PROFETAS E REIS, Capítulo 59 — “A casa de Israel”

Capítulo 59 — “A casa de Israel”

Na proclamação das verdades do evangelho eterno a toda nação, tribo, língua e povo, a igreja de Deus na Terra está hoje cumprindo a antiga profecia: “Florescerá e brotará Israel, e encherão de fruto a face do mundo”. Isaías 27:6. Os seguidores de Jesus, em cooperação com inteligências celestiais, estão rapidamente ocupando os lugares solitários da Terra; e como resultado dos seus labores, uma abundante colheita de almas preciosas está em processo. Hoje, como nunca dantes, a disseminação da verdade bíblica por meio de uma igreja consagrada está levando aos filhos dos homens os benefícios prefigurados séculos antes na promessa a Abraão e a Israel — promessa para a igreja de Deus na Terra em cada século: “Abençoar-te-ei […] e tu serás uma bênção”. Gênesis 12:2.

Essa promessa de bênção devia ter encontrado cumprimento em grande medida durante os séculos seguintes ao retorno dos israelitas das terras do seu cativeiro. Era desígnio de Deus que toda a Terra fosse preparada para o primeiro advento de Cristo, assim como hoje o caminho está sendo preparado para a Sua segunda vinda. Ao final dos anos, de humilhante exílio, Deus graciosamente deu a Seu povo Israel, por intermédio de Zacarias, esta certeza: “Voltarei para Sião, e habitarei no meio de Jerusalém; e Jerusalém chamar-se-á a cidade de verdade, e o monte do Senhor dos Exércitos monte de santidade.” E de Seu povo Ele disse: “Eis que […] Eu serei o seu Deus em verdade e em justiça”. Zacarias 8:3, 7, 8.

Essas promessas estavam condicionadas à obediência. Os pecados que haviam caracterizado os israelitas anteriormente ao cativeiro, não deviam ser repetidos. “Executai juízo verdadeiro”, o Senhor exortou os que estavam empenhados na reconstrução; “mostrai piedade e misericórdia cada um a seu irmão; e não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente o mal cada um contra o seu irmão no seu coração”. Zacarias 7:9, 10. “Falai a verdade cada um com o seu companheiro; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas”. Zacarias 8:16.

Rica era a recompensa, tanto temporal como espiritual, prometida aos que pusessem em prática esses princípios de justiça. “A semente prosperará”, o Senhor declarou, “a vide dará o seu fruto, e os céus darão o seu orvalho, e farei que o resto deste povo herde tudo isto. E há de acontecer, ó casa de Judá, e ó casa de Israel, que, assim como fostes uma maldição entre as nações, assim vos salvarei, e sereis uma bênção”. Zacarias 8:12, 13.

Graças ao cativeiro babilônico foram os israelitas de fato curados da adoração de imagens de escultura. Após o seu retorno, deram muita atenção às instruções religiosas e ao estudo do que tinha sido escrito no livro da lei e nos profetas concernente ao culto do verdadeiro Deus. A restauração do templo capacitou-os a pôr em prática integralmente os ritos do santuário. Sob a guia de Zorobabel, de Esdras e de Neemias, repetidamente eles concertaram guardar todos os mandamentos e ordenanças de Jeová. A fase de prosperidade que se seguiu, deu ampla evidência da boa vontade de Deus em aceitar e perdoar; e no entanto, com fatal curteza de vistas, eles se desviaram vezes e vezes do seu glorioso destino, e egoistamente conservaram para si aquilo que teria levado cura e vida espiritual a incontáveis multidões.

Essa falta no cumprimento do propósito divino era muito notória nos dias de Malaquias. Severamente o mensageiro do Senhor tratou com os males que estavam roubando Israel de sua prosperidade temporal e poder espiritual. Em suas repreensões aos transgressores o profeta não poupou nem os sacerdotes nem o povo. O “peso da Palavra do Senhor contra Israel” por intermédio de Malaquias era que as lições do passado não fossem esquecidas, e que o concerto feito por Jeová com a casa de Israel fosse guardado com fidelidade. Unicamente por sincero arrependimento poderiam as bênçãos de Deus tornar-se realidade. “Suplicai o favor de Deus”, o profeta implorava, “e Ele terá piedade de nós”. Malaquias 1:1, 9.

Não seria por alguma falha temporária de Israel, no entanto, que o plano dos séculos para a redenção da humanidade haveria de ser frustrado. Aqueles a quem o profeta estava falando, podiam deixar de ouvir a mensagem dada; mas os propósitos de Jeová deveriam ainda assim prosseguir firmemente até completo cumprimento. “Desde o nascente do Sol até o poente”, o Senhor declarou através do Seu mensageiro, “será grande entre as nações o Meu nome; e em todo o lugar se oferecerá ao Meu nome incenso e uma oblação pura; porque o Meu nome será grande entre as nações”. Malaquias 1:11.

O concerto “de vida e de paz” que Deus fez com os filhos de Levi — concerto que, se guardado promoveria bênção inaudita — o Senhor Se propunha agora renovar com os que uma vez tinham sido líderes espirituais, mas que pela transgressão se haviam tornado “desprezíveis e indignos diante de todo o povo. Malaquias 2:5, 9.

Solenemente foram os praticantes do mal advertidos sobre o dia do julgamento por vir, e do propósito de Jeová de visitar com imediata destruição cada transgressor. Todavia ninguém foi deixado sem esperança; as profecias de Malaquias sobre o juízo foram acompanhadas de convites ao impenitente para que fizesse paz com Deus. “Tornai vós para Mim”, o Senhor apelava, “e Eu tornarei para vós”. Malaquias 3:7.

Nenhum coração deve deixar de responder a tal convite. O Deus do Céu está apelando a Seus filhos para que voltem para Ele, a fim de que possam com Ele cooperar na condução de Sua obra na Terra. O Senhor estende Sua mão para tomar a mão de Israel, para ajudá-los no apertado caminho da abnegação e do altruísmo, de modo que possam partilhar com Ele a herança como filhos de Deus. Deixar-se-ão convencer? Discernirão sua única esperança?

Quão triste é o registro que temos, de que nos dias de Malaquias os israelitas hesitaram em render seu orgulhoso coração em pronta e amorável obediência e sincera cooperação A justificação própria é evidente em sua resposta: “Em que havemos de tornar?”

O Senhor revela a Seu povo um dos seus pecados especiais. “Roubará o homem a Deus?” Ele interroga. “Todavia vós Me roubais.” Ainda não convencidos do pecado, os desobedientes inquirem: “Em que Te roubamos?”

Definida sem dúvida é a resposta do Senhor: “Nos dízimos e nas ofertas alçadas. Com maldição sois amaldiçoados, porque Me roubais a Mim, vós, toda a nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na Minha casa, e depois fazei prova de Mim, diz o Senhor dos Exércitos, se Eu não vos abrir as janelas do Céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal que dela vos advenha a maior abastança. E por causa de vós repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; e a vide no campo não vos será estéril, diz o Senhor dos Exércitos. E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos”. Malaquias 3:7-12.

Deus abençoa a obra das mãos dos homens, para que eles possam devolver-Lhe Sua porção. Dá-lhes a luz do Sol e a chuva; faz que a vegetação brote; dá saúde e habilidade para a aquisição de meios. Todas as bênçãos vêm de Suas pródigas mãos, e Ele deseja que homens e mulheres mostrem gratidão devolvendo-Lhe uma parte em dízimos e ofertas — em ofertas de gratidão, ofertas voluntárias e ofertas pelo pecado. Devem eles devotar seus meios a Seu serviço, para que Sua vinha não venha a ser um deserto estéril. Devem estudar o que o Senhor faria em lugar deles. A Ele devem levar em oração toda questão difícil. Devem revelar interesse altruísta na edificação de Sua obra em todas as partes do mundo.

Através de mensagens como as apresentadas por Malaquias, o último dos profetas do Antigo Testamento, bem como pela opressão de inimigos pagãos, os israelitas finalmente aprenderam a lição de que a verdadeira prosperidade depende da obediência à lei de Deus. Mas no caso de muitos dentre o povo, a obediência não era fruto da fé e amor. Seus motivos eram egoístas. O culto era prestado como meio de alcançar a grandeza nacional. O povo escolhido não se tornou a luz do mundo, mas encerrou-se ao abrigo do mundo como salvaguarda contra o ser seduzido pela idolatria. As restrições que Deus havia feito, proibindo o casamento entre o Seu povo e os pagãos, e proibindo Israel de se unir nas práticas idólatras com as nações circunvizinhas, foram tão pervertidas a ponto de se tornarem um muro de separação entre os israelitas e todos os outros povos, privando assim a outros das próprias bênçãos que Deus tinha-os comissionado para dar ao mundo.

Ao mesmo tempo os judeus, por seus pecados, estavam-se separando de Deus. Eram incapazes de discernir o profundo significado espiritual do seu sistema de sacrifícios. Em sua justiça própria confiaram em suas próprias obras, nos sacrifícios e ordenanças em si, em vez de descansar nos méritos dAquele a quem todas essas coisas apontavam. Assim, “procurando estabelecer a sua própria justiça” (Romanos 10:3), edificaram-se sobre um formalismo auto-suficiente. Faltando-lhes o Espírito e a graça de Deus, procuraram ressarcir a falta mediante rigorosa observância das cerimônias e ritos religiosos. Não contentes com as ordenanças que o próprio Deus havia designado, obstruíram os mandamentos divinos com incontáveis exigências por si mesmos tramadas. Quanto mais se distanciavam de Deus, mais rigorosos eram na observância dessas formas.

Com todas essas minuciosas e opressoras exigências, tornou-se uma impossibilidade prática para o povo a guarda da lei. Os grandes princípios de justiça expostos no Decálogo, e as gloriosas verdades delineadas no cerimonial simbólico, foram igualmente obscurecidas, sepultadas sob uma massa de tradições e preceitos humanos. Os que estavam realmente desejosos de servir a Deus, e que procuravam observar toda a lei como prescrita pelos sacerdotes e chefes, vergavam sob pesado fardo.

Como nação, o povo de Israel, conquanto desejando o advento do Messias, estava de tal modo separado de Deus no coração e na vida que não podia alcançar verdadeira concepção do caráter ou missão do prometido Redentor. Em lugar de desejar a redenção do pecado, e a glória e paz da santidade, tinham o coração posto no libertamento de seus inimigos nacionais, e a restauração do poder temporal. Eles esperavam por um Messias que viesse como conquistador, a fim de quebrar todo jugo, e exaltar Israel ao domínio de todas as nações. Assim havia Satanás alcançado sucesso em preparar o coração do povo para que rejeitasse o Salvador quando aparecesse. Seu próprio orgulho de coração e falsa concepção do caráter e missão do Messias, impediram-nos de pesar honestamente as evidências de Sua messianidade.

Durante mais de mil anos, o povo judeu tinha esperado a vinda do Salvador prometido. Suas esperanças mais brilhantes tinham repousado neste acontecimento. Durante mil anos, em cântico e profecia, nos ritos do templo e nas orações domésticas, Seu nome havia sido entesourado; e no entanto quando Ele veio, não O reconheceram como o Messias por quem haviam tão longamente esperado. “Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam”. João 1:11. Para o Seu coração amante do mundo, o Amado do Céu era “como raiz de uma terra seca”. Aos olhos deles Ele “não tinha parecer nem formosura”; nEle não discerniam qualquer beleza para que O desejassem. Isaías 53:2.

Toda a vida de Jesus de Nazaré entre o povo judeu era uma reprovação ao seu egoísmo revelado na indisposição de reconhecer os justos direitos do Senhor da vinha sobre os que tinham sido postos como lavradores. Eles odiavam o Seu exemplo de fidelidade e piedade; e quando veio a prova final, a prova que significava obediência para a vida eterna ou desobediência para a eterna morte, rejeitaram o Santo de Israel, e se tornaram responsáveis por Sua crucifixão no Calvário.

Na parábola da vinha, Cristo, nas proximidades do fim do Seu ministério terrestre, chamou a atenção dos mestres judeus para as ricas bênçãos outorgadas a Israel, e nelas mostrou o direito de Deus a sua obediência. Claramente Ele expôs perante eles a glória do propósito de Deus, propósito este que pela obediência eles poderiam ter cumprido. Afastando o véu que ocultava o futuro, mostrou-lhes como, em virtude do não cumprimento do Seu propósito, toda a nação fora privada de Suas bênçãos, sobre si acarretando ruína.

“Houve um homem pai de família”, Cristo disse, “que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe”. Mateus 21:33.

O Salvador Se referiu assim à “vinha do Senhor dos Exércitos”, que o profeta Isaías séculos antes havia declarado ser “a casa de Israel”.

“E, chegando o tempo dos frutos”, Cristo continuou, o proprietário da vinha “enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos. E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram a um, mataram a outro, e apedrejaram a outro. Depois enviou outros servos, em maior número que os primeiros; e eles fizeram-lhes o mesmo; e por último enviou-lhes o seu filho. […] Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança. E, lançando mão dele, o arrastaram para fora da vinha, e o mataram.”

Havendo retratado ante os sacerdotes o seu ato final de impiedade, Cristo dirige-lhes agora a pergunta: “Quando pois vier o Senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?” Os sacerdotes haviam acompanhado a narrativa com profundo interesse; e sem considerar a relação que havia do assunto para com eles mesmos, uniram-se ao povo na resposta: “Dará afrontosa morte a esses maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe dêem os frutos.”

Inadvertidamente haviam eles pronunciado sua própria condenação. Jesus olhou para eles, e sob Seu olhar pesquisador eles compreenderam que Ele havia lido os segredos do seu coração. Sua divindade se sobressaiu com inquestionável poder. Eles viram nos lavradores uma figura de si mesmos, e involuntariamente exclamaram: “Não seja assim”

Solene e pesaroso Cristo perguntou: “Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do ângulo; pelo Senhor foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto Eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos. E quem cair sobre esta pedra despedaçar-se-á; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó”. Mateus 21:33-44.

Cristo teria evitado a condenação da nação judaica se o povo O tivesse recebido. Mas a inveja e o ciúme tornaram-nos implacáveis. Decidiram que não receberiam a Jesus de Nazaré como o Messias. Rejeitaram a luz do mundo, e daí em diante suas vidas foram circundadas com o negror das trevas da meia-noite. A condenação predita veio sobre a nação judaica. Suas próprias paixões violentas, incontroladas, operaram sua ruína. Em sua cega ira destruíram-se uns aos outros. Seu orgulho rebelde e obstinado atraiu sobre eles a ira dos conquistadores romanos. Jerusalém foi destruída, o templo foi feito em ruínas, e o sítio onde se erguia foi lavrado como um campo. Os filhos de Judá pereceram pelas mais horríveis formas de morte. Milhões foram vendidos para servirem como escravos em terras pagãs.

Aquilo que Deus propôs realizar em favor do mundo por intermédio de Israel, a nação escolhida, Ele executará afinal por meio de Sua igreja na Terra hoje. Ele arrendou Sua vinha “a outros lavradores”, isto é, ao Seu povo que guarda o concerto, e que fielmente dá “os seus frutos”. Jamais esteve o Senhor sem verdadeiros representantes na Terra e que fazem do interesse de Deus o seu próprio interesse. Essas testemunhas do Senhor são contadas entre o Israel espiritual, e em relação a eles se cumprirão todas as promessas do concerto feitas por Jeová a Seu antigo povo.

Hoje a igreja de Deus é livre para levar a êxito o plano divino para a salvação de uma raça perdida. Por muitos séculos o povo de Deus sofreu restrição de sua liberdade. A pregação do evangelho em sua pureza foi proibida, e as mais severas penalidades aplicadas aos que ousaram desobedecer aos mandamentos de homens. Como conseqüência, a grande vinha moral do Senhor ficou quase inteiramente desabitada. O povo viu-se privado da luz da Palavra de Deus. As trevas do erro e da superstição ameaçavam obliterar o conhecimento da verdadeira religião. A igreja de Deus na Terra esteve tão verdadeiramente em cativeiro durante este longo período de feroz perseguição, como estiveram os filhos de Israel em Babilônia durante o período do exílio.

Mas, graças a Deus, Sua igreja não está mais em cativeiro. Ao Israel espiritual foram restaurados os privilégios concedidos ao povo de Deus por ocasião do seu livramento de Babilônia. Em todas as partes da Terra homens e mulheres estão respondendo à mensagem enviada do Céu, da qual João o revelador profetizou que seria proclamada antes da segunda vinda de Cristo: “Temei a Deus, e dai-Lhe glória; porque vinda é a hora do Seu juízo”. Apocalipse 14:7.

Não mais têm as forças do mal poder para conservar cativa a igreja; pois “caiu, caiu Babilônia, aquela grande cidade, que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição” (Apocalipse 14:8); e ao Israel espiritual é dada a mensagem: “Sai dela, povo Meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas”. Apocalipse 18:4. Assim como os exilados ouviram a mensagem: “Saí do meio de Babilônia” (Jeremias 51:6), e foram restaurados à terra da promessa, assim os que temem a Deus hoje estão aceitando a mensagem para retirar-se da Babilônia espiritual, e logo devem permanecer como troféus da graça divina na Terra renovada, a Canaã celestial.

Nos dias de Malaquias, a pergunta escarnecedora dos impenitentes: “Onde está o Deus do juízo?” recebeu a solene resposta: “De repente virá ao Seu templo o Senhor […] o Anjo do concerto. […] Mas quem suportará o dia da Sua vinda? e quem subsistirá quando Ele aparecer? porque Ele será como o fogo do ourives, e como o sabão dos lavandeiros. E assentar-Se-á, afinando e purificando a prata; e purificará os filhos de Levi, e os afinará como ouro e como prata. Então ao Senhor trarão ofertas em justiça. E a oferta de Judá e de Jerusalém será suave ao Senhor, como nos dias antigos, e como nos primeiros anos”. Malaquias 2:17; 3:1-4.

Quando o Messias prometido estava prestes a aparecer, a mensagem do precursor de Cristo foi: Arrependei-vos, publicanos e pecadores; arrependei-vos, fariseus e saduceus; “porque é chegado o reino dos Céus”. Mateus 3:2.

Hoje, no espírito e poder de Elias e de João Batista, mensageiros escolhidos por Deus estão chamando a atenção de um mundo em vias de julgamento para os solenes acontecimentos a terem lugar breve, em conexão com as horas finais de graça e o aparecimento de Cristo Jesus como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Logo cada homem deverá ser julgado segundo as obras feitas no corpo. A hora do juízo de Deus é chegada, e sobre os membros de Sua igreja na Terra repousa a solene responsabilidade de advertir aos que estão mesmo às bordas, por assim dizer, da eterna ruína. A cada ser humano em todo o mundo que estiver disposto a atender, devem-se tornar claros os princípios em jogo na grande controvérsia em curso, princípios dos quais pende o destino de toda a humanidade.

Nestas horas finais de graça para os filhos dos homens, quando a sorte de cada alma deve ser logo decidida para sempre, o Senhor do Céu e da Terra espera que Sua igreja desperte para a ação como nunca dantes. Os que foram feitos livres em Cristo pelo conhecimento da preciosa verdade, são considerados pelo Senhor Jesus como Seus escolhidos, favorecidos sobre todos os outros povos na face da Terra; e Ele está contando certo que eles manifestarão os louvores dAquele que os chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz. As bênçãos tão liberalmente outorgadas devem ser comunicadas a outros. As boas-novas de salvação devem ir a cada nação, tribo, língua e povo.

Nas visões dos profetas do passado o Senhor da glória foi representado como concedendo luz especial a Sua igreja nos dias de trevas e incredulidade que precederiam Sua segunda vinda. Como Sol da Justiça, Ele devia brilhar sobre Sua igreja, “trazendo salvação debaixo de Suas asas. Malaquias 4:2. E de todo verdadeiro discípulo devia ser difundida influência para a vida, coragem, prestatividade e verdadeira cura.

A vinda de Cristo ocorrerá no mais escuro período da história da Terra. Os dias de Noé e de Ló retratam a condição do mundo imediatamente antes da vinda do Filho do homem. As Escrituras que apontam para este tempo declaram que Satanás operará com todo o poder e “com todo o engano da injustiça”. 2 Tessalonicenses 2:9, 10. Sua operação é claramente revelada pelas trevas em rápido progresso, os inumeráveis erros, heresias e enganos destes últimos dias. Não somente está Satanás levando cativo o mundo, mas seus enganos estão fermentando as professas igrejas de nosso Senhor Jesus Cristo. A grande apostasia redundará em trevas profundas como a meia-noite. Para o povo de Deus será essa uma noite de provação, de lágrimas e de perseguição por amor da verdade. Mas da noite de trevas brilhará a luz de Deus.

Ele faz que das trevas resplandeça a luz. 2 Coríntios 4:6. Quando “a Terra era sem forma e vazia, e havia trevas sobre a face do abismo”, “o Espírito de Deus Se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz. E houve luz”. Gênesis 1:2, 3. Assim na noite de trevas espirituais a Palavra de Deus ordena: “Haja luz.” A Seu povo Ele diz: “Levanta-te, resplandece, porque já vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti”. Isaías 60:1.

“Eis que as trevas cobriram a Terra”, diz a Escritura, “e a escuridão os povos; mas sobre ti o Senhor irá surgindo, e a Sua glória Se verá sobre ti”. Isaías 60:2. Cristo, o resplendor da glória do Pai, veio ao mundo como Sua luz. Ele veio para representar Deus ante os homens, e dEle está escrito que foi ungido “com o Espírito Santo e com virtude”, e que “andou fazendo bem”. Atos dos Apóstolos 10:38. Na sinagoga de Nazaré Ele disse: “O espírito do Senhor é sobre Mim, pois que Me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-Me a curar os quebrantados de coração, a apregoar liberdade aos cativos, e dar vista aos cegos; a pôr em liberdade os oprimidos; a anunciar o ano aceitável do Senhor”. Lucas 4:18, 19. Esta foi a obra que Ele comissionou Seus discípulos para que fizessem. “Vós sois a luz do mundo”, Ele disse. “Resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos Céus”. Mateus 5:14, 16.

Esta é a obra que o profeta Isaías descreve quando diz: “Não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desterrados? e, vendo o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor será a tua retaguarda”. Isaías 58:7, 8.

Assim na noite de trevas espirituais a glória de Deus deve brilhar por meio de Sua igreja no erguer o abatido e confortar o triste.

Por toda parte ao nosso redor se ouvem lamentos de um mundo em tristeza. De todos os lados há necessitados e opressos. Pertence-nos ajudar a aliviar e suavizar as durezas e misérias da vida. Unicamente o amor de Cristo pode satisfazer as necessidades da alma. Se Cristo está habitando em nós, o nosso coração estará cheio de divina simpatia. As fontes contidas do amor fervente semelhante ao de Cristo, serão franqueadas.

Há muitas pessoas a quem a esperança abandonou. Restituí-lhes a luz. Muitos perderam a coragem. Falai-lhes palavras de ânimo. Orai por eles. Há os que necessitam do pão da vida. Lede-lhes da Palavra de Deus. Há muitos enfermos da alma, os quais nenhum bálsamo terrestre pode alcançar nem médico levar cura. Orai por essas almas. Levai-as a Jesus. Dizei-lhes que há Bálsamo e Médico em Gileade.

A luz é uma bênção, uma bênção universal a derramar seus tesouros sobre um mundo ingrato, injusto e pervertido. Assim é com a luz do Sol da Justiça. A Terra toda, envolvida embora nas trevas do pecado, do infortúnio e da dor, deve ser iluminada com o conhecimento do amor de Deus. A luz que brilha do trono do Céu não deve ser excluída de nenhuma seita, categoria ou classe de pessoas.

A mensagem de esperança e misericórdia deve ser levada aos confins da Terra. Todo o que quiser, pode lançar mão da força de Deus e fazer paz com Ele. Não mais devem os pagãos continuar submersos na escuridão da meia-noite. As trevas devem fugir ante os brilhantes raios do Sol da Justiça.

Cristo tomou toda providência para que Sua igreja seja um corpo transformado, iluminado com a Luz do mundo, na posse da glória de Emanuel. É Seu propósito que cada cristão seja circundado de uma atmosfera espiritual de luz e paz. Ele deseja que revelemos Seu próprio regozijo em nossa vida.

“Levanta-te, resplandece, porque já vem a tua luz, e a glória do Senhor vem nascendo sobre ti”. Isaías 60:1. Cristo virá com poder e grande glória. Virá revestido de Sua própria glória, e da glória do Pai. E os santos anjos O assistem no Seu trajeto. Enquanto todo o mundo está imerso em trevas, haverá luz em toda habitação dos santos. Eles surpreenderão a primeira luz de Seu segundo aparecimento. A luz imaculada irromperá do Seu esplendor, e Cristo o Redentor será admirado por todos os que O têm servido. Enquanto os ímpios fogem, os seguidores de Cristo regozijam-se em Sua presença.

É então que o redimido dentre os homens receberá sua prometida herança. Assim o propósito de Deus para Israel encontrará literal cumprimento. Aquilo que Deus propõe, o homem é impotente para anular. Mesmo em meio à operação do mal, o propósito de Deus tem prosseguido firmemente em direção do seu cumprimento. Foi assim com a casa de Israel através da história da monarquia dividida; assim é com o Israel espiritual de hoje.

O vidente de Patmos, olhando através dos séculos para o tempo desta restauração de Israel na Terra renovada, testificou:

“Depois destas coisas, olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; e clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro”. Apocalipse 7:9, 10.

“E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sob os seus rostos, e adoraram a Deus, dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre”. Apocalipse 7:9-12.

“E ouvi como que a voz de uma grande multidão, e como que a voz de muitas águas, e como que a voz de grandes trovões, que dizia: Aleluia: pois já o Senhor Deus todo-poderoso reina. Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-Lhe honra”. Apocalipse 19:6, 7. Ele “é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão os que estão com Ele, chamados, e eleitos, e fiéis”. Apocalipse 17:14.

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/?id=7279

BLOG DA SEMANA 10/12/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 58

Após ser libertada de um sequestro que começou quando tinha 11 anos de idade, a jovem Jaycee Dugard, agora com 29 anos, sentou-se em frente a uma policial. Em outra sala, seus captores estavam sendo questionados por policiais que desconfiavam da situação familiar.

Por algum tempo, Jaycee não disse muito. Na verdade, ela mesma defendia seus sequestradores, que haviam feito nela uma “lavagem cerebral” para que pensasse que sua vida em cativeiro era normal e que o novo nome que eles lhe deram era sua verdadeira identidade. Finalmente, a policial perguntou a Jaycee como era seu nome verdadeiro. Jaycee congelou. Com medo mesmo de pronunciá-lo, escreveu-o em um pedaço de papel: Jaycee Dugard. Jaycee podia agora retomar o relacionamento familiar quebrado por 18 anos.

O vínculo entre aqueles que se amam nunca deveria ser quebrado, seja por sequestro, divórcio ou por morte. A separação entre humanos e Deus começou com duas pessoas se escondendo em um jardim, nus e envergonhados. Ao longo dos anos, essa separação continuaria a se ampliar, mesmo entre os israelitas, as pessoas a quem Deus escolheu para abençoar o mundo.

Mas, então, uma promessa veio através do profeta Daniel: um Ungido (hebraico, “messias”) viria (Dan 9:24-25). Este mesmo Ungido já havia vagado no jardim do paraíso, cheio de animais, chamando por um jovem e sua mulher “Onde vocês estão?”

Agora Ele retorna a este mundo, desta vez para uma estrebaria cheia de animais malcheirosos, com um jovem e mulher. Ele tinha vindo para dar fim à separação, reunir-se à raça humana, pôr fim ao pecado, expiar a maldade, trazer a justiça eterna, fazer tudo novo. Mais uma vez Deus estava conosco.

Andy Nash
Professor and Pastor
Southern Adventist University, USA

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/58 e https://www.revivalandreformation.org/?id=1567
Tradução: Jeferson Quimelli e Gisele Quimelli
Capítulo da semana em: https://credeemseusprofetas.org/2017/12/09/profetas-e-reis-cap-58/

[Mais sobre Jaycee em: https://en.wikipedia.org/wiki/Kidnapping_of_Jaycee_Dugard]

PROFETAS E REIS, cap. 58

Capítulo 58 — A vinda de um libertador

Através dos longos séculos de “angústia e escuridão” (Isaías 8:22) que marcaram a história da humanidade desde o dia em que nossos primeiros pais perderam o seu lar no Éden até o tempo em que o Filho de Deus apareceu como o Salvador dos pecadores, a esperança da raça caída esteve centralizada na vinda de um Libertador para livrar a homens e mulheres do cativeiro do pecado e da sepultura.

A primeira indicação de tal esperança foi dada a Adão e Eva na sentença pronunciada sobre a serpente no Éden, quando o Senhor declarou a Satanás aos ouvidos de nossos primeiros pais: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. Gênesis 3:15.

Ao atentar o culpado para essas palavras, foram inspirados com esperança; pois na profecia concernente ao aniquilamento do poder de Satanás eles discerniram uma promessa de libertação da ruína que a transgressão havia operado. Embora devessem sofrer o poder de seu adversário, dado que tinham caído sob sua sedutora influência e haviam escolhido desobedecer aos claros mandamentos de Jeová, não precisavam contudo entregar-se ao completo desespero. O Filho de Deus Se oferecia para expiar com o Seu próprio sangue as transgressões deles. Ser-lhes-ia permitido um período de graça, durante o qual, pela fé no poder de Cristo para salvar, poderiam tornar-se uma vez mais filhos de Deus.

Satanás, em virtude do êxito que teve em desviar o homem do caminho da obediência, tornou-se “o deus deste século”. 2 Coríntios 4:4. O domínio que uma vez pertenceu a Adão passou ao usurpador. Mas o Filho de Deus Se propôs vir à Terra a fim de pagar a penalidade do pecado, e assim não apenas redimir o homem, mas recobrar o domínio usurpado. É desta restauração que Miquéias profetizou quando disse: “A ti, ó torre do rebanho, monte da filha de Sião, a ti virá; sim, a ti virá o primeiro domínio”. Miquéias 4:8. O apóstolo Paulo a ela se referiu como a “redenção da possessão de Deus”. Efésios 1:14. E o salmista tinha em mente a mesma restauração final do homem em sua herança original quando declarou: “Os justos herdarão a Terra e habitarão nela para sempre”. Salmos 37:29.

Essa esperança de redenção por meio do advento do Filho de Deus como Salvador e Rei jamais se extinguiu no coração dos homens. Desde o início tem havido alguns cuja fé tem alcançado além das sombras do presente penetrando as realidades do futuro. Adão, Sete, Enoque, Matusalém, Noé, Sem, Abraão, Isaque e Jacó — por meio destes e outros homens dignos o Senhor tem preservado as preciosas revelações de Sua vontade. Assim foi que aos filhos de Israel, povo escolhido por cujo intermédio devia ser dado ao mundo o Messias prometido, Deus partilhou o conhecimento dos reclamos de Sua lei, e da salvação a ser realizada graças ao sacrifício expiatório do Seu amado Filho.

A esperança de Israel foi incorporada na promessa feita quando do chamado a Abraão, e posteriormente repetida uma e outra vez a sua posteridade: “Em ti serão benditas todas as famílias da Terra”. Gênesis 12:3. Ao ser desdobrado a Abraão o propósito de Deus quanto à redenção do homem, o Sol da Justiça brilhou em seu coração, e as trevas que nele havia foram dispersas. E quando, afinal, o Salvador mesmo andou entre os filhos dos homens e com eles falou, deu testemunho aos judeus sobre a gloriosa esperança do patriarca, de livramento através da vinda de um Redentor. “Abraão, vosso pai, exultou por ver o Meu dia”, Cristo declarou, “e viu-o e alegrou-se”. João 8:56.

Essa mesma bem-aventurada esperança foi esboçada na bênção pronunciada pelo patriarca moribundo, Jacó, sobre seu filho Judá:

“Judá, a ti louvarão os teus irmãos;
a tua mão será sobre o pescoço de teus inimigos;
os filhos de teu pai a ti se inclinarão. […]
O cetro não se arredará de Judá,
nem o legislador dentre seus pés,
Até que venha Siló;
e a Ele se congregarão os povos”.
Gênesis 49:8-10.

Em outra ocasião, nos limites da terra prometida, a vinda do Redentor foi predita na profecia proferida por Balaão:

“Vê-Lo-ei, mas não agora;
contemplá-Lo-ei, mas não de perto;
uma estrela procederá de Jacó,
e um cetro subirá de Israel,
que ferirá os termos dos moabitas,
e destruirá todos os filhos de Sete.”
Números 24:17.

Por intermédio de Moisés, o propósito de Deus de enviar Seu Filho como redentor da raça caída, foi mantido perante Israel. Uma ocasião, pouco antes de sua morte, Moisés declarou: “O Senhor teu Deus te despertará um Profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a Ele ouvireis.” Claramente havia sido Moisés instruído no interesse de Israel sobre a obra do Messias que havia de vir. “Eu lhes suscitarei um Profeta do meio de seus irmãos, como tu”, foi a palavra de Jeová ao Seu servo; “e porei as Minhas palavras na Sua boca, e Ele lhes falará tudo o que Eu Lhe ordenar”. Deuteronômio 18:15, 18.

Nos tempos patriarcais, as ofertas sacrificais relacionadas com o culto divino constituíam uma lembrança perpétua da vinda de um Salvador; e assim era com todo o ritual dos sacrifícios do santuário na história de Israel. Na ministração do tabernáculo, e do templo que posteriormente lhe tomou o lugar, o povo era ensinado cada dia, por meio de símbolos e sombras, a respeito das grandes verdades relativas ao advento de Cristo como Redentor, Sacerdote e Rei; e uma vez em cada ano tinham a mente voltada para os eventos finais do grande conflito entre Cristo e Satanás, a purificação final do Universo do pecado e pecadores. Os sacrifícios e ofertas do ritual mosaico deviam sempre apontar para uma adoração melhor, ou seja, celestial. O santuário terrestre era “uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios”; seus dois lugares santos eram “figura das coisas que estão no Céu” (Hebreus 9:9, 23); pois Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote, é hoje “Ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem”. Hebreus 8:2.

Desde o dia que o Senhor declarou à serpente no Éden: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente” (Gênesis 3:15), Satanás tem conhecido que ele não pode jamais manter absoluto domínio sobre os habitantes deste mundo. Quando Adão e seus filhos começaram a oferecer os sacrifícios cerimoniais ordenados por Deus como um tipo da vinda do Redentor, Satanás reconheceu neles um símbolo da comunhão entre Terra e Céu. Durante os longos séculos que se têm seguido, tem sido seu constante esforço interceptar esta comunhão. Incansavelmente tem ele procurado representar a Deus falsamente, e interpretar com falsidade os ritos que apontam para o Salvador; e tem sido bem-sucedido com grande maioria da família humana.

Enquanto Deus desejava ensinar aos homens que do Seu próprio amor vem o Dom que os reconcilia com Ele, o arquiinimigo da humanidade tem procurado representar a Deus como alguém que Se deleita na destruição deles. Assim os sacrifícios e ordenanças designados pelo Céu para que revelem o divino amor, têm sido pervertidos de molde a servir como meio pelo qual os pecadores têm em vão esperado propiciar, com donativos e boas obras, a ira de um Deus ofendido. Ao mesmo tempo Satanás tem procurado despertar e fortalecer as más paixões dos homens, para que através de repetidas transgressões possam as multidões ser levadas cada vez mais longe de Deus, ficando sem esperança amarradas nos grilhões do pecado.

Quando a Palavra escrita de Deus foi dada por intermédio dos profetas hebreus, Satanás estudou com diligência as mensagens sobre o Messias. Ele sublinhou cuidadosamente as palavras que esboçavam com inconfundível clareza a obra de Cristo entre os homens como um sofredor sacrifício e como um rei conquistador. Nos rolos de pergaminho das Escrituras do Antigo Testamento ele leu que Aquele que devia aparecer, “como um cordeiro foi levado ao matadouro” (Isaías 53:7), que “o Seu parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer”. Isaías 52:14. O prometido Salvador da humanidade devia ser “desprezado, e o mais indigno entre os homens, homem de dores […] ferido de Deus e oprimido” (Isaías 53:4) contudo devia Ele também exercer Seu grande poder para julgar “os aflitos do povo.” Ele devia salvar “os filhos do necessitado”, e quebrar “o opressor”. Salmos 72:4. Estas profecias levaram Satanás a temer e tremer; mas ele não renunciou ao seu propósito de frustrar, se possível, as misericordiosas providências de Jeová para a redenção da ração perdida. Ele se determinou cegar os olhos do povo, tanto quanto fosse possível, para o real significado das profecias messiânicas, a fim de preparar o caminho para rejeição de Cristo em Sua vinda.

Durante os séculos que imediatamente precederam o dilúvio, Satanás tinha alcançado sucesso em seus esforços para levar a uma quase total rebelião do mundo contra Deus. E nem mesmo as lições do dilúvio foram tidas em lembrança por muito tempo. Com artificiosas insinuações Satanás mais uma vez levou os filhos dos homens passo a passo a ousada rebelião. De novo parecia estar ele prestes a triunfar; mas o propósito de Deus em favor do homem caído não devia ser assim posto de lado. Através da posteridade do fiel Abraão, da linhagem de Sem, o conhecimento dos desígnios beneficentes de Deus devia ser preservado no benefício de futuras gerações. De tempos em tempos mensageiros da verdade divinamente apontados deviam ser despertados para chamar a atenção para o significado das cerimônias sacrificais, e especialmente para a promessa de Jeová referente ao advento dAquele para quem todas as ordenanças do sistema sacrifical apontavam. Assim o mundo devia ser preservado da apostasia universal.

Não havia de ser sem a mais determinada oposição que o propósito de Deus seria levado a êxito. De toda maneira possível o inimigo da verdade e da justiça obrou para levar os descendentes de Abraão a esquecer seu alto e santo chamado e a se desviarem para a adoração a deuses falsos. E muitas vezes esses esforços quase alcançaram sucesso. Durante séculos antes do primeiro advento de Cristo, as trevas cobriram a Terra e densa escuridão os povos. Satanás lançou sua sombra infernal no caminho dos homens, a fim de que não tivessem conhecimento de Deus e do mundo futuro. Multidões estavam assentadas na sombra da morte. Sua única esperança era que essas trevas fossem espancadas, a fim de que Deus pudesse ser revelado.

Com visão profética Davi, o ungido de Deus, predissera que a vinda de Cristo seria “como a luz da manhã, quando sai o Sol, da manhã sem nuvens”. 2 Samuel 23:4. E Oséias testificou: “Como a alva será a Sua saída”. Oséias 6:3. Quieta e gentilmente a luz do dia irrompe sobre a Terra, dispersando a sombra de trevas, enchendo a Terra de vida. Assim devia o Sol da Justiça erguer-Se, “trazendo salvação sob as Suas asas. Malaquias 4:2. As multidões que “habitavam na região da sombra da morte” deviam ver “uma grande luz”. Isaías 9:2.

O profeta Isaías, exultando por esta gloriosa libertação, exclamou:

“Um Menino nos nasceu um Filho se nos deu;
e o principado está sobre os Seus ombros;
e o Seu nome será: Maravilhoso Conselheiro,
Deus forte, Pai da eternidade,
Príncipe da paz.
Do incremento deste principado e da paz não haverá fim,
Sobre o trono de Davi e no seu reino,
para o firmar e o fortificar,

Em juízo e em justiça,
desde agora para sempre;
o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto”.
Isaías 9:6, 7.

Nos últimos séculos da história de Israel antes do primeiro advento, era geralmente entendido que a vinda do Messias fora referida na profecia: “Pouco é que sejas o Meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os guardados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a Minha salvação até à extremidade da Terra”. Isaías 49:6. “A glória do Senhor se manifestará”, o profeta tinha predito, “e toda a carne juntamente verá”. Isaías 40:5. Foi desta luz dos homens que João Batista mais tarde testificou tão ousadamente, quando proclamou: “Eu sou a voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías”. João 1:23.

Foi a Cristo que a promessa profética foi dada: “Assim diz o Senhor, o Redentor de Israel, o seu Santo, à alma desprezada, ao que as nações abominam. […] Assim diz o Senhor: “E te guardarei, e te darei por concerto do povo, para restaurares a Terra, e lhe dares em herança as herdades assoladas; para dizeres aos presos: Saí; e aos que estão em trevas: Aparecei. […] Nunca terão fome nem sede, nem a calma nem o Sol os afligirá; porque o que Se compadece deles os guiará, e os levará mansamente aos mananciais de águas”. Isaías 49:7-10.

Os inflexíveis na nação judaica, descendentes daquela linha santa por cujo intermédio o conhecimento de Deus fora preservado, fortaleceram sua fé na consideração dessas passagens e de outras similares. Com extraordinária satisfação eles leram como o Senhor ungiria Alguém “para pregar boas-novas aos mansos”, “restaurar os contritos de coração”, “proclamar liberdade aos cativos”, e “apregoar o ano aceitável do Senhor”. Isaías 61:1, 2. Contudo o seu coração se enchia de tristeza ao pensarem nos sofrimentos que Ele precisava enfrentar para cumprir o propósito divino. Com profunda humilhação de alma acompanhavam as palavras no rolo profético:

“Quem deu crédito a nossa pregação?
E a quem se manifestou o braço do Senhor?
Porque foi subindo como renovo perante Ele,
e como raiz de uma terra seca;
não tinha parecer nem formosura;
e, olhando nós para Ele, nenhuma beleza víamos,
para que O desejássemos.
Era desprezado,
e o mais indigno entre os homens;
homem de dores, e experimentado nos trabalhos;
e, como um de quem os homens escondiam o rosto,
era desprezado, e não fizemos dEle caso algum.
Verdadeiramente Ele tomou sobre
Si as nossas enfermidades,
e as nossas dores levou sobre Si;
e nós O reputamos por aflito,
ferido de Deus, e oprimido.
Mas Ele foi ferido pelas nossas transgressões,
e moído pelas nossas iniqüidades;
o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele,
e pelas Suas pisaduras fomos sarados.
Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas;
cada um se desviava pelo seu caminho;
mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de todos nós.
Ele foi oprimido, mas não abriu a Sua boca;
como um cordeiro foi levado ao matadouro,
e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores,
Ele não abriu a Sua boca.

Da opressão e do juízo foi tirado;
E quem contará o tempo da Sua vida?
Porquanto foi cortado da Terra dos viventes;
pela transgressão do Meu povo foi Ele atingido.
E puseram a Sua sepultura com os ímpios,
E com o rico na Sua morte;
porquanto nunca fez injustiça,
nem houve engano na Sua boca”.
Isaías 53:1-9.

Com respeito aos sofrimentos do Salvador, Jeová mesmo declarou por intermédio de Zacarias: “Ó espada, ergue-te contra o Meu Pastor e contra o varão que é o Meu companheiro”. Zacarias 13:7. Como substituto e garantia pelo pecado do homem, Cristo sofreria sob a justiça divina. Ele compreenderia o que justiça significa; saberia o que significa para o pecador estar sem intercessor na presença de Deus.

Pelo salmista o Redentor mesmo profetizara de Si:

“Afrontas me quebrantaram o coração,
e estou fraquíssimo:
Esperei por alguém que tivesse compaixão,
mas não houve nenhum;
e por consoladores, mas não os achei.
Deram-Me fel por mantimento,
e na Minha sede Me deram a beber vinagre”.
Salmos 69:20, 21.

Sobre o tratamento que deveria receber, Ele profetizou: “Pois Me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores Me cercou, transpassaram-Me as mãos e os pés. Poderia contar todos os Meus ossos; eles vêem, e Me contemplam. Repartem entre si os Meus vestidos, e lançam sorte sobre a Minha túnica”. Salmos 22:16-18.

Essas retratações do amargo sofrimento e cruel morte do Prometido, penosos como fossem, eram ricos em promessa; pois dAquele de quem se diz que “ao Senhor agradou moê-Lo, fazendo-O enfermar”, para que Se pudesse tornar “uma oferta pelo pecado”, Jeová declarou:

“A Sua posteridade, prolongará os dias;
e o bom prazer do Senhor prosperará na Sua mão.
O trabalho da Sua alma Ele verá,
e ficará satisfeito;
com o Seu conhecimento o Meu Servo,
o Justo, justificará a muitos,
porque as iniqüidades deles levará sobre Si.
Pelo que Lhe darei a parte de muitos,
e com os poderosos repartirá Ele o despojo;
porquanto derramou a Sua alma na morte,
e foi contado com os transgressores;
mas Ele levou sobre Si os pecados de muitos,
e pelos transgressores intercede”.
Isaías 53:10-12.

Foi o amor pelos pecadores que levou Cristo a pagar o preço da redenção. “Viu que ninguém havia, e maravilhou-Se de que não houvesse intercessor”; nenhum outro poderia resgatar os homens e mulheres do poder do inimigo; “pelo que o Seu próprio braço Lhe trouxe a salvação, e a Sua própria justiça O susteve”. Isaías 59:16.

“Eis aqui o Meu Servo, a quem sustenho;
o Meu Eleito, em quem Se compraz a Minha alma;
pus o Meu Espírito sobre Ele;
Juízo produzirá entre os gentios”.
Isaías 42:1.

Em Sua vida nenhuma consideração pessoal devia estar presente. A honra que o mundo atribui a posição, riqueza e talento, devia ser estranha ao Filho de Deus. Nenhum dos meios que os homens empregam para conseguir submissão ou requerer homenagem, devia o Messias usar. Sua completa renúncia do eu foi prefigurada nas palavras:

“Não clamará, não Se exaltará,
nem fará ouvir a Sua voz na praça.
A cana trilhada não quebrará,
nem apagará o pavio que fumega”.
Isaías 42:2, 3.

O Salvador devia conduzir-Se entre os homens em marcante contraste com os ensinadores dos Seus dias. Em Sua vida nenhuma ruidosa batalha, nem ostensiva adoração, nem ato para ganhar aplausos deviam jamais ser testemunhados. O Messias devia estar oculto em Deus, e Deus devia ser revelado no caráter do Seu Filho. Sem o conhecimento de Deus, a humanidade estaria para sempre perdida. Sem o auxílio divino, homens e mulheres afundariam cada vez mais. Vida e poder deviam ser conferidos por Aquele que fez o mundo. As necessidades do homem não podiam ser satisfeitas de nenhum outro modo.

Ainda mais foi profetizado do Messias: “Não faltará nem será quebrantado, até que ponha na Terra o juízo; e as ilhas aguardarão a Sua doutrina.” O Filho de Deus devia “engrandecer a lei, e fazê-la gloriosa”. Isaías 42:4, 21. Não devia diminuir sua importância e obrigatórios reclamos; ao contrário, devia exaltá-la. Devia ao mesmo tempo aliviar os preceitos divinos das fatigantes exigências sobre eles postas pelo homem, pelo que muitos eram levados ao desencorajamento em seus esforços para servir a Deus de maneira aceitável.

Sobre a missão do Salvador, a palavra de Jeová foi: “Eu o Senhor Te chamei em justiça, e Te tomarei pela mão, e Te guardarei, e Te darei por concerto do povo, e para luz dos gentios; para abrires os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas. Eu sou o Senhor; este é o Meu nome; a Minha glória pois a outrem não darei, nem o Meu louvor às imagens de escultura. Eis que as primeiras coisas passaram, e novas coisas Eu vos anuncio, e, antes que venham à luz, vo-las faço saber”. Isaías 42:6-9.

Por meio da prometida semente, o Deus de Israel ia levar livramento a Sião. “Brotará um rebento do trono de Jessé, e das raízes um renovo frutificará”. Isaías 11:1. “Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o Seu nome Emanuel. Manteiga e mel comerá, até que Ele saiba rejeitar o mal e escolher o bem”. Isaías 7:14, 15.

“E repousará sobre Ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de inteligência, o Espírito de conselho e de fortaleza, e Espírito de conhecimento e de temor do Senhor. E deleitar-Se-á no temor do Senhor; e não julgará segundo a vista dos Seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos Seus ouvidos; mas julgará com justiça os pobres, e repreenderá com eqüidade os mansos da Terra; e ferirá a Terra com a vara de Sua boca, e com o sopro dos Seus lábios matará o ímpio. E a justiça será o cinto do Seus lombos, e a verdade o cinto dos Seus rins.” “E acontecerá naquele dia que as nações perguntarão pela raiz de Jessé, posta por pendão dos povos, e o lugar do Seu repouso será glorioso”. Isaías 11:2-5, 10.

“Eis aqui o homem cujo nome é Renovo; Ele brotará do Seu lugar, e edificará o templo do Senhor. […] E levará a glória, e assentar-Se-á, e dominará no Seu trono, e será como o sacerdote no Seu trono”. Zacarias 6:12, 13.

Uma fonte devia ser aberta “contra o pecado, e contra a impureza” (Zacarias 13:1); os filhos dos homens deviam ouvir o bendito convite:

“Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas,
e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei;
sim, vinde e comprai,
sem dinheiro e sem preço vinho e leite.
Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão?
E o produto do vosso trabalho
naquilo que não pode satisfazer?
Ouvi-Me atentamente,
e comei o que é bom,
e a vossa alma se deleite com a gordura.
Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a Mim;
ouvi, e a vossa alma viverá;
porque convosco farei um concerto perpétuo,
dando-vos as firmes beneficências de Davi”.
Isaías 55:1-3.

A Israel foi feita a promessa: “Eis que Eu O dei como testemunha aos povos, como Príncipe e Governador dos povos. Eis que chamarás a uma nação que não conheces, e uma nação que nunca Te conheceu correrá para Ti, por amor do Senhor teu Deus, e do Santo de Israel; porque Ele Te glorificou”. Isaías 55:4, 5.

“Faço chegar a Minha justiça, e não estará ao longe, e a Minha salvação não tardará; mas estabelecerei em Sião a salvação, e em Israel a Minha glória”. Isaías 46:13.

Em palavras e em obras o Messias devia revelar à humanidade durante o Seu ministério terrestre a glória de Deus, o Pai. Cada ato de Sua vida, cada palavra proferida, cada milagre operado, devia ter em vista tornar conhecido à humanidade caída o infinito amor de Deus.

“Tu, anunciador de boas-novas a Sião,
sobe tu a um monte alto.
Tu, anunciador de boas-novas a Jerusalém,
levanta a tua voz fortemente;
levanta-a, não temas,
e dize às cidades de Judá:
Eis aqui está o vosso Deus!
Eis que o Senhor Jeová virá como o forte,
e o Seu braço dominará;
eis que o Seu galardão vem com Ele,
e o Seu salário diante da Sua face.
Como pastor apascentará o Seu rebanho;
entre os Seus braços recolherá os cordeirinhos,
e os levará no Seu regaço;
as que amamentam, Ele guiará mansamente”.
Isaías 40:9-11.

“Naquele dia os surdos ouvirão as palavras do Livro,
e dentre a escuridão e dentre as trevas as verão os olhos dos cegos.
E os mansos terão gozo sobre gozo no Senhor,
e os necessitados entre os homens
se alegrarão no Santo de Israel.
E os errados de espírito virão a ter entendimento,
e os murmuradores aprenderão a doutrina”.
Isaías 29:18, 19, 24.

Assim, através dos patriarcas e profetas, bem como de símbolos e tipos, Deus falou ao mundo sobre a vinda de um Libertador do pecado. Uma longa linha de inspiradas profecias apontava para o advento do “Desejado de todas as nações”. Ageu 2:7. Até mesmo o próprio lugar do Seu nascimento, e o tempo do Seu aparecimento, foram minuciosamente especificados.

O filho de Davi deveria nascer na cidade de Davi. De Belém, dissera o profeta, “Me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”. Miquéias 5:2.

“E tu, Belém, terra de Judá,
de modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá;
porque de ti sairá o Guia Que há
de apascentar o Meu povo de Israel”.
Mateus 2:6.

Diagrama das “setenta semanas” que foram decretadas para o povo de Deus. O advento de Cristo comprovou ser verdadeira a profecia.

O tempo do primeiro advento e de alguns dos principais eventos relacionados com as funções da vida do Salvador, foi feito conhecido pelo anjo Gabriel a Daniel. “Setenta semanas”, disse o anjo, “estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos santos”. Daniel 9:24. Um dia na profecia representa um ano. Números 14:34; Ezequiel 4:6. As setenta semanas, ou quatrocentos e noventa dias, representam quatrocentos e noventa anos. É dado um ponto de partida para este período: “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até o Messias, o Príncipe, sete semanas, e sessenta e duas semanas” (Daniel 9:25), sessenta e nove semanas, ou quatrocentos e oitenta e três anos. A ordem para restaurar e edificar Jerusalém, completada pelo decreto de Artaxerxes Longímano (Esdras 6:14; 7:1, 9), entrou em vigor no outono de 457 a.C. Partindo desta data os quatrocentos e oitenta e três anos se estendem até o outono de 27 d.C. De acordo com a profecia, este período devia alcançar o Messias, o Ungido (Em 27 d.C.), Jesus recebeu em Seu batismo a unção do Espírito Santo, e pouco depois deu início ao Seu ministério. Então foi proclamada a mensagem: “O tempo está cumprido”. Marcos 1:15.

Então, disse o anjo: “Ele confirmará o concerto com muitos por uma semana sete anos.” Durante sete anos desde o início do ministério do Salvador, o evangelho devia ser pregado especialmente aos judeus: três e meio anos pelo próprio Cristo e depois pelos apóstolos. “Na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares”. Daniel 9:27. Na primavera de 31 d.C., Cristo, o verdadeiro sacrifício, foi oferecido no Calvário. Então o véu do templo fendeu-se em duas partes, mostrando que a santidade e o significado do sacrifício expiatório tinham findado. Chegara o tempo para que o sacrifício terrestre e a oferta de manjares cessassem.

A semana — sete anos — findou em 34 d.C. Então pelo apedrejamento de Estêvão os judeus selaram finalmente sua rejeição do evangelho; os discípulos que foram espalhados pela perseguição “iam por toda parte, anunciando a Palavra” (Atos dos Apóstolos 8:4); e pouco depois, Saulo o perseguidor foi convertido, e tornou-se Paulo, o apóstolo dos gentios.

As inúmeras profecias relacionadas com o advento do Salvador levaram os hebreus a viver em constante expectação. Muitos morreram na fé, sem terem recebido as promessas. Mas vendo-as de longe, e crendo-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na Terra. Desde os dias de Enoque as promessas repetidas através dos patriarcas e profetas mantiveram viva a esperança do aparecimento do Messias.

Não revelara Deus desde o início o tempo exato do primeiro advento; e mesmo quando a profecia de Daniel tornou este fato conhecido, nem todos interpretaram corretamente a mensagem.

Séculos após séculos passaram; finalmente as vozes dos profetas cessaram. A mão do opressor pesava sobre Israel. Como os judeus se afastaram de Deus, a fé decaiu, e a esperança quase deixou de iluminar o futuro. As palavras dos profetas foram incompreendidas por muitos; e aqueles cuja fé devia ter continuado forte, prontamente exclamaram: “Prolongar-se-ão os dias, e perecerá toda a visão?” Ezequiel 12:22. Mas no conselho do Céu a hora para a vinda de Cristo tinha sido determinada; e “vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou o Seu Filho […] para remir aos que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos”. Gálatas 4:4, 5.

As lições deviam ser dadas à humanidade na linguagem da humanidade. O Mensageiro do concerto devia falar. Sua voz devia ser ouvida no Seu próprio templo. Ele, o autor da verdade, devia separar da verdade a palha do falar humano, que a tinha tornado de nenhum efeito. Os princípios do governo de Deus e o plano da redenção deviam ser claramente definidos. As lições do Antigo Testamento deviam ser completamente expostas diante dos homens.

Quando o Salvador finalmente apareceu “na forma de homem” (Filipenses 2:7), e começou o Seu ministério de graça, Satanás pôde apenas ferir-Lhe o calcanhar, enquanto que pelo próprio ato de humilhação e sofrimento Cristo estava ferindo a cabeça do Seu adversário. A angústia que o pecado provocou, foi derramada no seio do Imaculado; e enquanto Cristo suportava a contradição dos pecadores contra Si, estava também pagando o débito do homem pecador, e quebrando o cativeiro em que a humanidade havia sido retida. Cada agonia, cada insulto, estava operando o livramento do ser humano.

Tivesse Satanás podido induzir Cristo a Se render à mais leve tentação, tivesse ele podido levá-Lo por um ato ou mesmo um pensamento a manchar Sua perfeita pureza, o príncipe das trevas teria triunfado sobre o Penhor do homem, e teria ganho para si toda a família humana. Mas embora Satanás pudesse angustiar, não poderia contaminar. Ele poderia causar agonia, mas não envilecimento. Ele tornou a vida de Cristo uma longa cena de conflito e provação; mas em cada ataque ele perdia seu domínio sobre a humanidade.

No deserto da tentação, no jardim de Getsêmani e sobre a cruz, nosso Salvador mediu armas com o príncipe das trevas. Suas feridas tornaram-se troféus de Sua vitória em favor da raça. Quando Cristo pendia agonizante da cruz, enquanto os espíritos do mal jubilavam, e homens ímpios injuriavam, Seu calcanhar estava então sendo ferido por Satanás. Mas por esse próprio ato estava esmagando a cabeça da serpente. Por meio da morte Ele destruiu “ao que tinha o império da morte, isto é, ao diabo”. Hebreus 2:14. Este ato decidiu o destino do chefe rebelde, e tornou para sempre firme o plano de salvação. Na morte, Ele ganhou a vitória sobre o poder da morte; e ressuscitando, abriu as portas da sepultura para todos os Seus seguidores. Nesta última grande contenda, vemos cumprida a profecia: “Esta te ferirá a cabeça, e tu Lhe ferirás o calcanhar”. Gênesis 3:15.

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele; porque assim como é O veremos”. 1 João 3:2. Nosso Redentor abriu o caminho, para que o mais pecador, o mais necessitado, o mais oprimido e desprezado, possa encontrar acesso ao Pai.

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/?id=7278

BLOG DA SEMANA 03/12/2017, sobre Profetas e Reis, cap. 57

Já pensamos no que “reforma” realmente representa e significa? As coisas que fazem parte do mundo parecem ter influenciado nossas vidas e nossa igreja, assim como no tempo de Neemias.

Ao mesmo tempo, talvez não vejamos atualmente um grande problema como os casamentos entre pessoas de diferentes crenças. Mas depois de minha experiência pessoal, hoje eu posso dizer que entendo completamente porque Neemias agiu daquela forma.

Meu falecido marido começou a frequentar a igreja, mas com o passar do tempo, parou, e lentamente voltou para o mundo. Eu me encontrei sentada sozinha na igreja com meus filhos. No entanto, eu escolhi, como parte do povo de Deus no tempo de Neemias, permanecer firme na Palavra de Deus. Por outro lado, vi também outros amigos da igreja que, ao contrário, decidiram seguir a vida secular de sua esposa, deixando, por fim, a igreja também.

Deus conhece as pessoas com quem nos casamos, as coisas que assistimos e ouvimos. Tudo isto têm impacto espiritual sobre nós. Meditar na experiência da reforma aplicada do tempo de Neemias e Esdras ocorreu em um momento ideal para mim, quando tenho orado por Deus para purgar qualquer coisa ruim na minha vida e ter uma reforma total no meu coração.

Como Neemias, lembremos-nos porque estamos aqui e façamos o que devemos fazer!

Jill Simpson Palffy
Westminster, South Carolina, USA

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/57 e https://www.revivalandreformation.org/?id=1566
Tradução: Jeferson Quimelli e Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 57 – Reforma

Capítulo 57 — Reforma

Este capítulo é baseado em Neemias 13.

Solene e publicamente o povo de Judá se comprometera a obedecer à lei de Deus. Mas quando a influência de Esdras e Neemias esteve por algum tempo ausente, houve muitos que abandonaram o Senhor. Neemias havia voltado para a Pérsia. Durante sua ausência de Jerusalém, desenvolveram-se males que ameaçavam perverter a nação. Os idólatras não apenas haviam conseguido firmar pé na cidade, mas contaminaram por sua presença o próprio recinto do templo. Através de casamentos mistos, tinha surgido um parentesco entre Eliasibe, o sumo sacerdote, e Tobias o amonita, grande inimigo de Israel. Como resultado desta aliança ilícita, Eliasibe permitira a Tobias ocupasse um apartamento anexo ao templo, o qual era usado anteriormente para nele se recolherem o dízimo e as ofertas do povo.

Por causa da crueldade e traição dos amonitas e moabitas para com Israel, Deus havia declarado por intermédio de Moisés que eles seriam para sempre separados da congregação do seu povo. Deuteronômio 23:3-6. Em desafio desta palavra, o sumo sacerdote tinha lançado fora as ofertas armazenadas na câmara da casa de Deus, a fim de que houvesse lugar para este representante de uma raça proscrita. Não seria possível mostrar maior desprezo a Deus do que conferir favor semelhante a este inimigo de Deus e da Sua verdade.

Ao retornar da Pérsia, Neemias soube da ousada profanação, e tomou de pronto medidas para expulsar o intruso. “Muito me desagradou”, ele declara; “de sorte que lancei todos os móveis da casa de Tobias fora da câmara. E, ordenando-o eu, purificaram as câmaras; e tornei a trazer ali os vasos da casa de Deus, com as ofertas de manjares e o incenso”. Neemias 13:8, 9.

Não somente havia o templo sido profanado, mas as ofertas tinham sido mal empregadas. Isto estava desencorajando a liberalidade do povo. Haviam perdido seu zelo e fervor, e relutavam em pagar o dízimo. A tesouraria da casa do Senhor estava pobremente suprida; muitos dos cantores e outros empregados nos serviços do templo, não recebendo sustento suficiente, haviam deixado a obra de Deus para trabalharem em outras partes.

Neemias pôs mãos à obra para corrigir esses abusos. Reuniu todos os que tinham deixado a obra da casa do Senhor, e os restaurou “no seu posto”. Isto inspirou confiança ao povo, e todo o Judá “trouxe os dízimos do grão, e do mosto, e do azeite aos celeiros”. Homens “que se tinham achado fiéis” foram feitos “tesoureiros […] sobre os celeiros”, “e se lhes encarregou a eles a distribuição para seus irmãos”. Neemias 13:11-13.

Outro resultado do intercâmbio com os idólatras foi a profanação do sábado, o sinal de distinção dos israelitas de todas as outras nações como adoradores do verdadeiro Deus. Neemias verificou que os mercadores pagãos e comerciantes dos países vizinhos que vinham a Jerusalém, tinham induzido muitos dos israelitas a se empenharem em negócios no sábado. Houve alguns que não puderam ser persuadidos a sacrificar o princípio; mas outros transgrediram, e se uniram aos pagãos em seus esforços para vencer os escrúpulos dos mais conscienciosos. Muitos ousaram violar o sábado abertamente. “Naqueles dias”, escreve Neemias, “vi em Judá os que pisavam lagares no sábado e traziam feixes que carregavam sobre jumentos; como também vinho, uvas e figos, e toda a casta de carga, que traziam a Jerusalém no dia de sábado. […] Também tírios habitavam dentro, que traziam peixe, e toda a mercadoria, que no sábado vendiam aos filhos de Judá, em Jerusalém.”

Esse estado de coisas podia ter sido evitado se os chefes tivessem exercido a sua autoridade; mas o desejo de impulsionar os seus próprios interesses tinha-os levado a favorecer a impiedade. Neemias destemidamente repreendeu-os por sua negligência do dever. “Que mal é este que fazeis profanando o sábado?” ele inquiriu asperamente. “Porventura não fizeram vossos pais assim, e nosso Deus não trouxe todo este mal sobre nós e sobre esta cidade? E vós ainda mais acrescentais o ardor de Sua ira sobre Israel, profanando o sábado.” E ordenou-lhes então que “dando das portas de Jerusalém já sombra antes do sábado”, fossem elas fechadas, e não mais se abrissem até passado o sábado; e tendo mais confiança em seus próprios servos do que naqueles que os magistrados de Jerusalém pudessem apontar, ele os estacionou nas portas da cidade, para que as suas ordens fossem executadas.

Não dispostos a abandonar os seus propósitos, “os negociantes e os vendedores de toda a mercadoria passaram a noite fora de Jerusalém uma ou duas vezes”, esperando encontrar oportunidade para comerciar, quer com os habitantes da cidade, quer com os do campo. Neemias advertiu-os de que seriam punidos se continuassem a assim proceder. “Por que passais a noite de fronte do muro?” ele perguntou. Se outra vez o fizerdes, hei de lançar mão de vós. Daquele tempo em diante não vieram no sábado”. Neemias 13:15-21. Também ele mandou aos levitas que guardassem as portas, sabendo que imporiam mais respeito que o povo comum, pois que de sua íntima relação com a obra de Deus, era razoável esperar que seriam mais zelosos em exigir obediência a Sua lei.

Então Neemias voltou sua atenção para o perigo que ameaçava Israel representado pelas uniões matrimoniais e a associação com idólatras. “Vi também naqueles dias”, ele escreve, “judeus que tinham casado com mulheres asdoditas, amonitas e moabitas; e seus filhos falavam meio asdodita, e não podiam falar judaico, senão segundo a língua de cada povo”. Neemias 13:23, 24.

Essas alianças ilícitas estavam causando grande confusão em Israel; pois alguns que nelas entraram eram homens de alta posição, chefes a quem o povo tinha o direito de olhar em busca de conselho e exemplo. Prevendo a ruína ante a nação se fosse permitido que o mal prosseguisse, Neemias arrazoou fervorosamente com os que erraram. Chamando a atenção para o caso de Salomão, lembrou-lhes que entre todas as nações não tinha havido rei como este homem, a quem Deus tinha dado grande sabedoria; porém mulheres idólatras haviam desviado de Deus o seu coração, e seu exemplo havia corrompido Israel. “E dar-vos-íamos nós ouvidos”, Neemias severamente questionou, “para fazermos todo este grande mal?” “Não dareis mais vossas filhas a seus filhos, e não tomareis mais suas filhas, nem para vossos filhos, nem para vós mesmos”. Neemias 13:25.

Sendo-lhes apresentadas as leis de Deus e ameaças, e os terríveis juízos que visitaram Israel no passado por causa deste mesmo pecado, sua consciência foi despertada, e teve início uma obra de reforma que desviou a ira ameaçadora de Deus e recebeu Sua aprovação e bênção.

Alguns houve no sagrado ofício que pleitearam por suas esposas pagãs, declarando que não poderiam separar-se delas. Mas nenhuma distinção foi feita; nenhuma consideração foi mostrada por classe ou categoria. Quem quer entre os sacerdotes ou chefes que recusasse cortar sua relação com idólatras, era imediatamente separado do serviço do Senhor. Um neto do sumo sacerdote, havendo casado com uma filha do tristemente célebre Sambalá, não foi apenas removido do ofício, mas prontamente banido de Israel. “Lembra-Te deles, Deus meu”, Neemias orou, “pois contaminaram o sacerdócio, como também o concerto do sacerdócio e dos levitas”. Neemias 13:29.

Quanta angústia de espírito essa necessária severidade custou ao fiel obreiro de Deus, somente o juízo revelará. Houve uma constante luta com elementos opositores; e somente com jejum, humilhação e oração, o progresso foi conseguido.

Muitos que tinham casado com idólatras escolheram acompanhá-los ao exílio; e a estes, juntamente com os que tinham sido expulsos da congregação, uniram-se os samaritanos. Nessa direção alguns que tinham ocupado altos postos na obra de Deus encontraram o seu caminho, e depois de algum tempo lançaram sua sorte com eles. Desejando fortalecer esta aliança, os samaritanos prometeram adotar mais amplamente a fé e os costumes judaicos; e os apóstatas, determinados a superar seus antigos irmãos, construíram um templo no Monte Gerizim, em oposição à casa de Deus em Jerusalém. Sua religião continuou a ser um misto de judaísmo e paganismo; e sua pretensão de ser povo de Deus foi uma fonte de cisma, emulação e inimizade entre as duas nações, de geração a geração.

Na obra de reforma a ocorrer hoje, há necessidade de homens que, como Esdras e Neemias não obscureçam ou desculpem o pecado, nem se esquivem de vindicar a honra de Deus. Aqueles sobre quem repousa o fardo desta obra, não se sentirão em paz quando o erro é praticado, nem cobrirão o mal com o manto da falsa caridade. Eles se lembrarão que Deus não faz acepção de pessoas, e que a severidade para com uns poucos pode representar misericórdia para com muitos. Lembrar-se-ão também de que o Espírito de Cristo deve ser revelado naquele que repreende o mal.

Em sua obra, Esdras e Neemias se humilharam perante Deus, confessando os seus pecados e os pecados do seu povo, e pleiteando o perdão como se fossem eles os ofensores. Pacientemente labutaram, oraram e sofreram. O que tornou mais difícil a sua obra não foram as hostilidades abertas dos pagãos, mas a oposição secreta de pretensos amigos, que, colocando a sua influência a serviço do mal, aumentaram dez vezes o fardo dos servos de Deus. Esses traidores forneceram os inimigos do Senhor com material para ser usado em sua guerra contra o seu próprio povo. Suas más paixões e rebeldes desejos estavam sempre em conflito com os claros reclamos de Deus.

Os sucessos que acompanharam os esforços de Neemias mostram o que a oração, fé e ação sábia e enérgica podem realizar. Neemias não era sacerdote; não era profeta; não fez praça de altos títulos. Ele era um reformador surgido para um importante tempo. Seu alvo era pôr o seu povo em harmonia com Deus. Inspirado com grande propósito, ele pôs cada energia do seu ser na sua realização. Alta e irredutível integridade marcou os seus esforços. Ao entrar em contato com o mal e a oposição ao direito, tomou posição tão determinada que o povo foi despertado para trabalhar com vivo zelo e coragem. Eles não podiam mais que reconhecer sua lealdade, seu patriotismo e profundo amor a Deus; e vendo isto, sentiram-se desejosos de segui-lo aonde ele os levasse.

Diligência numa atividade apontada por Deus é uma importante parte da verdadeira religião. Os homens deviam apoderar-se das circunstâncias como sendo instrumentos de Deus com que executar a Sua vontade. Ação pronta e decisiva no tempo certo alcançará gloriosos triunfos, ao passo que demora e negligência resultam em fracasso e desonra para Deus. Se os líderes na causa da verdade não mostram zelo, se são indiferentes, vagos, a igreja será descuidada e indolente, e amante dos prazeres; mas se são cheios de santo propósito para servir a Deus e a Ele somente, o povo será unido, esperançoso, cheio de ânimo.

A Bíblia se sobressai em contrastes vivos e evidentes. O pecado e a santidade são postos lado a lado, para que, considerando-os, possamos fugir de um e aceitar o outro. As páginas que descrevem o ódio, a falsidade e traição de Sambalá e Tobias, descrevem também a nobreza, devoção e altruísmo de Esdras e Neemias. Somos deixados livres para escolher a quem queremos imitar. Os terríveis resultados da transgressão das leis de Deus são postos em contraste com as bênçãos da obediência. Nós mesmos devemos decidir se queremos sofrer as conseqüências de um ou desfrutar o prêmio do outro.

A obra de restauração e reforma realizada pelos que voltaram do exílio sob a liderança de Zorobabel, Esdras e Neemias, apresenta o quadro de uma obra de restauração espiritual que deve ocorrer nos últimos dias da história da Terra. O remanescente de Israel era um povo débil, exposto à vindita dos seus inimigos; mas por intermédio deles Deus Se propôs preservar na Terra o Seu conhecimento e de Sua lei. Eles foram os guardiões do verdadeiro culto, os guardadores do santos oráculos. Variadas foram as experiências que tiveram na reconstrução do templo e dos muros de Jerusalém; forte foi a oposição que tiveram de enfrentar. Pesada foi a carga levada pelos líderes nesta obra; mas esses homens prosseguiram com inamovível confiança, em humildade de espírito, e firmemente estribados em Deus, crendo que Ele levaria Sua vontade ao triunfo. Como o rei Ezequias, Neemias “se chegou ao Senhor, não se apartou de após Ele, e guardou os mandamentos que o Senhor tinha dado. […] Assim foi o Senhor com ele”. 2 Reis 18:6, 7.

A restauração espiritual de que a obra levada a efeito nos dias de Neemias era um símbolo, é esboçada nas palavras de Isaías: “Edificarão os lugares antigamente assolados e restaurarão os de antes destruídos, e renovarão as cidades assoladas”. Isaías 61:4. “E os que de ti procederem edificarão os lugares antigamente assolados; e levantarás os fundamentos de geração em geração; e chamar-te-ão reparador das roturas, e restaurador de veredas para morar”. Isaías 58:12.

O profeta descreve aqui um povo que, em tempo de geral abandono da verdade e da justiça, está procurando restaurar os princípios que são o fundamento do reino de Deus. São os reparadores das brechas que têm sido feitas na lei de Deus — o muro posto em torno dos Seus escolhidos para a sua proteção, preceitos de justiça, verdade e pureza, cuja obediência é para sua perpétua salvaguarda.

Em palavras de importante significado, o profeta apresenta a obra específica desse remanescente que edifica o muro. “Se desviares o teu pé do sábado, e de fazer a tua vontade no Meu santo dia, e se chamares ao sábado deleitoso, e santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falar as tuas próprias palavras, então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da Terra, e te sustentarei com a herança do teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse”. Isaías 58:13, 14.

No tempo do fim, toda instituição divina deve ser restaurada. A brecha feita na lei quando o sábado foi mudado pelo homem, deve ser reparada. O remanescente de Deus, em pé diante do mundo como reformadores, deve mostrar que a lei de Deus é o fundamento de toda reforma perdurável, e que o sábado do quarto mandamento deve permanecer como memorial da criação, uma lembrança constante do poder de Deus. De maneira clara e distinta devem apresentar a necessidade de obediência a todos os preceitos do decálogo. Constrangidos pelo amor de Cristo, devem cooperar com Ele na reconstrução dos lugares assolados. Devem ser reparadores das roturas, e restauradores de veredas para morar. Isaías 58:12.

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/?id=7277

BLOG DA SEMANA, sobre Profetas e Reis, cap. 55-56

Os inimigos de Deus fizeram tudo o que puderam para desencorajar, dificultar e prejudicar Neemias, fingindo ser seus amigos. Mas, em resposta às fervorosas orações de Neemias, o Espírito Santo tornou claro o seu verdadeiro propósito. Recusando-se a ser intimidado, Neemias permaneceu no muro para que o trabalho pudesse continuar. Sua coragem fortaleceu a fé de seus colegas de trabalho e suas famílias.

Depois que o muro foi reconstruído, Esdras chamou o povo para ler e explicar a Palavra de Deus, que fora negligenciada. A manhã foi passada em adoração e instrução religiosa, e durante a tarde celebraram a bondade de Deus em refeição comunitária, testemunhos da bondade de Deus e compartilhando com os pobres.

Ao receberem as instruções das palavras da lei, as pessoas se conscientizaram do quanto haviam se distanciado do ideal de Deus para o Seu povo. Em arrependimento, prostraram-se diante do Senhor, confessando seus pecados e pedindo perdão. Mas – e achei que essa parte realmente provocante – não deveriam apenas lamentar e chorar e se arrepender, também deveriam se alegrar de que Deus os tivesse perdoado!

Às vezes, eu me pergunto se não somos demasiadamente rígidos e formais em nossas expressões de gratidão a Deus por Sua grande misericórdia. No capítulo 56, Ellen White descreve as pessoas de pé com as mãos abertas para o céu, cantando uma canção de louvor!

Para concluir sua experiência de “reunião campal” (Festa dos Tabernáculos), todos se comprometeram a não se casar com os incrédulos, profanar o Sábado ou reter seus dízimos e oferendas. E “o céu desceu até eles, e a glória encheu suas almas!”

Cindy Tutsch
Diretora Associada aposentada
Ellen G. White Estate

Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/sop/pk/55-56 e https://www.revivalandreformation.org/?id=1565
Tradução: Jeferson Quimelli e Gisele Quimelli

PROFETAS E REIS, cap. 55 e 56

Capítulo 55 — Ciladas dos pagãos

Este capítulo é baseado em Neemias 6.

Sambalá e seus confederados não ousavam fazer guerra aberta aos judeus; mas com crescente malícia continuaram os seus secretos esforços para os desencorajar, perturbar e injuriar. O muro em torno de Jerusalém estava indo depressa a caminho da conclusão. Quando estivesse concluído e suas portas assentadas, esses inimigos de Israel não poderiam esperar forçar entrada na cidade. Estavam, pois, desejosos o máximo de deter a obra o quanto antes. Por fim imaginaram um plano pelo qual esperavam afastar Neemias, do seu posto e uma vez tendo-o em seu poder matá-lo ou aprisioná-lo.

Sob o pretexto de conseguir um acordo entre as partes em oposição, eles procuraram uma conferência com Neemias, e convidaram-no a se encontrarem numa vila na planície de Ono. Mas esclarecido pelo Espírito Santo quanto ao real propósito que tinham em vista, ele recusou. “Enviei-lhes mensageiros, a dizer”, ele escreve: “Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer. Por que cessaria esta obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?” Mas os tentadores foram persistentes. Quatro vezes enviaram mensageiros com a mesma missão, e quatro vezes receberam idêntica resposta.

Verificando que esse esquema não funcionou, eles decidiram tentar um plano mais ousado. Sambalá enviou a Neemias um portador com uma carta aberta em que dizia: “Entre as gentes se ouviu, e Gasmu diz, que tu e os judeus intentais revoltar-vos, pelo que edificas o muro; e que tu te farás rei […] E que puseste profetas, para pregarem de ti em Jerusalém, dizendo: Este é rei em Judá. Ora o rei o ouvirá, segundo estas palavras; vem, pois, agora e consultemos juntamente”. Neemias 6:3-7.

Fosse verdade que tais boatos estavam circulando, e teria havido motivos para apreensão; pois logo o informe teria sido levado ao rei, que poderia determinar as mais severas medidas ante uma leve suspeita. Mas Neemias estava convicto de que a carta era inteiramente falsa, escrita para suscitar seus temores e fazê-lo cair no laço. Esta conclusão foi fortalecida pelo fato de que a carta havia sido enviada aberta, evidentemente para que as pessoas pudessem ler o que continha e ficarem alarmadas e intimidadas.

Neemias prontamente enviou a resposta: “De tudo o que dizes coisa nenhuma sucedeu, mas tu do teu coração o inventas”. Neemias 6:8. Neemias não ignorava os ardis de Satanás. Ele sabia que o que se fazia eram tentativas de enfraquecer as mãos dos construtores, e assim frustrar-lhes os esforços.

Vez após vez Satanás havia sido derrotado; e agora, com mais profunda malícia e engenho, ele tramou para o servo de Deus um ardil mais sutil e perigoso. Sambalá e seus companheiros assalariaram homens que professavam ser amigos de Neemias, para que lhe dessem maus conselhos como se partissem do Senhor. O mais empenhado nesta obra iníqua era Semaías, homem anteriormente tido em boa reputação por Neemias. Esse homem fechara-se numa câmara próxima ao santuário, como se temendo estar a sua vida em perigo. O templo estava então protegido por muros e portas, mas as portas da cidade ainda não tinham sido postas. Fingindo grande preocupação pela segurança de Neemias, Semaías aconselhou-o a buscar refúgio no templo. “Vamos juntamente à casa de Deus”, ele propôs, “ao meio do templo, e fechemos as portas do templo, porque virão matar-te; sim, de noite virão matar-te”. Neemias 6:10.

Tivesse Neemias seguido este conselho traiçoeiro, e teria sacrificado sua fé em Deus, e teria aparecido aos olhos do povo como covarde e desprezível. Em vista da importante obra que ele tinha assumido, e a confiança que professava ter no poder de Deus, teria sido absolutamente fora de propósito para ele esconder-se como se estivesse com medo. Espalhar-se-ia o alarma entre o povo, e cada um teria procurado sua própria segurança, ficando a cidade desprotegida, vindo a cair presa dos seus inimigos. Este procedimento desavisado da parte de Neemias seria uma virtual entrega de tudo o que tinha sido alcançado.

Neemias não demorou a penetrar o verdadeiro caráter e objetivo do seu conselheiro. “Conheci que eis que não era Deus quem o enviara”, ele diz; “mas esta profecia falou contra mim, porquanto Tobias e Sambalá o subornaram. Para isto o subornaram, para me atemorizar, e para que eu assim fizesse, e pecasse, para que tivessem alguma coisa a fim de me infamarem, e assim me vituperarem.”

O infamante conselho dado por Semaías fora apoiado por mais que um homem de alta reputação, que, enquanto professando amizade por Neemias, estavam secretamente aliados com seus inimigos. Mas não tiveram êxito com o seu engano. A destemida resposta de Neemias foi: “Um homem como eu fugiria? e quem há, como eu, que entre no templo e viva? De maneira nenhuma entrarei”. Neemias 6:12, 13, 11.

Apesar das ciladas dos inimigos, a obra de reconstrução prosseguiu firmemente, e em menos de dois meses desde a chegada de Neemias a Jerusalém, a cidade havia sido circundada de defesas, e os construtores podiam andar sobre os muros e olhar lá embaixo os seus inimigos atônitos e derrotados. “Ouvindo-o todos os nossos inimigos, temeram, todos os gentios que havia em roda de nós, e abateram-se muito em seus próprios olhos”, escreveu Neemias; “porque reconheceram que o nosso Deus fizera esta obra.”

Mas nem mesmo esta evidência da mão controladora do Senhor fora suficiente para conter o descontentamento, a traição e rebelião entre os israelitas. “Alguns nobres de Judá escreveram muitas cartas, que iam para Tobias, e as cartas de Tobias vinham para eles. Porque muitos em Judá se lhe ajuramentaram, porque era genro de Secanias”. Neemias 6:16-18. Aqui se vêem os maus resultados de mistura matrimonial com idólatras. Uma família de Judá se aparentara com os inimigos de Deus, e essa relação havia-se provado um laço. Muitos outros haviam feito o mesmo. Esses, como a multidão mestiça que viera com Israel do Egito, foram uma fonte de contínua perturbação. Eles não eram sinceros em seu serviço; e quando a obra de Deus demandou sacrifício, mostraram-se prontos para violar seu solene juramento de cooperação e ajuda.

Alguns que haviam estado na dianteira em planejar ciladas contra os judeus, passam a manifestar o desejo de estar em boa paz com eles. Os nobres de Judá que haviam sido enredados em casamentos idólatras, e que tinham mantido traiçoeira correspondência com Tobias, jurando servi-lo, apresentavam-no agora como um homem de habilidade com quem uma aliança seria de grande vantagem para os judeus. Ao mesmo tempo traiçoeiramente lhe levavam os planos e movimentos de Neemias. Assim era a obra de Deus exposta aos ataques dos seus inimigos, dando-se oportunidade a que as palavras e atos de Neemias fossem mal interpretados e sua obra embaraçada.

Quando os pobres e oprimidos apelaram a Neemias no sentido de que se reparasse o mal, ele se pusera corajosamente em sua defesa, e havia levado os que fizeram o mal a remover o reproche que sobre eles repousava. Mas a autoridade que ele havia exercido em favor dos seus concidadãos oprimidos, não a exerceu agora em seu próprio proveito. Seus esforços tinham sido resistidos por alguns com ingratidão e deslealdade, mas ele não usou o seu poder para levar punição aos traidores. Com a calma e altruísmo prosseguiu ele no serviço pelo povo, jamais afrouxando os seus esforços ou permitindo que o interesse diminuísse.

Os assaltos de Satanás sempre têm sido dirigidos contra os que têm procurado promover a obra e a causa de Deus. Embora muitas vezes frustrado, ele renova outro tanto os seus ataques com vigor igualmente renovado, usando meios até então não experimentados. Mas o que é mais de temer é a sua secreta operação por intermédio dos que se professam amigos da obra de Deus. A oposição aberta pode ser feroz e cruel, mas traz em si muito menos perigo para a causa de Deus que a inimizade secreta dos que, enquanto professando servir a Deus, são servos cordiais de Satanás. Esses têm em seu poder colocar toda vantagem nas mãos dos que usariam seu conhecimento para embaraçar a obra de Deus e lesar Seus servos.

Todo artifício que o príncipe das trevas pode sugerir será empregado para induzir os servos de Deus a formar uma confederação com os agentes de Satanás. Repetidas solicitações virão chamá-los do dever; mas comoNeemias, eles devem firmemente responder: “Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer.” Os obreiros de Deus podem manter-se a salvo com sua obra, permitindo que seus esforços refutem as falsidades que a malícia possa cunhar para prejudicá-los. Como os construtores dos muros de Jerusalém, devem recusar ser desviados de sua obra pelas ameaças, motejos ou falsidades. Nem por um momento devem relaxar sua atenção ou vigilância; pois os inimigos estão de contínuo em seu rastro. Devem orar sempre a Deus, e pôr “uma guarda contra eles, de dia e de noite”. Neemias 4:9.

Ao aproximar-se o tempo do fim, as tentações de Satanás serão dirigidas com maior poder contra os obreiros de Deus. Ele empregará agentes humanos para insultar e desanimar os que “edificam o muro.” Mas se os edificadores descerem para enfrentar esses ataques isto tão-somente retardaria a obra. Devem eles procurar derrotar os propósitos dos seus adversários; mas não devem permitir que coisa alguma os desvie de sua obra. A verdade é mais forte que o erro, e o direito prevalecerá sobre a injustiça.

Também não devem eles permitir que seus inimigos lhes conquistem a amizade e a simpatia, e assim induzi-los a desviarem-se do posto do dever. Aquele que por qualquer ato desavisado expõe a causa de Deus à vergonha, ou enfraquece as mãos dos seus coobreiros, põe sobre o próprio caráter uma nódoa não facilmente removível, e coloca um sério obstáculo no caminho de sua futura prestatividade.

“Os que deixam a lei louvam o ímpio”. Provérbios 28:4. Quando os que se estão unindo com o mundo, embora proclamando grande pureza, reclamam união com os que sempre foram opositores da causa da verdade, devemos temer e evitá-los tão decididamente como o fez Neemias. Tal conselho é sugerido pelo inimigo de todo o bem. É o falar de oportunistas, e deve ser resistido tão resolutamente hoje como o foi então. Qualquer que seja a influência que tende a desviar a fé do povo de Deus em Seu poder guiador, deve ser firmemente resistida.

Na firme devoção de Neemias à obra de Deus, e sua confiança igualmente firme em Deus, está a razão da derrota dos seus inimigos em atraí-lo ao seu poder. A alma indolente facilmente cai presa da tentação; mas na vida que tem nobre alvo, absorvente propósito, o mal encontra pouco terreno. A fé de quem está constantemente avançando não se debilita; pois acima, embaixo, além, ele reconhece o Infinito Amor promovendo todas as coisas para realização do Seu bom propósito. Os verdadeiros servos de Deus trabalham com determinação que não falhará, porque estão na constante dependência do trono da graça.

Deus tem provido assistência para todas as emergências que superam os recursos humanos. Ele dá o Espírito Santo para ajudar em toda dificuldade, fortalecer a esperança e segurança, iluminar a mente e purificar o coração. Ele provê oportunidades e soluções. Se Seu povo estiver atento à Sua providência e pronto para cooperar com Ele, poderosos resultados serão vistos.

Capítulo 56 — Instruídos na lei de Deus

Este capítulo é baseado em Neemias 8-10.

Era o tempo da Festa das Trombetas. Muitos estavam reunidos em Jerusalém. O cenário dava uma impressão lastimável. O muro de Jerusalém tinha sido reconstruído, e as portas assentadas; mas uma grande parte da cidade estava ainda em ruínas.

Sobre uma plataforma de madeira, erguida numa das ruas mais largas, e rodeado por todos os lados por tristes lembranças da antiga glória de Judá, estava Esdras, agora envelhecido. A sua direita e a sua esquerda reuniram-se seus irmãos levitas. Olhando do alto da plataforma, seus olhos percorreram o mar de cabeças. Os filhos do concerto tinham-se congregado de todos os recantos do país. “E Esdras louvou o Senhor, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém […] e inclinaram-se, e adoraram ao Senhor, com os rostos em terra”. Neemias 8:6.

Entretanto mesmo aqui estava a evidência do pecado de Israel. Através de casamento misto do povo com outras nações, a linguagem hebraica tinha-se tornado corrompida, e grande cuidado era necessário da parte dos oradores, para explicar a lei na linguagem do povo, a fim de que pudesse ser entendida por todos. Alguns dos sacerdotes e levitas uniram-se com Esdras na explicação dos princípios da lei. “E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse.”

“E os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da lei”. Neemias 8:8, 3. “Eles ouviam, absortos e reverentes, as palavras do Altíssimo. Sendo a lei explicada, eles se convenceram de sua culpa, e choraram por causa de suas transgressões. Mas esse era um dia festivo, um dia de regozijo, uma santa convocação, um dia no qual o Senhor tinha ordenado ao povo que se mostrasse alegre e jubiloso; e em vista disto foram chamados a restringir suas mágoas, e a se rejubilarem por causa da grande misericórdia do Senhor para com eles. “Este dia é consagrado ao Senhor vosso Deus”, disse Neemias, “pelo que não vos lamenteis, nem choreis. […] Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. Portanto não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força”. Neemias 8:9, 10.

A primeira parte do dia fora devotada a exercícios religiosos, e o povo despendeu o resto do tempo em grata reconsideração das bênçãos de Deus, e em desfrutar a abundância que Ele provera. Porções foram também enviadas aos pobres que nada tinham para preparar. Houve grande regozijo, por causa das palavras da lei que haviam sido lidas e entendidas.

No dia seguinte, a leitura e explicação da lei teve prosseguimento. E no tempo indicado — no décimo dia do sétimo mês — realizaram-se as solenes cerimônias do dia da expiação, de acordo com a ordenação de Deus.

Do décimo quinto ao vigésimo segundo dia do mesmo mês, o povo e seus chefes guardaram uma vez mais a Festa dos Tabernáculos. “E fizeram passar pregão por todas as suas cidades, e em Jerusalém, dizendo: Saí ao monte, e trazei ramos de oliveiras, e ramos de zambujeiros, e ramos de murtas, e ramos de palmeiras, e ramos de árvores espessas, para fazer cabanas, como está escrito. Saiu, pois, o povo, e de tudo trouxeram, e fizeram para si cabanas, cada um no seu terraço, e nos seus pátios, e nos átrios da casa de Deus. […] E houve mui grande alegria. E de dia em dia ele Esdras lia no livro da lei de Deus, desde o primeiro dia até ao derradeiro”. Neemias 8:15-18.

Ao atentar dia a dia para as palavras da lei, o povo ficara convencido de suas transgressões, e dos pecados de sua nação em passadas gerações. Viram que fora por causa do afastamento de Deus que Seu cuidado protetor tinha sido retirado, e que os filhos de Abraão tinham sido espalhados pelas terras estrangeiras; e se determinaram buscar Sua misericórdia e empenharem-se em andar nos Seus mandamentos. Antes de entrarem nesta solene cerimônia, que tivera lugar no segundo dia após o encerramento da Festa dos Tabernáculos, eles se separaram dos pagãos que havia entre eles.

Prostrando-se o povo ante o Senhor, e confessando os seus pecados e suplicando perdão, seus líderes os encorajaram a crer que Deus, segundo a Sua promessa, ouvira suas orações. Não deviam eles apenas lamentar e chorar e arrepender-se, mas deviam crer que Deus os perdoara. Deviam mostrar sua fé passando em revista Suas misericórdias e louvá-Lo por Sua bondade. “Levantai-vos”, disseram esses ensinadores, “bendizei ao Senhor vosso Deus de eternidade em eternidade.”

Então da multidão reunida, ao se levantarem com as mãos estendidas para o céu, elevou-se o cântico:

“Bendigam o nome da Tua glória,
que está levantado sobre toda a bênção e louvor.
Tu só és Senhor, Tu fizeste o Céu, o Céu dos Céus,
e todo o seu exército,
a Terra e tudo quanto nela há,
os mares e tudo quanto neles há,
e Tu os guardas em vida a todos,
E o exército dos Céus Te adora”.

Neemias 9:5, 6.

Findo o cântico de louvor, os líderes da congregação relataram a história de Israel, mostrando quão grande tinha sido a bondade de Deus para com eles, e como tinha sido grande a ingratidão deles. Então toda a congregação entrou num concerto para guardar os mandamentos de Deus. Eles haviam sofrido a punição por seus pecados; agora reconheciam a justiça do trato que Deus lhes dispensara, e se comprometeram em obedecer a Sua lei. E para que este fosse “um firme concerto”, sendo preservado em forma permanente, como um memorial da obrigação que haviam tomado sobre si, foi ele escrito, e os sacerdotes, levitas e príncipes o assinaram. Devia ele servir como um memorando do dever e uma barreira contra a tentação. O povo fez um solene juramento de que “andariam na lei de Deus, que foi dada pelo ministério de Moisés, servo de Deus, e de que guardariam e cumpririam todos os mandamentos do Senhor, nosso Senhor, e os Seus juízos e os Seus estatutos”. O juramento feito nesse dia incluía a promessa de não se casarem com o povo da terra.

Antes que o dia de jejum findasse, o povo manifestou ainda sua determinação de retornar ao Senhor, comprometendo-se a cessar de profanar o sábado. Neemias não fizera nessa ocasião, como o fez mais tarde, valer sua autoridade para evitar que os mercadores pagãos entrassem em Jerusalém; mas num esforço para salvar o povo de se render à tentação, obrigou-os, por um solene concerto, a não transgredirem a lei do sábado comprando desses mercadores, na esperança de que isto desencorajasse os vendedores e pusesse fim ao seu comércio.

Tomou-se providência também para o sustento do culto público a Deus. Além do dízimo, a congregação se comprometeu a contribuir anualmente com uma soma estabelecida para o serviço do santuário. “Também lançamos sortes”, escreve Neemias, “que também traríamos as primeiras novidades da nossa terra, e todos os primeiros frutos de todas as árvores, de ano em ano, à casa do Senhor; e os primogênitos dos nossos filhos, e os do nosso gado, como está escrito na lei; e que os primogênitos das nossas vacas e das nossas ovelhas traríamos à casa do nosso Deus”. Neemias 10:35, 36.

Israel tinha voltado para Deus com profunda tristeza pela apostasia. Haviam feito confissão com lamentação e pranto. Haviam reconhecido a justiça do trato de Deus para com eles, e tinham feito o concerto para obedecer a Sua lei. Agora eles deviam manifestar fé em Suas promessas. Deus havia aceito o seu arrependimento; deviam agora alegrar-se na certeza do perdão dos pecados e na sua restauração ao favor divino.

Os esforços de Neemias para restaurar o culto do verdadeiro Deus tinham sido coroados de sucesso. Enquanto o povo fosse leal ao juramento feito, enquanto fosse obediente à Palavra de Deus, o Senhor cumpriria Sua promessa derramando ricas bênçãos sobre eles.

Há para os que estão convictos do pecado e carregados com o senso de sua indignidade lições de fé e encorajamento neste relato. A Bíblia apresenta fielmente o resultado da apostasia de Israel; mas ela pinta também a profunda humilhação e arrependimento, a fervente devoção e generoso sacrifício que assinalaram suas ocasiões de retorno para o Senhor.

Toda conversão verdadeira ao Senhor produz permanente alegria na vida. Quando um pecador se rende à influência do Espírito Santo, ele vê sua própria culpa e mácula em contraste com a santidade do grande Pesquisador dos corações. Ele se vê a si mesmo condenado como transgressor. Mas não deve por causa disto entregar-se ao desespero; pois o seu perdão já está assegurado. Ele pode alegrar-se na certeza do perdão dos pecados, no amor de um perdoador Pai celestial. É a glória de Deus envolver os seres humanos pecadores arrependidos nos braços do Seu amor, ligar suas feridas, purificá-los do pecado e vesti-los com os vestidos da salvação.

Fonte: https://www.revivalandreformation.org/?id=7276