BLOG DA SEMANA 19/02/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 8

Os anos que se seguiram ao reinado de Jeroboão foram como um “deslizar morro abaixo” rumo ao mal, apesar dos sinais de alerta e ameaças de desgraça iminente ao longo do caminho. O julgamento do céu caiu sobre a família de Jeroboão, e os reis que se seguiram continuaram o rápido declínio espiritual. Muitas pessoas se esqueceram de Deus e atribuíram seus poderes aos ídolos.

Um destaque brilhante em contraste a este deprimente retrato foi o rei Asa, de Judá. Ele foi confrontado por um exército inimigo muito maior que o dele, e seu futuro parecia desesperador. Mas sua fé estava em Deus, não no homem, e Deus recompensou aquela fé. O vasto exército inimigo foi derrubado e nunca mais se recuperou!

Qual foi o seu segredo? Você já ouviu o ditado, “Quando tudo mais falhar, ore”? Embora orar nunca seja uma má atitude, o poder de Asa não veio de uma oração de pânico, de última hora. “Em tempo de paz, Asa não se entregara a diversão e prazer; Ele estava se preparando para qualquer emergência. Ele tinha um exército treinado para o conflito; Ele se esforçou para levar seu povo a fazer a paz com Deus”.

Quando Deus concedeu a Asa uma vitória militar surpreendente, ele não tomou a glória para si mesmo. Em vez disso, ele liderou uma verdadeira reforma em Judá, em oferta de ação de graças a Deus.

Senhor, por favor, ajude-me a dirigir a Ti o meu louvor (e não a mim mesmo) e minha confiança (quer sejam os tempos fáceis ou difíceis).

Lisa Ward
Cleburne, Texas

 

Texto original: http://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/8

Também disponível em http://www.revivalandreformation.org/bhp/pt/sop/pk/8

Tradução: Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 8

Capítulo 8 — Apostasia nacional

Desde a morte de Jeroboão até o aparecimento de Elias perante Acabe, o povo de Israel experimentou firme declínio espiritual. Governado por homens que não temiam a Jeová e que encorajavam formas estranhas de culto, a maioria das pessoas rapidamente perdeu de vista seu dever de servir ao Deus vivo, e adotou muitas das práticas da idolatria.

Nadabe, filho de Jeroboão, ocupou o trono de Israel apenas por alguns meses. Sua carreira maléfica foi subitamente interrompida por uma conspiração encabeçada por Baasa, um de seus generais, para obter o controle do governo. Nadabe foi morto, com toda a sua descendência na linhagem da sucessão, “conforme a palavra do Senhor que dissera pelo ministério de seu servo Aías, o silonita; por causa dos pecados de Jeroboão, o qual pecou, e fez pecar a Israel”. 1 Reis 15:29, 30.

Assim pereceu a casa de Jeroboão. O culto idólatra introduzido por ele tinha levado sobre os culpados ofensores os juízos retributivos do Céu; e não obstante os reis que se seguiram — Baasa, Elá, Zinri e Onri — durante o período de aproximadamente quarenta anos, continuaram no mesmo curso fatal de perversidade.

Durante a maior parte deste período de apostasia em Israel, Asa reinava no reino de Judá. Por muitos anos “Asa fez o que era bom e reto aos olhos do Senhor seu Deus. Porque tirou os altares dos deuses estranhos, e os altos, e quebrou as estátuas, e cortou os bosques. E mandou a Judá que buscassem ao Senhor Deus de seus pais, e que observassem a lei e o mandamento. Também tirou de todas as cidades de Judá os altos e as imagens do Sol; e o reino esteve quieto diante dele”. 2 Crônicas 14:2-5.

A fé de Asa foi posta em severa prova quando “Zerá, o etíope, saiu contra eles com um exército de milhares, e trezentos carros” (2 Crônicas 14:9), e invadiu-lhe o reino. Nesta crise Asa não pôs sua confiança nas “cidades fortes em Judá” que ele havia construído, com “muros e torres, portas e ferrolhos”, nem nos “varões valentes” (2 Crônicas 14:6-8) de seu exército cuidadosamente treinado. A confiança do rei estava em Jeová dos exércitos, em cujo nome maravilhosos livramentos tinham sido operados em favor do Israel do passado. Pondo suas forças no campo de batalha, ele procurou o auxílio de Deus.

Os exércitos inimigos estavam agora frente a frente. Este era um tempo de prova para os que serviam ao Senhor. Fora confessado cada pecado? Tinham os homens de Judá plena confiança no poder de Deus para livrar? Tais eram os pensamentos que ocupavam a mente dos líderes. De todo ponto de vista humano, o vasto exército do Egito varreria tudo que se lhe antepusesse. Mas no tempo de paz, Asa não se havia entregue a divertimentos e prazeres; ele estivera se preparando para qualquer emergência. Tinha um exército preparado para o conflito; havia procurado levar seu povo a fazer sua paz com Deus. E agora, embora suas forças fossem em número inferior às do inimigo, sua fé nAquele em quem tinha posto sua confiança não enfraqueceu.

Havendo buscado ao Senhor nos dias de prosperidade, o rei podia agora, no dia da adversidade, descansar nEle. Suas petições mostravam que ele não era estranho ao maravilhoso poder de Deus. “Nada para Ti é ajudar”, suplicou ele, “quer o poderoso quer o de nenhuma força; ajuda-nos, pois, Senhor nosso Deus, porque em Ti confiamos, e no Teu nome viemos contra esta multidão. Senhor, Tu és nosso Deus, não prevaleça contra Ti o homem”. 2 Crônicas 14:11.

A oração de Asa é dessas que cada cristão crente pode apropriadamente oferecer. Estamos empenhados numa guerra, não contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados e as potestades, e contra as maldades espirituais nos lugares celestiais. Efésios 6:12. No conflito da vida, temos de enfrentar os instrumentos do mal que se arregimentaram contra o direito. Nossa esperança não está no homem, mas no Deus vivo. Com plena certeza de fé, podemos esperar que Ele unirá Sua onipotência aos esforços de instrumentos humanos, para a glória de Seu nome. Revestidos com as armas de Sua justiça podemos obter a vitória sobre todo inimigo.

A fé do rei Asa foi assinaladamente recompensada. “E o Senhor feriu os etíopes diante de Asa, e diante de Judá; e fugiram os etíopes. E Asa e o povo que estava com ele os perseguiram até Gerar, e caíram tantos dos etíopes, que já não havia neles vigor algum, porque foram quebrantados diante do Senhor, e diante do Seu exército”. 2 Crônicas 14:12, 13.

Ao retornarem os exércitos de Judá e Benjamim a Jerusalém, “veio o Espírito de Deus sobre Azarias, filho de Obede. E saiu ao encontro de Asa, e disse-lhe: Ouvi-me, Asa, e todo o Judá e Benjamim: O Senhor está convosco, enquanto vós estais com Ele, e, se O buscardes, O achareis; porém, se O deixardes, vos deixará”. “Mas esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos; porque a vossa obra tem uma recompensa”. 2 Crônicas 15:1, 2, 7.

Grandemente incentivado por essas palavras, Asa logo promoveu uma segunda reforma em Judá. Ele “esforçou-se, e tirou as abominações de toda a terra de Judá e de Benjamim, como também das cidades que tomara nas montanhas de Efraim; e renovou o altar do Senhor, que estava diante do pórtico do Senhor.

“E ajuntou a todo o Judá, e Benjamim, e com eles os estrangeiros de Efraim e Manassés, e de Simeão; porque de Israel vinham a ele em grande número, vendo que o Senhor seu Deus era com ele. E ajuntaram-se em Jerusalém no terceiro mês, no ano décimo do reinado de Asa. E no mesmo dia ofereceram em sacrifício ao Senhor, do despojo que trouxeram, seiscentos bois e seis mil ovelhas. E entraram no concerto de buscarem ao Senhor, Deus de seus pais, com todo o coração, e com toda a sua alma”. “E O acharam; e o Senhor lhes deu repouso em redor”. 2 Crônicas 15:8-12, 15.

O longo relato do fiel serviço de Asa foi mareado por alguns erros, cometidos nas vezes em que ele deixou de pôr sua confiança inteiramente em Deus. Quando, certa ocasião, o rei de Israel entrou no reino de Judá e capturou Ramá, uma cidade fortificada distante apenas uns oito quilômetros de Jerusalém, Asa procurou livramento fazendo uma aliança com Ben-Hadade, rei da Síria. Esta falha em não confiar somente em Deus nos tempos de necessidade foi severamente reprovada por Hanani, o profeta, que apareceu perante Asa com a mensagem:

“Porquanto confiaste no rei da Síria, e não confiaste no Senhor teu Deus, portanto o exército do rei da Síria escapou da tua mão. Porventura não foram os etíopes e os líbios um grande exército, com muitíssimos carros e cavaleiros? Confiando tu, porém, no Senhor, Ele os entregou nas tuas mãos. Porque, quanto ao Senhor, Seus olhos passam por toda a Terra, para mostrar-Se forte para com aqueles cujo coração é perfeito para com Ele; nisto, pois, procedeste loucamente, porque desde agora haverá guerras contra ti”. 2 Crônicas 16:7-9.

Em lugar de humilhar-se perante Deus por causa de seu erro, “Asa se indignou contra o vidente, e lançou-o na casa do tronco, porque disto grandemente se alterou contra ele; também Asa no mesmo tempo oprimiu a alguns do povo”. 2 Crônicas 16:10.

“E caiu Asa doente de seus pés no ano trinta e nove do seu reinado; grande por extremo era a sua enfermidade, e contudo na sua enfermidade não buscou ao Senhor, mas antes aos médicos”. 2 Crônicas 16:12. O rei morreu no quadragésimo primeiro ano do seu reinado, e foi sucedido por seu filho Josafá.

Dois anos antes da morte de Asa, Acabe começou a reinar em Israel. Seu reinado foi marcado desde o início por uma estranha e terrível apostasia. Seu pai, Onri, o fundador de Samaria, tinha feito “o que parecia mal aos olhos do Senhor; e fez pior do que todos quantos foram antes dele” (1 Reis 16:25); mas os pecados de Acabe foram ainda maiores. Ele “fez muito mais para irritar o Senhor Deus de Israel do que todos os reis de Israel que foram antes dele”, agindo “como se fora coisa leve andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate”. 1 Reis 16:33, 31. Não contente com encorajar as formas de adoração seguidas em Betel e Dã, ousadamente levou o povo a grosseiro paganismo, substituindo o culto de Jeová pelo de Baal.

Tomando por esposa a Jezabel, “filha de Etbaal, rei dos sidônios”, e sumo sacerdote de Baal, Acabe “serviu a Baal, e se encurvou diante dele. E levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria”. 1 Reis 16:31, 32.

Acabe não somente introduziu o culto de Baal na metrópole do reino, mas sob a liderança de Jezabel construiu altares pagãos em muitos “lugares altos”, onde ao abrigo de bosques circundantes os sacerdotes e outros relacionados com esta sedutora forma de idolatria exerciam sua danosa influência, até que quase todo o Israel estava indo após Baal. “Ninguém fora como Acabe, que se vendera para fazer o que era mau aos olhos do Senhor; porque Jezabel, sua mulher, o incitava. E fez grandes abominações, seguindo os ídolos, conforme a tudo o que fizeram os amorreus, aos quais o Senhor lançou fora da sua possessão, de diante dos filhos de Israel”. 1 Reis 21:25, 26.

Acabe era fraco em capacidade moral. Sua união por casamento com uma mulher idólatra de caráter decidido e temperamento definido, resultou em desastre tanto para ele como para a nação. Destituído de princípio, e sem nenhuma alta norma de reto proceder, seu caráter foi facilmente modelado pelo espírito determinado de Jezabel. Sua natureza egoísta era incapaz de apreciar as bênçãos de Deus a Israel e seus próprios deveres como guardião e líder do povo escolhido.

Sob a danosa influência do reinado de Acabe, Israel afastou-se do Deus vivo, e corrompeu seus caminhos perante Ele. Por muitos anos tinham estado a perder o senso de reverência e piedoso temor; e agora parecia não haver ninguém que ousasse expor a vida colocando-se abertamente em oposição à predominante blasfêmia. A escura sombra da apostasia cobria toda a terra. Imagens de Baal e Astarote estavam em todo lugar para serem vistas. Templos idólatras e bosques consagrados em que se adoravam as obras das mãos dos homens foram multiplicados. O ar estava poluído com o fumo dos sacrifícios oferecidos aos falsos deuses. Montes e vales ressoavam com o perturbado clamor de um sacerdócio pagão que sacrificava ao Sol, à Lua e às estrelas.

Pela influência de Jezabel e de seus ímpios sacerdotes, o povo fora ensinado que os ídolos que haviam sido erguidos eram divindades que regiam por seu místico poder os elementos da terra, fogo e água. Todas as dádivas do Céu — os regatos, as fontes de águas vivas, o suave orvalho, os chuveiros de águas que refrigeravam a terra e faziam que os campos produzissem com abundância — eram atribuídos ao favor de Baal e Astarote, em vez de ao Doador de toda boa dádiva e todo dom perfeito. O povo esqueceu-se de que montes e vales, rios e fontes, estavam nas mãos do Deus vivo; que Ele controlava o Sol, as nuvens do céu e todos os poderes da natureza.

Por intermédio de fiéis mensageiros, o Senhor enviou repetidas advertências ao rei apóstata e ao povo; mas vãs foram essas palavras de reprovação. Em vão os inspirados mensageiros sustentaram o direito de ser Jeová o único Deus em Israel; em vão exaltaram as leis que Ele lhes havia confiado. Seduzidos pela suntuosa exibição e os fascinantes ritos da idolatria, o povo seguia o exemplo do rei e sua corte, e se entregava aos intoxicantes e degradantes prazeres de um culto sensual. Em sua cega loucura, preferiram rejeitar a Deus e Seu culto. A luz que lhes fora tão graciosamente concedida tornara-se em trevas. O fino ouro havia-se tornado fosco.

Ah como a glória de Israel se havia ido Nunca dantes o povo escolhido de Deus caíra tão baixo na apostasia. Havia “quatrocentos e cinqüenta” “profetas de Baal”, além de “quatrocentos profetas de Asera”. 1 Reis 18:19. Nada menos que o milagroso poder operador de Deus poderia preservar a nação de destruição total. Voluntariamente, Israel havia-se separado de Jeová; todavia o Senhor por compaixão ainda anelava por aqueles que haviam sido levados ao pecado, e estava prestes a enviar-lhes um de Seus mais poderosos profetas, por cujo intermédio poderiam ser levados de volta à fidelidade ao Deus de seus pais.

Fonte: http://www.revivalandreformation.org/bhp/pt/sop/pk/8

BLOG DA SEMANA, sobre Profetas e Reis, cap. 7

Disputa pelo poder, mentiras, curas milagrosas, uma profecia mortal cumprida e um rei apóstata – todos parecem um enredo moderno para um romance de mistério; mas eles são realmente encontrados na história de Jeroboão. Toda a intriga deixa você se perguntando: onde está Deus nesta narrativa?

Jeroboão era um governante que escolheu o poder do governo acima da fidelidade a Deus. Ele criou ídolos para que o povo adorasse, a fim de fortalecer seu domínio terreno, em vez de permanecer fiel a Deus.

Esta é a definição de apostasia, um “abandono” da crença. No entanto, Deus ainda estava trabalhando com Israel. O Deus de amor não desistiu do seu povo escolhido. Ellen White diz que mesmo nos “anos escuros” sempre havia pessoas fiéis a Deus, e que Deus continuava a enviar “ternos apelos” através de seus servos. Nunca houve um tempo em que não houvessem pessoas que se mantiveram fortes em Deus, um “bom remanescente”.

Avancemos rapidamente para 2017. Vivemos em um mundo que às vezes parece dominado pelo caos e depravação, e só é preciso olhar para as notícias para ler sobre alguma atrocidade nova e horrível. Enquanto estamos aparentemente impotentes para resolver ou corrigir o pecado neste mundo, somos convidados a permanecer fiéis e verdadeiros a Deus. Como Ellen White afirma tão lindamente: “Mesmo nas horas mais escuras, alguns permaneceriam fiéis ao seu soberano divino”. Este é o paradoxo supremo: enquanto Jeroboão abandonou Deus, Deus não abandonou e nunca deixou as pessoas que O escolheram .

Joy Muth Fackenthall

Professor de Bíblia e Espanhol

PUC Prep, Angwin, CA EUA

Texto original: http://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/7

Também disponível em http://www.revivalandreformation.org/bhp/pt/sop/pk/7

Tradução: Jeferson Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 7

Capítulo 7 — Jeroboão

Elevado ao trono pelas dez tribos de Israel que se haviam rebelado contra a casa de Davi, Jeroboão, outrora servo de Salomão, estava em posição de proceder a sábias reformas tanto nos negócios civis como nos religiosos. Sob o governo de Salomão havia ele mostrado aptidão e sadio discernimento; e o conhecimento que havia adquirido durante anos de fiel serviço capacitava-o a governar com prudência. Mas Jeroboão deixou de pôr em Deus sua confiança.

O maior temor de Jeroboão era que em qualquer tempo no futuro o coração de seus súditos se deixasse cativar pelo ocupante do trono de Davi. Raciocinou ele que se às dez tribos fosse permitido visitar com freqüência a antiga sede da realeza judaica, onde os cultos do templo eram ainda dirigidos como nos anos do reinado de Salomão, muitos poderiam sentir-se inclinados a renovar sua submissão ao governo centralizado em Jerusalém. Trocando idéia com seus conselheiros, Jeroboão determinou, num ousado golpe, desfazer, tanto quanto possível, a probabilidade de uma revolta contra seu governo. Isto pretendia ele levar a termo criando dentro dos limites de seu recém-formado reino dois centros de adoração: um em Betel e o outro em Dã. Nesses lugares deviam as dez tribos ser convidadas a se reunir, em vez de em Jerusalém, para adorar a Deus.

Planejando esta transferência, intentava Jeroboão apelar à imaginação dos israelitas, colocando perante eles alguma representação visível para simbolizar a presença do Deus invisível. Conseqüentemente, mandou fazer dois bezerros de ouro, e estes foram postos dentro de nichos nos centros indicados para adoração. Nesta tentativa para representar a divindade, Jeroboão violou o claro mandamento de Deus: “Não farás para ti imagem de escultura. […] Não te encurvarás a elas nem as servirás”. Êxodo 20:4, 5.

Tão forte era o desejo de Jeroboão de conservar as dez tribos afastadas de Jerusalém, que perdeu de vista a fraqueza fundamental de seu plano. Ele deixou de tomar em consideração o grande perigo a que estava expondo os israelitas, pelo colocar perante eles o símbolo idólatra da divindade, com os quais seus ancestrais haviam estado tão familiarizados durante os séculos de seu cativeiro no Egito. A estada recente de Jeroboão no Egito devia tê-lo ensinado a loucura de colocar perante o povo tais representações pagãs. Mas seu decidido propósito de induzir as tribos do norte a não continuar sua visita anual à cidade santa, levou-o a adotar a mais imprudente das medidas. “Muito trabalho vos será o subir a Jerusalém”, insistiu ele; “vês aqui teus deuses, ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egito”. 1 Reis 12:28. Assim foram eles convidados a se prostrarem perante imagens de ouro e a adotar estranhas formas de culto.

O rei procurara persuadir os levitas, alguns dos que estavam vivendo em seus domínios, a servirem como sacerdotes nos altares recém-erguidos em Betel e Dã; mas nesta tentativa ele foi ao encontro do fracasso. Foi então compelido a elevar ao sacerdócio homens “dos mais baixos do povo”. 1 Reis 12:31. Alarmados com as perspectivas, muitos dos fiéis, incluindo-se um grande número de levitas, fugiram para Jerusalém, onde podiam adorar em harmonia com os divinos reclamos.

“E fez Jeroboão uma festa no oitavo mês, no dia décimo quinto do mês, como a festa que se fazia em Judá, e sacrificou no altar. Semelhantemente fez em Betel, sacrificando aos bezerros que fizera; também em Betel estabeleceu sacerdotes dos altos que fizera”. 1 Reis 12:32.

O ousado desafio do rei a Deus ao pôr de lado instituições divinamente indicadas, não foi permitido passar sem repreensão. No momento mesmo em que ele estava oficiando e queimando incenso durante a dedicação do altar estranho que havia levantado em Betel, apareceu ali perante ele um homem de Deus do reino de Judá, enviado para denunciá-lo pela presunção em introduzir novas formas de culto. O profeta “clamou contra o altar […] disse: Altar, altar assim diz o Senhor: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que queimam sobre ti incenso, e ossos de homens que se queimarão sobre ti.

“E deu naquele mesmo dia um sinal, dizendo: Este é o sinal de que o Senhor falou: Eis que o altar se fenderá, e a cinza, que nele está, se derramará”. Imediatamente o “altar se fendeu, e a cinza se derramou do altar, segundo o sinal que o homem de Deus apontara pela palavra do Senhor”. 1 Reis 13:2, 3, 5.

Ao ver isso, Jeroboão se encheu de um espírito provocador contra Deus, e procurou conter o que lhe tinha apresentado a mensagem. Cheio de ira, ele “estendeu a sua mão de sobre o altar, dizendo: Pegai dele”. Seu ato impetuoso encontrou reprovação imediata. A mão estendida contra o mensageiro de Jeová tornou-se de súbito impotente e seca, e não a podia tornar a trazer a si.

Tomado de terror, o rei apelou ao profeta para que intercedesse por ele a Deus. “Ora à face do Senhor teu Deus”, suplicou ele, “e roga por mim, que a minha mão se me restitua. Então o homem de Deus orou à face do Senhor, e a mão do rei se lhe restituiu, e ficou como dantes”. 1 Reis 13:4, 6.

Inútil fora o esforço de Jeroboão para revestir de solenidade a dedicação de um altar estranho, cujo respeito haveria levado ao desrespeito pelo culto de Jeová no templo de Jerusalém. Pela mensagem do profeta, o rei de Israel deveria ter sido levado ao arrependimento, a renunciar seus ímpios desígnios, os quais estavam desviando o povo do verdadeiro culto de Deus. Mas ele endureceu o coração, e decidiu seguir o caminho de sua própria escolha.

Por ocasião da festa em Betel, o coração dos israelitas não estava completamente endurecido. Muitos eram suscetíveis à influência do Espírito Santo. O Senhor decidiu que os que estavam indo a passos rápidos para o caminho da apostasia deviam ser impedidos em seu curso antes que fosse demasiado tarde. Ele enviou Seu mensageiro para interromper o procedimento idólatra, e revelar ao rei e ao povo qual seria o resultado de sua apostasia. A ruptura do altar era um sinal da desaprovação de Deus à abominação que estava sendo praticada em Israel.

O Senhor procura salvar, não destruir. Ele Se deleita na libertação de pecadores. “Vivo Eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio”. Ezequiel 33:11. Por meio de advertências e rogos Ele convida o obstinado a cessar de praticar o mal, e a voltar-se para Ele e viver. Dá a Seus escolhidos mensageiros santa ousadia, para que os que ouvirem temam e sejam levados ao arrependimento. Quão firmemente o homem de Deus repreendeu o rei! E esta firmeza era essencial; de nenhuma outra maneira podiam os males existentes ter sido reprovados. O Senhor deu a Seu servo ousadia, para que impressão perdurável fosse feita nos que ouviram. Os mensageiros do Senhor não devem jamais temer a face do homem, mas sim permanecer inflexíveis pelo direito. Enquanto sua confiança estiver posta em Deus, não precisam temer; pois Aquele que lhes deu uma tarefa também lhes assegura Seu protetor cuidado.

Havendo apresentado sua mensagem, o profeta estava para retornar, quando Jeroboão lhe disse: “Vem comigo a casa, e conforta-te, e dar-te-ei um presente”. “Ainda que me desses metade da tua casa”, replicou-lhe o profeta, “não iria contigo, nem comeria pão nem beberia água neste lugar. Porque assim me ordenou o Senhor pela Sua palavra, dizendo: Não comerás pão nem beberás água, e nem voltarás pelo caminho por onde foste”. 1 Reis 13:7-9.

Bom teria sido ao profeta se ele tivesse se apegado ao seu propósito de retornar sem demora à Judéia. Enquanto viajava por outra rota, foi surpreendido por um ancião que declarava ser profeta, e que se representou falsamente ante o homem de Deus, declarando: “Também eu sou profeta como tu, e um anjo me falou pela palavra do Senhor, dizendo: Faze-o voltar contigo a tua casa, para que coma pão e beba água”. Insistentemente a mentira foi repetida, o convite inculcado, até que o homem de Deus foi persuadido a voltar.

Visto que o profeta verdadeiro concordou em tomar um curso contrário à linha do dever, Deus permitiu-lhe sofrer a penalidade da sua transgressão. Enquanto ele e o que o convidara a retornar a Betel estavam à mesa, a inspiração do Todo-poderoso veio ao falso profeta, e ele “clamou ao homem de Deus, que viera de Judá, dizendo: Assim diz o Senhor: Porquanto foste rebelde à boca do Senhor, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te mandara […] teu cadáver não entrará no sepulcro de teus pais”. 1 Reis 13:18-22.

Essa profecia de juízo foi logo literalmente cumprida. “E sucedeu que, depois que comeu pão, e depois que bebeu, albardou ele o jumento. […] Foi-se, pois, e um leão o encontrou no caminho, e o matou; e o seu cadáver estava lançado no caminho, e o jumento estava parado junto a ele, e o leão estava junto ao cadáver. E eis que os homens passaram, e viram o corpo lançado no caminho, […] e vieram, e o disseram na cidade onde o profeta velho habitava. E, ouvindo-o o profeta que o fizera voltar do caminho, disse: É o homem de Deus, que foi rebelde à boca do Senhor”. 1 Reis 13:23-26.

A penalidade que alcançou o infiel mensageiro foi ainda uma posterior evidência à verdade da profecia proferida sobre o altar. Se, após desobedecer à palavra do Senhor, ao profeta fosse permitido ir a salvo, o rei teria usado este fato numa tentativa de vindicar sua própria desobediência. Na ruptura do altar, no secamento do braço e na terrível sorte daquele que ousara desobedecer uma ordem expressa de Jeová, Jeroboão deveria ter discernido o pronto desprazer de um Deus ofendido, e esses juízos deviam tê-lo advertido a não persistir na prática do mal. Mas longe de se arrepender, Jeroboão “dos mais baixos do povo tornou a fazer sacerdotes dos lugares altos”. Assim não apenas pecou ele mesmo grandemente, mas “fez pecar a Israel”. 1 Reis 13:33, 34. “E isso foi causa de pecado à casa de Jeroboão, para destruí-la e extingui-la da Terra”. 1 Reis 14:16.

Ao final de um conturbado reinado de vinte e dois anos, Jeroboão sofreu desastrosa derrota numa guerra com Abias, sucessor de Roboão. “E Jeroboão não recobrou mais nenhuma força nos dias de Abias; porém o Senhor o feriu e morreu”. 2 Crônicas 13:20.

A apostasia introduzida durante o reinado de Jeroboão tornou-se cada vez mais acentuada, até que finalmente resultou em ruína total do reino de Israel. Antes mesmo da morte de Jeroboão, Aías, o idoso profeta de Siló que muitos anos antes predissera a elevação de Jeroboão ao trono, declarou: “O Senhor ferirá a Israel, como se move a cana nas águas; e arrancará Israel desta boa terra que tinha dado a seus pais, e o espalhará para além do rio, porquanto fizeram os seus bosques, provocando o Senhor à ira. E entregará Israel por causa dos pecados de Jeroboão, o qual pecou, e fez pecar a Israel”. 1 Reis 14:15, 16.

O Senhor, porém, não abandonou a Israel sem antes fazer tudo que poderia ser feito para levá-lo de volta à submissão a Si. Através dos longos, escuros anos quando rei após rei se puseram em ousado desafio ao Céu e levaram Israel a idolatria cada vez mais profunda, Deus enviou mensagem após mensagem a Seu transviado povo. Por intermédio de Seus profetas deu-lhes toda oportunidade de deter a maré da apostasia e retornar a Ele. Durante os anos que sucederiam à cisão do reino, Elias e Eliseu viveriam e trabalhariam, e os ternos apelos de Oséias, Amós e Obadias deviam ser ouvidos na terra. Jamais deveria o reino de Israel ser deixado sem nobres testemunhas do suficiente poder de Deus para salvar do pecado. Mesmo nas horas mais escuras, alguns permaneceriam leais ao seu divino Rei, e em meio da idolatria viveriam inculpáveis à vista de um Deus santo. Esses fiéis foram contados entre o piedoso remanescente por cujo intermédio o eterno propósito de Jeová devia ser finalmente cumprido.

BLOG DA SEMANA 05/02/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 6

Eu tinha uma colega de quarto da faculdade que era um bom exemplo de como viver a vida cristã. Eu me lembro de pedir seu conselho quando eu precisava fazer uma grande decisão para a qual eu já sabia a resposta mas estava titubeante em implementá-la e ela me repassou algo sábio que recebera de seu pai. Quando minha colega pediu o conselho de seu pai a uma questão semelhante, ele lhe fez uma pergunta: “Por que você está me perguntando?” Depois de explicar que ela valorizava sua opinião e que considerava que ele era uma pessoa sábia que amava a Deus, ele lhe disse: “Se foi por isso que você me escolheu, então você já sabe o que eu aconselharia você; vá e siga esse caminho.”

Às vezes, nosso problema não é buscar e receber conselhos sábios, mas decidir se submeter a esse conselho e segui-lo. É a nossa falta de vontade de nos submeter a um conselho que sabemos correto mas achamos pessoalmente desagradável que nos levará a buscar uma segunda opinião que levará a resultados desastrosos.

Roboão subiu ao poder vacilando entre dois paradigmas: o conselho piedoso, mas tardio, de seu pai, Salomão, e a influência precoce e contínua de sua mãe idólatra que desprezava/desprezara tudo o que era santo. Com a morte de seu pai, Roboão enfrentou o dia da decisão – Que influência marcaria o homem e seu reino?

De acordo com seu caráter vacilante, Roboão vacilou e buscou opiniões de ambos os lados. Metaforicamente, ele comeu do fruto proibido procurando o conhecimento do bem e do mal. Então, como sua antecessora Eva, ele escolheu o conselho mais lisonjeiro. O resto, como dizem, é história.

Karen Lifshay
Hermiston, Oregon, EUA

 

Texto original: http://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/6
Tradução: Jeferson Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 6

Capítulo 6 — O reino é rasgado

E adormeceu Salomão com seus pais, e foi sepultado na cidade de Davi, seu pai; e Roboão, seu filho, reinou em seu lugar”. 1 Reis 11:43.

Logo após sua ascensão ao trono, Roboão foi a Siquém, onde esperava receber reconhecimento formal de todas as tribos. “Todo o Israel tinha vindo a Siquém para o fazerem rei”. 2 Crônicas 10:1.

Entre os presentes estava Jeroboão, filho de Nebate — o mesmo Jeroboão que durante o reinado de Salomão tinha sido conhecido como “varão valente”, e a quem o profeta Aías, o silonita, tinha levado a assustadora mensagem: “Eis que rasgarei o reino da mão de Salomão, e a ti darei as dez tribos”. 1 Reis 11:28, 31.

O Senhor, por intermédio de Seu mensageiro, tinha falado claramente a Jeroboão com respeito à necessidade de dividir o reino. Esta divisão devia ocorrer, declarou Ele, “porque Me deixaram, e se encurvaram a Astarote, deusa dos sidônios, a Quemós, deus dos moabitas, e a Milcom, deus dos filhos de Amom; e não andaram pelos Meus caminhos, para fazerem o que parece reto aos Meus olhos, a saber, os Meus estatutos e os Meus juízos, como Davi, seu pai”. 1 Reis 11:33.

Jeroboão havia sido posteriormente instruído que o reino não devia ser dividido antes do fim do reinado de Salomão. “Porém não tomarei nada deste reino da sua mão”, o Senhor declarou, “mas por príncipe o ponho por todos os dias da sua vida, por amor de Davi, Meu servo, a quem elegi, o qual guardou os Meus mandamentos, e os Meus estatutos. Mas da mão de seu filho tomarei o reino, e to darei a ti, as dez tribos dele”. 1 Reis 11:34, 35.

Embora Salomão tivesse ansiado por preparar o espírito de Roboão, seu sucessor escolhido, para que enfrentasse com sabedoria a crise predita pelo profeta de Deus, ele não fora jamais capaz de exercer forte influência modeladora para o bem sobre a mente de seu filho, cuja primeira educação tinha sido tão extremamente negligenciada. Roboão tinha recebido de sua mãe, uma amonita, a estampa de um caráter vacilante. Algumas vezes procurou servir a Deus, e foi agraciado com uma medida de prosperidade; mas não ficou firme, e afinal rendeu-se às más influências que o rodearam desde a infância. Nos erros da vida de Roboão e em sua apostasia final é revelado o trágico resultado da união de Salomão com mulheres idólatras.

As tribos vinham há muito sofrendo cruéis injustiças sob as medidas opressivas do governante anterior. A extravagância do reinado de Salomão durante sua apostasia levara-o a tributar o povo pesadamente, e a requerer dele muito trabalho servil. Antes de levar avante a coroação de um novo monarca, os líderes dentre as tribos determinaram assegurar-se se era ou não propósito do filho de Salomão aliviar aquelas cargas. “Veio, pois, Jeroboão com todo o Israel, e falaram a Roboão, dizendo: Teu pai fez duro o nosso jugo; alivia tu, pois, agora a dura servidão de teu pai, e o pesado jugo que nos tinha imposto, e servir-te-emos”.

Desejoso de aconselhar-se com seus auxiliares, antes de expor sua política, Roboão respondeu: “Daqui a três dias tornai a mim. Então o povo se foi”. “E teve Roboão conselho com os seus anciãos, que estiveram perante Salomão seu pai, enquanto viveu, dizendo: Como aconselhais vós que se responda a este povo? E eles falaram, dizendo: Se te fizeres benigno e afável com este povo, e lhe falares boas palavras, todos os dias serão teus servos”. 2 Crônicas 10:3-7.

Não satisfeito, Roboão voltou-se para os jovens que com ele se tinham associado durante sua juventude e maturidade, e inquiriu deles: “Que aconselhais vós, que respondamos a este povo, que me falou, dizendo: Alivia-nos o jugo que teu pai nos impôs?” 1 Reis 12:9. Os jovens sugeriram que ele tratasse asperamente com os súditos de seu reino, e lhes tornasse claro que desde o princípio ele não admitiria interferência com os seus desejos pessoais.

Inflado pela perspectiva de exercer suprema autoridade, Roboão determinou desconsiderar o conselho dos homens mais idosos do seu reino, e fazer dos jovens seus conselheiros. Sucedeu então que no dia aprazado, quando “Jeroboão, e todo o povo”, veio a Roboão em busca de uma resposta concernente ao programa que ele pretendia pôr em prática, Roboão “lhes respondeu asperamente […] dizendo: Meu pai agravou o vosso jugo, porém eu lhe acrescentarei mais; meu pai vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões”. 1 Reis 12:12-14.

Tivessem Roboão e seus inexperientes conselheiros compreendido a vontade divina concernente a Israel, teriam eles dado ouvidos à solicitação do povo por reformas decididas na administração do governo. Mas na hora oportuna que se lhes apresentou na reunião de Siquém, deixaram de raciocinar da causa para o efeito, e assim enfraqueceram para sempre sua influência sobre grande parte do povo. Sua expressa determinação de perpetuar e acrescentar a opressão introduzida durante o reinado de Salomão estava em direto conflito com o plano de Deus para Israel, e deu ao povo ampla ocasião de duvidar da sinceridade de seus motivos. Nesta tentativa inepta e insensível de exercer poder, o rei e seus conselheiros escolhidos revelaram o orgulho da posição e autoridade.

O Senhor não permitiu a Roboão pôr em prática a política que ele havia esboçado. Havia entre as tribos muitos milhares que haviam ficado alerta quanto às opressivas medidas do reinado de Salomão, e esses sentiram agora que outra coisa não poderiam fazer senão rebelar-se contra a casa de Davi. “Vendo, pois, todo o Israel que o rei lhes não dava ouvidos, então o povo respondeu ao rei, dizendo: Que parte temos nós com Davi? Já não temos herança no filho de Jessé; Israel, cada um às suas tendas Olha agora pela tua casa, ó Davi. Assim todo o Israel se foi para as suas tendas”. 1 Reis 12:16.

A brecha aberta com o ríspido discurso de Roboão provou-se irreparável. Daí em diante as doze tribos de Israel ficaram divididas, as tribos de Judá e Benjamim formando o reino mais abaixo, ou ao sul de Judá, sob o governo de Roboão, enquanto as dez tribos ao norte formaram e mantiveram um governo separado, conhecido como o reino de Israel, tendo Jeroboão como seu rei. Assim se cumpriu a predição do profeta concernente ao rasgamento do reino. “Esta revolta vinha do Senhor”. 1 Reis 12:15.

Quando Roboão viu que as dez tribos retiravam dele sua obediência, despertou para a ação. Por intermédio de um dos homens influentes de seu reino, “Adorão, que estava sobre os tributos”, fez um esforço para acalmá-las. Mas o embaixador da paz recebeu um tratamento que atestava dos sentimentos contra Roboão. “Todo o Israel o apedrejou com pedras, e morreu”. Alertado por esta evidência de revolta, “o rei Roboão se animou a subir ao seu carro para fugir para Jerusalém”. 1 Reis 12:18.

Em Jerusalém “ajuntou toda a casa de Judá e a tribo de Benjamim, cento e oitenta mil escolhidos, destros para a guerra, para pelejar contra a casa de Israel, para restituir o reino a Roboão, filho de Salomão. Porém veio a palavra de Deus a Semaías, homem de Deus, dizendo: Fala a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, e a Benjamim, e ao resto do povo, dizendo: Assim diz o Senhor: Não subireis, nem pelejareis contra vossos irmãos, os filhos de Israel; volte cada um para a sua casa, porque Eu é que fiz esta obra. E ouviram a palavra do Senhor, e voltaram segundo a palavra do Senhor”. 1 Reis 12:21-24.

Por três anos, Roboão procurou tirar proveito da triste experiência do início de seu reinado; e prosperou nesta tentativa. “Edificou cidades para fortalezas, em Judá, e fortificou fortalezas e pôs nelas maiorais, e armazéns de víveres, e de azeite, e de vinho”. Ele teve o cuidado de fortificar essas cidades “em grande maneira”. 2 Crônicas 11:5, 11, 12. Mas o segredo da prosperidade de Judá durante os primeiros anos do reinado de Roboão não se devia a estas medidas. Foi seu reconhecimento de Deus como Supremo Dominador, que pôs as tribos de Judá e Benjamim em plano de superioridade. Ao seu número foram acrescidos muitos homens tementes a Deus das tribos do Norte. “Também de todas as tribos de Israel, diz o relato, ‘os que deram o seu coração a buscarem ao Senhor Deus de Israel, vieram a Jerusalém, para oferecerem sacrifícios ao Senhor Deus de seus pais. Assim fortaleceram o reino de Judá e corroboraram a Roboão, filho de Salomão, por três anos; porque três anos andaram no caminho de Davi e Salomão’”. 2 Crônicas 11:16, 17.

Na seqüência viria a oportunidade de Roboão redimir em grande medida os erros do passado e restaurar a confiança em sua capacidade de governar com discrição. Mas a pena da inspiração traçou o triste registro do sucessor de Salomão como alguém que falhou em exercer uma forte influência para lealdade a Jeová. Por natureza obstinado, confiante em si, voluntarioso e inclinado à idolatria, tivesse ele, não obstante, colocado sua confiança inteiramente em Deus e teria desenvolvido fortaleza de caráter, firmeza de fé e submissão aos requisitos divinos. Mas com o passar do tempo, o rei pôs sua confiança no poder da posição e nas fortalezas que havia construído. Pouco a pouco ele deu curso a herdadas fraquezas, até que pôs sua inteira influência ao lado da idolatria. “Sucedeu pois que, havendo Roboão confirmado o reino, e havendo-se fortalecido, deixou a lei do Senhor, e com ele todo o Israel”. 2 Crônicas 12:1.

Quão tristes, quão profundamente significativas as palavras: “E com ele todo o Israel” O povo ao qual Deus havia escolhido para ser como uma luz para as nações ao redor estava-se desviando de sua Fonte de força e procurando tornar-se como estas nações. Como foi com Salomão, assim foi com Roboão: a influência do mau exemplo levou muitos a se extraviarem. E como aconteceu com eles, assim sucede em maior ou menor grau com cada um que se entrega à prática do mal: a influência do erro praticado não se confina ao que o pratica. Ninguém vive para si. Ninguém perece sozinho em sua iniqüidade. Cada vida é uma luz que ilumina e alegra o caminho de outros, ou uma negra e desoladora influência que tende para o desespero e a ruína. Nós conduzimos outros ou para cima, para felicidade e vida imortal, ou para baixo, para a tristeza e morte eterna. E se por nossas obras fortalecemos ou pomos em atividade as faculdades más dos que estão ao nosso redor, compartilhamos de seu pecado.

Deus não permitiu que a apostasia do rei de Judá ficasse sem punição. “Pelo que sucedeu, no ano quinto do rei de Judá, que Sisaque, rei do Egito, subiu contra Jerusalém (porque tinham transgredido contra o Senhor) com mil carros, e com sessenta mil cavaleiros; e era inumerável a gente que vinha com ele do Egito. […] E tomou as cidades fortes, que Judá tinha, e veio a Jerusalém.

“Então veio Semaías, o profeta, a Roboão e aos príncipes de Judá que se ajuntaram em Jerusalém por causa de Sisaque, e disse-lhes: Assim diz o Senhor: Vós Me deixastes a Mim, pelo que também Eu vos deixei na mão de Sisaque”. 2 Crônicas 12:2-5.

O povo não tinha todavia ido a tal ponto na apostasia que desprezasse os juízos de Deus. Nas perdas sofridas pela invasão de Sisaque, eles reconheceram a mão de Deus, e por algum tempo se humilharam. “O Senhor é justo”, reconheceram.

“Vendo, pois, o Senhor que se humilharam, veio a palavra do Senhor a Semaías, dizendo: Humilharam-se, não os destruirei; antes em breve lhes darei lugar de escaparem, para que o Meu furor se não derrame sobre Jerusalém, por mão de Sisaque. Porém serão seus servos, para que conheçam a diferença da Minha servidão e da servidão dos reinos da Terra.

“Subiu, pois, Sisaque, rei do Egito, contra Jerusalém, e tomou os tesouros da casa do Senhor, e os tesouros da casa do rei; levou tudo. Também tomou os escudos de ouro, que Salomão fizera. E fez o rei Roboão em lugar deles escudos de cobre, e os entregou nas mãos dos capitães da guarda, que guardavam a porta da casa do rei. […] E humilhando-se ele, a ira do Senhor se desviou dele, para que o não destruísse de todo; porque ainda em Judá havia boas coisas”. 2 Crônicas 12:6-12.

Mas quando a mão da aflição foi removida, e a nação prosperou uma vez mais, muitos esqueceram seus temores, e tornaram de novo para a idolatria. Entre estes estava o próprio rei Roboão. Embora humilhado pela calamidade que havia caído sobre si, ele deixou de fazer de sua experiência um decisivo ponto de retorno em sua vida. Esquecendo a lição que Deus procurara ensinar-lhe, reincidiu nos pecados que haviam acarretado juízo sobre a nação. Depois de alguns anos obscuros, durante os quais “fez o que era mau, porquanto não preparou o seu coração para buscar ao Senhor”, “Roboão dormiu com seus pais, e foi sepultado na cidade de Davi. E Abias, seu filho, reinou em seu lugar”. 2 Crônicas 12:14-16.

Com a divisão do reino logo no início do reinado de Roboão, a glória de Israel começou a declinar, nunca mais sendo reconquistada em sua plenitude. Às vezes, durante os séculos que se seguiram, o trono de Davi fora ocupado por homens de caráter digno e previdente discernimento, e sob a administração desses soberanos as bênçãos que então repousavam sobre os homens de Judá se estendiam às nações circunvizinhas. Por vezes fora o nome de Jeová exaltado sobre todo deus falso, e Sua lei fora tida em reverência. De tempos em tempos surgiam poderosos profetas, a fim de fortalecerem as mãos dos governantes e encorajarem o povo para que continuasse fiel. Mas as sementes do mal em germinação já quando Roboão ascendeu ao trono, não seriam jamais completamente erradicadas; e às vezes o outrora favorecido povo de Deus caiu tão baixo a ponto de tornar-se um provérbio entre os pagãos.

Não obstante a perversidade dos que se inclinaram para práticas idólatras, Deus em misericórdia faria tudo que estivesse em Seu poder a fim de salvar de completa ruína o reino dividido. E como no decorrer dos anos, Seu propósito concernente a Israel parecesse completamente frustrado pelas artimanhas de homens inspirados por instrumentos satânicos, Ele ainda assim manifestou Seus beneficentes desígnios através do cativeiro e restauração da nação escolhida.

A divisão do reino foi apenas o início de uma história maravilhosa, pela qual se revelam a longanimidade e terna misericórdia de Deus. Do cadinho da aflição por que deviam passar devido a tendências para o mal, hereditárias e cultivadas, aqueles a quem Deus estava procurando purificar para Si como um povo peculiar, zeloso e de boas obras, deviam finalmente reconhecer que: “Ninguém há semelhante a Ti, ó Senhor; Tu és grande, e grande o Teu nome em força. Quem Te não temeria, ó Rei das nações? […] Entre todos os sábios das nações, e em todo o seu reino, ninguém há semelhante a Ti.” “Mas o Senhor Deus é a verdade; Ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno”. Jeremias 10:6, 7, 10.

E os adoradores de ídolos deviam afinal aprender a lição de que os falsos deuses não têm o poder de se erguerem e salvar. “Os deuses que não fizeram os Céus e a Terra desaparecerão da Terra e de debaixo deste céu”. Jeremias 10:11. Somente na submissão ao Deus vivo, o Criador de tudo e o Soberano sobre todos, pode o homem encontrar repouso e paz.

Unanimemente os castigados e penitentes de Israel e Judá renovariam afinal sua relação de concerto com Jeová dos exércitos, o Deus de seus pais; e a respeito dEle devia declarar:

“Ele fez a Terra pelo Seu poder;
Ele estabeleceu o mundo por Sua sabedoria
e com a Sua inteligência estendeu os céus.
Fazendo Ele soar a Sua voz,
logo há ruído de águas nos céus,
e sobem os vapores da extremidade da Terra;
Ele faz os relâmpagos para a chuva,
e faz sair o vento dos Seus tesouros.
Todo o homem se embruteceu e não tem ciência;
envergonha-se todo o fundidor da sua imagem de escultura;
porque sua imagem fundida mentira é,
e não há espírito nelas.
Vaidade são, obra de enganos;
no tempo da sua visitação virão a perecer.
Não é semelhante a estes a porção de Jacó;
porque Ele é o Criador de todas as coisas,
e Israel é a vara da Sua herança.
Senhor dos exércitos é o Seu nome”.

Jeremias 10:12-16.
http://www.revivalandreformation.org/bhp/pt/sop/pk/6

BLOG DA SEMANA 29/01/2017, sobre Patriarcas e Profetas, cap. 5

Esta leitura sobre o arrependimento de Salomão foi para mim uma experiência de despertamento, mas que me pareceu muito familiar. Embora eu nunca estivesse realmente em qualquer posição de poder, eu me identifiquei com Salomão. Às vezes eu vejo minha posição atual na vida como garantida e pensando em como eu posso melhorá-la através de meus próprios planos e esquemas. Mesmo no auge do meu sucesso aqui, na terra, eu tinha desejo de conseguir mais. Eu tinha um desejo urgente por amor que somente Deus pode realmente proporcionar. Um Deus que define sucesso em termos celestiais, não meramente termos humanos. Deus tem planos para melhorar a qualidade de nossa vida além do que podemos imaginar e os implementará, se o permitirmos.

A vida de Salomão, com todo seu conhecimento e poder, não era nada sem Aquele que lhe deu todas as bênçãos. Pessoalmente, devemos entregar “tudo” em nossa vida como Salomão finalmente o fez para continuarmos no plano infinitamente melhor de Deus para o sucesso celestial. Vejo que o amor de Deus por nós nunca falha ou desiste, mesmo nos momentos em que o rejeitamos. No final de sua vida, Salomão finalmente refletiu sobre o mal que suas ações causaram a outros no passado. Eu também lamento sobre a maneira como eu prejudiquei a outros no passado, mas estas palavras dão-me esperança:

“Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada fosse preservada a vida de muitos”. Gn 50:20, NVI.

Kasey Thomason
Evangelista bíblico em Palmer, Alaska

Texto original: http://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/5
Tradução: Jeferson Quimelli
Também disponível em: http://www.revivalandreformation.org/bhp/pt/sop/pk/5