BLO DA SEMANA, sobre Profetas e Reis, cap. 12

BLOG DA SEMANA 19/03/2017, sobre Patriarcas e Profetas, cap. 12

Escrevo estas palavras quase um ano depois do dia da morte de minha mãe aos oitenta anos. Neste verão, eu fiz quarenta anos. Se o Senhor achar conveniente me abençoar com pelo menos mais quarenta anos, como serão os próximos anos? Cada ano, penso cada vez mais sobre o que consegui realizar até agora, e o que ainda espero conseguir antes de morrer.

“Quando Jó teve um vislumbre do seu Criador, abominou-se de si mesmo e se arrependeu no pó e na cinza. Então o Senhor pôde abençoá-lo abundantemente, e fazer de seus últimos anos os melhores de sua vida “(p. 160). Quando li isto, comecei a orar para que o Senhor fizesse o mesmo por mim.

Logo após a experiência no monte Carmelo, Elias encontrou-se em uma grande depressão, quando sua vida foi ameaçada por Jezabel. Por um momento, ele perdeu o propósito de sua vida. Ele ficou convencido de que seu ministério tinha sido em vão. Ele não percebeu que o melhor ainda estava por vir. No entanto, mesmo nesse momento, seu Criador não o abandonara. E, como Jó, Elias também estava prestes a vislumbrar seu Criador. Não no vento poderoso, nem no terremoto, nem no fogo, mas na suave voz.

Nós, também, podemos fazer uma pausa agora e procurar captar um vislumbre do nosso Criador. Lembremos de que em Cristo, o melhor ainda está por vir!

Pr Fernando Villegas
Diretor de Ministérios de Jovens Adultos
Texas, Estados Unidos

 

Texto original: http://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/12

Tambem disponivel em: http://www.revivalandreformation.org/bhp/pt/sop/pk/12

Traducao: Jeferson Quimelli e Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap 12

Capítulo 12 — De Jezreel a Horebe

Este capítulo é baseado em 1 Reis 18:41-46; 19:1-8.

Com a exterminação dos profetas de Baal, estava aberto o caminho para uma poderosa reforma espiritual entre as dez tribos do reino do norte. Elias havia exposto ao povo a sua apostasia; tinha-os convidado a humilhar o coração e tornar-se para o Senhor. Os juízos do Céu tinham sido executados; o povo havia confessado seus pecados e reconhecido o Deus de seus pais como o Deus vivo; e agora a maldição do Céu devia ser retirada e renovadas as bênçãos temporais de vida. A terra devia ser refrescada com chuva. “Sobe, come e bebe”, disse Elias a Acabe, “porque ruído há de uma abundante chuva”. 1 Reis 18:41. Então o profeta se dirigiu ao alto do monte para entregar-se a oração.

Não foi porque houvesse qualquer evidência externa de que águas estavam para desabar, que Elias tão confiantemente mandou que Acabe se preparasse para a chuva. O profeta não viu nenhuma nuvem nos céus; ele não ouvira nenhum trovão. Simplesmente proferira a palavra que o Espírito do Senhor o havia movido a falar em resposta a sua firme fé. Resolutamente havia ele feito a vontade de Deus através do dia, e havia manifestado implícita confiança nas profecias da Palavra de Deus; e agora, havendo feito tudo que estava em seu poder, sabia que o Céu outorgaria livremente as bênçãos preditas. O mesmo Deus que havia enviado a estiagem tinha prometido abundância de chuvas como recompensa do reto proceder; e agora Elias esperava pelo derramamento prometido. Em atitude de humildade, “o seu rosto entre os seus joelhos” (1 Reis 18:42), intercedeu com Deus em favor do penitente Israel.

Uma e outra vez Elias enviou seu servo a observar de um ponto que dominava o Mediterrâneo, a fim de verificar se havia qualquer sinal visível de que Deus tivesse ouvido sua oração. A cada vez o servo retornava com a resposta: “Não há nada”. O profeta não se impacientou ou perdeu a fé, mas continuou sua fervente petição. Seis vezes o servo retornou com a declaração de que não havia nenhum sinal de chuva nos céus de bronze. Confiante, Elias enviou-o uma vez mais; e agora o servo retornou com a declaração: “Eis aqui uma pequena nuvem, como a mão dum homem, subindo do mar”.

Isto bastou. Elias não esperou que os céus escurecessem. Na pequena nuvem ele contemplou pela fé uma abundância de chuva; e agiu em harmonia com sua fé, enviando depressa seu servo a Acabe com estamensagem: “Aparelha o teu carro, e desce, para que a chuva te não apanhe”. 1 Reis 18:43, 44.

Foi porque Elias era um homem de grande fé que Deus pôde usá-lo nesta grave crise na história de Israel. Enquanto orava, sua fé alcançou as promessas do Céu e agarrou-as; e perseverou na oração até que suas petições fossem respondidas. Ele não esperou pela inteira evidência de que Deus o ouvira, mas se dispôs a aventurar tudo ante o mais leve sinal do divino favor. E no entanto, tudo que ele foi habilitado a fazer sob a orientação de Deus, todos podem fazer em sua esfera de atividade no serviço de Deus; pois do profeta das montanhas de Gileade está escrito: “Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós, e, orando, pediu que não chovesse, e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra”. Tiago 5:17.

Fé semelhante é necessária no mundo hoje — fé que descanse nas promessas da Palavra de Deus, e recuse desistir até que o Céu ouça. Fé semelhante a esta liga-nos intimamente com o Céu, e traz-nos força para batalhar com os poderes das trevas. Pela fé os filhos de Deus “venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fugida os exércitos dos estranhos”. Hebreus 11:33, 34. E pela fé devemos alcançar hoje os mais altos propósitos de Deus para nós. “Se tu podes crer; tudo é possível ao que crê”. Marcos 9:23.

A fé é um elemento essencial da oração perseverante. “É necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que O buscam”. Hebreus 11:6. “Se pedirmos alguma coisa segundo a Sua vontade, Ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que Lhe fazemos”. 1 João 5:14, 15. Com a perseverante fé de Jacó, com a inquebrantável persistência de Elias, podemos apresentar nossas petições ao Pai, reclamando tudo o que nos tem prometido. A honra de Seu trono está comprometida no cumprimento de Sua palavra.

As sombras da noite envolveram o Monte Carmelo enquanto Acabe se preparava para descer. “E sucedeu que, entretanto, os céus se enegreceram com nuvens e ventos, e veio uma grande chuva; e Acabe subiu ao carro, e foi para Jezreel”. 1 Reis 18:45. Enquanto viajava para a cidade real através das trevas e da ofuscante chuva, Acabe não podia enxergar o caminho diante de si. Elias que, como profeta de Deus, tinha nesse dia humilhado Acabe diante de seus súditos e morto seus sacerdotes, reconhecia ainda nele o rei de Israel; e agora, como um ato de homenagem, e fortalecido pelo poder de Deus, corria na frente da carruagem real, guiando o rei à entrada da cidade.

Nesse gracioso ato do mensageiro de Deus mostrado a um ímpio rei, há para todos que se dizem servos de Deus, mas que são exaltados em sua própria estima, uma lição. Há os que se sentem acima da obrigação de realizar tarefas que lhes parecem amesquinhantes. Hesitam em fazer até mesmo serviço necessário, temendo serem achados fazendo a obra de um servo. Esses têm muito que aprender do exemplo de Elias. Mediante sua palavra os tesouros do céu haviam por três e meio anos sido retidos de sobre a terra; havia ele sido significativamente honrado por Deus quando, em resposta a sua oração no Carmelo, descera fogo do céu e consumira o sacrifício; sua mão tinha executado o juízo de Deus no extermínio dos profetas idólatras; sua petição para que chovesse havia sido atendida. E contudo, após os assinalados triunfos com que Deus Se agradara honrar seu ministério público, ele se dispusera a realizar o trabalho de um servo.

À entrada de Jezreel, Elias e Acabe se separaram. O profeta, preferindo permanecer fora dos muros, envolveu-se em seu manto, e deitou-se sobre a terra nua para dormir. O rei, entrando na cidade, alcançou logo o resguardado abrigo de seu palácio, e aí relatou a sua esposa os maravilhosos acontecimentos do dia, e a admirável revelação do poder divino que provara a Israel ser Jeová o verdadeiro Deus e Elias Seu mensageiro escolhido. Contando Acabe à rainha o morticínio dos profetas idólatras, Jezabel, endurecida e impenitente, ficou enfurecida. Ela se recusou a reconhecer nos sucessos do Carmelo a soberana providência de Deus e, desafiadora ainda, ousadamente declarou que Elias devia morrer.

Nessa noite um mensageiro despertou o fadigado profeta e transmitiu-lhe a palavra de Jezabel: “Assim me façam os deuses, e outro tanto, se decerto amanhã a estas horas não puser a tua vida como a de um deles”. 1 Reis 19:2.

Poderá parecer que depois de haver mostrado tão grande coragem, após haver triunfado tão completamente sobre o rei, sacerdotes e povo, Elias não devesse jamais haver dado caminho ao desânimo, nem ter sido levado à intimidação. Mas aquele que havia sido abençoado com tantas evidências do amorável cuidado de Deus, não estava acima das fragilidades humanas, e nesta hora escura sua fé e coragem abandonaram-no. Desorientado, despertou. A chuva caía dos céus, e havia trevas por todos os lados. Esquecendo que três anos antes Deus havia dirigido seus passos a um lugar de refúgio contra o ódio de Jezabel e as buscas de Acabe, o profeta agora escapava por sua vida. Alcançando Berseba, “deixou ali o seu moço. E ele se foi ao deserto, caminho de um dia”. 1 Reis 19:4.

Elias não devia ter desertado de seu posto de dever. Devia ter enfrentado a ameaça de Jezabel, apelando para a proteção dAquele que o havia comissionado para que vindicasse a honra de Jeová. Ele devia ter dito ao mensageiro que o Deus em quem confiava o protegeria contra o ódio da rainha. Apenas poucas horas haviam decorrido desde que ele testemunhara a maravilhosa manifestação do poder divino, e isto devia ter-lhe dado a segurança de que ele não seria agora abandonado. Tivesse ele ficado onde estava, tivesse feito de Deus seu refúgio e fortaleza, permanecendo firme pela verdade, e teria sido abrigado do perigo. O Senhor lhe teria dado outra assinalada vitória, enviando Seus juízos sobre Jezabel; e a impressão feita sobre o rei e o povo teria dado lugar a uma grande reforma.

Elias havia esperado muito do milagre produzido no Carmelo. Supusera que depois daquela exibição do poder de Deus, Jezabel não mais teria influência sobre a mente de Acabe, e que haveria uma imediata reforma em todo o Israel. O dia todo no alto do Carmelo ele estivera em atividade, sem alimento. Contudo, quando guiava o carro de Acabe à entrada de Jezreel, sua coragem foi forte, a despeito da debilidade física sob a qual havia trabalhado.

Mas uma reação como a que freqüentemente segue elevada fé e gloriosos sucessos estava exercendo pressão sobre Elias. Ele temeu que a reforma iniciada no Carmelo não fosse duradoura; e a depressão se apoderou dele. Havia sido exaltado ao topo do Pisga; agora estava no vale. Enquanto sob a inspiração do Onipotente, ele tinha resistido à mais severa prova de fé; mas neste tempo de desencorajamento, com a ameaça de Jezabel soando-lhe aos ouvidos, e Satanás ainda aparentemente prevalecendo mediante a trama desta ímpia mulher, ele perdeu sua firmeza em Deus. Havia sido exaltado acima da medida, e a reação foi tremenda. Esquecendo-se de Deus, Elias fugia mais e mais, até que se encontrou num árido deserto, sozinho. Indescritivelmente cansado, assentou-se para repousar debaixo de um zimbro. Assentando-se aí, pediu a morte para si mesmo. “Já basta, ó Senhor”, disse ele, “toma agora a minha vida, pois não sou melhor que meus pais”. 1 Reis 19:4. Fugitivo, longe da habitação dos homens, o espírito causticado pelo amargo desapontamento, ele desejou nunca mais olhar a face de um homem. Afinal, extremamente exausto, adormeceu.

Na experiência de todos surgem ocasiões de profundo desapontamento e extremo desencorajamento — dias em que só predomina a tristeza, e é difícil crer que Deus é ainda o bondoso benfeitor de Seus filhos na Terra; dias em que o dissabor mortifica a alma, de maneira que a morte pareça preferível à vida. É então que muitos perdem sua confiança em Deus, e são levados à escravidão da dúvida, ao cativeiro da incredulidade. Pudéssemos em tais ocasiões discernir com intuição espiritual o significado das providências de Deus, veríamos anjos procurando salvar-nos de nós mesmos, esforçando-se por firmar nossos pés num fundamento mais firme que os montes eternos; e nova fé, nova vida jorrariam para dentro do ser.

O fiel Jó, no dia de sua aflição e trevas, declarou:

“Pereça o dia em que nasci”.
“Oh! se a minha mágoa retamente se pesasse.
E a minha miséria juntamente se pusesse numa balança!”
“Quem dera que se cumprisse
o meu desejo e que Deus me desse o que espero!
E que Deus quisesse quebrantar-me,
e soltasse a Sua mão, e acabasse comigo!
Isto ainda seria a minha consolação”.

Jó 3:3; 6:2, 8-10.

“Por isso não reprimirei a minha boca;
falarei na angústia do meu espírito,
queixar-me-ei na amargura da minha alma.”
“Pelo que a minha alma escolheria […]
Antes a morte do que estes meus ossos.
A minha vida abomino, pois não viverei para sempre;
retira-Te de mim, Pois vaidade são os meus dias”.

Jó 7:11, 15, 16.

Mas embora cansado da vida, a Jó não foi permitido morrer. Foram-lhe indicadas as possibilidades do futuro, e deu-se-lhe a mensagem de esperança:

“Estarás firme e não temerás.
Porque te esquecerás dos trabalhos,
e te lembrarás deles como das águas que já passaram.
E a tua vida mais clara se levantará do que o meio-dia;
ainda que haja trevas, será como a manhã.
E terás confiança, porque haverá esperança. […]
E deitar-te-ás, E ninguém te espantará;
muitos acariciarão o teu rosto.
Mas os olhos dos ímpios desfalecerão,
e perecerá o seu refúgio;
e a sua esperança será o expirar da alma”.

Jó 11:15-20.

Das profundezas do desencorajamento e desânimo Jó se levanta para as alturas da implícita confiança na misericórdia e o poder salvador de Deus. Triunfantemente declarou:

“Ainda que Ele me mate, nEle esperarei; […]
Também isto será a minha salvação”.

Jó 13:15, 16.

“Por que eu sei que o meu Redentor vive,
e que por fim Se levantará sobre a Terra.
E depois de consumida a minha pele,
ainda em minha carne verei a Deus.
Vê-Lo-ei por mim mesmo, e os meus olhos,
e não outros, O verão”.

Jó 19:25-27.

“Depois disto o Senhor respondeu a Jó dum redemoinho” (Jó 38:1), e revelou a Seu servo a força do Seu poder. Quando Jó teve um vislumbre de seu Criador, abominou-se a si mesmo, e se arrependeu no pó e na cinza. Então o Senhor pôde abençoá-lo abundantemente, e fazer os seus últimos dias os melhores de sua vida.

Esperança e coragem são essenciais ao perfeito serviço para Deus. Esses são frutos da fé. O desânimo é pecaminoso e irrazoável. Deus está em condições e disposto a outorgar a Seus servos “mais abundantemente” a força de que necessitam para a tentação e prova. Os planos dos inimigos de Sua obra podem parecer bem assentados e firmemente estabelecidos; mas Deus pode subverter os mais fortes deles. E isto Ele faz em seu devido tempo e maneira, quando vê que a fé de Seus servos foi suficientemente testada.

Para o desalentado há um seguro remédio — fé, oração e trabalho. Fé e atividade proverão segurança e satisfação que hão de aumentar dia após dia. Estais tentados a dar guarida a sentimentos de ansiedade ou obstinado desânimo? Nos dias mais negros, quando as aparências parecem mais agressivas, não temais. Tende fé em Deus. Ele conhece vossas necessidades; possui todo o poder. Seu infinito amor e compaixão são incansáveis. Não temais que Ele deixe de cumprir Sua promessa. Ele é eterna verdade. Jamais mudará o concerto que fez com os que O amam. E concederá a Seus fiéis servos a medida de eficiência que suas necessidades requerem. O apóstolo Paulo testificou: “E disse-me: A Minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. […] Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Deus. Porque quando estou fraco, então sou forte”. 2 Coríntios 12:9, 10.

Abandonou Deus a Elias em sua hora de provas? Oh, não! Ele não amava menos Seu servo quando este se sentiu abandonado de Deus e dos homens, do que quando, em resposta a sua oração, flamejou fogo do céu e iluminou o topo do monte. E agora, havendo Elias adormecido, um suave toque e delicada voz o despertou. Ele se ergue aterrado, como quem vai fugir, temendo que o inimigo o tivesse descoberto. Mas a face compassiva que se inclinava sobre ele não era a de um inimigo, mas de um amigo. Deus tinha enviado um anjo do Céu com alimento para Seu servo. “Levanta-te e come”, disse o anjo. “E olhou, e eis que à sua cabeceira estava um pão cozido sobre as brasas e uma botija de água”. 1 Reis 19:5, 6.

Depois de haver-se servido do alimento para ele preparado, Elias deitou-se de novo e adormeceu. Pela segunda vez veio o anjo. Tocando o exausto homem, disse com terna piedade: “Levanta-te e come, porque mui comprido te será o caminho. Levantou-se, pois, e comeu e bebeu; e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus” (1 Reis 19:7, 8), onde encontrou refúgio numa caverna.

BLOG DA SEMANA 13/03/2017, sobre Patriarcas e Profetas, cap. 11

Um dos exemplos bíblicos mais cativantes de bravura exemplar e heróica é o poderoso e cheio de autoridade confronto de Elias no Monte Carmelo. Um homem solitário que permanece ao lado de Deus, Elias continua a burlar e ridicularizar os profetas de Baal quando eles, por horas, agem como zumbis estúpidos, gritando, cortando-se, chorando e rasgando sua própria carne e cabelos, na tentativa de obter uma resposta às suas orações pela descida do fogo dos seus deuses. Ele vivia em estreita ligação com Deus e certamente não era carrancudo ou triste! Das palavras de suas provocações aos profetas de Baal, Elias mostrou um lado humorístico em sua personalidade, assim como todos aqueles que convidam Deus a estar presente em suas vidas. Afinal, a alegria é um dom do Espírito!

Então, Elias diz a seu assistente para derramar a água três vezes sobre o altar, em torno dele e na oferta sacrificial. Em silêncio e humildade, Elias se ajoelha e ora para que todo Israel veja e saiba que Deus é o verdadeiro Deus e Criador do Universo. Antes da última sílaba ser pronunciada da boca de Elias em oração audível, fogo desce do céu. E todo o Israel vê a Verdade…

O objetivo principal de Elias era vindicar o nome de Deus. Quando o objetivo principal em sua vida for se tornar uma revelação do caráter de Deus, encontrarás Deus realizando mais do que você poderia pedir ou pensar!

Laurin Person-Von Krueger
Kaneohe, Havaí EUA

Texto original: http://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/11
Também disponível em: http://www.revivalandreformation.org/bhp/pt/sop/pk/11
Tradução: Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 11

Capítulo 11 — O Carmelo

Este capítulo é baseado em 1 Reis 18:19-40.

Uma vez perante Acabe, Elias propôs que todo o Israel fosse reunido juntamente com ele e os profetas de Baal e Astarote no Monte Carmelo. “Agora pois envia”, ordenou, “ajunta a mim todo o Israel no Monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal, e os quatrocentos profetas de Asera, que comem à mesa de Jezabel”. 1 Reis 18:19.

A ordem fora dada por alguém que parecia estar na própria presença de Jeová, e Acabe obedeceu-a de pronto, como se o profeta fosse o monarca e o rei o súdito. Velozes mensageiros foram despachados por todo o reino, com a intimação de se reunirem com Elias e os profetas de Baal e Astarote. Em cada cidade e vila, o povo se preparou para se reunir no tempo indicado. Ao caminharem para o lugar, o coração de muitos se enchia de estranhos pressentimentos. Algo fora do comum estava para acontecer; senão, por que a ordem para se reunirem no Carmelo? Que nova calamidade estava para desabar sobre o povo e a terra?

Antes da seca o Monte Carmelo era um lugar de beleza, seus ribeiros alimentando-se de fontes perenes e suas férteis escarpas cobertas de belas flores e luxuriantes bosques. Mas agora sua beleza empalideceu sob a fulminante maldição. Os altares erguidos para adoração de Baal e Astarote jaziam agora nos bosques desfolhados. Nas alturas de um dos mais elevados cumes, em marcante contraste com aqueles, estava o altar derribado de Jeová.

O Carmelo dominava vasta extensão do país; suas elevações eram visíveis de muitos lugares do reino de Israel. Ao sopé do monte havia vantajosos pontos de onde se podia ver muito do que se passava em cima. Deus havia sido assinaladamente desonrado pelo culto idólatra que se realizava sob o dossel de suas escarpas arborizadas; e Elias escolheu essa elevação como o lugar mais visível para a manifestação do poder de Deus e a vindicação da honra de Seu nome.

Logo na manhã do dia designado, as tribos do Israel reunido, em ansiosa expectativa aglomeraram-se próximo do cume do monte. Os profetas de Jezabel demandam o monte em marcha imponente. Com pompa real aparece o rei e toma posição à frente dos sacerdotes, e os idólatras saúdam-no com um grito de exclamação. Mas há apreensão no coração dos sacerdotes ao se lembrarem de que pela palavra do profeta a terra de Israel por três anos e meio fora privada de orvalho e chuva. Sentem com certeza que alguma terrível crise está iminente. Os deuses nos quais eles têm confiado não foram capazes de provar ser Elias um profeta falso. A seus gritos frenéticos, suas orações, suas lágrimas e humilhações, suas revoltantes cerimônias e sacrifícios custosos e constantes, os objetos de seu culto têm-se mostrado estranhamente indiferentes.

Diante do rei Acabe e dos falsos profetas, e rodeado das tribos reunidas de Israel está Elias, o único que apareceu para reivindicar a honra de Jeová. Aquele a quem todo o reino tinha responsabilizado por sua carga de flagelo, está agora perante eles, aparentemente sem defesa na presença do soberano de Israel, dos profetas de Baal, dos homens de guerra e dos milhares que o rodeavam. Mas Elias não está sozinho. Acima e ao redor dele estão as forças protetoras do Céu — anjos magníficos em poder.

Sem se envergonhar nem temer, o profeta está perante a multidão, inteiramente consciente de sua comissão, para executar a ordem divina. Seu rosto está iluminado com impressionante solenidade. Em ansiosa expectativa o povo aguarda que ele fale. Olhando primeiramente para o altar derribado de Jeová, e depois para a multidão, Elias exclama de maneira clara, em voz como de trombeta: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-O; e se Baal, segui-o”. 1 Reis 18:21.

O povo nada respondeu. Ninguém nesse vasto auditório ousou manifestar lealdade a Jeová. Como densa nuvem, o engano e cegueira se espalhara sobre Israel. Não fora de uma vez que esta fatal apostasia se fechara em torno deles, mas gradualmente, à medida que de tempos em tempos tinham deixado de ouvir as palavras de advertência e reprovação que o Senhor lhes enviara. Cada desvio do reto proceder, cada recusa de arrependimento, tinham aprofundado sua culpa e os afastaram mais do Céu. E agora, nesta crise, eles persistiam na recusa de se colocarem ao lado de Deus.

O Senhor aborrece a indiferença e deslealdade em tempo de crise em Sua obra. Todo o Universo está observando com inexprimível interesse as cenas finais da grande controvérsia entre o bem e o mal. O povo de Deus está-se aproximando do limiar do mundo eterno; que pode haver de mais importante para eles do que ser leais ao Deus do Céu? Em todos os séculos Deus tem tido heróis morais; e tem-nos agora — os que como José, Elias e Daniel, não se envergonham de se reconhecerem como Seu povo peculiar. Suas bênçãos especiais acompanham os esforços de homens de ação; homens que não se desviarão da linha reta do dever, mas que perguntarão com divina energia: “Quem é do Senhor”? (Êxodo 32:26), homens que não se deterão apenas no perguntar, mas exigirão que os que escolherem identificar-se com o povo de Deus prossigam e demonstrem sem sombra de dúvida sua obediência ao Rei dos reis e Senhor dos senhores. Tais homens subordinam sua vontade e planos à lei de Deus. Por amor a Ele, não têm a sua vida por preciosa. Seu trabalho é captar a luz da Palavra e deixá-la brilhar para o mundo em raios claros e firmes. Fidelidade a Deus é sua divisa.

Enquanto Israel no Carmelo duvidava e hesitava, a voz de Elias de novo quebra o silêncio: “Eu só fiquei por profeta do Senhor, e os profetas de Baal são quatrocentos e cinqüenta homens. Dêem-se-nos, pois, dois bezerros; e eles escolham para si um dos bezerros, e o dividam em pedaços, e o ponham sobre a lenha, porém não lhe metam fogo; e eu prepararei o outro bezerro, e o porei sobre a lenha, e não lhe meterei fogo. Então invocai o nome do vosso deus e eu invocarei o nome do Senhor; e há de ser que o deus que responder por fogo esse será Deus”. 1 Reis 18:22-24.

A proposta de Elias era tão razoável que o povo não pôde mesmo fugir a ela; encontraram pois coragem para responder: “É boa esta palavra”. Os profetas de Baal não ousaram erguer a voz para discordar; e dirigindo-se a eles, Elias lhes ordena: “Escolhei para vós um dos bezerros, e preparai-o primeiro, porque sois muitos, e invocai o nome do vosso deus, e não lhe metais fogo”. 1 Reis 18:24, 25.

Aparentemente ousados e desafiadores, mas com o terror no coração culpado, os falsos sacerdotes preparam seu altar, pondo sobre ele a lenha e a vítima; e tem início suas fórmulas de encantamento. Seus estridentes gritos ecoam e reboam através das florestas e dos promontórios, enquanto invocam o nome do seu deus, dizendo: “Ah, Baal, responde-nos!” 1 Reis 18:26. Os sacerdotes se aglomeram em torno de seu altar, e com saltos e contorções e gritos histéricos, arrancando os cabelos e retalhando as próprias carnes, suplicam a seu deus que os ajude.

Passa-se a manhã, aproxima-se o meio-dia, e contudo não há evidência de que Baal ouça o clamor de seus enganados seguidores. Não há voz, nem resposta a suas frenéticas orações. O sacrifício permanece inconsumado.

Enquanto continuam com suas exaltadas devoções, os astutos sacerdotes estão continuamente procurando imaginar algum meio pelo qual possam acender o fogo sobre o altar e levar o povo a crer que o fogo viera diretamente de Baal. Mas Elias lhes vigia cada movimento; e os sacerdotes, esperando contra a esperança de alguma oportunidade para a fraude, prosseguem com suas insensatas cerimônias.

“E sucedeu que ao meio-dia Elias zombava deles, e dizia: Clamai em altas vozes, porque ele é um deus; pode ser que esteja falando, ou que tenha alguma coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; porventura dorme, e despertará. E eles clamavam a grandes vozes, e se retalhavam com facas e com lanças, conforme ao seu costume, até derramarem sangue sobre si. E sucedeu que, passado o meio-dia, profetizaram eles, até que a oferta de manjares se oferecesse; porém não houve voz nem resposta, nem atenção alguma”. 1 Reis 18:27-29.

Alegremente Satanás teria vindo em socorro desses a quem havia enganado, e que eram devotados a seu serviço. Alegremente ele teria enviado o fogo para queimar o sacrifício. Mas Jeová havia fixado limites a Satanás — restringira seu poder — e nem todos os artifícios do inimigo podiam lançar sobre o altar de Baal uma única centelha.

Afinal, roucos de tanto gritar, as vestes maculadas com o sangue das feridas que a si mesmos se haviam infligido, os sacerdotes ficam desesperados. Com furor inquebrantável, misturam a suas súplicas terríveis maldições de seu deus-sol; e Elias continua a observar atentamente; ele sabe que se por qualquer artifício os sacerdotes lograrem lançar fogo sobre o altar, ele será feito em pedaços num momento.

É chegada a tarde. Os profetas de Baal estão fatigados, abatidos, confusos. Um sugere uma coisa, outro outra coisa, até que finalmente cessam seus esforços. Suas maldições e gritos estridentes não mais ressoam sobre o Carmelo. Em desespero retiram-se da luta.

Durante todo o longo dia, o povo havia testemunhado as demonstrações dos frustrados sacerdotes. Haviam contemplado seus saltos selvagens sobre o altar, como se desejassem captar os raios do Sol para que servissem a seus propósitos. Eles haviam olhado com horror para as bárbaras mutilações infligidas a si mesmos pelos sacerdotes, e tinham tido a oportunidade de refletir sobre a loucura da adoração de ídolos. Muitos dentre a multidão estão fartos das exibições de demonismo, e aguardam agora com o mais profundo interesse os movimentos de Elias.

É a hora do sacrifício da tarde, e Elias convida o povo: “Chegai-vos a mim”. Aproximando-se eles a tremer, ele se volta para o altar derribado onde uma vez os homens haviam adorado ao Deus do Céu, e repara-o. Para ele esse montão de ruínas é mais precioso que todos os magnificentes altares do paganismo.

Na reconstrução deste antigo altar, Elias revelava seu respeito pelo concerto que o Senhor havia feito com Israel quando este transpôs o Jordão para a terra prometida. Escolhendo “doze pedras, conforme o número das tribos dos filhos de Jacó, […] edificou o altar em nome do Senhor”. 1 Reis 18:30-32.

Os desapontados sacerdotes de Baal, exaustos pelos inúteis esforços, esperam para ver o que Elias fará. Eles odeiam o profeta por haver proposto uma prova que expusera as fraquezas e ineficiência de seus deuses; contudo temem o seu poder. O povo, igualmente temeroso, e com a respiração quase suspensa ante a expectativa, observa enquanto Elias continua seus preparativos. O porte calmo do profeta ergue-se em agudo contraste com o frenesi fanático e insensato dos seguidores de Baal.

Reconstruído o altar, o profeta, abre um rego em torno dele, e havendo posto a lenha em ordem e preparado o bezerro, coloca a vítima sobre o altar, e ordena ao povo que inunde com água o sacrifício e o altar. “Enchei de água quatro cântaros”, ordenou, “e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha. E disse: Fazei-o segunda vez; e o fizeram segunda vez. Disse ainda: Fazei-o terceira vez; e o fizeram terceira vez. De maneira que a água corria ao redor do altar; e ainda até o rego encheu de água”. 1 Reis 18:34, 35.

Trazendo à lembrança do povo a longa e continuada apostasia que havia despertado a ira de Jeová, Elias convida-os a humilhar seus corações e tornar para o Deus de seus pais, para que fosse removida a maldição de sobre a terra de Israel. Então inclinando-se reverente ante o invisível Deus, ele ergue as mãos para o céu, e oferece uma singela oração. Os sacerdotes de Baal haviam gritado e espumado e dado saltos desde a manhã até à tarde; mas com a oração de Elias, nenhum clamor insensato ecoa nas alturas do Carmelo. Ele ora como se soubesse que Jeová está ali, testemunhando a cena, atento a seu apelo. Os profetas de Baal haviam orado selvagemente, incoerentemente. Elias ora com simplicidade e fervor, pedindo que Deus mostre Sua superioridade sobre Baal, para que Israel pudesse ser reconduzido a Ele.

“Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó”, o profeta suplica, “manifeste-se hoje que Tu és Deus em Israel, e que eu sou Teu servo, e que conforme a Tua palavra fiz todas estas coisas. Responde-me, Senhor, responde-me para que este povo conheça que Tu, Senhor, és Deus, e que Tu fizeste tornar o seu coração para trás”. 1 Reis 18:36, 37.

Um silêncio opressivo em sua solenidade cai sobre todos. Os sacerdotes de Baal tremem de terror. Cônscios de sua culpa, temem imediata retribuição.

Mal havia a oração de Elias terminado, e chamas de fogo, como brilhantes relâmpagos, descem do céu sobre o altar erguido, consumindo o sacrifício, lambendo a água do rego e devorando as próprias pedras do altar. O brilho das chamas ilumina o monte e ofusca os olhos da multidão. Nos vales abaixo, onde muitos estão observando em ansiosa expectativa os movimentos dos que estão em cima, a descida do fogo é claramente vista, e todos ficam maravilhados com o espetáculo. Ele lembra a coluna de fogo que no Mar Vermelho separou das tropas egípcias os filhos de Israel.

O povo sobre o monte prostra-se em reverência perante o Deus invisível. Não se atrevem a olhar para o céu a enviar fogo. Temem ser eles próprios consumidos; e, convictos de seu dever em reconhecer o Deus de Elias como o Deus de seus pais, a quem devem obediência, clamam a uma voz: “Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!” 1 Reis 18:39. Com impressionante distinção o grito ressoa sobre o monte e ecoa pela planície. Afinal Israel está desperto, esclarecido, penitente. O povo vê por fim quão grandemente havia desonrado a Deus. O caráter do culto de Baal, em contraste com a sensata adoração requerida pelo verdadeiro Deus, está plenamente revelado. O povo reconhece a justiça e misericórdia de Deus em haver retido o orvalho e a chuva até que tivessem sido levados a confessar o Seu nome. Agora estão prontos a admitir que o Deus de Elias está acima de qualquer ídolo.

Os sacerdotes de Baal testemunham consternados a maravilhosa revelação do poder de Jeová. Não obstante em sua frustração e na presença da divina glória, recusam arrepender-se de suas obras más. Desejam ainda permanecer como profetas de Baal. Mostravam assim estar amadurecidos para a destruição. Para que o arrependido Israel possa ser protegido do engodo daqueles que lhe ensinaram a adoração a Baal, Elias recebe ordem de Deus para destruir esses falsos ensinadores. A ira do povo havia sido já ativada contra os líderes em transgressão; e quando Elias lhes deu a ordem: “Lançai mão dos profetas de Baal; que nenhum deles escape” (1 Reis 18:40), foram prontos em obedecer. Eles se apoderaram dos sacerdotes, e levaram-nos ao ribeiro de Quisom, e ali, antes que findasse o dia que havia marcado o início de decidida reforma, os sacerdotes de Baal são mortos. A nenhum é permitido viver.

BLOG DA SEMANA 05/03/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 10

A história de Elias e da viúva de Sarepta sempre foi um dos minhas favoritas. É uma história da provisão e proteção de Deus, não apenas para Elias, mas para a viúva e seu filho. Deus dirigindo Elias para “encontrar refúgio em uma terra pagã” é mais um lembrete de que os caminhos de Deus são melhores do que nossos caminhos e Seus pensamentos mais elevados do que nossos pensamentos.
Como Deus tem feito na vida de tantas mulheres na Bíblia, Ele pediu à viúva para que confiasse a Ele sua vida e a de seu filho. Eu admiro sua resposta obediente a Elias ao ela confiar na promessa de Deus e se tornar o modelo da anfitriã ao colocar as necessidades de Elias antes de suas próprias. Deus sabe de primeira mão o amor profundo entre uma criança e seus pais. Assim como a fé de Abraão foi recompensada e seu filho lhe foi devolvido, do mesmo modo quando o filho da viúva ficou doente e morreu, Deus enviou Elias para restaurá-lo para sua mãe.
Isso me lembra das muitas vezes em que Deus testou minha fé. Lembro-me da intensa luta que meu marido e eu experimentamos ao receber o chamado para o ministério auto-sustentado na Irlanda. Deus esperou até os últimos momentos para vender nossa casa, e Ele fielmente providenciou para nossas necessidades durante os oito anos e meio em que estivemos servindo no exterior.
Não podemos dar a Deus. Ele sempre recompensa nossa fé, embora possa ser de maneiras inesperadas. Deus é o doador final!
Annemarie Freeman
Terapeuta ocupacional, esposa de pastor
Geórgia, EUA
Texto original: http://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/10
Tradução: Jeferson Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 10

Capítulo 10 — Uma severa repreensão

Este capítulo é baseado em 1 Reis 17:8-24; 18:1-19.

Durante algum tempo, Elias permaneceu oculto nas montanhas junto ao ribeiro de Querite. Ali foi por muitos meses miraculosamente provido com alimento. Mais tarde, quando, devido à estiagem o ribeiro secou, Deus mandou Seu servo procurar refúgio numa terra pagã. “Levanta-te”, Deus lhe ordenou, “e vai a Sarepta, que é de Sidom, e habita ali; eis que Eu ordenei ali a uma mulher viúva que te sustente”. 1 Reis 17:9.

Essa mulher não era israelita. Jamais havia ela tido os privilégios e bênçãos que o escolhido povo de Deus desfrutava; mas era uma crente no verdadeiro Deus, e tinha andado em toda a luz que brilhava em seu caminho. E agora, quando não havia segurança para Elias na terra de Israel, Deus o enviou a esta mulher, a fim de asilar-se em seu lar.

“Então, ele se levantou e se foi a Sarepta; e, chegando à porta da cidade, eis que estava ali uma mulher viúva apanhando lenha; e ele a chamou e lhe disse: Traze-me, peço-te, numa vasilha um pouco de água que beba. E, indo ela a buscá-la, ele a chamou e lhe disse: Traze-me, agora, também um bocado de pão na tua mão”. 1 Reis 17:10, 11.

Nesse lar afligido pela pobreza, a fome apertava excessivamente; e o alimento lastimosamente escasso parecia estar por acabar-se. A chegada de Elias mesmo no dia em que a viúva temia ter que abandonar a luta pelo sustento, provou ao máximo sua fé no poder do Deus vivo para suprir suas necessidades. Mas mesmo em sua penúria extrema deu ela testemunho de sua fé, atendendo ao pedido do estrangeiro que lhe suplicava repartir com ele o último bocado.

Em resposta ao pedido de Elias por alimento e água, a viúva disse: “Vive o Senhor, teu Deus, que nem um bolo tenho, senão somente um punhado de farinha numa panela e um pouco de azeite numa botija; e, vês aqui, apanhei dois cavacos e vou prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos e morramos. E Elias lhe disse: Não temas; vai e faze conforme a tua palavra; porém faze disso primeiro para mim um bolo pequeno e traze-mo para fora; depois, farás para ti e para teu filho. Porque assim diz o Senhor, Deus de Israel: A farinha da panela não se acabará, e o azeite da botija não faltará, até ao dia em que o Senhor dê chuva sobre a terra”. 1 Reis 17:12-14.

Nenhuma prova de fé maior que essa poderia ter sido requerida. A viúva tinha até então tratado todos os estrangeiros com bondade e liberalidade. Agora, indiferente aos sofrimentos que poderiam resultar a ela e seu filho, e confiando no Deus de Israel para suprir cada uma de suas necessidades, ela enfrentou esta suprema prova de hospitalidade, fazendo “conforme a palavra de Elias”. 1 Reis 17:15.

Maravilhosa foi a hospitalidade mostrada ao profeta de Deus por esta mulher fenícia, e maravilhosamente foram sua fé e generosidade recompensadas. “E assim comeu ela, e ele, e a sua casa muitos dias. Da panela a farinha se não acabou, e da botija o azeite não faltou, conforme a palavra do Senhor, que falara pelo ministério de Elias”. 1 Reis 17:15, 16.

“E, depois destas coisas, sucedeu que adoeceu o filho desta mulher, da dona da casa; e a sua doença se agravou muito, até que nele nenhum fôlego ficou. Então, disse ela a Elias: Que fiz eu, ó homem de Deus? Vieste a mim para trazeres à memória a minha iniquidade e matares o meu filho?

“Ele lhe disse: Dá-me o teu filho; tomou-o dos braços dela, e o levou para cima, ao quarto, onde ele mesmo se hospedava, e o deitou em sua cama. E, estendendo-se três vezes sobre o menino, clamou ao Senhor […] O Senhor atendeu à voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu.

“Elias tomou o menino, e o trouxe do quarto à casa, e o deu a sua mãe, e lhe disse: Vê, teu filho vive. Então a mulher disse a Elias: Nisto conheço agora que tu és homem de Deus e que a palavra do Senhor na tua boca é verdade”. 1 Reis 17:17-19, 21-24.

A viúva de Sarepta repartiu seu bocado com Elias; e em retribuição, sua vida e a de seu filho foram preservadas. E a todos os que, em tempo de prova e carência, dão simpatia e assistência a outros mais necessitados, Deus prometeu grande bênção. Ele não mudou. Seu poder não é menor agora do que nos dias de Elias. Nem é a promessa menos verdadeira agora do que quando foi dita pelo Salvador: “Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta”. Mateus 10:41.

“Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos”. Hebreus 13:2. Essas palavras não perderam nenhuma força através do tempo. Nosso Pai celestial ainda continua a pôr no caminho de Seus filhos oportunidades que são bênçãos disfarçadas; e os que aproveitam essas oportunidades encontram grande regozijo. “Se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. O Senhor te guiará continuamente, fartará a tua alma até em lugares áridos e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado e como um manancial cujas águas jamais faltam”. Isaías 58:10, 11.

A Seus fiéis servos hoje Cristo diz: “Quem vos recebe, a Mim Me recebe; e quem Me recebe a Mim, recebe Aquele que Me enviou”. Nenhum ato de bondade manifestado em Seu nome deixará de ser reconhecido e recompensado. E no mesmo terno reconhecimento Cristo inclui o mais fraco e mais humilde da família de Deus. “E qualquer que tiver dado só que seja um copo d’água fria”, diz Ele, “a um destes pequenos” — os que são como crianças em sua fé e seu conhecimento de Cristo — “em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão”. Mateus 10:40, 42.

Através dos longos anos de estiagem e fome, Elias orou fervorosamente para que o coração dos israelitas volvesse da idolatria para a fidelidade a Deus. Com paciência o profeta esperou, enquanto a mão do Senhor caía pesadamente sobre a terra flagelada. Ao ver as provas de sofrimento e privação multiplicarem-se por toda a parte, seu coração se confrangeu de tristeza, e almejou possuir o necessário poder para efetuar uma rápida reforma. Deus mesmo, porém, estava a realizar Seu plano, e tudo que Seu servo podia fazer era continuar orando, com fé, e aguardar a ocasião oportuna para agir decididamente.

A apostasia predominante nos dias de Acabe era o resultado de muitos anos de prática do mal. Passo a passo, ano após ano, Israel estivera-se afastando do caminho reto. Geração após geração havia recusado fazer veredas direitas para seus pés, e afinal a grande maioria do povo tinha-se rendido à direção dos poderes das trevas.

Cerca de um século tinha-se passado desde que, sob o governo do rei Davi, Israel prazerosamente se unira em cânticos de louvor ao Altíssimo, como reconhecimento de sua inteira dependência dEle para bênçãos diárias. Atentai para suas palavras de adoração quando cantaram:

“Ó Deus da nossa salvação; […]
Tu fazes alegres as saídas da manhã e da tarde.
Tu visitas a Terra e a refrescas;
Tu a enriqueces grandemente com o rio de Deus,
que está cheio de água; Tu lhe dás o trigo,
quando assim a tens preparada;
Tu enches de água os seus sulcos,
regulando a sua altura;
Tu a amoleces com a muita chuva;
Tu abençoas as suas novidades;
Tu coroas o ano da Tua bondade,
e as Tuas veredas destilam gordura;
destilam sobre os pastos do deserto,
e os outeiros cingem-se de alegria.
Os campos cobrem-se de rebanhos,
e os vales vestem-se de trigo;
por isso, eles se regozijam e cantam”.

Salmos 65:5, 8-13.

Israel havia então reconhecido a Deus como Aquele que “lançou os fundamentos da Terra”. Como expressão de sua fé eles cantaram:

“Tu a cobres com o abismo, como com um vestido;
as águas estavam sobre os montes.
À Tua repreensão fugiram,
à voz do Teu trovão se apressaram.
Sobem aos montes, descem aos vales,
até ao lugar que para elas fundaste.
Limites lhes traçastes, que não ultrapassarão,
para que não tornem mais a cobrir a Terra”.

Salmos 104:5-9.

É pela potente força do Ente Infinito que os elementos da natureza na terra e no mar e no céu são mantidos em seus limites. E esses elementos Ele usa para felicidade de Suas criaturas. “Seu bom tesouro” é livremente despendido “para dar chuva […] no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos”. Deuteronômio 28:12.

“Tu, que nos vales fazes rebentar nascentes,
que correm entre os montes;
dão de beber a todos os animais do campo;
os jumentos monteses, matam com ela a sua sede.
Junto delas habitam as aves do céu,
cantando entre os seus ramos. […]
Faz crescer a erva para os animais,
e a verdura para o serviço do homem,
para que tire da terra o alimento;
e o vinho que alegra o coração do homem,
e o azeite que faz reluzir o seu rosto,
e o pão que fortalece o seu coração. […]

Ó Senhor, quão variadas são as Tuas obras!
Todas as coisas fizeste com sabedoria;
cheia está a Terra das Tuas riquezas.
Tal é este vasto e espaçoso mar,
onde se movem seres inumeráveis,
animais pequenos e grandes. […]
Todos esperam de Ti que lhes dês
o seu sustento em tempo oportuno.
Dando-lho Tu, eles o recolhem;
abres a Tua mão, e enchem-se de bens”.

Salmos 104:10-15, 24-28.

Israel tivera abundantes ocasiões de rejubilar-se. A terra a qual o Senhor os levara era uma terra que manava leite e mel. Durante o jornadear pelo deserto, Deus lhes assegurara que os estava guiando a um país onde nunca teriam de sofrer por falta de chuva. “A terra que entras a possuir”, declarou-lhes, “não é como a terra do Egito, donde saíste, em que semeavas a tua semente, e a regavas com o teu pé, como a uma horta; mas a terra que passais a possuir é terra de montes e de vales; da chuva dos céus beberá as águas; terra de que o Senhor teu Deus tem cuidado; os olhos do Senhor teu Deus estão sobre ela continuamente, desde o princípio até ao fim do ano”.

A promessa de abundância de chuva tinha sido dada sob condição de obediência. “E será que”, o Senhor declarou, “se diligentemente obedecerdes a Meus mandamentos que hoje te ordeno, de amar ao Senhor teu Deus, e de O servir de todo o teu coração e de toda a tua alma, então darei a chuva da vossa terra a seu tempo, a temporã e a serôdia, para que recolhas o teu grão, e o teu mosto e o teu azeite. E darei erva no teu campo aos teus gados, e comerás, fartar-te-ás.

“Guardai-vos”, o Senhor admoestara a Seu povo, “que o vosso coração não se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos inclineis perante eles; e a ira do Senhor se acenda contra vós, e feche Ele os céus, e não haja água, e a terra não dê a sua novidade, e cedo pereçais da boa terra que o Senhor vos dá”. Deuteronômio 11:10-17.

“Se não deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus, para não cuidares em cumprir todos os Seus mandamentos e os Seus estatutos, que hoje te ordeno”, os israelitas haviam sido advertidos, “os teus céus que estão sobre a cabeça, serão de bronze; e a terra que está debaixo de ti, será de ferro. O Senhor por chuva da tua terra te dará pó e poeira; dos céus descerá sobre ti, até que pereças”. Deuteronômio 28:15, 23, 24.

Esses estavam entre os sábios conselhos de Jeová ao antigo Israel. “Ponde, pois, estas Minhas palavras no vosso coração e na vossa alma”, havia Ele ordenado a Seu povo escolhido. “E atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos. E ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te”. Deuteronômio 11:18, 19. Claras foram estas ordens; mas com o passar dos séculos, e gerações após gerações perderem de vista as provisões feitas para seu bem-estar espiritual, as ruinosas influências da apostasia ameaçaram subverter toda barreira da divina graça.

Assim, aconteceu que Deus estava agora visitando o Seu povo com os mais severos de Seus juízos. A predição de Elias estava tendo terrível cumprimento. Por três anos, o mensageiro do castigo tinha sido procurado em cidade após cidade e nação após nação. Por intimação de Acabe muitos reis tinham feito juramento de honra de que o estranho profeta não se encontrava em seus domínios. Contudo a busca continuava, pois Jezabel e os profetas de Baal odiavam Elias com ódio mortal, e não poupavam esforços para trazê-lo ao alcance de seu poder. E ainda não havia chovido.

Afinal “muito tempo depois, veio a palavra do Senhor a Elias, no terceiro ano, dizendo: Vai, apresenta-te a Acabe, porque darei chuva sobre a terra”. 1 Reis 18:1.

Em obediência à ordem “partiu, pois, Elias a apresentar-se a Acabe”. 1 Reis 18:2. Aproximadamente ao tempo em que o profeta pôs-se de viagem para Samaria, Acabe havia proposto a Obadias, mordomo de sua casa, que fizessem rigorosa procura de fontes e ribeiros de águas, na esperança de encontrar pastagem para seu gado e rebanhos famintos. Até mesmo na corte real os efeitos da demorada estiagem foram agudamente sentidos. O rei, profundamente preocupado quanto ao futuro de sua casa, decidiu unir pessoalmente seus esforços aos de seu servo na busca de alguns pontos favoráveis onde pudesse haver pastagem. “E repartiram entre si a terra para passarem por ela; Acabe foi à parte por um caminho, e Obadias também foi à parte por outro caminho”.

“Estando, pois, Obadias já em caminho, eis que Elias o encontrou; e, conhecendo-o ele, prostrou-se sobre o seu rosto e disse: És tu o meu senhor Elias?”

Durante a apostasia de Israel, Obadias tinha permanecido fiel. Seu senhor, o rei, fora incapaz de desviá-lo de sua fidelidade ao Deus vivo. Agora era honrado com uma comissão da parte de Elias, que lhe disse: “Vai, e dize a teu senhor: Eis que aqui está Elias”.

Grandemente aterrado, Obadias exclamou: “Em que pequei, para que entregues teu servo na mão de Acabe, para que me mate?” Levar a Acabe uma mensagem como esta era o mesmo que cortejar morte certa. “Vive o Senhor teu Deus”, explicou ele ao profeta, “que não houve nação nem reino aonde o meu senhor não mandasse em busca de ti; e dizendo eles: Aqui não está, então ajuramentava os reinos e as nações, se eles te não tinham achado. E agora dizes tu: Vai, dize a teu senhor: Eis que aqui está Elias. E poderia ser que, apartando-me eu de ti, o Espírito do Senhor te tomasse, não sei para onde, e, vindo eu a dar as novas a Acabe, e não te achando ele, me mataria”.

Ardorosamente suplicou Obadias ao profeta que o não enviasse. “Eu, teu servo”, instou, “temo ao Senhor desde a minha mocidade. Porventura não disseram a meu senhor o que fiz, quando Jezabel matava os profetas do Senhor, como escondi a cem homens dos profetas do Senhor, de cinqüenta em cinqüenta, numas covas, e os sustentei com pão e água? E agora dizes tu: Vai, dize a teu senhor: Eis que aqui está Elias; e me mataria”.

Com solene juramento Elias prometeu a Obadias que a mensagem não seria em vão. “Vive o Senhor dos exércitos, perante cuja face estou”, declarou ele, “que deveras hoje me mostrarei a ele”. Assim tranquilizado, “foi Obadias encontrar-se com Acabe, e lho anunciou”. 1 Reis 18:6-16.

Num misto de espanto e terror o rei ouviu a mensagem do homem a quem temia e odiava, e a quem tão incansavelmente havia procurado. Bem sabia ele que Elias não arriscaria a vida meramente pelo prazer de encontrá-lo. Seria possível que o profeta estivesse em vias de pronunciar outro ai sobre Israel? O coração do rei estava carregado de temor. Ele se lembrava do braço de Jeroboão que havia secado. Acabe não fugiria de obedecer à intimação, nem ousaria levantar a mão contra o mensageiro de Deus. E assim, acompanhado por um corpo de guardas, o tremente rei saiu a encontrar-se com o profeta.

O rei e o profeta postam-se face a face. Embora Acabe esteja cheio de apaixonado ódio, contudo, na presença de Elias parece acovardado, impotente. Em suas primeiras vacilantes palavras: “És tu o perturbador de Israel?” (1 Reis 18:17) ele inconscientemente revela os íntimos sentimentos de seu coração. Acabe sabia que fora pela palavra de Deus que os céus se tinham tornado como bronze, embora procurasse lançar sobre o profeta a culpa pelos pesados juízos que caíam sobre a terra.

É natural que o causador do mal torne o mensageiro de Deus responsável pelas calamidades que vêm como seguro resultado do afastamento do caminho da justiça. Os que se colocam sob o poder de Satanás são incapazes de ver as coisas como Deus as vê. Quando o espelho da verdade é posto perante eles, ficam indignados ao pensamento de receber reprovação. Cegados pelo pecado, recusam-se arrepender-se; sentem que os servos de Deus se voltaram contra eles, e são dignos da mais severa censura.

Permanecendo em conscienciosa inocência perante Acabe, Elias não procura escusar-se ou lisonjear o rei. Nem busca fugir à ira do rei mediante as boas-novas de que a seca está para findar. Ele não tem desculpas a pedir. Com indignação e em zelo pela honra de Deus, devolve a imputação de Acabe, declarando audazmente ao rei que são os pecados dele, rei, e de seus pais, que trouxeram sobre Israel esta terrível calamidade. “Eu não tenho perturbado a Israel”, sustentou ousadamente, “mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do Senhor, e seguistes a Baalim”.

Há necessidade hoje da voz de severa repreensão, pois graves pecados têm separado de Deus o povo. A infidelidade está depressa tornando-se moda. “Não queremos que Este reine sobre nós” (Lucas 19:14), é a linguagem de milhares. Os sermões macios tão freqüentemente pregados não deixam impressão duradoura; a trombeta não dá um sonido certo. Os homens não são atingidos no coração pelas claras, cortantes verdades da Palavra de Deus.

Há muitos professos cristãos que, se expressassem seus reais sentimentos, diriam: Que necessidade há de falar tão claramente? Seria o mesmo que perguntar: Que necessidade havia de João Batista dizer aos fariseus: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?” Lucas 3:7. Que necessidade tinha ele de provocar a ira de Herodias dizendo a Herodes que não lhe era lícito possuir a mulher de seu irmão? O precursor de Cristo perdeu a vida por falar claramente. Por que não podia ele ter prosseguido sem incorrer no desprazer dos que estavam vivendo em pecado?

Assim homens que deviam permanecer como fiéis guardiões da lei de Deus têm argumentado, a ponto de a astúcia tomar o lugar da fidelidade, e o pecado ser deixado sem reprovação. Quando será a voz da fiel reprovação ouvida uma vez mais na igreja?

“Tu és este homem”. 2 Samuel 12:7. Palavras indiscutivelmente claras como estas dirigidas por Natã a Davi, raramente são ouvidas nos púlpitos de hoje, raramente vistas na imprensa pública. Se não fossem tão raras, veríamos mais do poder de Deus revelado entre os homens. Os mensageiros do Senhor não devem queixar-se de que seus esforços não produzem frutos, enquanto não se arrependerem de seu próprio amor ao aplauso, e seu desejo de agradar aos homens, o que os leva à dissimular a verdade.

Os pastores que apreciam agradar aos homens, que clamam: Paz, paz, quando Deus não falou de paz, bem deviam humilhar o coração perante Deus, pedindo perdão por sua insinceridade e falta de coragem moral. Não é por amor ao próximo que eles abrandam a mensagem que lhes é confiada, mas porque são indulgentes para consigo mesmos e amam a vida fácil. O verdadeiro amor busca primeiro a honra a Deus e a salvação das almas. Os que possuem este amor não se esquivarão à verdade para se abrigarem dos incômodos resultados de falar claramente. Quando pessoas estão em perigo de se perderem, os ministros de Deus não considerarão o eu, mas falarão a palavra que lhes é ordenada, recusando desculpar ou atenuar o mal.

Seria ótimo se cada líder sentisse a inviolabilidade de seu ofício e a santidade de sua obra, e mostrasse a coragem revelada por Elias. Como mensageiros divinamente indicados, os pastores estão em posição de grave responsabilidade. Eles devem redarguir, repreender, exortar “com toda longanimidade e doutrina”. 2 Timóteo 4:2. Em lugar de Cristo devem eles trabalhar como despenseiros dos mistérios do Céu, encorajando o obediente e advertindo o desobediente. Para eles a mundana sagacidade não deve ter nenhum peso. Nunca devem desviar-se do caminho que Jesus lhes ordenou seguir. Devem prosseguir em fé, lembrando-se de que estão rodeados por uma nuvem de testemunhas. Não devem falar suas próprias palavras, mas as palavras que Alguém maior que os potentados da Terra lhes ordenou falar. Sua mensagem deve ser: “Assim diz o Senhor”. Êxodo 4:22. Deus chama homens como Elias, Natã e João Batista — homens que levarão fielmente Sua mensagem sem considerar as conseqüências; que corajosamente falarão a verdade, ainda que isso signifique sacrifício de tudo que possuem.

Deus não pode usar homens que, em tempos de perigo, quando a força, a coragem e a influência de todos são necessárias, temem tomar uma firme posição pelo direito. Ele chama a homens para que se empenhem fielmente na batalha contra o erro, guerreando contra principados e potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as forças espirituais da maldade nos lugares celestiais. A tais é que Ele dirigirá as palavras: “Bem está, bom e fiel servo […] entra no gozo do teu Senhor”. Mateus 25:23.

BLOG DA SEMANA 26/02/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 9

Elias era um homem de fé e oração – essas são qualidades com as quais que desejaria descrever minha própria vida. Como esposa e mãe, meu coração teme freqüentemente por aqueles que eu amo, mas em vez de temer eu quero me voltar para a oração. Todas as promessas da Bíblia são para nós, e eu reivindiquei o Salmo 37:25 como um dos meus versos especiais: "Eu era jovem e agora estou velho, mas nunca vi os justos abandonados ou seus filhos implorando pão." Eu posso confiar a Ele os meus entes queridos.

Elias também não tinha posição especial na vida, não tinha trabalho ou posição no governo. Ele não procurou ser o mensageiro especial de Deus, mas estava confiante de que Deus prepararia o caminho e lhe daria sucesso em tudo o que Deus lhe pedisse para fazer. Como uma mãe em tempo integral, minha posição não é vista com muita honra ou prestígio. Meus dias são muitas vezes preenchido com tarefas como cozinhar, limpar e lavar -atividades que as pessoas gostam de contratar outros para fazer por eles, se possível. Mas uma casa limpa e refeições saudáveis pode ser uma bênção para minha família, bem como para os amigos que visitam. Lembro-me de que quando cozinho uma refeição ou limpo uma bagunça, estou cozinhando e limpando para Jesus. "Tudo o que fazeis, fazei-o com todo o vosso coração, como trabalhando para o Senhor, não para os senhores humanos." Colossenses 3:23

Susan Menzmer
IASD McDonald, Tennessee EUA