei da Pérsia”. Esdras 4:4, 5. Mediante falsos relatórios, eles suscitaram suspeitas em espíritos facilmente levados a suspeitar. Mas durante muitos anos os poderes do mal foram mantidos em xeque, e o povo na Judéia teve liberdade para continuar sua obra.

Enquanto Satanás estava procurando influenciar as mais altas autoridades no reino da Medo-Pérsia para que não mostrassem favor ao povo de Deus, anjos trabalhavam no interesse dos exilados. Era uma controvérsia na qual todo o Céu estava interessado. Por intermédio do profeta Daniel é-nos dado um lampejo desta poderosa luta entre as forças do bem e as do mal. Durante três semanas Gabriel se empenhou em luta com os poderes das trevas, procurando conter as influências em operação na mente de Ciro; e antes que a contenda terminasse, o próprio Cristo veio em auxílio de Gabriel. “O príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte de mim vinte e um dias”, Gabriel declara; “e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia”. Daniel 10:13. Tudo que o Céu podia fazer em favor do povo de Deus foi feito. A vitória foi finalmente ganha; as forças do inimigo foram contidas todos os dias de Ciro, e todos os dias de seu filho Cambisses, que reinou cerca de sete anos e meio.

Esse foi um tempo de maravilhosas oportunidades para os judeus. Os mais altos instrumentos do Céu estavam operando no coração dos reis, e o povo de Deus devia trabalhar com a máxima atividade para executar o decreto de Ciro. Não deviam eles poupar esforços no sentido de concluir a restauração do templo e suas cerimônias, e se restabeleceram em seus lares judaicos. Mas no dia do poder de Deus, muitos se provaram mal dispostos. A oposição dos seus inimigos era forte e determinada, e gradualmente os edificadores desanimaram. Alguns não podiam esquecer a cena do lançamento do alicerce, quando muitos tinham dado expressão a sua falta de confiança no empreendimento. E tornando-se os samaritanos mais ousados, muitos judeus punham em dúvida se, afinal de contas havia chegado o tempo para a reconstrução. O ressentimento logo se espalhou. Muitos dos obreiros, sem coragem ou ânimo, retornaram a seus lares, para assumirem seu curso comum de vida.

Durante o reinado de Cambisses, o trabalho do templo progrediu lentamente. E durante o reinado do falso Smerdis, chamado Artaxerxes em Esdras 4:7, os samaritanos induziram o inescrupuloso impostor a baixar um decreto proibindo os judeus de reconstruir sua cidade e templo.

Por mais de um ano o templo foi negligenciado, e quase abandonado. O povo habitava em seus lares, e tudo fazia por alcançar prosperidade temporal; mas sua situação era deplorável. Por mais que trabalhassem não prosperavam. Os próprios elementos da natureza, pareciam conspirar contra eles. Visto que haviam permitido continuasse o templo em ruínas, o Senhor enviou sobre seus recursos uma ruinosa estiagem. Deus lhes havia concedido os frutos do campo e dos pomares, o milho, o vinho, o óleo, como um sinal do Seu favor; mas como usassem essas abundantes dádivas tão egoistamente, a bênção foi retirada.

Tais eram as condições existentes durante a primeira parte do reinado de Dario Histaspes. Tanto do ponto de vista espiritual quando temporal, os israelitas estavam em estado deplorável. Tanto haviam murmurado e duvidado; tanto tempo tinham escolhido tratar de interesses pessoais primeiro, enquanto contemplavam com apatia o templo do Senhor em ruínas, que muitos haviam perdido de vista o propósito de Deus em fazê-los retornar à Judéia; e esses estavam dizendo: “Não veio ainda o tempo, o tempo em que a casa do Senhor deve ser edificada”. Ageu 1:2.

Mas nem mesmo esta hora escura foi sem esperança para aqueles cuja confiança estava em Deus. Os profetas Ageu e Zacarias foram despertados para enfrentar a crise. Com encorajadores testemunhos esses mensageiros escolhidos revelaram ao povo a causa de suas dificuldades. A falta de prosperidade temporal era o resultado da negligência em dar prioridade aos interesses de Deus, os profetas afirmaram. Tivessem os israelitas honrado a Deus, tivessem-Lhe eles mostrado o devido respeito e cortesia, fazendo do reerguimento de Sua casa a primeira obra, e teriam convidado Sua presença e bênção.

Aos que haviam perdido o ânimo, Ageu dirigiu a penetrante pergunta: “É para vós tempo de habitardes nas vossas casas estucadas, e esta casa há de ficar deserta? Ora pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Aplicai os vossos corações aos vossos caminhos.” Por que tendes feito tão pouco? Por que vos preocupais com as vossas próprias casas, e não vos preocupais com a casa do Senhor? Onde está o zelo que uma vez sentistes pela restauração da casa do Senhor? Que tendes lucrado em servir-vos a vós mesmos? O desejo de fugir da pobreza tem-vos levado a negligenciar o templo, mas esta negligência acarretou sobre vós o que temíeis. “Semeais muito, e recolheis pouco; comeis, mas não vos fartais; bebeis, mas não vos saciais; vesti-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe salário num saco furado”. Ageu 1:4-6.

E então, em palavras que eles não podiam deixar de entender, o Senhor revelou a causa da penúria que padeciam: “Olhastes para muito, mas eis que alcançastes pouco; e esse pouco, quando o trouxestes para casa, Eu lhe assoprei. Por que causa? disse o Senhor dos Exércitos. Por causa da Minha casa, que está deserta, e cada um de vós corre à sua própria casa. Por isso retêm os céus o seu orvalho, e a Terra retém os seus frutos. E fiz vir a seca sobre a terra, e sobre os montes, e sobre o trigo, e sobre o mosto, e sobre o azeite, e sobre o que a terra produz; como também sobre os homens, e sobre os animais, e sobre todo o trabalho das mãos”. Ageu 1:9-11.

“Aplicai os vossos corações aos vossos caminhos”, o Senhor apelava. “Subi ao monte, e trazei e madeira, e edificai a casa, e dela me agradarei; e Eu serei glorificado, diz o Senhor”. Ageu 1:7, 8.

A mensagem de conselho e reprovação dada por intermédio de Ageu foi recebida no coração pelos líderes e povo de Israel. Sentiram que Deus estava tratando a sério com eles. Não ousaram menosprezar a repetida instrução a eles enviada — de que sua prosperidade, tanto temporal como espiritual, estava na dependência de sua fiel obediência aos mandamentos de Deus. Despertado pelas advertências do profeta, Zorobabel e Josué, “e todo o resto do povo”, ouviram “a voz do Senhor seu Deus, e as palavras do profeta Ageu, como o Senhor seu Deus o tinha enviado”. Ageu 1:12.

Tão logo Israel decidiu obedecer, as palavras de reprovação foram seguidas por uma mensagem de encorajamento. “Então Ageu […] falou ao povo, conforme a mensagem do Senhor, dizendo: Eu sou convosco, diz o Senhor. E o Senhor levantou o espírito de Zorobabel” e de Josué, e “o espírito de todo o povo; e vieram, e trabalharam na casa do Senhor dos Exércitos, seu Deus”. Ageu 1:13, 14.

Menos de um mês depois que a obra do templo foi retomada, os construtores receberam outra confortadora mensagem: “Esforça-te, Zorobabel”, o próprio Senhor apelava por intermédio do Seu profeta; “e esforça-te, Josué […] e esforçai-vos todo o povo da terra, diz o Senhor, e trabalhai; porque Eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos”. Ageu 2:4.

A Israel acampado diante do Monte Sinai o Senhor havia declarado: “Habitarei no meio dos filhos de Israel, e lhes serei por Deus. E saberão que Eu sou o Senhor Deus, que os tenho tirado da terra do Egito, para habitar no meio deles; Eu o Senhor seu Deus”. Êxodo 29:45, 46. E agora, não obstante o fato de que eles tinham repetidamente sido “rebeldes, e contristaram o Seu Espírito Santo” (Isaías 63:10), Deus uma vez mais através da mensagem do Seu profeta, estava estendendo Sua mão para salvar. Como reconhecimento de sua cooperação com o Seu propósito, Ele estava renovando o Seu concerto de que o Seu Espírito permaneceria entre eles; e Ele os animava: “Não temas.”

A Seus filhos hoje, o Senhor declara: “Esforçai-vos […] e trabalhai; porque Eu sou convosco.” Os cristãos sempre tiveram no Senhor um forte ajudador. Podemos não conhecer a maneira como o Senhor ajuda; mas de uma coisa nós sabemos: Ele jamais falta aos que nEle põem a sua confiança. Se os cristãos soubessem quantas vezes o Senhor tem preparado o seu caminho, a fim de que o propósito do inimigo com respeito a eles não se realizasse, não andariam tropeçando e queixando-se. Sua fé estaria firme em Deus, e nenhuma provação teria poder para movê-los. Eles O reconheceriam como sua sabedoria e eficiência, e Ele poderia realizar aquilo que deseja por meio deles.

Os ferventes apelos e encorajamentos dados por meio de Ageu, receberam ênfase adicional por meio de Zacarias, a quem Deus suscitou para lhe ficar ao lado nos apelos a Israel para que executasse a ordem de levantar-se e edificar. A primeira mensagem de Zacarias foi uma garantia de que a Palavra de Deus jamais falha, e uma promessa de bênção aos que dessem ouvidos à segura palavra da profecia.

Com os campos devastados, as escassas reservas de provisões rapidamente se esgotando, e rodeados como estavam por povos inamistosos, os israelitas prosseguiam ainda assim com fé, em resposta ao chamado dos mensageiros de Deus, e trabalhavam diligentemente para restaurar o templo arruinado. Era uma obra que requeria firme confiança em Deus. Enquanto o povo procurava fazer sua parte, buscando uma renovação da graça de Deus no coração e na vida, mensagem após mensagem era dada por intermédio de Ageu e Zacarias, com a certeza de que sua fé seria ricamente recompensada, e que a Palavra de Deus concernente à futura glória do templo cujas paredes eles estavam reparando, não falharia. Nesse mesmo edifício apareceria, na plenitude do tempo, o Desejado de todas as nações como o Mestre e Salvador da humanidade.

Assim os construtores não foram deixados a lutar sozinhos; estavam “com eles os profetas de Deus, que os ajudavam” (Esdras 5:2); e o Senhor dos Exércitos havia declarado: “Esforçai-vos […] e trabalhai; porque Eu sou convosco”. Ageu 2:4.

Com arrependimento de coração e desejo de avançar pela fé, vieram as promessas de prosperidade temporal. “Desde este dia”, o Senhor declarou, “vos abençoarei”. Ageu 2:19.

A Zorobabel, seu líder — aquele que, através de todos os anos desde o seu retorno de Babilônia, havia sido tão severamente provado — foi dada a mais preciosa mensagem. O dia se aproximava, o Senhor declarou, quando todos os inimigos do Seu povo escolhido seriam abatidos. “Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, te tomarei, ó Zorobabel […] Meu servo, diz o Senhor, e te farei como um anel de selar; porque te escolhi”. Ageu 2:23. Agora o governador de Israel podia ver o significado da providência que o tinha levado através de desencorajamento e perplexidade; ele podia discernir em tudo isto o propósito de Deus.

Essa palavra pessoal a Zorobabel foi registrada para encorajamento dos filhos de Deus em todos os séculos. Deus tem um propósito em enviar a Seus filhos. Ele jamais os dirige de outra forma que não aquela mesma que eles escolheriam se pudessem ver o fim desde o princípio, e discernir a glória do propósito que estão preenchendo. Tudo que Ele traz sobre eles em provação e infortúnio vem para que sejam fortes a fim de agirem e sofrerem por Ele.

As mensagens dadas por Ageu e Zacarias despertaram o povo no sentido de fazer todo o esforço possível para a reconstrução do templo; mas enquanto trabalhavam foram maldosamente molestados pelos samaritanos e outros, que tramaram muitos embaraços. Uma ocasião os oficiais do reino medo-persa, governadores da província, visitaram Jerusalém, e pediram o nome da pessoa que havia autorizado a restauração do templo. Se nessa ocasião os judeus não tivessem confiado no Senhor para orientação, esta inquirição teria tido para eles resultados desastrosos. “Porém os olhos de Deus estavam sobre os anciãos dos judeus, e não os impediram, até que o negócio veio a Dario”. Esdras 5:5. Os oficiais receberam uma resposta tão sábia que decidiram escrever uma carta a Dario Histaspes, então rei da Medo-Pérsia, chamando sua atenção para o decreto original feito por Ciro, o qual ordenara que a casa de Deus em Jerusalém fosse reconstruída, e que as despesas da mesma fossem pagas do tesouro do rei.

Dario pesquisou em busca deste decreto, e encontrou-o; ordenou então aos que tinham feito a inquirição que permitissem prosseguir a reconstrução do templo. “Deixai-os na obra desta casa de Deus”, ele ordenou; “para que o governador dos judeus e os judeus edifiquem esta casa de Deus no seu lugar.

“Também por mim”, Dario continuou, “se decreta o que haveis de fazer com os anciãos dos judeus, para que edifiquem esta casa de Deus, a saber: Que da fazenda do rei, dos tributos dalém do rio, se pague prontamente a

despesa a estes homens, para que não sejam impedidos. E o que for necessário, como bezerros, e carneiros, e cordeiros, para o holocausto ao Deus dos Céus, trigo, sal, vinho e azeite, segundo o rito dos sacerdotes que estão em Jerusalém, dê-se-lhes, de dia em dia, para que não haja falta; para que ofereçam sacrifícios de cheiro suave ao Deus dos Céus, e orem pela vida do rei e de seus filhos”. Esdras 6:7-10.

Além disso o rei decretou que severas penalidades seriam aplicadas a quem de alguma maneira pretendesse alterar o decreto; e ele concluiu com esta afirmação digna de nota: “O Deus, pois, que fez habitar ali o Seu nome derribe a todos os reis e povos que estenderem a sua mão para o mudarem e para destruírem esta casa de Deus, que está em Jerusalém. Eu Dario, dei o decreto; apressuradamente se execute”. Esdras 6:12. Assim o Senhor preparou o caminho para a conclusão do templo.

Durante muitos meses antes que este decreto fosse baixado, os israelitas, estiveram a trabalhar pela fé, os profetas de Deus ainda os ajudando por meio de oportunas mensagens, pelas quais o propósito divino para Israel foi mantido perante os edificadores. Dois meses depois que a última mensagem registrada de Ageu foi dada, Zacarias teve uma série de visões referentes à obra de Deus na Terra. Essas mensagens, dadas na forma de parábolas e símbolos, vieram num tempo de grande incerteza e ansiedade, e foram de peculiar significação para os homens que estavam avançando em nome do Deus de Israel. Parecia aos líderes como se a permissão dada aos judeus para reconstruir estivesse prestes a sofrer impedimento; o futuro parecia muito negro. Deus viu que Seu povo estava em necessidade de ser sustido e animado por uma revelação de Sua infinita compaixão e amor.

Em visão, Zacarias ouviu o anjo do Senhor perguntar: “O Senhor dos Exércitos, até quando não terás compaixão de Jerusalém, e das cidades de Judá, contra as quais estiveste irado estes setenta anos? E respondeu o Senhor ao anjo que falava comigo”, declarou Zacarias, “com palavras boas, palavras consoladoras.”

“E o anjo que falava comigo me disse: Clama, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Com grande zelo estou zelando por Jerusalém e por Sião. E com grandíssima ira estou irado com as nações em descanso; porque estando Eu num pouco desgostoso, eles auxiliaram no mal. Portanto, o Senhor diz assim: Voltei-Me para Jerusalém com misericórdia; a Minha casa nela será edificada, e o cordel será estendido sobre Jerusalém”. Zacarias 1:12-16.

O profeta foi agora autorizado a predizer: “Assim diz o Senhor dos Exércitos: As Minhas cidades ainda aumentarão e prosperarão, porque o Senhor ainda consolará a Sião e ainda escolherá a Jerusalém”. Zacarias 1:17.

Zacarias viu então “os poderes que dispersaram a Judá, a Israel e a Jerusalém”, simbolizados por quatro cornos. Logo em seguida ele viu quatro ferreiros, representando os agentes usados pelo Senhor na restauração de Seu povo e da casa do Seu culto. Zacarias 1:18-21.

“Tornei a levantar os meus olhos”, diz Zacarias, “e olhei, e vi um homem em cuja mão estava um cordel de medir. E eu disse: Para onde vais tu? E ele me disse: Medir Jerusalém, para ver qual é a sua largura e qual o seu comprimento. E eis que saiu o anjo que falava comigo, e outro anjo lhe saiu ao encontro, e lhe disse: Corre, fala a este mancebo, dizendo: Jerusalém será habitada como as aldeias sem muros, por causa da multidão, nela, dos homens e dos animais. E Eu, diz o Senhor, serei para ela um muro de fogo ao redor, e Eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória”. Zacarias 2:1-5.

Deus havia determinado que Jerusalém fosse reconstruída; a visão da medição da cidade era uma garantia de que Ele daria conforto e força aos Seus afligidos, e cumpriria para com eles as promessas do Seu eterno concerto. Seu cuidado protetor, Ele havia declarado, seria como “um muro de fogo ao redor”; e por meio deles Sua glória seria revelada a todos os filhos dos homens. Aquilo que Ele estava realizando por Seu povo devia ser conhecido em toda a Terra. “Exulta e canta de gozo, ó habitante de Sião, porque grande é o Santo de Israel no meio de ti”. Isaías 12:6.

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/?id=7270

BLOG DA SEMANA, sobre Profetas e Reis, cap. 45

Há muitas coisas que podemos aprender com este capítulo, mas uma coisa realmente se destaca para mim – Deus pode usar qualquer um para Seus propósitos. Grande parte deste capítulo centra-se em Ciro, o Grande, que era um rei persa pagão. No entanto, Deus o escolheu. (Leia Isaías 44:28; 45:13.)

É importante que atentemos para isso, porque às vezes nós, os cristãos modernos, sentimos como se não pudéssemos ser usados por Deus. Sentimo-nos muito sujos, indignos. Esses pensamentos chegam mesmo a afastar as pessoas de Deus, ao fazê-los se sentirem inseguros de sua competência em segui-Lo e de Sua vontade para suas vidas. É verdade que, com nossa própria força, somos incapazes de sermos como Jesus e servi-Lo perfeitamente. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23).

Contudo, devemos agradecer ao Senhor porque não temos que buscar a salvação pelos nossos próprios méritos, pois o Senhor é nossa força e nosso escudo. O rei Ciro leu as palavras escritas sobre ele antes de nascer, “seu coração estava profundamente emocionado e determinado a cumprir sua missão divinamente designada”. Igualmente, todos nós fomos chamados para o propósito de Deus.

“Porque somos a obra dele, criada em Cristo Jesus para boas obras, que Deus preparou de antemão, para que possamos caminhar nelas” (Efésios 2:10).

Margaret Muthee
Northwest University, EUA

PROFETAS E REIS, cap. 45 — A volta do exílio

Capítulo 45 — A volta do exílio

A chegada do exército de Ciro ante os muros de Babilônia foi para os judeus um sinal de que o seu livramento do cativeiro estava muito perto. Mais de um século antes do nascimento de Ciro, a Inspiração lhe fizera menção do nome, e providenciara um registro da precisa obra que ele faria tomando Babilônia, estando esta desapercebida, e preparando o caminho para a libertação dos filhos do cativeiro. Por intermédio de Isaías havia sido dito:

“Assim diz o Senhor ao Seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela sua mão direita, para abater as nações diante de sua face […] para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão: Eu irei diante de ti, e endireitarei os caminhos tortos; quebrarei as portas de bronze, e despedaçarei os ferrolhos de ferro, e te darei os tesouros das escuridades, e as riquezas encobertas, para que possas saber que Eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que te chama pelo teu nome”. Isaías 45:1-3.

Na inesperada penetração do exército do conquistador persa ao coração da capital de Babilônia, através do canal do rio cujas águas tinham sido desviadas; na sua entrada pelos portões internos que por descuido tinham sido deixados abertos e desguarnecidos, tiveram os judeus abundante evidência do cumprimento literal da profecia de Isaías concernente à súbita subversão dos seus opressores. E isto deve ter sido para eles um inconfundível sinal de que Deus estava moldando os negócios das nações em favor deles; pois inseparavelmente associada com a profecia que esboçava o modo como Babilônia seria capturada e cairia, estavam as palavras:

“Diz de Ciro: É Meu pastor, e cumprirá tudo o que Me apraz; dizendo também a Jerusalém: Sê edificada; e ao templo: Funda-te”. Isaías 44:28. “Eu o despertei em justiça, e todos os seus caminhos endireitarei; ele edificará a Minha cidade, e soltará os Meus cativos, não por preço nem por presentes, diz o Senhor dos Exércitos”. Isaías 45:13.

Não foram essas as únicas profecias sobre as quais os exilados tiveram a oportunidade de basear sua esperança de breve libertação. Os escritos de Jeremias estavam ao seu alcance, e neles era claramente estabelecido o tempo que devia ir até a restauração de Israel em sua terra. “Quando se cumprirem os setenta anos”, o Senhor tinha predito por intermédio do Seu mensageiro, “visitarei o rei de Babilônia, e esta nação, diz o Senhor, castigando a sua iniqüidade, e a da terra dos caldeus; farei deles uns desertos perpétuos”. Jeremias 25:12. Mostrar-se-ia favor ao remanescente de Judá, em resposta à fervente oração. “Serei achado de vós, diz o Senhor, e farei voltar os vossos cativos, e congregar-vos-ei de todas as nações, e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o Senhor, e tornarei a trazer-vos ao lugar de onde vos transportei”. Jeremias 29:14.

Daniel e seus companheiros haviam muitas vezes recorrido a essas e outras profecias que esboçavam o propósito de Deus para Seu povo. E agora, ao indicar o rápido curso dos acontecimentos a poderosa mão de Deus em operação entre as nações, Daniel dedicou especial atenção às promessas feitas a Israel. Sua fé na palavra profética levou-o ao fundo das experiências preditas pelos escritores sagrados. “Certamente que passados setenta anos em Babilônia”, o Senhor havia declarado, “vos visitarei, e cumprirei sobre vós a Minha boa palavra, tornando-vos a trazer a este lugar. Porque Eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais. Então Me invocareis, e ireis, e orareis a Mim, e Eu vos ouvirei. E buscar-Me-eis, e Me achareis, quando Me buscardes de todo o vosso coração”. Jeremias 29:10-13.

Pouco antes da queda de Babilônia, quando Daniel estava meditando nessas profecias, e buscando a Deus a fim de compreender os tempos, foi-lhe dada uma série de visões concernentes ao surgimento e queda de reinos. Com a primeira visão, segundo se acha registrada no sétimo capítulo do livro de Daniel, foi-lhe dada a interpretação, mas nem tudo ficou claro para o profeta. “Os meus pensamentos muito me espantavam”, ele escreveu de sua experiência nesse tempo, “e mudou-se em mim o meu semblante; mas guardei estas coisas no meu coração”. Daniel 7:28.

Mediante outra visão foi derramada luz adicional sobre os acontecimentos do futuro; e foi ao final desta visão que Daniel ouviu “um santo que falava; e disse a outro santo aquele que falava: Até quando durará a visão?” Daniel 8:13. A resposta: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado” (Daniel 8:14), encheu-o de perplexidade. Ferventemente procurou entender o significado da visão. Ele não podia compreender a relação dos setenta anos do cativeiro como preditos por Jeremias, para com os dois mil e trezentos anos que nessa visão ouvira o visitante declarar que decorreriam antes da purificação do santuário. O anjo Gabriel lhe deu uma interpretação parcial; mas quando o profeta ouviu as palavras: “Só daqui a muitos dias se cumprirá”, ele desmaiou. “Eu, Daniel, enfraqueci”, escreveu ele sobre esta experiência, “e estive enfermo alguns dias; então levantei-me, e trarei do negócio do rei. E espantei-me acerca da visão, e não havia quem a entendesse”. Daniel 8:26, 27.

Levando ainda o fardo pelo bem de Israel, Daniel estudou de novo as profecias de Jeremias. Elas eram muito claras — tão claras que ele compreendeu por esses testemunhos registrados em livros “que o número de anos de que falou o Senhor ao profeta Jeremias, em que haviam de acabar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos”. Daniel 9:2.

Com fé fundada na segura palavra da profecia, Daniel pleiteou do Senhor o imediato cumprimento dessas promessas. Suplicou que a honra de Deus fosse preservada. Em sua petição ele se identificou plenamente com os que não tinham correspondido ao propósito divino, confessando os pecados deles como seus próprios.

“Eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus”, declarou o profeta, “para O buscar com oração e rogos, com jejum, e saco e cinza. E orei ao Senhor meu Deus, e confessei”. Daniel 9:3, 4. Embora Daniel estivesse havia muito na obra de Deus, e dele tivesse sido dito que era “mui amado”, agora se apresentava ante Deus como um pecador, expondo veementemente a grande necessidade do povo que amava. Sua oração era eloqüente em sua simplicidade, e intensamente fervorosa. Escutai-lhe a súplica:

“Ah Senhor Deus grande e tremendo, que guardas o concerto e a misericórdia para com os que Te amam e guardam os Teus mandamentos; pecamos, e cometemos iniqüidade, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos Teus mandamentos e dos Teus juízos; e não demos ouvidos aos Teus servos, os profetas, que em Teu nome falaram aos nossos reis, nossos príncipes, e nossos pais, como também a todo o povo da terra.

“A Ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós a confusão de rosto, como se vê neste dia; aos homens de Judá, e aos moradores de Jerusalém, e a todo o Israel; aos de perto e aos de longe, em todas as terras por onde os tens lançado, por causa da sua prevaricação, com que prevaricaram contra Ti. […]

“Ao Senhor, nosso Deus, pertence a misericórdia e o perdão; pois nos rebelamos contra Ele.” “Ó Senhor, segundo todas as Tuas justiças, aparte-se a Tua ira e o Teu furor da Tua cidade de Jerusalém, e do Teu santo monte; porquanto por causa dos nossos pecados, e por causa das iniqüidades de nossos pais, tornou-se Jerusalém e o Teu povo um opróbrio para todos os que estão ao redor de nós.

“Agora, pois, ó Senhor nosso Deus, ouve a oração do Teu servo, e as suas súplicas, e sobre o Teu santuário assolado faze resplandecer o Teu rosto, por amor do Senhor. Inclina, ó Deus meu, os Teus ouvidos, e ouve; abre os Teus olhos, e olha para a nossa desolação, e para a cidade que é chamada pelo Teu nome, porque não lançamos as nossas súplicas perante a Tua face fiados em nossas justiças, mas em Tuas muitas misericórdias.

“Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e opera sem tardar; por amor de Ti mesmo, ó Deus meu, porque a Tua cidade e o Teu povo se chamam pelo Teu nome”. Daniel 9:4-9, 16-19.

O Céu se curvou para ouvir a fervente súplica do profeta. Antes mesmo que ele tivesse terminado a sua súplica por perdão e restauração, o poderoso Gabriel apareceu-lhe outra vez, e chamou a sua atenção para a visão que ele tivera antes da queda de Babilônia e da morte de Belsazar. E então o anjo esboçou-lhe em pormenores o período das setenta semanas, que devia começar com “a ordem para restaurar e para edificar Jerusalém”. Daniel 9:25.

A oração de Daniel tinha sido proferida “no ano primeiro de Dario” (Daniel 9:1), o rei medo cujo general, Ciro, tinha arrebatado de Babilônia o cetro do governo universal. O reinado de Dario foi honrado por Deus. A ele foi enviado o anjo Gabriel, “para o animar e fortalecer”. Daniel 11:1. Após sua morte, cerca de dois anos depois da queda de Babilônia, Ciro o sucedeu no trono, e o início do seu reinado marcou o fim dos setenta anos desde que o primeiro grupo de hebreus tinha sido levado cativo por Nabucodonosor, de sua pátria judaica para Babilônia.

O livramento de Daniel da cova dos leões tinha sido usado por Deus para criar uma impressão favorável no espírito de Ciro o Grande. As excelentes qualidades do homem de Deus como estadista de vistas largas levou o governante persa a mostrar-lhe marcado respeito e a honrar suas decisões. E agora, justo no tempo em que Deus tinha dito que faria fosse o Seu templo em Jerusalém reconstruído, Ele moveu Ciro como Seu instrumento para discernir as profecias com respeito a ele mesmo, com as quais Daniel estava tão familiarizado, e a conceder ao povo judeu a sua libertação.

Tomando o rei conhecimento das palavras que prediziam, mais de um século antes do seu nascimento, a maneira pela qual Babilônia deveria ser tomada; ao ler a mensagem a ele dirigida pelo Rei do Universo: “Eu te cingirei, ainda que tu Me não conheças. Para que se saiba desde o nascente do Sol, e desde o poente, que fora de Mim não há outro”; ao ver diante dos seus olhos a declaração do eterno Deus: “Por amor de Meu servo Jacó, e de Israel, Meu eleito, Eu a ti te chamei pelo teu nome, pus-te o Meu sobrenome, ainda que Me não conhecesses”; ao descobrir o inspirado Registro: “Eu o despertei em justiça, e todos os seus caminhos endireitarei; ele edificará a Minha cidade, e soltará os Meus cativos, não por força nem por presentes” (Isaías 45:5, 6, 4, 13), o seu coração foi profundamente movido, e ele se determinou cumprir sua missão divinamente indicada. Ele libertaria os judeus cativos; ele os ajudaria a restaurar o templo de Jeová.

Numa proclamação escrita publicada “por todo o seu reino”, Ciro fez conhecido o seu desejo de providenciar o retorno dos hebreus e a reconstrução do seu templo. “O Senhor Deus dos Céus me deu todos os reinos da Terra”, o rei reconhecia com gratidão em sua proclamação pública; “e Ele me encarregou de Lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá. Quem há entre vós, de todo o Seu povo, seja o seu Deus com ele, e suba a Jerusalém […] e edifique a casa do Senhor Deus de Israel; Ele é o Deus que habita em Jerusalém. E todo aquele que ficar em alguns lugares em que andar peregrinando, os homens do seu lugar o ajudarão com prata, e com ouro, e com fazenda, e com gados, afora as dádivas voluntárias”. Esdras 1:1-4.

“Esta casa se edificará”, ordenou ele mais tarde com referência à estrutura do templo, para lugar em que se ofereçam sacrifícios, e seus fundamentos serão firmes; a sua altura de sessenta côvados, e a sua largura de sessenta côvados; com três carreiras de grandes pedras, e uma carreira de madeira nova, e a despesa se fará da casa do rei. Demais disto, os vasos de ouro e de prata da casa de Deus, que Nabucodonosor transportou do templo que estava em Jerusalém, e levou para Babilônia, se tornarão a dar, para que vão ao seu lugar, ao templo que está em Jerusalém”. Esdras 6:3-5.

As novas deste decreto alcançaram as mais distantes províncias do domínio real, e em todo o lugar entre os filhos da dispersão houve grande alegria. Muitos, como Daniel, tinham estado a estudar as profecias e a buscar a prometida intervenção de Deus em favor de Sião. E agora suas orações estavam sendo respondidas; e com alegria de coração podiam unidos cantar:

“Quando o Senhor trouxe do cativeiro os que voltaram de Sião,
estávamos como os que sonham.
Então a nossa boca se encheu de riso,
e a nossa língua de cânticos.
Então se dizia entre as nações:
Grandes coisas fez o Senhor a estes.
Grandes coisas fez o Senhor por nós,
e por isso estamos alegres”.

Salmos 126:1-3.

“Então se levantaram os chefes dos pais de Judá e Benjamim, e os sacerdotes e os levitas, como todos aqueles cujo espírito Deus despertou” — esse foi o piedoso remanescente, cerca de cinqüenta mil, dentre os judeus das terras do exílio, que se determinaram tirar vantagem da maravilhosa oportunidade a eles oferecida, “para subirem a edificar a casa do Senhor, que está em Jerusalém.” Seus amigos não lhes permitiram sair com mãos vazias. “E todos os que habitavam nos arredores lhes confortaram as mãos com vasos de prata, com ouro, com fazenda, e com gados, e com coisas preciosas.” A essas e muitas outras ofertas voluntárias foram acrescentados “os vasos da casa do Senhor, que Nabucodonosor tinha trazido de Jerusalém. […] Estes tirou Ciro, rei da Pérsia, pela mão de Mitredate, o tesoureiro. […] Todos os vasos de ouro e de prata foram cinco mil e quatrocentos”, para uso no templo que ia ser reconstruído. Esdras 1:5-11.

Sobre Zorobabel (conhecido também como Sesbazar), um dos descendentes do rei Davi, Ciro colocou a responsabilidade de agir como governador do grupo que retornava para a Judéia; e com ele estava associado Jesus, o sumo sacerdote. A longa viagem através do árido deserto foi feita em segurança, e o feliz grupo, grato a Deus por Suas muitas bênçãos, imediatamente tomou a si a tarefa de reconstruir o que havia sido derrubado e destruído. “Alguns dos chefes dos pais” deram o exemplo em oferecer donativos para ajudar a enfrentar as despesas de reconstrução do templo; e o povo, seguindo seu exemplo, deu livremente de seus pobres recursos. Esdras 2:64-70.

Tão depressa quanto possível, foi construído um altar no sítio do antigo altar no recinto do templo. Para as solenidades relacionadas com a dedicação deste altar, o povo alegremente “se ajuntou como um só homem”, e aí se uniram no restabelecimento das cerimônias que tinham sido interrompidas quando da destruição de Jerusalém por Nabucodonosor. Antes de se separarem para habitar nos lares que estavam procurando reparar, “celebraram a festa dos tabernáculos”. Esdras 3:1-6.

O levantamento do altar para o sacrifício diário alegrou sobremaneira o fiel remanescente. De coração entregaram-se à preparação necessária para a reconstrução do templo, ganhando alento à medida que esses preparativos progrediam de mês em mês. Durante muitos anos eles haviam estado privados dos visíveis sinais da presença de Deus. E agora, circundados como estavam por muitas recordações tristes da apostasia de seus pais, ansiavam por algum perdurável sinal do perdão e favor divinos. Acima da reconquista de propriedades pessoais e antigos privilégios, eles consideravam a aprovação de Deus. Maravilhosamente havia Ele operado em seu favor, e eles sentiam consigo a segurança de Sua presença; contudo desejavam maior bênção ainda. Com jubilosa antecipação olhavam para o tempo em que, com o templo reconstruído, poderiam contemplar o brilho de Sua glória vindo do interior.

Os obreiros empenhados na preparação do material de construção, encontraram entre as ruínas algumas das enormes pedras levadas ao local do templo nos dias de Salomão. Essas pedras foram preparadas para serem usadas, e muito material novo foi provido; e logo a obra chegou ao ponto em que a pedra fundamental devia ser posta. Isto foi feito na presença de milhares que se haviam reunido para testemunhar o progresso da obra e manifestar a expressão da sua alegria, tomando parte nela. Enquanto a pedra fundamental estava sendo posta em sua posição, o povo, acompanhado pelas trombetas dos sacerdotes e os címbalos dos filhos de Asafe, “cantava a revezes, louvando e celebrando ao Senhor; porque é bom; porque a Sua benignidade dura para sempre sobre Israel”. Esdras 3:11.

A casa que estava prestes a ser reconstruída tinha sido objeto de muitas profecias concernentes ao favor que Deus desejava mostrar a Sião, e todos os que estavam presentes no lançamento dos alicerces devem ter estado, de coração, possuídos do espírito do momento. Mas em meio à música e às exclamações de louvor que se ouviam nesse dia feliz, houve um anota discordante. “Muitos dos sacerdotes, e levitas, e chefes dos pais, já velhos, que viram a primeira casa, sobre o seu fundamento, vendo perante os seus olhos esta casa, choraram em altas vozes”. Esdras 3:12.

Era natural que a tristeza enchesse o coração desses homens encanecidos, ao considerarem os resultados da longa impenitência. Tivessem eles e a sua geração obedecido a Deus, executando o Seu propósito para Israel, e o templo construído por Salomão não teria sido destruído nem teria sido necessário o cativeiro. Mas em virtude da ingratidão e deslealdade, eles haviam sido espalhados entre as nações gentílicas.

Mudadas estavam agora as condições. Em terna misericórdia o Senhor havia visitado outra vez o Seu povo, e permitira-lhe retornar a sua própria terra. A tristeza pelos erros do passado devia ceder lugar a sentimentos de grande alegria. Deus tinha movido o coração de Ciro para que os ajudasse a reconstruir o templo, e isto devia ter despertado expressões de profunda gratidão. Mas alguns não discerniram as providências de Deus em operação. Em vez de se alegrarem, acariciaram pensamentos de descontentamento e desânimo. Haviam visto a glória do templo de Salomão, e lamentavam a inferioridade da construção a ser agora construída.

As murmurações e queixas, e a desfavorável comparação feita, tiveram uma influência deprimente sobre o espírito de muitos, e debilitaram as mãos dos construtores. Os trabalhadores levantaram a pergunta se deviam prosseguir com a construção de um edifício que já de início era tão francamente criticado e se tornava causa de tanta lamentação.

Havia muitos na congregação, no entanto, cuja maior fé e mais ampla visão não os tinha levado a considerar esta glória menor com tal descontentamento. “Muitos levantaram as vozes com júbilo e com alegria. De maneira que não discernia o povo as vozes de alegria das vozes do choro do povo; porque o povo jubilava com tão grande júbilo que as vozes se ouviam de mui longe”. Esdras 3:12, 13.

Se os que tinham deixado de rejubilar-se no lançamento dos fundamentos do templo, tivessem previsto os resultados de sua falta de fé nesse dia, teriam empalidecido. Pouco haviam eles imaginado o peso de suas palavras de desaprovação e desapontamento; pouco sabiam do muito que seu manifesto descontentamento haveria de retardar a terminação da casa do Senhor.

A beleza do primeiro templo, e os impressionantes ritos de seus cultos, haviam sido uma fonte de orgulho para Israel do seu cativeiro; mas a sua adoração havia não raro faltado aquelas qualidades que Deus considera como as essenciais. A glória do primeiro templo, e o esplendor de suas cerimônias, não poderiam recomendá-los a Deus; pois unicamente aquilo que é de valor a Sua vista eles não ofereciam. Eles não Lhe levavam o sacrifício de um espírito contrito e humilde.

É quando os princípios vitais do reino de Deus são perdidos de vista, que as cerimônias se tornam numerosas e extravagantes. É quando a edificação do caráter é negligenciada, quando falta o adorno da alma, quando é desprezada a simplicidade da piedade, que o orgulho e o amor da ostentação reclamam magnificentes igrejas, esplêndidos adornos e imponentes cerimônias. Mas em nada disto Deus é honrado. Ele avalia a Sua igreja, não pelas vantagens externas, mas pela sincera piedade que a distingue do mundo. Ele a estima de acordo com o crescimento dos seus membros no conhecimento de Cristo, segundo o seu progresso na experiência espiritual. Ele olha para os princípios de amor e bondade. Nem toda a beleza da arte pode ser comparada com a beleza da têmpera e do caráter que devem ser revelados naqueles que são representantes de Cristo.

Uma congregação pode ser a mais pobre da Terra. Pode não ter as atrações de exibição exterior; mas se os seus membros possuem os princípios do caráter de Cristo, os anjos se unirão com eles em seu culto. O louvor e ações de graças do coração agradecido ascenderão a Deus como suave oferenda.

“Louvai ao Senhor,
porque Ele é bom;
porque a Sua benignidade é para sempre.
Digam-no os remidos do Senhor,
os que remiu da mão do inimigo”.

Salmos 107:1, 2.

“Cantai-Lhe, cantai-Lhe salmos;
falai de todas as Suas maravilhas.
Gloriai-vos no Seu santo nome;
alegre-se o coração daqueles que buscam ao Senhor”.

Salmos 105:2, 3.

“Pois fartou a alma sedenta,
e encheu de bens a alma faminta”.

Salmos 107:9.

 

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/?id=7269

Blog da Semana 01/10/2017 sobre Profetas e Reis, cap. 44

A história de Daniel viverá para sempre nos corações dos jovens e velhos. Valente, inteligente, leal Daniel. Era Daniel naturalmente bravo, inteligente e leal, ou teria ele algo mais agindo por ele?

O que Daniel teve não é segredo. Ele teve uma conexão com um poder que é maior do que qualquer força nesta terra. Você tem esse poder?

Eu quero esse poder. Eu peço por esse poder em minha vida e na dos outros. Desejo que este poder me mantenha, em todos os momentos, firme e seguro por minhas crenças. Esse poder, ou força que vem de Deus, é atuante. Está ao favor da perfeição, da força e pela vitória sobre o poder do mal. Esse poder é suave como a seda e fala de amor, paciência, persuasão, bondade e outros atributos de Jesus. Este poder não fala de dor nem raiva, apenas paz. A mensagem de pertencer a Deus, de ser Seu filho por aceitação e adoção é tão poderosa, que urge seja dita aos outros. Ela transforma nossos esforços em palavras de paz e de pertença.

Esse poder superará nosso mundo doente. Toda pessoa aceitará a Jesus ou ficará envergonhada. Eu gostaria que todos aceitassem esse poder em suas vidas.

Sejamos como Daniel e mostremos ao mundo o que este poder maravilhoso pode fazer em nossas vidas.

Rita Back
Diaconisa da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Woodburn, Oregon

PROFETAS E REIS, cap. 44 — Na cova dos leões

Capítulo 44 — Na cova dos leões
Este capítulo é baseado em Daniel 6.
Quando Dario, o Medo, subiu ao trono anteriormente ocupado pelos reis babilônicos, tomou para logo medidas no sentido de reorganizar o governo. Ele constituiu “sobre o reino a cento e vinte presidentes […] e sobre eles três príncipes, dos quais Daniel era um, aos quais estes presidentes dessem conta, para que o rei não sofresse dano. Então o mesmo Daniel se distinguiu destes príncipes e presidentes, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava constituí-lo sobre todo o reino”.
As honras concedidas a Daniel despertaram o ciúme dos líderes do reino, e eles procuravam ocasião de queixa contra ele. Mas não podiam achar, “porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum vício nem culpa”.
A irrepreensível conduta de Daniel provocou ainda mais a inveja dos seus inimigos. “Nunca acharemos ocasião alguma contra este Daniel”, eles foram constrangidos a reconhecer, “se não a procurarmos contra ele na lei do seu Deus”. Daniel 6:1-5.
Então presidentes e príncipes, em mútuo conselho, traçaram um plano pelo qual esperavam conseguir a destruição do profeta. Eles se determinaram pedir ao rei a assinatura de um decreto proibindo que qualquer pessoa no reino fizesse alguma petição a qualquer deus ou a qualquer homem, que não a Dario, o rei, pelo espaço de trinta dias. A violação deste decreto seria punida lançando-o o transgressor na cova dos leões.
De comum acordo os príncipes prepararam o referido decreto, e apresentaram-no a Dario para que este o assinasse. Apelando a sua vaidade, eles o persuadiram de que a execução deste decreto lhe acrescentaria grande honra e autoridade. Ignorando o sutil propósito dos príncipes, o rei não percebeu a animosidade deles no edito, e cedendo a sua lisonja assinou-o.
Os inimigos de Daniel deixaram a presença de Dario, exaltando-se a respeito do laço que seguramente haviam armado para o servo de Jeová. Na conspiração assim formada tinha Satanás desempenhado importante parte. O profeta havia sido exaltado em mando no reino, e os anjos maus temiam que sua influência pudesse enfraquecer-lhes o controle sobre seus governantes. Foram essas forças satânicas que impeliram os príncipes a sentir inveja e ciúmes; foram eles que inspiraram o plano da destruição de Daniel; e os príncipes, rendendo-se aos instrumentos do mal, levaram-nos à execução.
Os inimigos do profeta contavam com o firme apego de Daniel ao princípio para o sucesso de seu plano. E eles não estavam errados na estimativa do seu caráter. Ele percebeu logo o maligno propósito que tiveram na elaboração do decreto, mas não mudou a sua conduta num mínimo que fosse. Por que deveria ele deixar de orar agora, quando mais necessário era orar? Antes renunciaria à própria vida a renunciar a sua esperança de auxílio em Deus. Tranqüilamente ele desempenhou seus deveres como chefe dos príncipes; e na hora da oração dirigiu-se para o seu aposento, e com as janelas abertas para o lado de Jerusalém, de acordo com o costume, fez as suas petições ao Deus do Céu. Ele não procurou ocultar o seu ato. Embora soubesse muito bem quais as conseqüências de sua fidelidade a Deus, seu espírito não vacilou. Ante os que estavam tramando a sua ruína, ele não permitira sequer a aparência de que sua ligação com o Céu estava interrompida. Em todos os casos onde o rei tivesse o direito de ordenar, Daniel obedeceria; mas nem o rei nem o seu decreto poderiam fazê-lo desviar-se de sua obediência ao Rei dos reis.
Assim ousada, embora quieta e humildemente, o profeta declarou que nenhum poder terreno tem o direito de interpor-se entre a alma e Deus. Cercado por idólatras, ele era uma fiel testemunha desta verdade. Seu inquebrantável apego ao direito era uma brilhante luz nas trevas morais dessa corte pagã. Daniel está perante o mundo hoje como um digno exemplo do destemor e fidelidade cristãos.
Durante todo um dia os príncipes observaram Daniel. Três vezes viram-no dirigir-se ao seu aposento, e três vezes ouviram sua voz erguer-se em fervente intercessão a Deus. Na manhã seguinte fizeram sua denúncia perante o rei. Daniel, seu mais honrado e fiel estadista, tinha votado ao desprezo o decreto real. “Porventura não assinaste o edito”, lembraram-lhe, “pelo qual todo o homem que fizesse uma petição a qualquer deus, ou qualquer homem, por espaço de trinta dias, e não a ti, ó rei, seria lançado na cova dos leões?”
“Esta palavra é certa”, respondeu o rei, “conforme a lei dos medos e dos persas, que se não pode revogar”.
Exultantemente informaram eles agora a Dario da conduta do seu mais acatado conselheiro. “Daniel, que é dos transportados de Judá”, exclamaram, “não tem feito caso de ti, ó rei, nem do edito que assinaste, antes três vezes ao dia faz a sua oração”. Daniel 6:12, 13.
Quando o rei ouviu essas palavras, viu de imediato o laço que havia sido armado para o seu fiel servo. Compreendeu que não fora o zelo pela honra e glória real, mas a inveja de Daniel, o que os levara a propor o decreto real. “Penalizado” pela parte que havia desempenhado no mal que se praticara, o rei “até o pôr-do-sol trabalhou” para salvar seu amigo. Os príncipes, prevendo este esforço da parte do rei, vieram a ele com as palavras: “Sabe, ó rei, que é uma lei dos medos e dos persas que nenhum edito ou ordenança, que o rei determine, se pode mudar.” O decreto, embora feito de afogadilho, era inalterável, e devia produzir os seus efeitos.
“Então o rei ordenou que trouxessem a Daniel, e o lançassem na cova dos leões. E, falando o rei, disse a Daniel: “O teu Deus, a quem tu continuamente serves, Ele te livrará.” Uma pedra foi posta na boca da cova, e o próprio rei “a selou com o seu anel e com o anel dos seus grandes, para que se não mudasse a sentença acerca de Daniel. Então o rei dirigiu-se para o seu palácio, e passou a noite em jejum, e não deixou trazer a sua presença instrumentos de música, e fugiu dele o sono”. Daniel 6:14-18.
Deus não impediu os inimigos de Daniel de lançarem-no na cova dos leões; Ele permitiu que anjos maus e homens ímpios chegassem a realizar o seu propósito; mas isto foi para que pudesse tornar o livramento do Seu servo mais marcante e mais completa a derrota dos inimigos da verdade e da justiça. “A cólera do homem redundará em Teu louvor” (Salmos 76:10), o salmista testificou. Graças à coragem deste único homem que escolheu seguir o direito antes que a astúcia, Satanás devia ser derrotado e o nome de Deus exaltado e honrado.
Logo na manhã seguinte, o rei Dario dirigiu-se depressa para a cova, e “chamou por Daniel com voz triste”: “Daniel, servo do Deus vivo dar-se-ia o caso que o teu Deus a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões?” A voz do profeta respondeu: “Ó rei, vive para sempre! O meu Deus enviou o Seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dEle; e também contra ti, ó rei, não tenho cometido delito algum.”
“Então o rei muito se alegrou em si mesmo, e mandou tirar a Daniel da cova, e nenhum dano se achou nele, porque crera no seu Deus.
“E ordenou o rei, e foram trazidos aqueles homens que tinham acusado Daniel e foram lançados na cova dos leões, eles, seus filhos e suas mulheres; e ainda não tinham chegado ao fundo da cova quando os leões se apoderaram deles, e lhes esmigalharam todos os ossos”. Daniel 6:20-24.
Uma vez mais foi baixada uma proclamação da parte de um governador gentio, exaltando o Deus de Daniel como verdadeiro Deus. “O rei Dario escreveu a todos os povos, nações e gentes de diferentes línguas, que moram em toda a Terra: A paz vos seja multiplicada. Da minha parte é feito um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque Ele é o Deus vivo e para sempre permanente, e o Seu reino não se pode destruir; o Seu domínio é até o fim. Ele livra e salva, e opera sinais e maravilhas no céu e na Terra; Ele livrou Daniel do poder dos leões.”
A ímpia oposição ao servo de Deus estava agora completamente quebrada. “Este Daniel, pois, prosperou no reinado de Dario, e no reinado de Ciro, o persa.” E mediante a associação com ele, esses monarcas pagãos foram constrangidos a reconhecer o seu Deus como “o Deus vivo e para sempre permanente, e o Seu reino não se pode destruir”. Daniel 6:25-28.
Da história do livramento de Daniel podemos aprender que em tempos de provação e tristeza, os filhos de Deus devem ser precisamente o que eram quando suas perspectivas brilhavam de esperança e estavam cercados de tudo o que poderiam desejar. Daniel na cova dos leões foi o mesmo Daniel que esteve perante o rei como o principal entre os ministros de Estado e como profeta do Altíssimo. Um homem cujo coração se firme em Deus será na hora de sua maior prova o mesmo que era em sua prosperidade, quando a luz e o favor de Deus e do homem incidiam sobre ele. A fé alcança o invisível, e se apega a realidades eternas.
O Céu está mais próximo daqueles que sofrem por amor da justiça. Cristo identifica os Seus interesses com os interesses do Seu fiel povo; Ele sofre na pessoa dos Seus santos; e seja o que for que toque em Seus escolhidos, toca nEle. O poder que está perto para libertar do dano físico e da angústia está perto também para salvar do mal maior, tornando possível ao servo de Deus manter sua integridade sob todas as circunstâncias, e triunfar através da graça divina.
A experiência de Daniel como estadista no reino de Babilônia e da Medo-Pérsia revela a verdade de que um homem de negócios não tem que ser necessariamente um homem ardiloso e astuto, mas pode ser um homem instruído por Deus em cada passo. Daniel, primeiro-ministro dos maiores reinos da Terra, foi ao mesmo tempo profeta de Deus, recebendo luz de celestial inspiração. Um homem sujeito às mesmas paixões que nós, é descrito pela pena da Inspiração como isento de falta. Suas transações de negócios, quando submetidas à mais apurada fiscalização dos seus inimigos, foram consideradas sem falha. Ele foi um exemplo do que cada homem de negócios pode tornar-se quando o seu coração é convertido e consagrado, e quando os seus motivos são retos à vista de Deus.
Estrita conformação com os reclamos do Céu traz bênçãos tanto temporais como espirituais. Inamovível em sua fidelidade a Deus, indomável no domínio de si mesmo, Daniel, por sua nobre dignidade e indeclinável integridade, conquanto fosse jovem, alcançou “graça e misericórdia” (Daniel 1:9) diante do oficial pagão a cujo cargo tinha sido posto. As mesmas características marcaram sua vida posterior. Ele ascendeu rapidamente à posição de primeiro-ministro do reino de Babilônia. Através do reinado de sucessivos monarcas, da queda da nação e o estabelecimento de outro império mundial, foram de tal natureza sua sabedoria e capacidade de estadista, tão perfeitos seu tato, cortesia, genuína bondade de coração e sua fidelidade ao princípio, que mesmo seus inimigos foram forçados a confessar que não podiam achar “ocasião ou culpa alguma; porque ele era fiel”. Daniel 6:4.
Honrado pelos homens com as responsabilidades de Estado e os segredos de reinos que tinham alcance universal, Daniel foi honrado por Deus como Seu embaixador, sendo-lhe dadas muitas revelações dos mistérios dos séculos por vir. Suas maravilhosas profecias, tais como registradas por ele nos capítulos sete a doze do livro que traz o seu nome, não foram inteiramente compreendidas mesmo pelo próprio profeta; mas antes que findassem os labores de sua vida, foi-lhe dada a abençoada certeza de que “no fim dos dias”, isto é, na conclusão do período da história deste mundo, ser-lhe-ia permitido outra vez estar na sua posição e lugar. Não lhe fora dado compreender tudo o que Deus tinha revelado do divino propósito. “Fecha estas palavras e sela este livro”, foi-lhe ordenado quanto aos escritos proféticos; estes deviam ser selados “até ao fim do tempo.” “Vai, Daniel”, o anjo ordenou uma vez mais ao fiel mensageiro de Jeová, “porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim. […] Tu, porém, vai até ao fim; porque repousarás, e estarás na tua sorte, no fim dos dias”. Daniel 12:4, 9, 13.
Ao nos aproximarmos do fim da história deste mundo, as profecias registradas por Daniel demandam nossa especial atenção, visto relacionarem-se com o próprio tempo em que estamos vivendo. Com elas devem-se ligar os ensinos do último livro das Escrituras do Novo Testamento. Satanás tem levado muitos a crer que as porções proféticas dos escritos de Daniel e João o revelador não podem ser compreendidas. Mas a promessa é clara de que bênção especial acompanhará o estudo dessas profecias. “Os sábios entenderão” (Daniel 12:10), foi dito com respeito às visões de Daniel que deviam ser abertas nos últimos dias; e da revelação que Cristo deu a Seu servo João para guia do povo de Deus através dos séculos, a promessa é: “Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas”. Apocalipse 1:3.
Do surgimento e queda das nações conforme expostos nos livros de Daniel e Apocalipse, precisamos aprender quão sem valor é a glória meramente terrena e externa. Babilônia, com todo o seu poder e magnificência, como nosso mundo jamais contemplou igual — poder e magnificência que ao povo daquele tempo pareciam estáveis e permanentes — quão completamente passou. “Como a flor da erva” (Tiago 1:10), pereceu. Assim pereceu o reino da Medo-Pérsia, e os reinos da Grécia e de Roma. E assim perece tudo o que não tem a Deus por fundamento. Apenas o que está vinculado ao Seu propósito, e expressa Seu caráter, pode perdurar. Seus princípios são a única coisa firme que o nosso mundo conhece.
Um cuidadoso estudo da operação do propósito de Deus na história das nações e na revelação das coisas por acontecer, nos ajudará a estimar no seu verdadeiro valor as coisas visíveis e as invisíveis, e a aprender o que é o verdadeiro alvo da vida. Assim, considerando os acontecimentos do tempo à luz da eternidade, podemos, como Daniel e seus companheiros, viver pelo que é verdadeiro, nobre e perdurável. E aprendendo nesta vida os princípios do reino de nosso Senhor e Salvador, esse abençoado reino que deve durar para todo o sempre, podemos estar preparados em Sua vinda para com Ele entrar em Sua posse.
Fonte: https://www.revivalandreformation.org/?id=7268

BLOG DA SEMANA 23/09/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 43

Belsazar era indiferente para com os pobres, arrogante, nacionalista e amantes de festas. O seu uso profano e sacrílego dos vasos do templo sagrado foi, no entanto, a última gota para um Deus santo. O terror de Belsazar ao ser condenado na sala de julgamento do Deus do Universo é um microcosmo dos gritos de pânico e medo dos ímpios por ocasião da vinda de Jesus em poder e majestade.

Assim como aqueles que se perderão na vinda de Cristo terão ignorado muitas oportunidades de se tornarem seguidores de Jesus, do mesmo modo Belsazar foi exposto ao conhecimento de Deus. Mas ele ignorou as mensagens dos profetas e continuou com seu estilo de vida despreocupado e centrado em si mesmo.

Cada indivíduo e cada nação tem a oportunidade de fazer uma escolha quanto a cumprir ou não os propósitos do Santo Deus. Cada pessoa é testada, e tragicamente, a maioria falha. Em nossos dias, os eventos políticos que nos rodeiam devem nos ajudar a reconhecer que algo fantástico e decisivo está para acontecer. Agora mesmo, estamos decidindo o nosso destino.

Será que, como Belsazar, continuaremos vivendo uma vida egocêntrica? Ou seremos, como Daniel, fiéis a Deus “ainda que caiam os céus”?

Cindy Tutsch
Diretora associada (aposentada)
Depositários de Ellen G. White

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/?id=1556

Equipe de tradução: Pr Jobson Santos/Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli